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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Cantigas de romaria e de trabalho em Trás-os-Montes


 Cantigas de Romaria

«As festas e romarias, tão caras à alma do nosso povo, crente e folgazão, têm uma função simultaneamente religiosa e social.

A elas afluem, de todas as partes por onde andam dispersos, os filhos da terra, para alimentar a fé que os liga à sua igreja e fortalecer as raízes que os ligam ao seu torrão natal.

Nelas se robustecem velhas amizades e se criam outras novas, embora, às vezes, se gerem também discórdias, porque o calor aperta e o vinho sobe à cabeça dos romeiros, o que felizmente se vai tornando cada vez mais raro.

Depois de satisfeitas as devoções e cumpridos os votos, vá de dar largas à emoção e à alegria, num convívio salutar e fraterno, com os parentes e amigos, cantando e dançando, no largo da igreja ou no recinto da ermida.

Para isso, o próprio povo criou, na linha das cantigas de romaria, uma poética especial, que contempla, ao mesmo tempo, a religião e o amor. (…)»

Cantigas de Trabalho

«Após as romarias, em que o povo se diverte e descontrai, volta o trabalho, que é duro e penoso.

Para amenizar essa dureza, não há nada como cantar: Quem canta seu mal espanta.

Por isso, não faltam no reportório do povo canções para esse fim, e em maior abundância do que para os dias festivos, já que são mais os dias de labor do que os de lazer.

Outrora, sobretudo no meio rural, o trabalho era todo feito a cantar. O eco dos sachadores e dos ceifeiros elevava-se nos ares, enchia os vales e as encostas, fazendo do campo um vasto auditório musical.

Infelizmente, essa alegria tende a desaparecer, se é que não desapareceu já. À medida que a máquina substitui o esforço humano, deixa de se sentir a necessidade de se cantar.

Por isso, hoje, o povo já não canta no trabalho. Ou, se o faz, não canta as suas próprias canções.

Entoa músicas estranhas, sem alma nem beleza, que nada têm a ver com a sua identidade cultural e que lhe são impingidas pela propaganda radiofónica, em nome duma arte e de progressos muito duvidosos.

É a perda de uma faceta importante do nosso povo. É o requiem por uma cultura que se extingue.

E é pena. (…)»

Joaquim Alves Ferreira in Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – II volume – Cancioneiro | Imagem de destaque, meramente ilustrativa: “Ilustração Portuguesa”, nº 825 – 1922

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