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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Guadramil


A feição autêntica da velhíssima aldeia de Guadramil faz dela uma das nossas aldeias de Bragança favoritas. Encafuada no meio de dois montes, a aldeia corre ao longo da rua central ladeada pelas casas de xisto com varandas de madeira e telhados de ardósia que caracterizam a arquitetura popular transmontana da região. Singela, sem adornos e entregue ao tempo. As casas mal-amanhadas têm a porta cerrada há muitos anos. As restauradas fazem-nos imaginar quão bonita seria, quando cheia de vida. Hoje vivem ali menos que 30 almas.


Chegamos ao largo, trocam-se bons dias e é-se de imediato convidado a visitar os velhinhos lagar, moinho de água e forja da aldeia comunitária. Infelizmente, já não operam devido à desertificação da aldeia. Abeiramo-nos da ponte e perdemos o olhar na veiga viçosa, cruzada pelas águas cristalinas do Rio Guadramil e retalhada em parcelas cuidadas de pequenas hortas de subsistência.


Não saia de Guadramil sem subir até à altaneira Igreja, deambular pelas ruelas, apreciar o típico casario e, sobretudo, trocar dois dedos de conversa com os anciões habitantes. Com um bocadinho de jeito até lhe ensinam algumas palavras em Guadramilês, o falar dos antigos. Acima de tudo, respire fundo e sinta a enorme tranquilidade desta aldeia mágica do Parque Natural de Montesinho, onde o tempo parece ter parado e onde a tirania do relógio não vinga.


Dica VagaMundos: Guadramil é o ponto de partida do Trilho dos Cervídeos. Quiçá não se cruza com um ou outro membro da família selvagem que já se tornou visitante habitual da aldeia. Clique para mais informações sobre o Trilho dos Cervídeos.

A não perder numa visita a Guadramil
Igreja Matriz de Guadramil (São Vicente) | Lagar, Moinho e Forja comunitários | Rio Guadramil | Largo da Praça | Portas de Madeira Lavrada

Anabela e Alexandre

Mirandela e Valpaços lançam primeiro marco do Caminho de Santiago

 O Troço do Caminho Português de Este de Santiago, entre Mirandela e Valpaços, que estabelece a ligação ao Caminho Português Interior de Santiago, em Chaves, integra um importante património cultural, imaterial e material que se assume como um importante produto turístico que importa preservar, promover e valorizar.


Está em curso a marcação do troço do Caminho Português de Este de Santiago, que ligará Mirandela e Valpaços ao Caminho Português Interior de Santiago, em Chaves, que por sua vez conduzirá os peregrinos até Santiago de Compostela, na Galiza, em Espanha.

O Caminho de Santiago, designa o caminho de peregrinação de origem medieval a Santiago de Compostela, engloba uma rede de diferentes itinerários de peregrinação ao longo da Europa, amplamente reconhecidos como vias de comunicação das mais importantes no cenário europeu.

A sua extraordinária afluência, especialmente nas últimas décadas, ultrapassa a devoção religiosa estendendo-se às motivações espirituais no sentido amplo e ao enorme atrativo cultural, patrimonial e natural da rota. O Caminho Português tem registado um crescimento consolidado, sendo atualmente o segundo percurso mais percorrido a seguir ao Francês.

O Troço do Caminho Português de Este de Santiago, entre Mirandela e Valpaços, que estabelece a ligação ao Caminho Português Interior de Santiago, em Chaves, integra um importante património cultural, imaterial e material que se assume como um importante produto turístico que importa preservar, promover e valorizar.

Numa estratégia intermunicipal concertada, os dois Municípios avançaram, em 2020, para uma candidatura conjunta ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), com um valor total de investimento a rondar os 250 mil euros.

Aprovada a candidatura e após a identificação do traçado, encontra-se em execução a fase de marcação o trajeto que abrange os dois concelhos transmontanos.

Para a autarquia de Mirandela, valorizar a excelência do património cultural no contexto das estratégias regionais distintivas de desenvolvimento turístico e promover o desenvolvimento de produtos turísticos prioritários, nomeadamente o turismo cultural, turismo de natureza e turismo de saúde e bem-estar.

Este programa cultural pretende catapultar a imagem da região muito para além das suas fronteiras geográficas, capitalizando todo este potencial turístico onde se insere e dinamizando as iniciativas culturais já existentes. Estima-se que, anualmente, 5 mil peregrinos possam cruzar os dois concelhos.

Conjunto paisagístico e patrimonial da Ribeira do Mosteiro/Calçada de Alpajares (Parque Natural do Douro Internacional) (Freixo de Espada à Cinta)

 “Nem pela palavra, nem pela fotografia, podes avaliar, leitor, o que aquilo é. Só visto”1
A serra de Poiares é uma gigantesca muralha intransponível quartzítica provinda do período Ordovícico, que ladeia o  rio Douro, e que aqui se encontra arribada por mor da erosão diferencial e de movimentações tectónicas hercínicas que originaram um extenso sinclinal. Dois pontos notáveis encontram-se nesta formidável muralha: o panorama do Penedo Durão e esta espantosa ribeira do Mosteiro na garganta do Candendo que deveria estar inserida no concurso das sete maravilhas naturais de Portugal.


