Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 2 de junho de 2023

O papel vital desempenhado pelo musgo no sustento da Terra

 Antepassados de todas as plantas actualmente vivas, estes organismos ancestrais possuem uma estrutura mais simples do que os seus descendentes mais modernos. Num novo estudo, um grupo de investigadores descobriu até que ponto o musgo é vital.


Está por todo o lado e podemos encontrá-lo pelo mundo fora: desde as florestas aos desertos e até na Antárctida. No entanto, não conhecíamos a verdadeira importância do humilde musgo. Até agora.

O musgo é um tipo de planta não vascular pertencente ao grupo das briófitas. Ao contrário das plantas vasculares como as árvores e as flores, o musgo não possui raízes, caules ou folhas, nem tecidos especializados para transportar água e nutrientes.

Em vez de raízes, tem estruturas semelhantes a pêlos denominadas rizóides, que lhes permitem fixar-se no substrato e absorver água e minerais. São plantas pequenas e crescem habitualmente em ambientes húmidos e sombreados, como florestas, rochas, solos e zonas urbanas.

O musgo desempenha um papel importante nos ecossistemas, retendo água, prevenindo a erosão, proporcionando habitats a invertebrados e microorganismos e contribuindo para a formação de solo em zonas degradadas ou expostas. Contudo, num estudo recentemente publicado, um grupo de investigadores descobriu até que ponto o musgo é vital para o nosso planeta.

Musgo, um armazém de nutrientes

Examinando amostras de musgo colhidas em mais de cem sítios, em oito ecossistemas diferentes, o estudo estimou que as populações de musgo cobrem uma assombrosa área de 9,4 milhões de quilómetros quadrados nos tipos de ambiente estudados – o equivalente ao tamanho da China ou do Canadá.

Os cientistas compararam solos com presença e ausência de musgo em cada uma das zonas analisadas e observaram um maior fluxo de nutrientes nos solos com musgo, potenciando o ciclo de elementos como azoto e o fósforo e da matéria orgânica.

Além disso, o musgo funciona como um armazém de nutrientes como o carbono, retendo aproximadamente 6.430 milhões de toneladas métricas deste elemento essencial, mas problemático, mantendo-o fora da nossa atmosfera saturada.

Controlo de patógenos

Como se isso não bastasse, o grupo de investigadores descobriu que os musgos parecem regular potenciais agentes patogénicos.

Os estudos revelaram, face a áreas sem vegetação, uma menor quantidade de possíveis patógenos vegetais nos solos habitados por musgos e uma presença menos frequente de genes altamente resistentes a antibióticos nos microbiomas de habitats com musgo.

Mais diversidade

As elevadas densidades de musgos como o Sphagnum, o Hylocomium e o Ptilium, contribuem para a biodiversidade do solo e dos ecossistemas, sobretudo em zonas onde não crescem árvores, como os desertos e a tundra.

E após desastres significativos, como erupções vulcânicas, o musgo é um dos primeiros organismos a reaparecer, depois das cianobactérias e das algas.

Em suma, o solo é mais saudável nos locais onde existe musgo, contendo mais carbono e mais azoto. Sem esta cobertura verde ancestral, o mundo não conseguiria sobreviver.

Artigo publicado originalmente em castelhano em nationalgeographic.com.es

Texto: Sergio Parra

12.º BISPO DE MIRANDA - 1621 a 1627

 D. Frei João de Valadares – Eremita de Santo Agostinho, provincial dessa Ordem, deputado da Inquisição, pregador do rei, bispo de Miranda e depois do Porto.
Era natural de Setúbal, filho de Estêvão da Mota de Valadares e de D. Catarina Valadares, pessoas nobres, que tiveram também outros filhos ilustres, como foram D. Mendo, do conselho de Portugal em Madrid, e D. Inês de Valadares, mulher de João Fuzeiro, de Sande, de quem procedeu Fernando de Mesquita Pimentel, senhor do morgado de S.Manços.
Vagando em 1620 a Sé de Miranda, pela eleição de D. Francisco Pereira para Lamego, foi naquele bispado provido D. Frei João de Valadares, governando-o desde 1621, em que morreu o seu antecessor, até 1627, em que foi transferido para a Sé do Porto, que governou até 23 de 
Maio de 1635 e não 1633, como erradamente afirma Argaiz.
Construiu, a expensas suas, o dormitório do convento de Santo Agostinho, que deita para o Douro, na cidade do Porto, e um mirante ao poente olhando para a parte em que o rio desagua no mar.
Também interpôs eficazmente a sua influência, valendo-se do irmão que tinha em Madrid, para que o rei perdoasse aos habitantes da cidade do Porto que se haviam amotinado em 1628 por ocasião de lhe ser lançado um novo tributo(110).
O retrato deste prelado está no Paço Episcopal de Bragança, tendo a tela a seguinte legenda: D. Frater Joannes de / Valadares ordinis ere / mitarum sancti augusti / ni natus selobricoe archic / hiscupatus Ulyssiponensis / postea translatus ad Portu / ensem ecclesiam ibi obiit, / jacet que sepultus.

----------
(110) FLOREZ, Henrique – España Sagrada, tomo XXI, p. 214. CUNHA, Rodrigo da – Catálogo e História dos Bispos do Porto, parte II, cap. XL e XLII.
----------

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

Estudo da Entidade Reguladora da Saúde conclui que Trás-os-Montes não tem qualquer prestador convencionado com o Serviço Nacional de Saúde para exames de Cardiologia ou Pneumologia e Imunoalergologia

 O Nordeste Transmontano está sem qualquer prestador convencionado com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para exames de Cardiologia ou Pneumologia e Imunoalergologia, segundo um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) publicado em maio.


