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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 7 de janeiro de 2023

ARTUR BOTELHO — 2

 Apenas duas Amigas aceitaram o repto de comentar a fisionomia de Artur Botelho — e não são particularmente loquazes. Uma, Ana Isabel Soares, escreve uma única palavra: ‘monocelha’. Outra, uma velha Amiga dos tempos de Macedo de Cavaleiros, Maria José Valente Ferreira, estende-se um pouco mais: ‘Farta bigodaça e pêra contida. Tem melhor figura que o Guerra.’ 
Confesso que esperava mais comentários. E, para suprir a escassez, aí vai a opinião que já deixei expressa algures: “[o rosto] mostra, no arqueado das sobrancelhas e na fixidez algo ausente do olhar, um homem propenso a cismar, mas talvez não dado a versejar. Tem um fácies de homem do campo, cujo pescoço tenha sido entalado à força num papillon. As sobrancelhas formam um continuum e lembram, pelo referido arqueado, as asas abertas de uma ave negra. A cabeleira é farta e crespa, dividida simetricamente por uma risca ao meio. O bigode é farfalhudo, com guias retorcidas à maneira da época, e completado por pêra que mal disfarça um ligeiro prognatismo. Há um não sei quê de doentio naquele rosto [...].” 
Mas basta de fisionomia. Continuemos a falar do nosso homem (salvo seja).
Pelo testemunho de um grande amigo e companheiro, também jornalista no Porto, chamado Fernandes da Siva, ficamos a saber, com alguma surpresa, que Artur Botelho, além de uma “robusta personalidade”, era senhor de uma compleição atlética, que fazia valer quando se tornava necessário. Diz Fernandes da Silva: “Nunca provocou ninguém, nunca troçou de ninguém. Mas a sua fama de valente tentou muitas vezes a bazófia dos célebres da desordem e da zaragata, que não resistiam a desafiá-lo. Não vacilava. Sempre os afrontou de cara, sem demora, e por tal maneira se havia, que jamais a sua hercúlea musculatura saiu diminuída dessas lutas.” 
Quem diria, olhando para aquele semblante mortiço de homem pacato?
Acontece muitas vezes que os homens mais fortes fisicamente são pacíficos por natureza, embora temíveis quando provocados. É o amigo Fernandes da Silva que nos dá a saber que Artur Botelho, sendo “forte como o aço, justiceiro como poucos, era dotado de um coração cuja sensibilidade surpreendia. A cada passo o via com as lágrimas nos olhos, tocado de ternura pelas coisas mais simples.”
Desconheço se levou uma existência afortunada, mas os seus últimos anos não foram felizes. Tinha duas filhas que adorava, mas viviam, suponho, na aldeia. Ao ser transferido em serviço para Lisboa, fica ainda mais longe delas, o que lhe traz mais sofrimento. Aquele que só ansiava (vale ainda o testemunho de Fernandes da Silva) por “saborear a vida, livre, enfim, das obrigações burocráticas, despreocupadamente, numa velhice feliz, na paz deliciosa da sua cantada aldeia, embalado pelos carinhos e pela jovialidade daquelas que eram toda a sua vida”, adoece, mas fiado na sua robustez, recusa tratamentos e morre aos 67 anos. E é ainda Fernandes da Silva que informa: “Teve no entanto a sorte de cair de pé, inteiriço como sempre viveu, forte na sua vontade de triunfar e cheio de fé nesse triunfo”. 
Até aqui, pouco se falou de Artur Botelho escritor, que é afinal a faceta que mais interessa. Mas prometo que falaremos a partir da próxima crónica, se os meus Amig@s quiserem como eu quero. Valeu?

A. M. Pires Cabral

Miranda do Douro: Regressam os cantares de Reis

 Com o propósito de manter viva a tradição de cantar os Reis, o município de Miranda do Douro, vai promover no serão de sábado, dia 7 de janeiro, o encontro “Bamos a cantar ls Reis”, uma iniciativa que vai juntar no miniauditório, vários grupos corais de todo o concelho.


O grupo “Quinteto Reis” interpreta o tema “Ora vem ver”

De acordo com a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, após dois anos impossibilitados de organizar o encontro de cantares dos Reis, por causa da pandemia, este ano verifica-se uma grande adesão de grupos de todo o concelho.

“As pessoas têm muita vontade de participar nos Cantares dos Reis e estou em crer que o miniauditório, em Miranda do Douro, se vai tornar pequeno para tanta gente!”, adiantou.

A autarca confirmou que no encontro “Bamos a cantar ls Reis”, agendado para o sábado, dia 7 de janeiro, às 21h00, em Miranda do Douro vão participar grupos da cidade, da vila de Sendim, de outras aldeias do concelho e um grupo infantil da Escola Básica.

Sobre os Cantares dos Reis, Helena Barril, disse apreciar sobretudo as músicas interpretadas pelo grupo “Quinteto Reis”.

“Os ‘Quinteto Reis’ surgiram precisamente para cantar os Reis e preservar músicas que corriam o risco do esquecimento. Com os ‘Quinteto Reis’ aprendemos muitos cantares antigos. Este grupo foi inovador e inspirou mesmo o surgimento de outros grupos, assim como uma maior atenção e preservação dos cantares tradicionais”, indicou.