Eu sabia que este colosso teria que ser cortado transversalmente por uma linha de água, que desaguaria no rio Douro.   Numa das nossas digressões e após nos terem dito que a Ribeira do Mosteiro era um local “bonito” decidi descobrir o local do talhe. Segui na  EN221, a partir de Barca de Alva (*) no sentido de Freixo de Espada à Cinta e após meia dúzia de km cortamos à esquerda por coleante estrada municipal.
É um assombramento o que se vê, local penhascoso e medonho, emparedado entre os gigantescos penedos quartzíticos  e a  garganta estreita e profunda da ribeira do Mosteiro.
A princípio ainda encontramos sinais de civilização. Junto às margens uma ou outra casita, as copas escuras das laranjeiras e limoeiros, que juntamente com as nespereiras, diopireiros, amendoais e olivais fazem desta área um jardim mediterrânico.
Mas depois o natural subjuga-nos de emoção e racionalidade (para nós muito geológica), a estrada passa então a ser cortada no próprio rochedo junto a ribeira que em baixo, se contorce em pequenas cascatas sussurrantes. Estou sempre a parar naquela cenografia impressiva, a solidão é total.
O espesso corredor ripícola é um santuário natural: ali um Pêgo-azul, acolá melros, aquele não conhecemos, plana altaneiro um grifo na companhia de outras aves ripícolas (Águia-real ou Bufo-real?), entre amieiros um brava agitação – talvez uma lontra.
Aparecem-nos no meio de uma apoteose de despenhadeiros abruptos no sítio das Alminhas um dos mais belos geomonumentos que já vi.
Espantosas dobras em quartzitos
Nos quartzítos ocorrem espectaculares dobras de eixos sub-horizontais com direcção geral E-W. As dobras são observáveis a várias escalas. Algumas delas atingem dezenas de metros, jazem no fundo do despenhadeiro como animais selvagens convulsivos e doridos agitados por manifestações tectónicas da Terra – poder gigantesco que soergue as montanhas.
Há quem acredite que o fraguedo contorcido é obra de Deus ou do Diabo. O inesperado surge de novo na margem esquerda da ribeira, a trepar o afloramento, deparamos com a íngreme Calçada de Alpajares, de construção tão arrojada e inóspita que o povo diz ser obra também do diabo. É traçada em ziguezague e feita de duros quartzítos, em elegantes lacetes. Para controlar o Demo aquela simples alminha alumia-nos os caminhos. Tudo isto é singular em Portugal: por ser selvagem, belo, rude, científico e esotérico. O vale da ribeira do Mosteiro constitui um dos ex-libris nacionais em termos geológicos, paisagísticos e ecológicos.
A Calçada de Alpajares reclama uma caminhada, existe um caminho pedestre certificado, mas é tarde e chuvisca. Voltaremos num outro dia.
E aqui estamos de novo passado uns meses 
Diz a lenda que”.. em tempos antigos era tudo por estes sítios barrancos e precipícios medonhos, um dado cavaleiro vindo dos lados de Barca de Alva em noite de tempestade, chegou à margem da Ribeira do Mosteiro que ia de mar a monte. Dada a necessidade imperiosa de atravessar o esbravejante curso de água suspirou aflito: Valha-me Deus ou o Diabo. Foi Satanás que apareceu ao chamamento e disse: se me deres a tua alma, antes que cante o galo preto, te darei uma ponte e uma estrada para que possas seguir a tua viagem sem o mínimo perigo. O cavaleiro aceitou e o infernal pedreiro e seus acólitos atarefaram-se na arrojada construção de uma calçada entre os fraguedos intratáveis, distribuindo 18 elegantes lancetes com lajes sólidas de quartzito, ao som de estridentes cantares de Bruxas que no terreiro se reuniram para festejar a conquista de mais uma alma. Eis que canta o galo três vezes quando apenas faltava colocar as duas últimas pedras da ponte. Liberto do seu compromisso, o viajante prosseguiu a sua jornada e o Diabo enraivecido, desapareceu com os seus ajudantes através de uma bocarra que no momento se abriu entre os penhascos1”. 