O mesmo estudo concluiu também que não há prestadores convencionados para Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) na área de Pneumologia e Imunoalergologia no território de 12 das 25 NUTS III (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos), incluindo a de Terras de Trás-os-Montes, que inclui os concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso, Mogadouro, Vinhais, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor.

Este estudo da ERS teve como objetivo perceber as condições de acesso e concorrência em estabelecimentos convencionados com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em ambulatório, para a realização de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica nas áreas de Cardiologia e de Pneumologia e Imunoalergologia.

De acordo com a Entidade Reguladora da Saúde, duas das principais causas de morbilidade e mortalidade hospitalar nos últimos anos em Portugal são as doenças do aparelho respiratório e do aparelho circulatório. Quanto aos prestadores convencionados para MCDT em Cardiologia, a ERS diz que não existe um único na NUTS III de Terras de Trás-os-Montes, abrangendo os concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

O mesmo acontece para os convencionados na área da Pneumologia e Imunoalergologia tanto na NUTS III de Terras de Trás-os-Montes como em outras 11: Alto Tâmega, Douro (que inclui Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães), Médio Tejo, Oeste, Lezíria do Tejo, Alto Alentejo, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo Central, Alentejo Litoral, Baixo Alentejo e Algarve.

Segundo a ERS, 96,7% da população residente em Portugal continental mora a 60 minutos ou menos de um convencionado em MCDT de Cardiologia. Contudo, 12,1% da população reside a mais de meia hora de uma destas unidades.

Por outro lado, neste estudo “concluiu-se que 67,5 % da população residente em Portugal continental reside a 30 minutos ou menos de um estabelecimento convencionado de MCDT de Pneumologia e Imunoalergologia, e que 14,5% da população continental reside a mais de 60 minutos de um estabelecimento convencionado”.

Barreiras à entrada no mercado

Por outro lado, logo à cabeça das conclusões, este estudo de 55 páginas, que o Mensageiro consultou, refere que “o regime jurídico das convenções que tenham por objeto a prestação de cuidados de saúde aos utentes do SNS, o Decreto-Lei n.o 139/2013, carece ainda de regulamentação – relativa a modalidades de procedimento a adotar, na celebração de novas convenções, e definição de novos clausulados-tipo – para a maioria das áreas convencionadas, incluindo as áreas de Cardiologia e de Pneumologia e Imunoalergologia, pelo que se mantém uma das principais barreiras à entrada no mercado convencionado”.

Ora, com poucos operadores no mercado, os tempos de espera para os habitantes do Nordeste Transmontano aumentam.

Por outro lado, a única forma de aceder a muitas destas valências implica grandes deslocações e consequentes gastos com transportes.

E este é um setor em que, de acordo com o estudo, a procura tem crescido.

António G. Rodrigues

Delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro compra carrinha para dar mais apoio a famílias oncológicas

 São cada vez mais os pedidos de ajuda à delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro, por isso, há muito tempo que vem a reclamar uma viatura


Durante um ano foram feitas várias actividades para juntar dinheiro e conseguiram finalmente comprar uma carrinha. De acordo com o coordenador da delegação de Bragança, servirá para dar mais apoio às famílias oncológicas. “Servirá para a nossa psicóloga se deslocar com mais rapidez e eficiência, dando mais apoio aos doentes oncológicos e familiares das aldeias, pessoas mais carenciadas e onde for necessário no distrito”.

A viatura teve o custo de 17 mil euros. A delegação de Bragança da Liga Portuguesa Contra o Cancro já não presta apoio apenas a doentes oncológicos do concelho, mas de vários pontos do distrito. “O nosso compromisso com a liga é dar apoio concelhio mas as solicitações são tantas que já ultrapassaram o distrito, inclusivamente já damos apoio em Torre de Moncorvo”.

Além de consultas, a liga faz ainda várias actividades, nomeadamente palestras para sensibilizar a população para a importância de detectar o cancro precocemente.

Este domingo, volta a acontecer mais uma caminhada em Bragança para sensibilizar para o cancro. Tem início às 9h na Praça Cavaleiro Ferreira. Haverá venda de t-shirts para angariação de dinheiro para a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

𝗙𝗲𝘀𝘁𝗶𝘃𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗦𝗼𝗹𝘀𝘁𝗶́𝗰𝗶𝗼 - 1 a 30 Junho - Torre de Moncorvo

quinta-feira, 1 de junho de 2023

11.º BISPO DE MIRANDA - 1 de Outubro de 1618 a 7 de Janeiro de 1621

 D. Francisco Pereira – Eremita agostinho, ministro provincial na sua ordem, pregador de Paulo V, bispo de Miranda e eleito a 7 de Janeiro de 1620 para a Sé de Lamego quando morreu em Miranda, onde jaz, a 7 de Janeiro de 1621. Havia nascido em Vila Franca de Lampaças, concelho de Bragança, em 1567 (102). Frei Fernando de Abreu diz que morreu a 7 de Janeiro de 1620 e que era natural de Vila Franca de Lampazes, no bispado de Lamego.
Era filho de Aleixo de Morais Pimentel, fidalgo da casa do rei D. João III, veador da infanta D. Maria, comendador da Ordem de Cristo e padroeiro do capítulo do convento de S. Francisco de Bragança, o qual era irmão do secretário de Estado Nuno Álvares Pereira de Morais, pai de Pedro Álvares Pereira, senhor de Serra Leoa, que foi conde de Muge, e de sua mulher D.Maria de Faro.
Deste matrimónio, além do nosso bispo, proveio também D.Maria, sua irmã, que foi mãe do grande Nuno Álvares Botelho, governador da Índia.
D. Francisco Pereira pertencia à nobilíssima casa Madureira Feijó, de Parada dos Infanções, concelho de Bragança (103), que hoje pertence, por compra, ao grande proprietário António Rapazote, pai dos drs. António Rapazote e Agostinho Rapazote formados respectivamente em medicina e direito. O Códice n.º 49 (A-2-49) da Biblioteca Nacional de Lisboa, fl. 129, também diz que morreu a 7 de Janeiro de 1621, havendo sido nomeado bispo de Miranda em 1618 e confirmado a 1 de Outubro do mesmo ano.
Foi este bispo quem, na sala grande dos Paços da Ribeira, em Lisboa, a 14 de Julho de 1619, por ocasião de se celebrar a cerimónia do juramento do príncipe, depois rei Filipe III, pronunciou o discurso que hoje diríamos da coroa (104).
Os discursos que então pronunciou correm impressos e têm por título:

----------
(102) PIRES, Manuel António – Opúsculo…, onde por erro diz que morreu a 9 de Janeiro, quando foi dois dias antes. SILVA, Inocêncio Francisco da – Dicionário Bibliográfico.
(103) SANCHES DE BAENA – Arquivo Heráldico Genealógico, parte I, p. 19.
(104) SILVA, Luís Augusto Rebelo da – História de Portugal nos séculos XVII e XVIII, livro II, parte II, cap. III, p. 268.
----------

Oração do auto do juramento que el-rei D. Fillippe nosso senhor fez aos tres Estados do reino, e da que elles fizeram a Sua Magestade... em Lisboa a 14 de Julho de 1619.
Oração do auto do juramento de D. Fillippe III nas côrtes celebradas em Lisboa a 18 de Julho de 1619. Sahiram na Viage de la Catolica Real Magestad del rei D. Filippe III al reyno de Portugal. Madrid, 1622 (105); nunca foram impressos separadamente (106).
Tratado da Religião Eremitica. Manuscrito(107).
Frei Fernando de Abreu diz que este bispo era irmão de Pedro Álvares Pereira, senhor da Serra Leoa, do conselho de Estado de Filipe III e seu secretário, e de D.Maria Pereira, mulher de Diogo Botelho, governador do Brasil, ambos progenitores do conde de S.Miguel e filho natural de Nuno Álvares Pereira Pimentel, do Conselho de Portugal em Madrid e padroeiro do capítulo de S. Francisco de Bragança, da ilustre família dos Pimentéis, da casa dos condes de Benevente em Castela. À margem, para confirmar esta opinião, cita vários autores e entre outros o Nobiliario Genealogico, de Alonso Lopez de Haro, 1622, tomo I, livro III, cap. IV, fl. 136.
É, porém, evidente o equívoco relativamente à nota de bastardia, resultante de Haro ter empregado a palavra engendro, que não significa ilegitimidade, pois usa a mesma expressão com respeito a outros filhos de Nuno Álvares Pereira Pimentel que Fernando de Abreu tomou como legítimos, como não podia deixar de ser em face do texto de Haro. Fica, pois, líquido que o nosso bispo, ainda mesmo nesta genealogia, que supomos menos exacta, era filho legítimo do citado Nuno Álvares Pereira Pimentel e de sua mulher D. Isabel de Mariz, filha de Lopo de Mariz e de D. Ana de Macedo, filha de João de Macedo, alcaide-mor de Outeiro e da
Bemposta e capitão-general desta região bragançana nas guerras que D. Afonso V moveu a Castela por causa de D. Joana, a Beltraneja, sua sobrinha, a quem nós os portugueses chamamos a Excelente senhora.
D. Joaquim de Azevedo (108) segue a mesma opinião relativamente à paternidade deste bispo, mas tratando da naturalidade, diz que Abreu se enganou, guiado pelo autor da Biblioteca Lusitana, pois, segundo ele, nasceu no bispado de Miranda e não no de Lamego, como estes querem.

----------
(105) SILVA, Inocêncio Francisco da – Dicionário Bibliográfico.
(106) Ibidem na «Correcção final».
(107) FARINHA, Bento José de Sousa – Sumário da Biblioteca Lusitana.
(108) AZEVEDO, Joaquim de – História Eclesiástica de Lamego, p. 82.
----------

Segundo o mesmo genealogista, D. Francisco Pereira foi «varon de singular vida y exemplo, y de una suave y muy rara prudencia en la predicacion de la dotrina Evangelica, en que pocos se le igualaron en sus tiempos».
Quando provincial da sua Ordem, «deo principio ao magnifico claustro do convento de Nossa Senhora da Graça (em Lisboa) e livrou o cofre em que se guarda o Santissimo Sacramento, que veyo da India, para que se não alienasse» (109).
No Livro dos óbitos de Miranda do Douro, que se conserva no Arquivo da Câmara Eclesiástica de Bragança, fl. 36, diz-se que faleceu a 7 de Janeiro de 1621 «com muita lastima e dôr de todos os que o conhecião por sua condição ser branda e de muito comprimento hia na pujança e altura do que o mundo pode dar com esperança de se por mui alto são porém os altos e incomprehensiveis juizos de Deos que não podemos alcançar cortar o fio da tea ordida; falleceo bom christão».
No Paço Episcopal de Bragança conserva-se, em tela, o seu retrato e nela a legenda: D. F. Franciscus Pereira / ordinis Erimitarum San / ti Augustini natus in / oppido de Villa Fran / ca hujus Dioccesis obi / it in hac civitate Mi / randensi die VII januarii anno Domi / ni M.D.C. XXI.