Os “Quinteto Reis” surgiram em 1984 com o propósito inicial de preservar a tradição dos “Cantares dos Reis”. Com a passar dos anos e dado o bom acolhimento do público, o grupo foi interpretando outros temas musicais caraterísticos da Terra de Miranda.

O grupo chegou a editar um disco intitulado “Quinteto Reis 84”, composto por 16 temas e que são a base dos seus concertos.

Ao longo destes 38 anos de atividade já atuaram em vários palcos, desde a Festa do Avante, às tradicionais festas populares mas também em festas de aniversário, casamentos e batizados. De acordo com o músico e também artesão, António José Dias, o segredo da longevidade do “Quinteto Reis” deve-se sobretudo à grande amizade que há entre os membros do grupo.

HA

Veio a chuva … calaram-se os profetas da desgraça! Para o ano há mais …

 E chegamos ao fim do ano 2022, com as barragens cheias, os aquíferos recarregados, os solos saturados, fruto dum Outono mais chuvoso que se seguiu a um ano particularmente seco … como acontece há milhares de anos em Portugal!
Por onde andam os Profetas da Desgraça, que ainda em Setembro diziam que iriamos ter um Outono quente e seco, que se não chovesse o ano de 2023 seria uma desgraça … calaram-se? será que voltam dentro de alguns meses, caso aconteça uma cheia no Tejo, a contar a história ao contrário, que agora é que vão ser elas, vamos morrer todos afogados? Ou só voltam em Agosto, quando não chover, como habitualmente?
Deixemos de infantilidades, de chorar quando temos fome … no caso, sede! O problema é sério e não se resolve com cíclicos alarmismos desnecessários, cuja única solução é: não bebam, não reguem, não lavem, não usem …!
Esta atitude traduz-se num círculo vicioso perverso, onde Ambientalistas necessitados de “canal” e apoiados por alguns Académicos necessitados de verbas para estudos, desresponsabilizam os Políticos, que passaram a usar as Alterações Climáticas como desculpa para nada prever, antecipar e fazer: “Estamos perante um fenómeno nunca visto! Não estávamos à espera”! É a ciência que o diz!
É tempo de deixarmos de funcionar como a Cigarra, chorando no Verão a água que não se tem, e passar a funcionar como a Formiga, guardando-a quando há, para a distribuir quando em falta.
É hora de aceitar a irregularidade da chuva, que até pode estar ainda mais irregular e extremada, em resultado das alterações climáticas, razão pela qual se deve gerir melhor a água disponível, guardando no Inverno e nos anos húmidos a água para a distribuir no Verão e nos anos secos.
Ao contrário dos tais “Especialistas”, que se limitam a culpar o Povo, que gasta muita água, devemos avançar com soluções que resolvam o problema.
Quando, no Sec 16, faltou água em Lisboa, a solução não foi dizer “usem menos”, foi fazer chafarizes públicos, como o d’El Rey e outros, para abastecer a população e os barcos que partiam para os descobrimentos. No Sec 18, a falta de água na capital, por aumento do consumo (mais população, mais higiene) foi resolvida com o Sistema das Águas Livres. No Sec 19 foi-se ao Alviela buscar mais água. E no Sec 20 fez-se a ligação a Castelo de Bode.
É assim que se resolvem os problemas do País, garantindo, com tempo, os recursos existentes, que permitam a vida normal das pessoas e empresas, o crescimento da economia e o enriquecimento de todos. Há muita água no Inverno, que faz falta no Verão? Armazene-se! Há muita água a Norte, que faz falta no Sul? Transfira-se! O País é só um, e não pode ficar dependente de Espanha.
São 40.000 milhões de metros cúbicos de águas superficiais e subterrâneas nacionais (sem contar com os escoamentos vindos de Espanha, cerca de 16.000 milhões de metros cúbicos, em média), conforme consta do Plano Nacional da Água 2015, documento da Agência Portuguesa do Ambiente, que, em média, Portugal dispõe, naturalmente com grande variabilidade interanual (da ordem dos 30% a 170%), quando os consumos da ordem dos 4.500 milhões de metros cúbicos (11% das disponibilidades nacionais), seguindo para o mar os restantes 35.500 milhões de metros cúbicos (89%).
Centremos o problema: não haverá escassez de água em Portugal. Quando muito, haverá menos abundância! A longo prazo, alguns estudos mais extremistas sobre as alterações climáticas apontam para cenários gravosos, com redução da ordem dos 30% das disponibilidades em … 2100! Mas, mesmo que assim seja, as disponibilidades nacionais serão, então, de 28.000 milhões de metros cúbicos, e os consumos poderão, eventualmente, duplicar, para 9.000 milhões de metros cúbicos, cerca de 32% das disponibilidades de então.

Conclusão: Deixemo-nos de alarmismos e desculpas que nada resolvem! Planeemos! Trabalhemos! Façamos barragens, açudes, estações elevatórias, canais e redes de distribuição, para pôr a água no tempo e local onde for precisa, desenvolvamos o País com recursos próprios, não importados, na lógica d economia de proximidade e circular! Criemos condições às populações rurais para aí se manterem com a devida qualidade de vida, numa lógica de complementaridade com as áreas urbanas.