Aqui estamos de novo nas Alminhas, de novo, os quarztiztos dobrados, parece que estão em movimento e têm vida, talvez sejam ainda reminiscências da captura do Diabo. Onde acaba a História e começa a lenda?
Local extranatural (por tão natural ser) que reclama de nós o seu percurso; a calçada serpenteia, coleante, com forma réptil, a água da ribeira acomete endemoninhada contra as duras rochas que a emparedam. A vida saltita e sussurra por toda a banda. 
É tempo de aventura. É tempo de solidão. O verdadeiro viajante viaja só ou em companhia dos seus fantasmas! A Calçada de Alpajares é o local ideal para fingir que desaparecemos, talvez nos assoma o demo ou pelo menos uma bruxa. É uma viagem memorável, num cenário que desperta simultaneamente a aquietação  e a inquietação- paisagem própria para um profeta ou para um salteador, no dizer de Junqueiro, eu sou uma excepção porque nem sou uma coisa nem outra.
Caminhamos na vertente o do Picão da Ana, grande penedo cónico, até ao fundo do vale, ladeado por bosque ribeirinho dominado pelo amieiro, a água límpida rumoreja, após passar o pontão, sucedem-se palas de quartzitos, que poderão ter sido habitadas desde o Paleolítico Superior. O xisto de tom acetinado intercala com o quartzito acinzentado por vezes ferruginoso, “sangue” da voragem do tempo, uma ave de grande porte plana altaneira. Matos: ralos de giesta, piorno, azedas, rosmaninho e cornalheiras, camadas de rocha empilhada como livros gigantescos. O xisto agora domina, paisagem mais aberta, a ribeira mal se vê, o calor aperta; agora arriba para Sul. Ao longe a crista vertical de quartzito conhecido como o  “Muro da Abalona”, o monte boleado do Castro de São Paulito – é para lá que vamos,  dois pombais e aquelas rochas gigantescas sempre a clamarem a minha presença – como isto é belo, repito até à exaustão.
No cimo de  um espigão sobranceiro entre as ribeiras do Mosteiro e da Brita, o Castro de São Paulito, restos de muros derribados em fiadas de muralhas, a vegetação é tanta que não vejo vestígios arqueológicos, li algures que aqui foram efectuadas sondagens que descobriram material do calcolítico e Bronze Final, que foi povoado romanizado, como se constata pelo achado de uma ara dedicada a I(ovi) o(ptimo) M(aximo), estamos obviamente a falar do líder dos deuses romanos-Jupíter. E terá sido, na verdade, a excelente implantação estratégica deste castro, que assenta num dos poucos acessos do rio Douro ao Planalto Transmontano, que subjazeu à sua construção; é assim natural que a calçada conflua para o castro. No seio desta grandiosa paisagem, tudo é único e singular.
Partimos, então caros leitores, do castro de São Paulino sem vermos as suas enigmáticas sepulturas rupestres e descemos pela famosa ladeira, classificada em 1977 como “Imóvel de Interesse Público”; é conhecida como  “Calçada de Alpajares”, ou “Calçada dos Mouros”, ou “Calçada do Diabo”. É para alguns de origem romana, para outros tem origem medieval. Actualmente, remanescem apenas alguns dos seus troços originais, visíveis perto da convergência das ribeiras da Brita e do Mosteiro, a partir da qual se prolonga pela encosta de Alpajares de forma ziguezagueante, estruturada ao longo de cerca de oitocentos metros em lajes afeiçoadas em xisto e seixos de pequena dimensão e escalonada em degraus. Uniria, talvez, o Castelo de Alba a Poiares, passando pelo castro de São Paulino.
Descanso num pequeno abrigo, escuto o suave raspar da água no leito da ribeira da Brita, alguns láparos saltitam, as andorinhas, mensageiras da Primavera, volteiam; com cansaço, quase adormeço e sonho. Nas quebras da rocha, aranhas dedicadas a fiação e a tecelagem são senhoras do seu destino. A parede está riscada de actividade recente humana, de repente consigo visionar sob todos os hieróglifos contemporâneos a figura de um animal vermelho, muito estilizado. Há muito que eu procurava neste passeio as “Pinturas rupestres da Fraga do Gato”!
A cabeça tem o focinho arredondado e não apresenta detalhes de narinas, orelhas ou chifres; o corpo é igualmente  arredondado  e  com os  membros apenas esboçados, o  que leva alguns a pensar que se trata de  uma lontra, gato ou animal semelhante. Por baixo dessa figura parece uma pintura a preta que parece representar  uma figura de um bufo e que segundo António Martinho Baptista, “ambos têm carácter absolutamente original no contexto da arte pré-histórica ibérica ao ar livre”, são de difícil atribuição cronológica, mas há quem as atribua como pertencentes ao Paleolítico Superior. É urgente a preservação da Fraga do Gato, inclusive com a colocação de gradeamento apropriado e um painel explicativo, senão por ignorância ou má fé, os homens contemporâneos degradarão este lembrança pré histórica. Nos recessos das anfractuosidades das duras rochas, outros enigmas existem à espera de olhos argutos; sei que também já é conhecido por parte dos arqueólogos figuras abstracto-simbólicas, pintadas em tom ocre- situa-se a meia encosta na margem esquerda da Ribeira. Adiante, o lusco-fusco não tarda.
Continuamos a descida até à foz da fugaz ribeira da Brita, quando esta invade a ribeira do Mosteiro (alguém me sabe explicar a origem deste nome dado que não há notícia de qualquer convento ou vida monacal naquela área?)
Depois de atravessar a ribeira do Mosteiro, tento a salto destemido passar por aquela parede abrupta do desfiladeiro, pouparia imenso tempo até ao carro. Mas a encosta é para mim intransponível, mesmo após algumas tentativas temerárias e desvairadas. Decido continuar pela carreira  mais fácil e longa, tenho fome: como laranjas e azedas, tenho sede: bebo água da ribeira. Chego por fim á estrada de alcatrão, até ao veículo é ainda meia hora, decerto acharei boleia. Mas nem vivalma alma por ali passou. Próxima estava a noite. O grandioso espectáculo  da ribeira do Mosteiro, quando corta magistralmente o sinclinal quartzítico da Serra é dotado de uma força extratemporal e ambivalente, é  exemplo singularíssimo do belo horrível.
Simboliza o tempo, o espelho das nossas pulsões profundas, dos nossos instintos domesticados ou selvagens e ainda  o Homem mortal, na sua pluriformidade nascido da Terra que aqui a acomete com destreza e medo; é ainda o mundo inconvertível e imortal, a natureza (em consanguinidade) na sua diáfana beleza e no seu endiabrado sofrimento; aquela topografia torturada é uma completa cosmogonia que aqui irrompe e se assiste.
Todo o português digno deste nome deveria, quando tiver oportunidade, apresto físico e saúde, percorrer este carreiro  inesquecível. A foz da Ribeira do Mosteiro é para o Turismo de Portugal uma das suas maravilhas naturais.

Fonte de Informação:

– Rede de Percursos da Natureza (Vale da Ribeira do Mosteiro)
– Leitores de paisagem locais.
- Guia de Portugal- Trás-os-Montes e Alto-Douro,II-Lamego, Bragança e Miranda. (5 volume) editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, 1970-1.
- Informação oral de António Martinho Baptista
Créditos fotográficos: As fotografias da Fraga do Gato são de António Martinho Baptista e a de conjunto é do Aníbal Gonçalves do blog Descobrir Freixo de Espada a Cinta.

Original AQUI

Reforço consular para França previsto para início de 2022

 A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, anunciou que 10 novos funcionários consulares devem entrar em funções já em fevereiro do próximo ano e que o Centro de Atendimento Consular (CAC) para França estará ativo em janeiro.
"Estamos a recrutar pessoas em Portugal para o Centro de Atendimento Consular para França, temos já todo o trabalho feito com os consulados para harmonizar procedimentos. Contamos que durante o mês de janeiro possamos ter o CAC França a funcionar, no entanto, como vai haver eleições, pode haver algum atraso", disse a governante em entrevista à agência Lusa, à margem do salão "Partir Etudier a l'Étranger", em Paris, onde Portugal teve um lugar de destaque.

O Centro de Atendimento Consular para França vai situar-se em Alfândega da Fé e vai ter 13 operadores, completamente bilingues, preenchendo assim um vazio para os emigrantes em França que se queixam de dificuldades no contacto telefónico com os consulados, especialmente durante a pandemia de covid-19.

Esta opção de atendimento consular já está disponível para Espanha, Reino Unido, Irlanda, Bélgica, Luxemburgo, Itália e Holanda.

A pandemia também agravou as dificuldades de agendamento das marcações para os diferentes consulados em França, com o Consulado-Geral em Paris a apresentar até cinco meses de espera para a renovação do cartão do cidadão, tendo levado o Governo a abrir 10 vagas para funcionários consulares em França.

Para Paris haverá cinco novos funcionários. Os outros consulados em França que receberão reforços são o Consulado-Geral em Marselha, com dois funcionários, e um trabalhador, respetivamente, para o Consulado-Geral de Lyon, o Consulado-Geral de Bordéus e ainda o Vice-Consulado de Portugal em Toulouse, que passa a ter estatuto de Consulado e recebe também um diplomata.

"Temos assim um grande reforço da rede consular em França. [...] Sabemos que os consulados estão pressionados por toda a situação da covid-19", referiu a secretária de Estado.

Os 10 novos funcionários consulares devem começar a trabalhar já a partir de fevereiro, com Berta Nunes a desejar que assim que a situação voltar a estabilizar seja possível regressar a um sistema "híbrido" em que, para além das marcações pela internet, que são a regra atual, se possam efetuar atos consulares no próprio dia, atualmente suspensos exceto em casos de grande urgência.

Foto: DR

20 fotografias expostas nos claustro da Igreja da Sé em Bragança mostram dureza de atravessar cancro da mama

 A dura realidade de atravessar o cancro da mama está visível nas 20 fotografias expostas nos claustros da Igreja da Sé, em Bragança
Luís Agostinho aceitou o desafio de uma amiga e decidiu retratar a “VERDADE OCULTA, a grande batalha” daqueles que atravessam a doença. Na inauguração da exposição, este domingo, o fotógrafo, natural da Covilhã, contou que o mais desafiante foi conseguir conquistar a confiança dos homens e das mulheres que estava a captar.

“Chegar à alma das pessoas e à confiança deles para as conseguir retratar como eu queria, porque não é fácil uma mulher se expor, nem muito menos falar do seu problema com um estranho e então foi preciso alguns momentos de conversa de diálogo, para se criar a proximidade para que a pessoa se dispa fisicamente e mentalmente”, contou.

Na inauguração da exposição esteve Jorge Pires, que faz parte do 1% de homens que tiveram cancro da mama em Portugal. Em 2018 foi diagnosticado com a doença. Admitiu que os homens ainda não estão consciencializados para o cancro da mama.

“Foi um dia muito mau, senti que o mundo me caiu em cima, ainda por cima uma doença que nunca se espera que seja de homens. Ainda há desconhecimento, acho que os homens pensam que não estão sujeitos a essa doença e acontece, eu sou um caso”, referiu.

Ermelinda Oliveira também esteve presente e deu a conhecer o seu testemunho. Teve cancro da mama em 2019 e disse ter-se revisto nas fotografias expostas. Agora curada, entende que a chave para a recuperação é a aceitação e o apoio da família.

“Revi-me no momento de descoberta da doença, todo o percurso que vamos vivendo, a aceitação, principalmente a aceitação e o dizer ‘se isto me aconteceu a mim não vou questionar-me porquê, vamos seguir em frente’. Eu tive a sorte de ter as minhas filhas comigo e de ter um companheiro que foi fantástico”, disse.

Testemunhos de homens e mulheres que atravessaram o cancro da mama foram dados a conhecer numa conversa que aconteceu depois da inauguração da mostra, na Igreja da Sé, em Bragança. A exposição “VERDADE OCULTA, a grande batalha” de Luís Agostinho conta com 20 fotografias escolhidas, das cerca de 400 captadas.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Profissionais de saúde percorrem concelho de Alfândega da Fé para prestar apoio a idosos

 Um grupo de técnicos e profissionais de saúde está a deslocar-se diariamente a casa de alguns idosos, no concelho de Alfândega da Fé


A equipa presta apoio psicológico, ajuda na reabilitação e recuperação física, leva cuidados de enfermagem e medicação, promove a estimulação cognitiva e faz a ponte com outros serviços de acção social disponíveis.

A Equipa de Atenção Biopsicossocial à Pessoa Idosa foi criada pela câmara municipal e, segundo disse a coordenadora desta, Telma Figueiredo, também prevê ajudar os cuidadores dos idosos, que, muitas vezes precisam de apoio para melhor prestar cuidados.

“Temos vários profissionais de saúde, a equipa é composta por enfermeiros, assistente social, psicólogos, nutricionistas, sociólogos e psicomotricista. Sabemos que o concelho de Alfândega da Fé tem uma população completamente envelhecida e achámos que havia estas necessidades e que há pessoas que não querem colocar os idosos num lar e preferem ter em casa”, explicou.