----------
(109) SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano, tomo V, p. 548.
----------

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

IV Feira da Cereja de Lamas

Carpe Diem

Por: Paula Freire
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


Existem momentos da vida que nos acompanham permanentemente, pelas emoções do instante que despertaram. Parece-nos que os trazemos aconchegados nos cantinhos da memória, só para nos oferecer um abraço de calor quando o tempo frio teima em despir-nos as esperanças. 
São momentos que nos fazem recordar o que realmente vale a pena. Temos muitos, silenciosos, dentro de nós, à espera que lhes demos as mãos, de vez em quando. Mas somos crescidos demais para os escutarmos, porque apenas nos sussurram de mansinho ao lado do pensamento. E nós, já sabedores de todas as vidas, porque somos crescidos, perdemos há muito essa sabedoria tão particular de ouvirmos a nossa vida que, curiosamente, parece ser a única que desconhecemos.
Gosto de recordar o espanto da minha infância, como se o mundo se me tivesse revelado por inteiro, num dia de inverno em que a minha amiga Fatinha, levou para a escola a sua caixa de vinte e quatro marcadores coloridos. “Foi o meu tio que me ofereceu!”, disse-me com a sua voz terna, de menina, a rebentar de orgulho e uma certa pontinha de vaidade. 
Os meninos da aldeia não tinham, assim, um “rico tio” como a Fatinha. Eu também não tinha. Por isso, com os olhos emocionados, a espreitar pelo canto da caixa de madeira, onde ela acomodara os seus magníficos marcadores coloridos, perguntei-me de imediato se a minha amiga saberia do fantástico tesouro que tinha em sua posse. Eu, que adorava desenhar e pintar, via ali todas as cores que poderiam dar encanto aos meus mais bonitos sonhos artísticos de criança, esculpidos a lápis de carvão numa simples folha branca de papel.
E o sol entrou-me pelo rosto dentro, desdobrado num gigantesco sorriso com sabor a verão, quando ela me garantiu que, sempre que a professora nos mandasse fazer um desenho, partilharia comigo tamanha raridade.
Gosto de recordar com saudade este instante. Um dos muitos que me permitiu à memória aprender lições imprescindíveis sobre o que realmente importa. 
E o que importa? Importa esse olhar de criança, esse sentir de criança. Esse descobrir da simplicidade da vida com uma admiração tão imensa, que apenas o silêncio é possível de nascer como resposta capaz de ser proferida. Não vá aquele assombro assustar qualquer adulto que passe por perto. É que os adultos não sabem ler as emoções ditas no silêncio. Porque cresceram, ficaram cegos.
Para as crianças, o relógio do tempo não tem ponteiros. Já os adultos, só conseguem ouvir o som do tiquetaque. Para as crianças, o tempo é despreocupado, tranquilo, tem um compasso próprio. Para os adultos, parece que cada dia é uma réstia de passado, com ansiedade de futuro, num tempo que os atravessa cada vez mais depressa. 
Enquanto as crianças constroem as suas estórias de forma poética, sem medo, e com elas voam para um mundo feito de arco-íris ao encontro da Terra do Sempre, são os adultos quem corre em passo acelerado em busca da Terra do Nunca, carregados de histórias que não os deixam sentirem-se em paz com eles mesmos.
 As crianças seguem rumo a onde o vento as levar, num constante entusiasmo pela viagem. Os adultos, somente viajam ao ritmo do seu dorido “e tudo o vento levou”…
Já dizia Rubem Alves, entendido em coisas de crianças, que “viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio”, e que “sapio, em latim, quer dizer, eu saboreio.”
O que pensam, tantas vezes, os adultos sobre o que as crianças pensarão sobre as suas vidas? Eu responderia, seguindo o dito popular, que “em terra de cegos, quem tem um olho é rei”. E creio, portanto, que será com elas, as crianças, que mais temos a aprender sobre estes assuntos do coração. Aí, nesse universo descomplicado que é muito menos ‘faz de conta’ do que o nosso, elas são reis e rainhas. E sabem, melhor do que ninguém, que tudo o que é demasiado pequeno para ser descoberto à vista desarmada, é o mais primordial, necessário e absoluto e, exatamente por essa razão, não pode ser escutado senão através da emoção.
A criança rainha que um dia fui ensinou-me mais esta, entre tantas matérias que fui aprendendo. Nos tempos de hoje, agrada-me sentir que o “… meu corpo de adulto pelo tempo foi esculpido, embora me sinta criança, num corpo crescido, com roupas de adulto, mas espírito despido…”, como escreveu o meu amigo Paulo Cesar, que tem cor de poeta na mão e olhar de criança no coração.

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”
- José Saramago -

Paula Freire
- Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside atualmente em Vila Nova de Gaia, Portugal.
Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas do Desenvolvimento Pessoal e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada.
Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna e com o coração em Trás-os-Montes pelo elo matrimonial, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias.
O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora das imagens de capa de duas obras lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021: Cultura sem Fronteiras (coletânea de literatura e artes) e Nunca é Tarde (poesia).
Prefaciadora do romance Amor Pecador, de Tchiza (Mar Morto Editora, Angola, 2021) e da obra poética Pedaços de Mim, de Reis Silva (Editora Imagem e Publicações, 2021).
Autora do livro de poesia Lírio: Flor-de-Lis (Editora Imagem e Publicações, 2022).
Em setembro de 2022, a convite da Casa da Beira Alta, realizou, na cidade do Porto, uma exposição de fotografia sob o título: "Um Outono no Feminino: de Amor e de Ser Mulher".
Atualmente, é colaboradora regular do blogue "Memórias... e outras coisas..."-Bragança, da Revista HeliMagazine e da Revista Vicejar (Brasil).
Há alguns anos, descobriu-se no seu amor pela arte da fotografia onde, de forma autodidata, aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza, sendo administradora da página de poesia e fotografia, Flor De Lyz.

10.º BISPO DE MIRANDA - 18 de Maio de 1615 a 28 de Março de 1617

 D. João da Gama (todos os autores lhe dão este nome, porém o Opúsculo de Considerações Históricas e o Censual de todos os Benefícios do Bispado de Miranda chamam-lhe D. João da Gama Lopo) – Jesuíta, natural de Lisboa, esmoler-mor do rei Filipe II; filho de D. Vasco da Gama, 3.º conde da Vidigueira, e de D. Maria de Ataíde, filha de D. António de Ataíde, 1.º conde da Castanheira e irmão de D. Francisco da Gama, 4.º conde da Vidigueira e vice-rei da Índia.
Foi prelado virtuosíssimo e morreu em Miranda a 28 de Março de 1617(99).
Por bula de Paulo V, de 18 de Maio de 1615, havia sido provido no bispado de Miranda(100).
Fernandes Tomás (101) traz no seu trabalho uma gravura representando o ex-libris usado por este prelado, onde se vêem as suas armas, que descreve pela seguinte maneira: Escudo esquartelado e no centro, assentando sobre ele, o emblema dos jesuítas; no primeiro quartel, assentando sobre uma cruz, o escudo das armas de Portugal, sem a orla dos castelos; no segundo, quatro bandas; no terceiro, quatro faixas ondeadas e no quarto uma aspa e sobre ela cinco escudinhos com as quinas do reino. Orla com a seguinte letra: Mihi autem adhaerere Deo bonum est.
No Livro dos Obitos de Miranda do Douro, fl. 28 v., que se guarda no Arquivo da Câmara Eclesiástica de Bragança, diz-se que morreu no dia, mês e ano acima e que «viveo com grande zelo e inteireza do bem das almas e na morte mostrou muyta charidade e amor de Deus e dos proximos e foi aborrecido de todos aquelles que por seus peccados mereciam ser castigados, e amado dos virtuosos e por verdade o assignei ut supra. Gaspar Affonso».
Conserva-se o seu retrato em tela no Paço Episcopal de Bragança e a seguinte legenda: D. Joannes da Gama / Vlysipone natius, obiit / XXVIII Martii in hac ci / vitate Mirandensi an / no Domini M.D.CXVII.
O Censual, já citado, diz a propósito deste prelado: «viveo com grande zelo do bem das almas e na morte mostrou muita caridade e amor de 
Deus foi aborrecido dos máos».

----------
(99) PIRES,Manuel António – Opúsculo de Considerações Históricas, p. 23. ABREU, Fernando de – Catálogo dos Bispos de Miranda.
(100) Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Bulas, maço 30, nº 12.
(101) TOMÁS, Fernandes – Os Ex-libris Ornamentais Portugueses. Porto, 1905, p. 62.
----------

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA SOBRE A BIODIVERSIDADE DO VALE DO TUA DISPONÍVEL NO CITICA

 Vivo a Natureza integrado nela “Biodiversidade do Vale do Tua”, assim se intitula a exposição fotográfica disponível no CITICA desde hoje, 01 de junho até 31 de agosto.
O Vale da Biodiversidade é um projeto desenvolvido pelo Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), que entre outras atividades tem programadas três exposições distintas, em rotatividade pelos cincos município que integram o parque, sobre a biodiversidade, borboletas noturnas e briófitas (musgos) existente na região.

Biodiversidade do Vale do Tua, pretende salientar os valores naturais nela contidos (fauna e flora) assim como as principais ameaças que as espécies e habitats enfrentam. É este tesouro que convidamos a conhecer, usufruir e cuidar, para que, tal como Miguel Torga viva também a natureza integrado nela.

Documento do mês de junho de 2023 – Memória e Identidade do Eng. Camilo Mendonça

 Camilo de Mendonça nasceu a 23 de Julho de 1921 em Vilarelhos, concelho de Alfândega da Fé, distrito de Bragança. Faleceu em 5 de abril de 1984, Oeiras e São Julião da Barra.

Licenciou-se em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.

Ingressou na vida política filiando-se na União Nacional, a organização política que suportava o Estado Novo, organização de que seria vogal da Comissão Executiva e membro da Comissão Organizadora do IV Congresso.

Alto funcionário público, entre outras funções políticas, foi Secretário do Secretário de Estado da Agricultura, Secretário de Estado do Ministério da Agricultura, vogal do Conselho Cooperativo, presidente da Comissão Administrativa do Grémio dos Armazenistas e Produtores de Azeite em 1947, em cuja qualidade integrou como Procurador a Câmara Corporativa, pelo Comércio do Azeite na IV Legislatura, na qual fez parte da 4.ª Secção – Azeite, Frutas e Produtos Hortícolas, não tendo subscrito ou relatado qualquer parecer, tendo na XI Legislatura sido nomeado pelo Conselho Corporativo e sido 2.º Vice-Presidente da Mesa, Membro do Conselho da Presidência e feito parte da 12.ª Secção – Interesses de Ordem Administrativa, 1.ª Subsecção – Política e Administração Geral, não tendo subscrito ou relatado qualquer parecer, presidente da Junta do Café ou Junta da Exportação do Café de 1953 a 1957, deputado eleito pelo círculo eleitoral de Bragança à Assembleia Nacional na VI, VII e X Legislaturas (1953 a 1973), Delegado do Governo junto do Grémio dos Armazenistas e Exportadores de Azeite de 1953 a 1957, Vice-Presidente Adjunto do Conselho Técnico Corporativo de 1953 a 1957, primeiro presidente do conselho de administração da Radiotelevisão Portuguesa, SARL (a atual RTP) em 1957, Presidente do Grémio dos Agricultores e da Federação dos Grémios da Lavoura do Nordeste Transmontano (desde a sua fundação), vice-presidente da Comissão de Coordenação Económica.

Empreendedor e persistente, em 1964, como um dos membros do setor desenvolvimentista do Regime, foi o grande impulsionador e liderou a fundação, no concelho de Mirandela, do empreendimento do Complexo Agro-Pecuário e Agro-Industrial do Cachão. Projetado para suportar uma verdadeira revolução agrícola que colocaria a agricultura transmontana ao nível das melhores congéneres europeias, para além de um complexo destinado à agro-indústria, o empreendimento incluía a extensão do regadio a uma vasta área, suportado pela construção de 130 barragens de terra.

Nos anos de 1975 a 1978, como consequência da Revolução do 25 de Abril, o projeto entrou em colapso. Apesar disso, ficaram diversas fábricas, algumas das quais vieram a encerrar posteriormente, e as seguintes barragens: Vila Flor, Alfândega da Fé, Cachão, Carvalheira, Vilarelhos e Vilares da Vilariça.

Dada a sua ligação ao regime do Estado Novo, tendo sido próximo de Marcelo Caetano, Camilo de Mendonça optou pelo exílio voluntário no Brasil, regressando a Portugal doente e confinado a uma cadeira de rodas, falecendo pouco depois.

Camilo de Mendonça foi padrinho de batismo de Marcelo Rebelo de Sousa.

Camilo de Mendonça é lembrado por um busto (da autoria do escultor Hélder José Teixeira de Carvalho) colocado junto à Escola Secundária de Mirandela (Av. Camilo de Mendonça) e na toponímia das freguesias de Gostei (Bragança) e de Carrazeda de Ansiães.

Em suma, o documento do mês enaltece o grande vulto que foi o Eng. Camilo Mendonça, evidenciando a sua grande personalidade que emana da nossa história transmontana, pelo seu espírito empreendedor, inovador, marcando definitivamente a nossa memória coletiva e identidade.

Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

🖊𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗮𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗻𝗮 𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗲 𝘀𝗼𝗹𝗶𝗱𝗮𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹

 O Município de Bragança atribuiu, esta quarta-feira, 96.211,88 euros a 29 entidades culturais, recreativas e de solidariedade social, cujas atividades decorrem no Concelho. A cerimónia de assinatura dos protocolos de colaboração aconteceu na Sala de Formação do Forte São João de Deus.
“Este apoio atribuído pelo Município de Bragança, permite a realização de um conjunto de iniciativas, desde festivais, encontros e os próprios planos de atividades do Movimento Associativo, que contribuem para a dinamização do nosso concelho”, considerou Hernâni Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança.

Mais informação AQUI.

Ifanes: “São precisas mais empresas para fixar os jovens” – António Simões

 Em junho de 2022, António Simões decidiu mudar-se do litoral para o interior, com o propósito de adquirir mais qualidade de vida e instalou-se na aldeia de Ifanes, no concelho de Miranda do Douro, onde abriu uma tornearia mecânica, que transforma matérias primas como o aço, o inox e o alumínio, em peças para automóveis, a habitação ou o mobiliário.


Inicialmente, a mudança de Águeda, no distrito de Aveiro, para o concelho de Miranda do Douro, exigiu de António Simões, torneiro mecânico, um grande esforço financeiro e de tempo, para transportar as máquinas de trabalho para a nova oficina, instalada na antiga moagem, em Ifanes.


Segundo António Simões, na sua atividade profissional fabrica peças metalomecânicas, para automóveis, eletrodomésticos, habitação, ferragens, iluminação, mobiliário, quer para o mercado nacional, quer para a vizinha Espanha.

Passado um ano da mudança para o interior do país, a nível profissional, a maior dificuldade do torneiro mecânico têm sido os custos e o tempo dispendido com o transporte das matérias-primas, do litoral para o interior.

Em contrapartida, viver em Ifanes para António Simões e a esposa, Marisa Barril, permite-lhes um maior equilíbrio entre a vida profissional e familiar e um ritmo de vida mais sossegado.

“Para mim é uma alegria ir, diariamente, a pé, de casa para o local de trabalho”, disse António Simões.

A esposa, Marisa Barril, é formada em psicologia e recursos humanos e trabalha, como terapeuta ocupacional, em Fariza (Espanha). Nesta mudança para o interior do país, a psicóloga destaca o menor custo de vida e a alimentação que é feita com produtos locais e de melhor qualidade.


O casal tem dois filhos, em idade escolar e a mudança para o concelho de Miranda do Douro, permitiu aos jovens ter um maior contato com a natureza e uma maior proximidade e interação com a comunidade local, onde toda a gente se conhece.

Questionados sobre o que falta neste território, António Simões e de Marisa Barril, responderam que o concelho de Miranda do Douro precisa incentivar a criação e o desenvolvimento de mais empresas, que por sua vez, proporcionem a fixação de mais jovens no concelho.
Segundo esta jovem família, o investimento na formação profissional é outra área a ser explorada, com o objetivo de capacitar, cada vez mais, os trabalhadores dos vários setores de atividade a prestar serviços de qualidade à população local e aos visitantes.

A tornearia “António Simões” está instalada na antiga moagem, em Ifanes.

HA

Elogio envenenado

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Aníbal Cavaco Silva descongelou a bílis acumulada ao longo dos últimos sete anos e veio destilar o rancor acumulado contra António Costa, à reunião dos autarcas laranjas. De um homem a quem o país deu tudo quanto lhe pediu, desde duas maiorias absolutas a duas presidências da República, esperavam-se contributos para ajudar a nação, nestes tempos conturbados em vez de acusações, mesmo que com algum fundamento, sobre a gestão do poder que o povo português sufragou, confortavelmente, há pouco mais de um ano. Assiste-lhe, obviamente, o direito de expressar a sua opinião, como qualquer português, pois vivemos em democracia e com total liberdade de expressão. Mas, para ser sério e honesto como reclama, de forma tão evidente só o poderá ser mais que ele, segundo as suas próprias palavras, quem possa ter nascido duas vezes, as comparações que faz com a atual situação política deveria ter como contraponto não o seu primeiro governo que, é necessário reconhecê-lo, desenvolveu o país e usou bem os recursos europeus, mas o final do cavaquismo liderado por personagens que ficaram bem conhecidas como Duarte Lima, Arlindo de Carvalho, Oliveira e Costa, e Dias Loureiro. É verdade que o (des)governo de António Costa tropeça, a cada semana, em nova trapalhada, confusão e desorientação, mas não deixa de ser igualmente verdadeiro que depois de uma pandemia, uma guerra e num clima de incerteza mundial conseguiu, finalmente, dominar o deficit e contê-lo dentro de limites razoáveis e geríveis. Sendo evidente a arrogância galambista e a prepotência pedronunista, é difícl tomar por conselheiro do interesse nacional quem, no final do seu mandato enquanto primeiro-ministro, só pensou no seu interesse pessoal, na sua carreira política e no lugar que, ansiosamente desejava, ignorando e desprezando tudo e todos, a começar pelo seu próprio partido e o seu mais fiel e dedicado colaborador, Fernando Nogueira.
O pior de tudo foi a euforia laranja à volta das declarações cavaquistas.
Criticas ao governo, seja ele de que partido for, é o dia a dia da oposição e Cavaco também as teve por alguém que, igualmente, foi Primeiro-Ministro, antes dele. E algumas com muita razão, como as eleições seguintes vieram demonstrar. Nos tempos que correm, o que não falta é quem acuse a governação de tudo e mais alguma coisa e, convenhamos, em termos de verrinosidade, já temos quem o suplante e não é companhia nem exemplo que se recomende.
A cereja em cima do bolo foi o “ilustrativo” elogio a Montenegro. Primeiro, pelo termo de comparação. “Tão competente ou mais que eu próprio”, mostrando ao limite a importância que o palestrante atribui à sua personalidade. Atingir capacidades por si alcançadas é feito único, realçável e de valor intrínseco supremo. Acresce a falsidade e hipocrisia com que é feito, pois é óbvio que resulta de uma notória falsa (i)modéstia a que o autor já há muito nos habitou. Ser melhor do que quem nunca se engana e raramente tem dúvidas... será não se enganar e não ter dúvidas nenhumas? Deus nos acuda!
Perante as trapalhices (dês)governamentais o que o país precisa não é de quem as aponte, realce, branda e agite. O que é preciso é de ideias, projetos, intenções propostas que coloquem o país no bom caminho, promovam o desenvolvimento e fomentem o bem estar. Mas como disso, Cavaco nada disse e Montenegro nada acrescentou, o elogio resume-se a um atestado de menoridade.

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance), Canto d'Encantos (Contos) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

TERRAS DE TRÁS-OS-MONTES ADERE A CONCURSO DE BELEZA E AS CANDIDATURAS ESTÃO ABERTAS

 A Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes aderiu ao “Miss Portuguesa”. O concurso tem como objetivo promover e valoriza o território, o turismo e o desenvolvimento local, assim como apoiar as jovens da região para a concretização dos seus sonhos e ambições.


“O concurso Miss Portuguesa é sem dúvida o mais prestigiado concurso nacional de beleza e que elege as representantes de Portugal aos maiores e mais respeitados concursos internacionais de beleza” menciona o comunicado.

Desta forma, a participação no concurso vai permitir às jovens transmontanas mostrar a beleza, o talento e a cultura e, ao mesmo tempo, promover a região e as suas potencialidades turísticas.

“A CIM-TTM está empenhada em trabalhar em estreita colaboração com a organização do concurso Miss Portuguesa, de forma a garantir que a participação das jovens de Trás-os-Montes seja um sucesso”. A Comunidade Intermunicipal acredita que o concurso é uma boa oportunidade para que as jovens da região demonstrem o seu potencial de forma a, também, promoverem o território.

Todas as jovens transmontanas estão convidadas a participar no concurso. As inscrições estão abertas até dia 30 de junho e a edição de 2023 decorrerá na primeira quinzena de setembro e terá 21 finalistas selecionadas em Portugal Continental e Regiões Autónomas, assim como, nas Comunidades Portuguesas de Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos da América.

As jovens residentes nos concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais estão isentas do pagamento de inscrição no valor de 30 euros.

Para mais informações, a organização Miss Portuguesa, a CIM-TTM e as câmaras municipais dos concelhos anteriormente referidos disponibilizam os seus canais oficiais de comunicação.

Jornalista: Lara Torrado

Espetáculo de Mico da Câmara Pereira vai realizar-se no próximo sábado em Macedo de Cavaleiros

 No próximo sábado à noite, dia 3 de junho, irá realizar-se o espetáculo do Mico da Câmara Pereira, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.


O espetáculo baseia-se nas composições do artista, nomeadamente no último CD “Voz, guitarra e pouco mais”. Contudo, Mico da Câmara Pereira pretende transformar este espetáculo numa noite de música portuguesa, tendo em conta os desejos da população.

” Uma noite há minha maneira. É o que eu gosto mais de fazer, estar sozinho com a guitarra em auditórios e com as pessoas. Vemos as emoções uns dos outros. Claro que o espetáculo se baseia muito nos meus CD´s, especialmente no último que é só voz e guitarra, chama-se mesmo “Voz, guitarra e pouco mais”. Mas naturalmente que as pessoas vão querer ouvir uns fadinhos e tudo isso, portanto, vou pôr as pessoas à vontade para pedirem músicas que gostem ou de artistas que gostem, que eu cantarei com muito gosto. A ideia é ser uma noite de boa música portuguesa.”

Mico da Câmara Pereira explica os sentimentos e emoções presentes nas suas músicas:

” Cada música é um sentimento diferente porque as músicas e principalmente as letras são feitas em momentos diferenciados da nossa vida. Haverá músicas de amor, que foram feitas em momentos que eu estava especialmente apaixonado ou especialmente triste por não estar apaixonado. E depois há músicas e letras que tratam das minhas vivências pessoais. Cada música é um caso diferente. Só ouvindo as músicas é que se percebe o que eu estou a tentar transmitir com aquela música e letra. O que eu normalmente faço nestes espaços mais pequenos é dar uma breve explicação antes de cada canção, sobre o que me inspirou a escrever aquela letra e aquela canção. Portanto o caminho é esse, que as pessoas sintam também a razão da existência da música.”

“O Beijo na Rosa”, “O Doce Malvado” e “A tua voz é saudade” são alguns dos temas que serão cantados durante o espetáculo.

Escrito por ONDA LIVRE

Preço das casas continua a subir e Bragança não foge à tendência

 Mesmo com a inflação a descer e a chegar aos 4%, no mês de Maio, o sector imobiliário continua com preços desfasados


De acordo com Eugénia Batista, agente imobiliária da Último Pilar, nos últimos meses os valores dispararam. “Apartamentos que se venderiam na ordem dos 130 a 140 mil euros estão a vender-se a 180 ou 185 mil euros. Temos casas a 350 mil euros ou a 400 mil. Já quase não se encontra uma moradia a 250 mil euros. Eu acho que estamos a exagerar todos um bocadinho. É óbvio que quem vende quer ganhar mas temos que pensar e ver que isto se está a tornar um problema e que vai acontecer o que aconteceu há anos, entregarmos algumas casas ao banco”.

Em relação ao resto do país, Bragança é das capitais de distrito onde comprar casa é mais barato. A agente imobiliária Eugénia Batista diz que na cidade de Bragança o m2 ronda os 600 euros, preço que considera insuportável para as famílias. “Ainda é dos mais baratos mas mesmo assim as pessoas já começam a ter dificuldades, pelas subidas das taxas de juro. Para a cidade que é, pequena, de Interior, não tendo assim tanta oferta de emprego, a mim parece-me que está um bocadinho caro”.

Segundo o último estudo do Idealista, entre Abril e Maio, a média do m2 no país rondava os 2 500 euros. Lisboa e Porto continuam a ser as cidades mais caras para comprar casa. Já Portalegre, Guarda, Castelo Branco e Bragança as cidades mais baratas.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

APICULTORES MUITO PREOCUPADOS COM A FALTA DE APOIOS DEIXAM UM ALERTA: "O SETOR ESTÁ A BATER NO FUNDO"

 Os apicultores da Terra Quente Transmontana estão muito preocupados com a acentuada quebra de produção de mel, principalmente nos últimos três anos.


As alterações climáticas, a seca, os incêndios, a crise económica são apenas algumas das causas apontadas para esta situação delicada que o setor atravessa.

O presidente da Cooperativa dos Produtores de Mel da Terra Quente, gestora de uma zona controlada que abrange os concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Vila Flor e Torre de Moncorvo, não tem dúvidas que nos cerca de 40 anos que está ligado ao setor da apicultura, os últimos três anos foram “os mais fracos de sempre” de produção de mel na região e avança com números concretos. “Em anos normais, aqui na Terra Quente a média de produção andava nos 20 a 30 quilos por colmeia. Há três anos, houve uma média de 7 a 8 quilos e o ano passado não passou dos 3 quilos. Ora, para criar riqueza, tem de ter, no mínimo 10 quilos, agora com três quilos, estamos a pagar para trabalhar”, afirma José Domingos Carneiro.

O dirigente lamenta que não existam apoios por parte do Governo para fazer face a esta crise na produção de mel, lembrando a importância que as abelhas têm para a agricultura, como insetos polinizadores. 

Bernardete Valente, uma experiente apicultora de 81 anos de Torre de Moncorvo, diz que “tudo tem vindo a mudar nos últimos anos” e com prejuízo assinalável não só para a apicultura mas para todo o ecossistema. “Desde que começaram os herbicidas, começaram a desparecer as plantas e o mel começou a cair e com a chegada dos incêndios, então acabou com tudo”, afirma.

Bruno Terêncio, técnico da Cooperativa de Produtores de Mel da Terra Quente, lamenta a falta de apoio. “Infelizmente, é com alguma tristeza que digo que o setor apícola não tem sido muito acarinhado por parte das entidades responsáveis”, diz.

Perante este cenário de quebra acentuada de produção de mel e sem ajudas, o presidente da cooperativa de produtores de mel da terra quente, José Domingos Carneiro, espera que os Municípios “possam conceder alguma ajuda financeira”.

A presidente da câmara de Mirandela lembra que já existe um regulamento municipal de apoio à produção pecuária e que está a ser estudada a possibilidade de ser incluída uma compensação financeira para os apicultores do concelho. “Vamos ver se conseguimos incluir uma verba no orçamento para 2024”, refere Júlia Rodrigues, apesar de adiantar que será sempre “um apoio residual”, lançando o desafio aos apicultores para que, de uma forma concertada, façam valer os seus direitos junto do poder central. “A resposta das políticas públicas tem de ser mais robusta por parte do Governo e dos fundos comunitários para haver um apoio específico à apicultura como há em outras produções agrícolas”, salienta.

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

Praça da Sé - BRAGANÇA

Blogue Memórias…e outras coisas BRAGANÇA, ultrapassou os 7 000 000 (sete milhões) de visitas

 Hoje, dia 1 de junho de 2023, o Blogue Memórias…e outras coisas BRAGANÇA, ultrapassou os 7 000 000 (sete milhões) de visitas.

A minha mais profunda gratidão a todos os Colaboradores e Amigos.

HM