Manuel Hosltein Campilho, Engº Agrónomo
Jorge Avelar Froes, Engº Agrónomo
Miguel Holstein Campilho, Gestor da Direção da Associação +Tejo

Canja de Galinha Para a Alma

Por: Paula Freire
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

No momento em que dou início a esta crónica, levanto o olhar, num mero acaso, em direção à janela da sala. Avisto a beleza fascinante de um horizonte magenta, com aquela mistura certa de azul e vermelho capaz de transformar qualquer pôr do sol numa incomparável e pura obra-prima, pincelada pela divina natureza. 
Admiráveis e, simultaneamente, surpreendentes estes insólitos ocasos de cor e luz que o mês de janeiro nos pode proporcionar. Tempo de dias cinzentos, num dos meses mais frios do ano, principalmente no norte do país, em que o corpo pede o calor da lareira e, tantas vezes, o semblante nos divaga, melancólico, pela chuva que vai caindo sem cessar.
Singular contraste de atípicos céus luminares de inverno com a rotina desenfreada que vamos vivendo. Enquanto esta luz do céu de janeiro se vai espalhando em matizes de ouro e rubro em muitos nasceres e términos dos dias, acompanhamos uma sociedade mergulhada em sentimentos depressivos e de ansiedade, num panorama pouco esperançoso e impeditivo de alternativas para se reinventar, de modo a seguir em frente. 
Incongruências de um universo tão soberbamente organizado que, sem bater à porta ou pedir autorização, nos oferece aquela bofetada sem mão e abana as estruturas deste nosso pequenino mundo, do qual sempre nos fomos considerando, cada um e todos juntos, senhores e reis.
Entretanto, continuamos a construir novos percursos, deitados nesta cama de incertezas sobre os contornos de batalhas que desejamos vencer. Talvez porque confiar é tudo o que nos resta na procura desse equilíbrio tão fundamental à nossa existência.
Encontrar a disponibilidade de um momento, ainda que fugaz, para pousar o olhar sobre o harmonioso e acolhedor cenário artisticamente pintado com estas inusitadas cores de janeiro, poderá, afinal, neste frio inverno da vida, ser simplesmente esse agasalho confortável com sabor de uma verdadeira canja de galinha para nos aquecer a alma.
Em jeito de despedida, hoje, dir-vos-ia, como a compositora e cantora polaca, Hania Rani, na sua canção ‘Leaving’ (tema que apresenta no álbum, Home):

“Are you leaving?
(…)
The doors are open, remember to take care”…

Paula Freire
- Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside atualmente em Vila Nova de Gaia, Portugal.
Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas do Desenvolvimento Pessoal e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada.
Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna e com o coração em Trás-os-Montes pelo elo matrimonial, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias.
O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora das imagens de capa de duas obras lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021: Cultura sem Fronteiras (coletânea de literatura e artes) e Nunca é Tarde (poesia).
Prefaciadora do romance Amor Pecador, de Tchiza (Mar Morto Editora, Angola, 2021) e da obra poética Pedaços de Mim, de Reis Silva (Editora Imagem e Publicações, 2021).
Autora do livro de poesia Lírio: Flor-de-Lis (Editora Imagem e Publicações, 2022).
Em setembro de 2021, a convite da Casa da Beira Alta, realizou, na cidade do Porto, uma exposição de fotografia sob o título: "Um Outono no Feminino: de Amor e de Ser Mulher".
Atualmente, é colaboradora regular do blogue "Memórias... e outras coisas..."-Bragança, da Revista HeliMagazine e da Revista Vicejar (Brasil).
Há alguns anos, descobriu-se no seu amor pela arte da fotografia onde, de forma autodidata, aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza, sendo administradora da página de poesia e fotografia, Flor De Lyz.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Na noite de cantar os Reis...

 Por: Luís Abel Carvalho
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Na noite de cantar os Reis, geladas e escuras de Janeiro, saíam os 
garotos com uma taleiga cada e cantavam afinados, principalmente às casa mais ricas. 
Algumas destas quadras foram inventadas, outras eram de tradição:



“ Ind´ágora aqui tchiguei,
 pus o pé nesta escada
 logo o meu coração disse
 qu´aqui mora gente honrada.”

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“ Quem diremos nós que biba,
 Num ramo de salsa crua
 É a menina Julinha
 Qu´alumia toda a rua “.

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“ Ó Senhora qu´está lá dentro
 Assentada à lareira
 Deite os olhos ó fumeiro
 E bote pra cá um´alheira.”

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“ Ó Senhora qu´está lá dentro
 Assentada ó fogão
 Deite os olhos ó fumeiro
 E bote pra cá um salpicão.”

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“ Senhores qu´estão lá dentro
 Desta casa munto tcheia
 Deitem os olhos ó fumeiro
 e botem pra cá uma tabafeia.”

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“ Ó Senhora qu´está la dentro
 A quem nada mete medo
 Deite os olhos ó fumeiro
 e bote pra cá um azedo.”

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“ Esta casa é tão limpinha
 Nem sequer um aranhiço.
 Deitem os os olhos ó fumeiro
 E botem pra cá um tchouriço”.

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“ Esta casa é bem alta,
 Forrada a papelão,
 O Senhor que nela mora,
 É um grande cidadão “.

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“ Se nos querem dar os Reis,
 não estejam a demorar,
 somos peregrinos de longe
 e temos munto pr´ándar “.

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“ As Janeiras que nos derem,
 Deus le pague ó pecador
 Deus queira que pró ano
 Nos façam o mesmo fabor “.

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“ Alebante-se lá, Sr. José
 Desse banco de cortiça.
 Banha-nos dar os Reis,
 Uma morcela ou uma tchouriça “.

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“ Ó qu´istrela tão brilhante
 Que nos bem alumiar.
 É a Senhora da casa
 Que nos bai combidar pra entrar “.

Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnica. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.

Festa dos rapazes em honra de Santo Estevão regressou a Vale de Salgueiro

 Depois do interregno forçado em 2021 e 2022, devido à pandemia da covid-19, a aldeia transmontana de Vale de Salgueiro, no distrito de Bragança, volta a comemorar a festa dos reis, mais conhecida como a festa dos rapazes, em honra de Santo Estêvão


Anualmente, é escolhida uma pessoa para encarnar a figura de um rei que organiza a festa e traz consigo uma coroa carregada de ouro emprestado pelos habitantes, que vale milhares de euros.

Mas as tradições fora do comum não se ficam por aqui. As crianças andam pelas ruas com maços de tabaco e, excecionalmente, têm permissão dos próprios pais para fumar, mas só durante os dois dias que dura a festa.

Ora a festa já começou, ontem, ao início da noite bem gelada, os termómetros marcam um grau. Luís Lourenço, o escolhido para ser o Rei da festa, comanda um grupo de tocadores de gaitas de fole, caixas e bombos e prepara-se para dar início às atividades que vão durar dois dias. “Fizemos uma arruada e a seguir vamos fazer a entrega de cerca de 200 quilos tremoços e 200 litros de vinho por todos os habitantes da aldeia. A quem me abrir a porta vou deixar tremoços e vinho”, conta.

Primeira paragem é na casa de António e Teresa, um casal que reside grande parte do ano no Porto, mas que nesta altura nunca falta à receção do Rei. “É uma questão de cortesia, porque vêm aqui desejar boas festas e nós fazemos questão de que eles entrem e bebam um copo e comam qualquer coisa. É um prazer recebê-los”, contam

A visita às casas da aldeia prolonga-se durante toda a noite com os gaiteiros do grupo “Encharca o Fole”. 16 jovens da terra que aceitaram o desafio, em 2019, de aprender esta arte. “Tínhamos sempre o gaiteiro de Vale Martinho que entretanto faleceu e havia dificuldade em arranjar um gaiteiro para fazer a festa, pelo que criamos este grupo para colmatar essa dificuldade”, conta Carlos Cadavez, ex-presidente da junta, e um dos fundadores do grupo.

Atrás dos gaiteiros seguem algumas crianças que vão fumando cigarros. “Já fumamos desde que somos pequeninas, mas só nestes dois dias”, garantem Sara e Luísa que têm 14 e 15 anos, mas o Rui tem apenas 10. “Há três anos fumei três maços e agora deve ser a mesma quantidade, mas não fico com o vício”, afirma.

E a avó Rosa faz questão de desdramatizar as possíveis consequências de fumar cigarros em idades tão precoces. “O pai dele já foi Rei e quando era pequenino como ele também fumava, mas nunca mais pegou nos cigarros, só naqueles dias e nada mais. Isto já acontecia no tempo do meu bisavô que morreu com 98 anos”, assegura.

Ninguém sabe ao certo como e quando começou esta estranha tradição, nem o que ela possa significar, mas há relatos escritos que indicam ser para simbolizar a emancipação dos jovens.

Para Luís Lourenço, não há dúvidas: ser rei da festa “é uma pretensão de todos os habitantes e dou mais valor a esta festa do que há que acontece no Verão, porque é diferente é só nossa com as especificidades nas tradições dos tremoços do vinho dos gaiteiros percorrerem a festa e damos valor a isto”, confessa.

Este dia 6, começou bem cedo para o Rei que ostenta uma coroa revestida a veludo e adornada de objetos em ouro, emprestado pelos habitantes, como símbolo de riqueza e poder, volta a percorrer a aldeia para receber a "manda", ou seja, os donativos para custear a despesa da festa.

No centro da aldeia, quando o Rei chega, as pessoas presentes são convidadas a dançar a "Murinheira", (típica dos Celtas), uma dança vigorosa, um bailado guerreiro com um misto de cortesia.

A festa acaba com a celebração da missa, onde acontece a cerimónia de entronização e passagem do testemunho. O rei retira a coroa e coloca-a no novo “monarca” que vai organizar a festa em 2024.

Escrito por Terra Quente (CIR)
Foto: Rádio Terra Quente

ARTUR BOTELHO - 1

 Artur Botelho. Este nome diz-lhes alguma coisa? Não? Pois não admira. A mim tão-pouco dizia o que quer que fosse, até ao dia em que comprei num alfarrabista do Porto um livro, cujo título me atraiu mais do que o nome do autor. O título do livro é "Guerra Junqueiro falso poeta". Como tenho uma curiosidade insaciável por tudo quanto diga respeito ao poeta de Freixo de Espada-à-Cinta, e não obstante o livro estar muito sebento e esfarrapado do uso, não resisti — comprei-o e tenho-o hoje na estante junto à obra (quase) completa de Guerra Junqueiro. A ver se a mútua vizinhança os reconcilia.
O autor do livro, os meus Amig@s já adivinham, é Artur Botelho E é a este Artur Botelho que vamos dedicar uma pequena série de textos, para remir a sua memória e para que aqueles que me lêem regularmente fiquem sabendo quem foi e o que fez. Acreditem que vale a pena.
Pois bem. Artur Botelho, de seu nome completo Artur Pereira Botelho de Araújo, nasceu em Alvites, no concelho de Vila Real, em 1883. A sua vida útil foi passada no Porto, onde ganhou a vida como funcionário dos caminhos-de-ferro e, mais tarde, do porto de Leixões. Paralelamente com a profissão, dedicou muito do seu tempo à escrita, com um engodo muito pronunciado pela poesia heróica. Correm sob o seu nome as obras “Europíada”, uma epopeia, “Camões” e “O mar tenebroso”, dois dramas históricos, “Alma lusitana”, livro de versos, e aquele de que já falámos, o feroz "Guerra Junqueiro falso poeta". Digo feroz, e digo bem. Lá mais para diante, os meus Amig@s, saberão porquê. Por agora, fiquem sabendo que o livro tem o suculento subtítulo de Análise da Velhice do Padre Eterno e dos Melhores Trechos de Todas as Outras Obras do Mesmo Autor. E saibam mais: saibam que saiu em três mil exemplares — uma tiragem que hoje em dia só mesmo o Prémio Nobel e os outros grandes prémios nacionais garantem. 
Pois apesar dessa tiragem generosa, hoje, a bem dizer, ninguém sabe quem foi este Artur Botelho. Suponho que na sua aldeia natal, Alvites, ainda vivem familiares remotos e pouco informados da vida e obra do parente escritor. O resto da aldeia ignora pura e simplesmente quem foi. 
Por hoje deixo-os com o retrato do homem. Quererá algum dos meus Amig@s comentar-lhe a fisionomia?

A. M. Pires Cabral

HOMEM MORRE ATROPELADO PELA PRÓPRIA VIATURA EM CORTIÇOS

 Um homem, na casa dos 60 anos, morreu esta tarde na aldeia dos Cortiços, no concelho de Macedo de Cavaleiros, ao que tudo indica atropelado pela própria viatura.

Foi encontrado por populares, debaixo da viatura, pelo que se presume que terá sido atropelado pelo veículo, embora ainda não se conheçam os contornos deste acidente. O Núcleo de Investigação Criminal da GNR foi chamado ao local.

À chegada dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, a viatura já  tinha sido, entretanto, retirada de cima da vítima pelos populares.

Ainda foram feitas manobras de reanimação, mas sem sucesso. O óbito foi declarado no local pela equipa da VMER do Heli 3.

O alerta foi dado às 17h33 e no local estiveram 13 operacionais, apoiados por cinco viaturas, entre bombeiros, GNR e VMER.

Artigo escrito por Onda Livre
(CIR - Cadeia de Informação Regional)

PSP RECUPERA MATERIAL ELETRÓNICO FURTADO POR JOVENS MENORES DE IDADE EM MIRANDELA

 A Brigada de Investigação Criminal da PSP de Mirandela identificou, na passada quarta-feira, três rapazes e uma rapariga, com idades entre os 13 e os 17 anos de idade (menores) por serem suspeitos da autoria de furtos de material eletrónico em dois estabelecimentos comerciais de Mirandela, revelou, esta tarde, em comunicado, o comando distrital de Bragança daquela força de segurança.


Na sequência das diligências da PSP, foi possível “recuperar, apreender e restituir aos legítimos proprietários os bens subtraídos, nomeadamente, treze equipamentos de som, uma power bank, oito cabos, um par de sapatilhas e um cartão de memória, avaliados em mais de 500 €”, adianta a PSP.

Os factos foram comunicados à Autoridade Judiciária competente.

Artigo escrito por Fernando Pires
(jornalista)

𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗮 𝗔𝗺𝗲𝗻𝗱𝗼𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗲𝗺 𝗙𝗹𝗼𝗿 𝟮𝟬𝟮𝟯

 A tradicional Feira da Amendoeira em Flor, ícone do concelho de Freixo de Espada à Cinta, está de volta e já tem data marcada!


Ao longo de três fins-de-semana - 25/26 de fevereiro, 04/05 e 11/12 de março - todos os caminhos vão dar ao Espaço Multiusos, neste evento que alia a tradição à modernidade e continua a apostar na promoção dos produtos da terra, ex-libris de excelência. A estes juntam-se expositores nacionais e internacionais de várias tipologias de negócio, que contribuem para tornar este evento num certame de caráter variado, multidisciplinar e inovador.

O cartaz com a programação definitiva da Feira da Amendoeira em Flor 2023 irá ser divulgado brevemente.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

𝗙𝗢𝗥𝗠𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗗𝗘 𝗗𝗘𝗧𝗘𝗡𝗧𝗢𝗥𝗘𝗦 𝗗𝗘 𝗖𝗔̃𝗘𝗦 𝗣𝗘𝗥𝗜𝗚𝗢𝗦𝗢𝗦 𝗘 𝗣𝗢𝗧𝗘𝗡𝗖𝗜𝗔𝗟𝗠𝗘𝗡𝗧𝗘 𝗣𝗘𝗥𝗜𝗚𝗢𝗦𝗢𝗦

 📌O curso é destinado a detentores de cães perigosos ou potencialmente perigosos, de forma a proporcionar a formação específica para obtenção de licença de detenção prevista na lei, conforme resulta da Lei n.º 46/2013, de 04JUL, que alterou o Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29OUT, e que define o regime jurídico da detenção de animais perigosos e potencialmente perigosos enquanto animais de companhia.
⚠️Se é ou pretende ser detentor de um cão considerado perigoso ou potencialmente perigoso, obtenha mais informações AQUI.

Alterações na proteção civil prometem não afetar populações do distrito de Bragança

 As alterações na orgânica da Proteção Civil, que extinguiram os 18 Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS) e criaram 23 comandos sub-regionais “não vão ter implicações nas populações”, garantiu ao Mensageiro o Comandante Carlos Alves, desde 2020 Comandante Regional do Norte.


A nova lei orgânica da Proteção Civil data de 2019 mas só ontem as alterações produziram efeito, com a passagem dos novos comandos para o território das Comunidades Intermunicipais.

No distrito de Bragança, isto quer dizer que os concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães passam a estar sob a alçada do novo comandante sub-regional do Douro, que corresponde à CIM Douro, que já integrava estes concelhos. Os restantes nove concelhos do distrito de Bragança (Bragança, Vinhais, Alfândega da Fé, Macedo, Mirandela, Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro) passam a estar na alçada do novo comando sub-regional de Terras de Trás-os-Montes.

“A intenção é haver maior proximidade, o que ajudará certamente a resolver as situações inusitadas com que se deparem. A questão do socorro às populações não se coloca porque vão continuar a ver as mesmas pessoas a socorrê-las quando necessitam. As áreas de atuação dos corpos de bombeiros não mudam. A diferença é que em vez de reportarem à sala de operações de Bragança passam a reportar a Vila Real”, explicou ao Mensageiro Carlos Alves, brigantino que chegou a ser Comandante Distrital de Bragança e, depois, do Porto antes de assumir o cargo de Comandante Regional do Norte.

Na prática, a diferença só será visível numa segunda fase de resposta às ocorrências, como incêndios.

A primeira intervenção, mesmo no caso dos concelhos que agora transitam para o comando sub-regional do Douro, é assegurada pelos corpos de bombeiros mais próximos, mesmo que pertençam a outro comando.

Só quando a ocorrência passar para uma segunda fase, de ataque ampliado, é que o comando das operações ficará a cargo dessa nova estrutura, pertencente ao distrito de Vila Real, e que agora passará a ter sob a sua alçada 19 concelhos, dos distritos de Vila Real, Bragança, Guarda e Viseu.

Rómulo Pinto assume comando da sub-região do Cávado

Outra das alterações, que teve efeitos a partir de 01 de janeiro, foi a nomeação de Rómulo Pinto, há oito anos segundo comandante da proteção civil de Bragança, como comandante da sub-região do Cávado, no distrito de Braga, que engloba seis concelhos.

Tido como “um profissional exemplar” por aqueles que lidaram com ele enquanto segundo comandante de Bragança, Rómulo Pinto foi segundo comandante dos bombeiros de Macedo de Cavaleiros. Tem 43 anos, é enfermeiro de profissão e mestre em gestão de organizações públicas pelo Instituto Politécnico de Bragança.

“Possui diversas condecorações e louvores públicos” e “é-lhe característico o profissionalismo e capacidade de adaptação às funções que lhe são confiadas”, descreveu ao Mensageiro fonte da Proteção Civil.

Rómulo Pinto assume o cargo em regime de substituição, enquanto não forem abertos novos concursos.

Será substituído, em Bragança, por José Júlio, que até aqui era segundo comandante dos bombeiros de Miranda do Douro.

O comandante em Bragança mantém-se Noel Afonso, de Vimioso.

António G. Rodrigues

VIA SACRA 2023

 Venha participar na encenação da Via Sacra.
Inscrições Abertas a todos que queiram participar.
Início de ensaios dia 18 de janeiro, pelas 20:30, na Casa da Cultura de Mogadouro.

QUEM PERTENCE À CLASSE MÉDIA?

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Numa tarde deste verão escaldante, estava num Centro Comercial da baixa, com o amigo Júlio, quando de repente ouço alarido de vozes acaloradas, que versavam: preços e salários.
Em suma diziam: quem recebe salário mínimo, mal pode sobreviver.
Então o Júlio, vira para mim, seus belos olhos castanhos, e dispara:
- Olha lá: Tu sabes-me definir o que seja Classe Média?
Gaguejei, tossi e disse: - Boa pergunta. Certa vez responsável afirmou: quem ganhava mil e trezentos, podia-se considerar rico...
Então o Júlio de sorrisinho maroto, obrigou-me a racionar:
- Sabes, porventura, quanto é preciso, alguém obter mensalmente, para se dizer que pertence à dita Classe?
Não lhe soube responder: nem quantia mínima nem máxima.
E o Júlio de sorrisinho bailando nos pálidos lábios, discorreu:
- Pensa bem: Família formada por casal e filho. O marido usufrui mil e quatrocentos, mensais. A mulher é dona de casa. Pertence, na tua opinião, à Classe Média?
-Acho que sim, respondi a medo, receando a astuciosa pergunta
Mas o Júlio deleitado pela conversa, prosseguiu: - Pensa, agora, noutra família, formada por casal e um filho. Ambos recebem salário mínimo. São da Classe Média?
- Onde queres chegar com esta arenga? – Inqueri.
-Apenas isso: Aumentando o salário mínimo (que é insuficiente para alguém viver dignamente,) é justo; mas olvidando a família, que vive com salário pouco mais superior, pratica-se tremenda injustiça. Bem sei que o IRS tenta regular as incorrecções, mas sei, também, que há sempre processo de o contornar...
- Queres dizer – acrescentei, – que é incorreto subir o salário mínimo!...
Não disse isso. O que se deve é olhar para o rendimento da família e não para o salário de cada um. Isso é socialismo.
Meu amigo Júlio com a filosófica conversa, queria chegar à utopia. Na teoria pode ser possível, mas na prática?
Agora pergunto ao leitor: quanto deve ter de rendimento, uma família, com um filho, para pertencer à Classe Média?

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

JANEIRO COM FLORES NO REGAÇO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Tento esquecer, as noites inquietas, onde o silêncio e a solidão adormeceram colados na pele
Tento esquecer, os movimentos do corpo, agitando-se na cama á procura do calor escondido no ano que findou.
Lembro, os gemidos aveludados da alma, e das palavras doces do coração.
Tenho na memória, resquícios das horas quentes, das ilusões ferventes e dos sonhos vivos.
Não quero esquecer, a esperança cravada na língua, fixa nas pupilas dos olhos, e pulsante nas veias dilatas. 
Acordo nos espasmos da noite, deslizando num arco iris de bondade, e fico quieta, á espera que o sonho amanheça numa cama de verdade, aquecida em lençóis de saudade.
O ano começa numa correria contra o tempo.
O sol mostra-se, enfrenta o frio e o vento.
Janeiro, traz flores no regaço.
Flores, no mar dos meus olhos, na areia da vida, no beijo e no abraço

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Duas dezenas de grupos de mascarados do solstício de inverno vão desfilar em Mogadouro

 Mogadouro acolhe no dia 14 de janeiro, após dois anos de interregno devido à pandemia, mais de duas dezenas de grupos dos rituais do solstício de inverno vindos de Portugal e Espanha, foi hoje divulgado.


Este desfile de grupos mascarados promete colocar as ruas desta vila do distrito de Bragança em total alvoroço com a sua tropelias, próprias destas figuras “demoníacas”, que tradicionalmente saem à rua por altura do Natal, Ano Novo e Carnaval.

“Como nesta altura já houve o desfile destas figuras em cada uma das aldeias do concelho e vizinhos, com exceção das mais carnavalescas, este dia [14 de janeiro] é o que reúne maior consenso”, vincou a vereadora da Cultura de Mogadouro, Márcia Barros.

A folia começa com um desfile, que vai percorrer as principais ruas da vila de Mogadouro, no distrito de Bragança, até chegar ao centro histórico, local onde todos os grupos se juntam, causando o alvoroço típico destes mascarados solsticiais de origem pagã.

“Até ao momento estão confirmados duas dezenas de grupos de mascarados vindos das Astúrias, Galiza e Castela e Leão, do lado espanhol. Já do lado português, são esperados os mascarados do Nordeste Transmontano, Douro e Beira Litoral”, explicou a autarca

Este ano o destaque vai para a Mascarinha e Mascarão, duas personagens mascaradas e recentemente recuperadas, oriunda da aldeia de Vilarinho, que estavam perdidas no tempo há mais de meia centena de anos e que devido à pandemia tiveram de aguardar para saírem à rua e serem as figuras de destaque no desfile de 2023.

Antero Neto e António Rodrigues Mourinho, investigadores deste tipo de tradições, afirmam que o concelho de Mogadouro é rico nestes rituais associados ao solstício de inverno, tais como o "ancestral e enigmático" Chocalheiro de Bemposta, os Velhos de Bruçó, o Chocalheiro de Vale de Porco, o Careto e a Velha em Valverde, Farândulo de Tó ou a Mascarinha e o Mascarão de Vilarinho dos Galegos.

"Nos últimos anos temos assistido ao recuperar de velhas tradições que envolvem os mascarados, que estavam perdidas e que, com os testemunhos de alguns populares mais idosos, foi possível recuperar. Estas tradições foram-se perdendo devido ao esvaziamento demográfico do território", vincou Antero Neto.

Este investigador é responsável, em parceria com as respetivas populações, pela recuperação de antigos rituais no concelho de Mogadouro tais como a Mascarinha e Mascarão e Careto e a Vela de Valverde, ambos do concelho de Mogadouro.

Este encontro desperta o interesse dos fotógrafos, jornalistas, investigadores ou simples curiosos, vindos de todo o lado, para conhecer estas enigmáticas figuras espalhadas um pouco por todo o Nordeste Transmontano.

Para o historiador António Rodrigues Mourinho, tudo isto está ligado à cultura pagã e não se conhece a sua origem, sendo classificados como "rituais de passagem e fertilidade" incorporados em figuras espampanantes e misteriosas.

FYP // MSP
Lusa/fim

Vila Flor cria parque natural e ambiental para estudar alterações climáticas

 O município de Vila Flor está a investir 1,5 milhões de euros na criação de um parque natural e ambiental para estudar as alterações climáticas e experimentar soluções, disse hoje à Lusa o presidente da câmara, Pedro Lima.


O autarca quer fazer do projeto “uma das marcas” deste concelho do distrito de Bragança, em parceria com várias entidades, nomeadamente o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Pedro Lima considera que Vila Flor tem “as condições naturais” e o local escolhido para desenvolver o conceito é a quinta da Fonte do Olmo, contígua ao complexo turístico do Peneireiro, conhecido pelo parque de campismo e um míni zoo, que fará parte do projeto.

O município pretende fazer “a apresentação formal” do projeto, com todos os parceiros, no primeiro trimestre deste ano e o presidente gostaria de “abrir ao público”, também ainda este ano, o parque de campismo “com caravanismo organizado, zonas de tendas e “glamping” e casas na árvore.

“Um conceito mais ambientalista enquadrado na natureza” é assim que o autarca descreve esta ara do projeto que contempla a criação de um centro interpretativo das alterações climáticas dedicado ao ensino e investigação.

O presidente da Câmara de Vila Flor destaca nesta vertente o papel do Instituto Politécnico de Bragança para a inovação e a possibilidade de os estudantes da instituição poderem desenvolver ali mestrados.

Dentro do parque serão adotadas ou experimentadas soluções para mitigar as alterações climáticas, como por exemplo todas as deslocações serem feitas a pé ou com mobilidade elétrica, segundo disse.

O propósito de chamar para o projeto a academia é também “tentar que as novas gerações comecem a interiorizar o significado do impacto” das alterações climáticas e das medidas para as mitigar.

Nesse sentido haverá espaço para os mais novos, nomeadamente do agrupamento de escolas de Vila Flor, que vão ter um equipamento no parque onde será lecionada alguma componente letiva.

O projeto prevê ainda a reconversão do míni zoo numa “pequena reserva de animais, num conceito mais natural para que haja interação com os visitantes e para que esses animais vivam de forma mais livre”, segundo o autarca.

HFI//LIL
Lusa/fim

Ceramista que se encantou pelo abraço da natureza em Rebordelo produz peças que já chegam a Nova Iorque

 Caretos, máscaras, imagens do Santo António, de Nossa Senhora e de outros santos, presépios, loiças decoradas com as flores do mel ou hortênsias, bolotas que se abrem e podem servir para tanta coisa. A natureza cristalizada em grés. Peças em que se o meio ambiente não se manifesta, está latente nem que seja num pormenor.


São objetos quase sempre utilitários que se destacam pelo detalhe e originalidade, todos saídas das mãos de Maria Jorge Torres, uma jovem ceramista radicada em Rebordelo, no concelho de Vinhais, cujo ateliê é o berço de peças que já chegaram a Nova Iorque.

Tripeira de nascimento, viveu sempre no Porto, até que há dois anos a pandemia de covid-19 acabou por a levar a Rebordelo, depois de ter ficado desempregada. “Os meus pais retornaram à aldeia, de onde é natural a minha mãe, em 2019 e eu vim em 2020. Com a pandemia fiquei desempregada e decidi vir. 

Eu sempre sonhei viver da minha arte, nomeadamente da cerâmica”, explicou a artista ao Mensageiro durante uma conversa na oficina que criou no rés-do-chão da casa dos pais, a que chama “um cantinho”.

Glória Lopes

Cantar dos Reis | 8 janeiro - 15h00 - CCA

No próximo dia 8 de janeiro, domingo, damos as boas vindas a 2023 com o CANTAR DOS REIS 👑
Música e tradição para começar bem o novo ano.
A não perder, às 15h00, na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues.
Junte-se a nós!

Antigo presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo julgado por abuso de poder

 O anterior presidente da Junta da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, vai começar a ser julgado no Tribunal de Bragança, no dia 18, acusado de um crime de abuso de poder, por alegadamente ter lesado o erário público em 10 408 euros.


Segundo a acusação do Ministério Público, a que o Mensageiro teve acesso, presume-se que José Pires, autarca durante um mandato, entre 14 de outubro de 2013 e 31 de outubro de 2017, tenha “engendrado um esquema tendo em vista o seu enriquecimento pessoal”, refere o despacho, “ordenando a realização de pagamentos em seu proveito pessoal a título de reembolso de quantias várias por si despendidas na aquisição de bens de consumo e serviços de natureza pessoal”.

Em causa estarão gastos, sobretudo, em refeições e combustível, “sem justificação para a realizar de tais despesas”, refere a acusação.

As funções de presidente davam direito a uma quantia mensal de 529 euros para despesas de representação. Ainda assim, o Ministério Público diz que José Pires apresentou aos serviços financeiros da junta recibos comprovativos da aquisição de outros valores além do estipulado, ordenando o seu reembolso, “não obstante a destinação privada dos bens e serviços”.

Glória Lopes