A equipa tem parceria com o centro de saúde, lares de idosos, centros de dia e várias outras instituições e está no terreno desde Maio, tendo sido agora oficialmente apresentada. Os cuidadores que pretendam usufruir do apoio devem solicitá-lo. Depois serão avaliados os critérios de admissão e, caso a pessoa os preencha, é também avaliado em que áreas a equipa pode ajudar.

Os profissionais ajudam directamente os idosos e também os cuidadores a prestar apoio às pessoas que têm a seu cargo, mas não fica por aqui. Telma Figueiredo diz que é uma forma de também apoiar os cuidadores, que muitas vezes se esquecem de si mesmos. Assim, a equipa foi agora apresentada e ao mesmo tempo promoveu-se um encontro de cuidadores, para que se partilhem experiências.

“Estas pessoas também precisam muito do nosso apoio e, por isso mesmo, estamos a fazer estes encontros. Uma pessoa que está 24h sobre 24h a cuidar de outra pessoa não é nada fácil e queremos mesmo tentar fazer uma vez por mês estes encontros também para ajudar os cuidadores”, salientou.

A equipa actua, em Alfândega da Fé, desde Maio e prevê contribuir para retardar, ou mesmo evitar, a institucionalização dos idosos.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Terras de Trás-os-Montes

Produtos transmontanos têm uma nova marca

 A Sortegel, que transforma dez mil toneladas de castanha por ano, acaba de lançar a marca Quinta de Arufe direcionada ao consumidor final. Queijo e azeite vão fazer parte do cabaz transmontano.
A Sortegel, que se assume como a maior transformadora de castanha em Portugal e um das maiores na Europa, acaba de lançar uma nova marca intitulada de “Quinta de Arufe”, em parceria com o chefe Chakall. Para além da castanha, a nova marca vai contar com produtos transmontanos como queijo e azeite, direcionados ao consumidor final.

Em declarações ao ECO, Hugo Soares, administrador da Sortegel, disse que “aproveitaram a ocasião da Expo Dubai para lançar a nova marca, Quinta de Arufe, com produtos que produzem dentro do grupo”. “Para além da castanha, que é o produto rainha, vamos comercializar queijo e azeite transmontano”, adianta. O objetivo desta nova marca é conquistar os mercados externos, mas também afirmar-se no mercado nacional.

Os produtos da Quinta de Arufe já estão disponíveis aqui e “em breve estará nas bancas e nas grandes superfícies”, adianta o administrador.

A Sortegel transforma dez mil toneladas de castanha por ano, têm duas quintas com produção própria de castanha e compram em toda a região castanha para transformar. “A transformação que fazemos é pelar a castanha e congelar. Toda a castanha congelada que se consome em Portugal é nossa”, conta com orgulho Hugo Soares.

Da produção anual de castanha da Sortegel cerca de 25% destina-se à comercialização em fresco sendo os restantes 75% destinados ao descasque e congelação. O grupo exporta entre 70 a 80% da produção de castanha principalmente para Itália, França e Alemanha. O ano passado a Sortegel faturou 27 milhões de euros.

A Sortegel nasceu em 1987, está localizada em Bragança, historicamente uma região de grandes plantações de castanheiros. O grupo conta com cerca de 400 hectares de produção própria de castanha com apanha mecânica e manual e emprega mais de 150 pessoas.

Fátima Castro

domingo, 28 de novembro de 2021

Incêndio destrói habitação esta tarde em Chacim (Macedo de Cavaleiros)

Um incêndio urbano consumiu esta tarde na totalidade uma habitação de apoio a um empreendimento de turismo habitação na aldeia de Chacim, em Macedo de Cavaleiros.

Ao que conseguimos apurar, o incêndio teve origem em uma lareira e o as chamas não alastraram a outros espaços graças à rápida intervenção dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros.

Não há feridos a registar deste incidente e o incêndio está, neste momento, dominado.

O alerta foi dado por volta das 15h e no local estão 18 operacionais dos Bombeiros de Macedo, apoiados por 5 viaturas.

Escrito por ONDA LIVRE

… AUSÊNCIAS

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Vem da horta. Os anos pesam-lhe mais que o feixe de lenha! Que dias frios…mas que dias…Longos e frios! O lume vai arder no aconchego da casa…Haja Deus! Os filhos. Tantos! O mundo é maior do que a sua horta onde há sempre couves e um poço que canta. 
- O senhor fala com o meu filho mais novo… ele disse-me! Ele disse-me! Ele está bem?!
Lágrimas muitas… olhos de pôr-do-sol! Aperta o xaile como quem arrecada as mágoas. Tantas!
- Ele está bem… claro que está bem… falo com ele às vezes no Facebook.
Resiste ao desemprego…resiste à escravatura…resiste à Europa!
- O seu menino está bem… e gosta muito de si!
- Ele disse que gostava de mim?!
…disse que sim!
Eu nunca lhe ouvi dizer palavras de gostar… mas eu digo que sim… que gosta muito da mãe!
…aquele filho gosta tanto de mim! Olhos de noite…lágrimas antigas!
…ele virá pelo Natal?!
Logo… logo vem… ele gosta muito de si!
- Pois vem!…
O lume tarda em arder!
… envelhece!
O filho há de vir um dia!
…para o funeral!

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Caçador morre com tiro acidental no concelho de Mirandela

 Um homem, de 52 anos, morreu esta manhã com um tiro acidental, em Valongo das Meadas, concelho de Mirandela
Segundo o comandante dos Bombeiros de Mirandela, o homem andava à caça e foi atingido no tórax por um tiro acidental de outro caçador. Ainda foi chamado o helicóptero do INEM, sediado em Macedo de Cavaleiros, mas o óbito foi declarado no local. 

O alerta foi dado por volta das 10h.

Escrito por Brigantia

Descansa em Paz meu Querido Amigo

 Terminou a luta...
Os meus sentidos pêsames à extremosa Esposa e restantes familiares.

sábado, 27 de novembro de 2021

Idosa morre atropelada em Miranda do Douro

 Uma idosa morreu atropelada, por uma carrinha, esta tarde em Miranda do Douro
Segundo o comandante dos Bombeiros, a mulher, de 79 anos, tinha ferimentos muito graves e acabou por morrer ainda no local. 

Ainda foi chamado o helicóptero do INEM, sediado em Macedo de Cavaleiros, mas já não havia nada a fazer. 

O alerta foi dado por volta as 17h30.

Escrito por Brigantia

Hoje à noite, Hamlet (mas cancelado) sobe ao palco do Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros

 No início do século XVII, William Shakespeare escreveu A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca, e agora a peça vai ser encenada no palco do Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, numa versão um pouco ou tanto diferente, contada pela perspetiva de um figurante.


Hamlet Cancelado traz humor e reflexão à noite de sábado, como conta o ator, autor e diretor da peça, Vinícius Piedade:

“É uma versão livremente inspirada na obra Hamlet mas que traz toda a estrutura da peça a partir da perspectiva de um figurante e do que seria uma grande montagem da peça que acabou por ser cancelada. Quando a peça é cancelada, esse figurante não aceita e decide fazê-la sozinho, tentando levar para o palco o que seria a versão ousada do diretor.

É uma peça com muito humor e muita reflexão. Esta obra é muito atual, por incrível que pareça. São mais de 500 anos que dizem muito sobre os dias de hoje. Quem estiver no teatro vai vivenciar uma experiência extremamente intensa.”

A peça já percorreu vários palcos do Brasil e também alguns em Portugal.

Pela primeira vez abre as cortinas ao público macedense e Vinícius Piedade espera que a esta se sigam outras colaborações:

“Esta peça aconteceu em várias cidades do Brasil e em Portugal também tem tido uma grande digressão. Já passou pela ilha da Madeira, Guarda, Caldas da Rainha, Viana do Castelo e outras cidades. Esta é a primeira vez que a peça vai acontecer em Macedo de Cavaleiros. É também a minha estreia por aí, que espero que seja o impulso para regressar com outros trabalhos.”  

E fica desde já o convite:

“Acho que o teatro é uma arte feita de justamente para as pessoas vivenciarem.

Como tal, quero convidar o público de Macedo de Cavaleiros para estarem lá comigo ouvindo este português do Brasil.

Nessa versão da grande obra já escrita na história da humanidade, as pessoas vão poder apreciar um pouco do universo de Shakespeare através de um recorte muito particular.

Estão todos muito convidados. “

O espetáculo começa às 21h30 deste sábado no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

Roteiro das Terras de Miranda com 24ME disponibilizados desde maio

 O Ministério do Ambiente revelou hoje terem sido, desde maio, disponibilizados em avisos-concurso 24 milhões de euros dos 94 milhões previstos para o Roteiro das Terras de Miranda, um plano de ação destinado a apoiar o desenvolvimento da região.


“Está assim o Governo a honrar um compromisso e as autarquias a concorrer no âmbito do referido roteiro, destinado a apoiar mais de 150 projetos que constituem uma base sólida para o desenvolvimento da região e foram identificados pelos respetivos municípios”, indica o Ministério do Ambiente e Ação Climática em comunicado hoje enviado.

Segundo o MAAC, a natureza dos projetos identificados diz respeito a áreas que vão do ordenamento do território à gestão do ciclo urbano da água, passando por gestão de resíduos, mobilidade, combate às alterações climáticas, conservação da natureza e florestas, transição e eficiência energética e recuperação de passivos ambientais.

O anúncio surge dias depois de o Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM), que em maio apelidou o roteiro de “propaganda”, ter aprovado um plano estratégico assente em 34 projetos para valorizar os “extraordinários recursos” deste território como a língua e cultura, a pecuária e produção de energia.

Para os representantes do movimento, este plano não assenta numa reivindicação de transferências de recursos do Estado nem do resto do país, mas na valorização e rentabilização de todo o potencial destes recursos da Terra de Miranda.

Hoje, num levantamento de avisos-concurso lançados nos últimos seis meses destinados ao Roteiro, o MAAC recorda que até 30 de setembro esteve aberto um concurso destinado a apoiar a aquisição de autocarros novos movidos a eletricidade ou a hidrogénio que previa a aplicação de um coeficiente de majoração a candidaturas que abrangessem municípios como as incluídas nas Terras de Miranda.

Já a 17 de setembro foi aberto um aviso-convite que permitiu aos 10 municípios identificados no roteiro apresentar candidaturas para resolução de problemas inadiáveis destinados a melhorar os sistemas relacionados com o Ciclo Urbano da Água,

“No âmbito deste aviso, foram apresentadas 64 candidaturas, que estão em fase de análise”, especificou aquele ministério.

Até 29 de novembro decorre outro aviso-convite no âmbito do instrumento REACT-EU, para apoio à transição climática, que permitirá aos municípios apresentar candidaturas para a reabilitação de redes hidrográficas.

“Face à programação do Roteiro prevê-se a submissão de 11 intervenções com incidência neste território”, indica.

Ainda no âmbito do REACT-EU, será lançado durante o mês de dezembro um aviso-convite com uma dotação de cinco milhões de euros para apoiar as oito intervenções identificadas no roteiro na dimensão resiliência, correspondente a floresta e natureza.

Outra das áreas temáticas em curso é a da Mobilidade Sustentável, em que a EDP avança no imediato com a instalação de postos elétricos de carregamento, num investimento total próximo de 1,4 milhões de euros, repartido em partes iguais entre 2022 e 2026, indica.

O Roteiro para o Desenvolvimento Sustentável e Integrado das Terras de Miranda, Sabor e Tua foi apresentado em maio de 2021 em Mogadouro e resultou da análise que um grupo de trabalho, criado pelo Governo, fez ao impacto da venda de seis barragens transmontanas pela EDP à Engie.

O Movimento Cultural Terras de Miranda considerou então que o ministro do Ambiente fez uma “ação de propaganda” ao anunciar investimentos de 91,7 milhões com promessas que se traduzem "numa mão cheia de nada".

Em 13 de novembro de 2020, foi anunciado que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tinha aprovado a venda das barragens.

A EDP concluiu, em 17 de dezembro, a venda por 2,2 mil milhões de euros das barragens a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova.

Baixo Sabor pretendem ser bio-região para manter a autenticidade do território

 A Associação de Municípios do Baixo Sabor (AMBS) pretende certificar os quatro concelhos abrangidos numa bio-região para manter a autenticidade de um território rural onde “abundam bioprodutos” agrícolas, disse hoje à Lusa o presidente daquele organismo intermunicipal.


“Pretendemos trabalhar num projeto para a criação de uma bio-região e esperamos que este anseio venha a ser uma realidade para todo o território dos Lagos do Sabor, que abrange quatro concelhos. Estamos a promover uma candidatura a nível europeu que terá de cumprir alguns requisitos. Este é um território rural onde abundam os bioprodutos pelo facto de ainda se manterem práticas agrícolas ancestrais”, explicou Eduardo Tavares.

Os Lagos do Sabor abrangem os concelhos de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, numa área de 2.300 quilómetros quadrados que resultam da albufeira da barragem do Baixo Sabor.

Segundo um documento a que a Lusa teve acesso, as bio-regiões consistem em áreas geográficas onde agricultores, cidadãos, operadores turísticos, associações e o poder local estabelecem uma parceria para a gestão sustentável dos recursos locais, dando centralidade à produção e consumo alimentar de base agroecológica.

O movimento das bio-regiões nasceu em Itália, em 2004, e nos últimos anos passou fronteiras, rondado atualmente as 40 comunidades em todo o mundo. Em Portugal existem quatro bio-regiões: Idanha a Nova, Alto Tâmega, São Pedro do Sul e margem esquerda do rio Guadiana.

“Entendemos que, ao possuirmos uma logomarca de bio-região nos Lagos do Sabor, será uma mais-valia para todas as nossas atividades complementares à agricultura ou à agroindústria. Por isso vamos lutar para conseguir certificar o território dos Lagos do Sabor com esta marca. Já houve reuniões com a ministra da Agricultura e com a diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, e vamos muito em breve fazer esta candidatura”, concretizou Eduardo Tavares.

Para além da criação de uma bio-região, o projeto turístico "Lagos do Sabor" prevê a criação de um ‘Eco-Resort’ flutuante, com unidades de alojamento e capacidade de navegação nos lagos, pontos de ancoragem em forma de flor de amendoeira com pequenas piscinas centrais, praias fluviais e ancoradouros, abrangendo os quatro municípios numa única gestão ao longo de 70 quilómetros de lagos.

O presidente da AMBS, Eduardo Tavares, defende igualmente ser “urgente” a aprovação do Programa Especial da Albufeira do Baixo Sabor (PEABS) por se tratar de um instrumento estratégico para o ordenamento desta região.

Candidatura de mais de 30 rituais com máscaras a património da UNESCO já está a ser avaliada

 A Direcção Geral do Património Cultural já está a avaliar a candidatura das festas com máscaras a património imaterial da humanidade da UNESCO


A candidatura transfronteiriça é promovida pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – Zasnet e diz respeito a mais de 30 rituais com máscaras de Trás-os-Montes, Salamanca e Zamora.

A garantia de que segue um “bom caminho” foi deixada, ontem, pela vereadora da cultura da câmara de Bragança, Fernanda Silva, à margem da abertura da X Bienal da Máscara – MASCARARTE.

“Está a ser avaliada mascarada a mascarada, ritual a ritual e está em fase de enriquecimento, por assim dizer, mas está num bom caminho para que a seguir possa seguir para o gabinete da UNESCO para ser feita a avaliação final. Esperamos que isso aconteça dentro de um ano”, explicou.

A MASCARARTE começou ontem, com a inauguração da exposição temática “Mascaradas de Inverno da Raia Ibérica”, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira. Foi também apresentado o catálogo da bienal de 2019 e aberto o “Espaço Máscara”, com a mostra de trabalhos de artesãos locais. Várias iniciativas que compunham o evento foram canceladas, por causa do aumento de casos de covid-19, mas a vereadora diz que o que vai acontecer e representativo da bienal.

No “Espaço Máscara” há vários tipos e feitios de máscaras para conhecer. São trabalhos de artesãos locais, que consideram proveitoso ali expor e que afirmam que a bienal serve para mostrar e vender algumas máscaras.

“Costuma-se dizer que quem não aparece não existe, por isso gosto sempre de participar na Bienal da Máscara. É verdade que há algumas restrições, mas não é por aí que nós deixamos de participar. Não sei se vou vender alguma coisa, mas tenho que participar e divulgar que existimos [artesãos]”, referiu Fernando Tiza.

A MASCARTE continua hoje, amanhã e segunda-feira, com conferências, inauguração de exposições e apresentação de livros. O desfile pelas ruas do centro histórico e a queima do mascareto, que deviam acontecer este sábado, foram cancelados.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Secretário de Estado da Agricultura visitou Quinta do Valongo em Mirandela onde será criado Polo de Inovação

 Vai ser criado um polo de inovação, na Quinta do Valongo, em Mirandela, ligado à agricultura, nomeadamente ao olival e aos frutos secos


O secretário de Estado da Agricultura visitou, esta manhã, as instalações que já estão na quinta e que serão requalificadas para esta nova estrutura. Rui Martinho acredita que este polo irá acrescentar valor aos produtos da região, nomeadamente ao azeite.

