O despovoamento remeteu ao silêncio tradições, usos e costumes em pequenas localidades portugueses que uma associação se propõe reavivar, estimulando as comunidades locais a ir ao baú recuperar símbolos da sua identidade que devolvam vida ao quotidiano.
“Há Festa na Aldeia” é o nome do projeto inspirado no filme de Jacques Tati e coordenado pela ATA - Associação de Turismo da Aldeia, que envolve oito localidades do norte do Portugal e que tem como missão principal “combater o isolamento”, trabalhando com os parceiros locais na recuperação de tradições e organização de eventos para levar vida às aldeias.
O projeto começou há cinco anos, impulsionado por uma associação de desenvolvimento local, a Terras de Santa Maria, e foi agregando aldeias como Areja (Gondomar) Burgo (Felgueiras), Castromil (Paredes), Couce (Valongo), Figueira (Penafiel), Porto Carvoeiro (Santa Maria da Feira), Ul (Oliveira de Azeméis) e Vilarinho de S. Roque (Albergaria a Velha).
Chegou agora a mais três aldeias transmontanas, nomeadamente Talhas (Macedo de Cavaleiros) , Paradela (Miranda do Douro) e Rio de Onor (Bragança).
Ao longo do ano decorrem vários encontros com as comunidades e parceiros locais como aquele a que assistiu a Lusa numa das aldeias Maravilha de Portugal, Rio de Onor, conhecida pelo comunitarismo e pela particularidade de partilhar o quotidiano com a aldeia “gémea” espanhola com o mesmo nome.
Esta foi a segundo reunião em Rio de Onor e o presidente da junta, José Preto, ainda está na expectativa, embora “como sempre é apanágio desta terra”, está aberto “a todas as iniciativas que possam trazer mais-valias”.
Daquilo que já percebeu, a ideia é “revitalizar tradições antigas”, ouviu falar em “oficinas dos espantalhos, no dialeto”, e sobretudo a imagem de marca desta aldeia a menos de 30 quilómetros, e que é conhecida pelo comunitarismo.
Com cerca de 50 habitantes “cada vez com maior idade, de setentas (anos) para cima”, as tradições vão-se perdendo, como constatou o autarca, que é dos mais jovens por ali e vive em Bragança.
“Os novos fugiram daqui e há que tentar com o pessoal que temos, pelo menos, pontualmente reviver aquilo que nos deu o nome, o que hoje somos”, enfatizou.
No segundo encontro, Rita Pinto, coordenadora do projeto e Ana Margarida Almeida, da área da comunicação, já têm algumas ideias e propostas para discutir com a comunidade local, desde o comunitarismo, às danças e trajes tradicionais, a um pequeno dicionário do dialeto local (o rionorês).
A proposta da data para o evento principal “Há Festa na Aldeia”, é 08 e 09 de setembro, e aí será mostrado o que foi sendo preparado.
“Eu vou fazer o pão, mas eu sozinha não consigo”, atira Maria Joaquina, de 68 anos, a quem agrada a ideia, mas teme que vá “ser muito complicado com algumas pessoas”, que “têm medo”.
A expectativa é: “vamos ver”, numa aldeia onde turistas não faltam, que o diga Joaquina que um dia destes andava a cozer pão e “eles levaram-no (compraram) todo”.
Além do combate ao isolamento, o objetivo do projeto é que “as pessoas percebam que elas próprias conseguem fazer e tenham vaidade novamente na aldeia, e que a aldeia brilhe”, como realçaram as promotoras.
Segundo contaram à Lusa, já têm duas aldeias (Vilarinho de São Roque e Ul) com “muito potencial para conseguirem fazer sozinhas, com eventos criados ao longo do ano como corridas, caminhadas, magustos.
Ana Margarida aponta ainda que este projeto “ acaba por contribuir também um bocadinho para a economia local”.
“As pessoas vendem as coisas no mercado da aldeia, nós ajudamos nessa parte com as oficinas e depois as associações também conseguem algum retorno financeiro importante durante os dias da festa”, concretizou.
A ATA congrega 15 grupos de ação local, os chamados GAL, que gerem verbas comunitárias para pequenos projetos de desenvolvimento rural.
O “Há Festa na Aldeia” propõe-se investir um milhão de euros em três anos, financiados em 70% por um programa para a Inovação Social do Norte 2020, destinado a apoiar respostas sociais inovadoras.
O restante montante é assegurado pelo Turismo Porto e Norte com o apoio dos municípios.
Os promotores contam ainda com a colaboração que vai aparecendo a nível local como a de Rui Magalhães, um jovem ligado ao folclore.
Rui fala, por exemplo, do trajes típicos de Rio de Onor e que, como em outras situações, foram arrumados por as pessoas terem vergonha do que era antigo.
“Mas se as desafiarem a ir ver o que têm nas arcas antigas até podem surgir coisas que são de um valor incalculável e não têm noção”, observou.
A identidade destas comunidades fica também registada nos retratos da aldeia, resultado da recolha fotográfica que está a ser realizada pelo fotógrafo Jorge Bacelar, destinada ao cartaz de promoção da “festa” e a exposições.
Agência Lusa
Número total de visualizações do Blogue
Pesquisar neste blogue
Aderir a este Blogue
Sobre o Blogue
SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário