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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O MUNICÍPIO DE BRAGANÇA. EVOLUÇÃO ADMINISTRATIVA E ORGANIZAÇÃO DO PODER MUNICIPAL (1820-2012)

Foi nos Municípios, gineceu carinhoso, onde desabrochou e se tornou vigorosa a
árvore da liberdade; pois jamais a gozaremos, se um forte sentimento de nacionalidade
a não escora, e este pode ser grandioso num povo que vive vida própria,
buscando nas suas tradições e no seu passado histórico o retempero das energias
que vigorizam, definem e criam os carateres, o tipo nacional, o tipo regional, que
sabe fazer-se respeitar, impor-se mesmo pela grandiosidade do seu espírito e ciente
crença numa aspiração a realizar.
Muitas declamações retóricas apoteoseando a liberdade, e não se procura conhecer,
fazer amar o Municipalismo que a fecundou, donde esse sistema administrativo
centralizado que nos enerva e estrangula lentamente.

(Francisco Manuel Alves, Memórias Arqueológico-Históricas
do Distrito de Bragança, tomo I, Porto, 1910)

Paços do Concelho de Bragança
Bragança, em 1820, era já sede de um Concelho. Mas a Cidade não se esgotava no papel de simples cabeça de Município. Exercia outras funções centrais, “subordinadas ao poder estatal da organização do território”, e que a distinguia claramente das sedes dos outros concelhos trasmontanos.
Importa assim, antes de abordarmos a evolução administrativa do Município de Bragança nos séculos XIX e XX, tecer algumas considerações sobre a Cidade enquanto centro de serviços administrativos, para, no final deste capítulo, analisarmos a organização do poder municipal em Bragança, nomeadamente quanto ao Presidente e composição da sua Câmara Municipal, bem como à autonomia camarária ao longo deste período.

AS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS OFICIAIS DE BRAGANÇA

Enquanto entidade administrativa supramunicipal, intermédia entre o poder central e os poderes locais, podemos distinguir claramente dois períodos: um, que vai de 1800 a 1834; outro, que se desenvolve entre 1835 e 2011.
Desde o século XVI e até à instauração definitiva do liberalismo em Portugal, que ocorreu em 1834, Bragança foi sede de ouvidoria ou comarca, uma das circunscrições administrativo-judiciais em que o Reino se encontrava dividido – neste caso, um território geográfico descontínuo, constituído basicamente por duas áreas: a oriental, dominada pelo Município de Bragança, e a ocidental, formada pelos concelhos de Chaves, Montalegre, Ruivães e outros coutos e honras adjacentes, dividindo as duas áreas referidas o território da comarca de Moncorvo.
Bragança constituía assim o centro dominante do Alto Trás-os-Montes, aí residindo o ouvidor ou corregedor da comarca – apresentado pela Casa de Bragança –, os seus escrivães e demais oficiais do juízo da correição.
A extinção das comarcas, enquanto estrutura administrativa e judicial do Antigo Regime, vai dar origem, em 1835, aos distritos, com um magistrado nomeado pelo poder central, o Governador Civil, auxiliado nas suas funções por uma Junta Geral do Distrito, eletiva.
Na sequência desta reorganização administrativa de Portugal, a Cidade passou a sede do Distrito de Bragança, com um território que se manteve praticamente inalterado até aos nossos dias. Bragança, onde começaram a funcionar os serviços do Governo Civil, perde a influência “horizontal” que até então detivera no contexto trasmontano, e ganha, a partir de então, um predomínio “vertical”, uma vez que o novo Distrito abrange, agora, o Nordeste Trasmontano, ou seja, parte da Terra Fria e parte da Terra Quente, tendo o Rio Douro como o seu limite a sul.
Os governos civis foram extintos em 2011, mas os distritos permanecem, uma vez que o seu desaparecimento implica a revisão da Constituição. Assim, ao presente, o Distrito de Bragança mantém-se, mas desprovido de quaisquer órgãos administrativos próprios.

continua...

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

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