“Nós queremos valorizar ainda mais, dar expressão mais visível ao potencial que essas variedades [de azeite] têm quando cultivadas no sítio certo0, como é esta região. Portanto o que nós pretendemos é valorizar o azeite desta região e com conseguir valorizar mais o produto que é pago aos agricultores, criando melhores condições de vida e para que tenham melhores condições para continuar a produzir com qualidade”, frisou.

As novas instalações e equipamento custarão um milhão e 100 mil euros. A candidatura para financiamento vai ser submetida em breve pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte. O secretário de Estado reuniu ainda em Mirandela com primeiros parceiros, que apresentaram projectos para este polo de inovação. Segundo Carla Alves, directora regional da DRAP Norte, já há cinco projectos.

“Temos parceiros que se mostraram muito interessados em fazer estas parcerias e estes projectos, como O CIMO, o Colab More, o IPB, a UTAD e outras entidades que já estamos aqui a fazer parcerias na área do amendoal, do olival, das pastagens permanentes, da eficiência de rega”, explicou.

Quanto à falta de mão-de-obra na agricultura, o governante, Rui Martinho, admite que é preciso fazer alguma coisa para solucionar o problema, como por exemplo aumentar a atractividade do sector.

Na sexta-feira, o secretário de Estado da Agricultura visitou ainda explorações agrícolas em Mirandela e Macedo de Cavaleiros.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

O que procurar no Outono: a azinheira

 Na semana em que se celebra o Dia da Floresta Autóctone, vou falar-vos de uma árvore típica da paisagem mediterrânica que por esta altura se encontra em plena frutificação: a azinheira (Quercus rotundifolia).

Azinheira secular do Monte Barbeiro. Foto: Nuno Sequeira/WikiCommons

A azinheira – também conhecida como azinho, carrasco, sardão, carrasca, azinheira-de-bolota-doce, ou sardoeira – é uma espécie da família Fagaceae, a que pertencem inúmeras espécies nativas da floresta portuguesa, como o sobreiro (Quercus suber), os carvalhos (Quercus spp.), a faia (Fagus sylvativa) e o castanheiro (Castanea sativa).

A família Fagaceae está representada um pouco por todo o mundo por oito géneros botânicos, sendo o mais expressivo o género Quercus, a que pertence a azinheira, com cerca de 460 espécies botânicas aceites. Em Portugal são oito as espécies nativas representativas deste género. E há um exemplar que merece o nosso destaque.

Azinheira

A azinheira é uma árvore de porte médio, podendo atingir de 8 a 15 metros e, raramente, 20 a 25 metros de altura. Possui uma copa geralmente ampla e arredondada, tronco curto e tortuoso e casca acinzentada.

Azinheira. Foto: Xemenendura/WikiCommons

É uma espécie de crescimento lento e de elevada longevidade, podendo ultrapassar os 1000 anos.

A azinheira é uma espécie perenifólia – tem folha persistente -, mantém as folhas verdes durante todo o ano. A renovação das folhas ocorre de dois em dois ou de três em três anos, sem que a árvore fique despida.

As folhas são simples, espessas, coriáceas e possuem margem lisa ou espinhosa. A página superior das folhas é verde-escuro brilhante e a página inferior é coberta por um feltro esbranquiçado. Possuem pecíolo com 3 a 10 cm de comprimento e o limbo possui formas muito variáveis, desde ovado a elíptico. Esta variação da forma está dependente do indivíduo, da idade e do raminho de crescimento.

A floração ocorre na primavera, entre os meses de fevereiro e maio. Como é uma espécie monóica, as flores masculinas e femininas crescem na mesma árvore. As flores masculinas são amareladas, alaranjadas e por fim tornam-se pardas. Aparecem em grande quantidade, agrupadas em inflorescências – amentilhos suspensos – na extremidade dos ramos do ano.

As flores femininas são pequenas, peludas e desenvolvem-se em menor quantidade, sobre os rebentos do ano. Crescem de forma isolada ou em grupos de duas flores e são de cor avermelhada, mudando para cor de laranja com o avançar do tempo.

Foto: Luís Nunes Alberto/WikiCommons

Os frutos – glandes ou bolotas – formam-se a partir das flores femininas. São oblongo-cilíndricos, pontiagudos e glabros. Possuem uma cúpula protetora, em forma de dedal, coberta de pequenas escamas quase planas e tomentosas, que cobre menos da metade do fruto.

As bolotas amadurecem e caem no outono, entre outubro e dezembro, e perdem rapidamente a capacidade de germinar, não sendo fácil a sua conservação por muito tempo. Frutifica geralmente a partir dos 8-10 anos, mas só a partir dos 15 a 20 anos é que passa a uma frutificação regular e mais abundante.

Espécie tipicamente mediterrânica

A azinheira é originária do sul da Europa e está presente em quase toda a Bacia do Mediterrâneo.

Em Portugal é comum em todo o território, sobretudo em zonas com influência continental e mediterrânica, ou seja sobretudo nas regiões do interior e no sul, embora também possa encontrar-se na faixa do litoral, excepto em zonas de climas temperados do norte e centro litoral.

A azinheira pode encontrar-se em bosques e matagais de folha perene, em associação com outras espécies ou como espécie dominante, formando azinhais. No sul, onde é mais predominante, ocupa extensos povoamentos, formando os “montados de azinho”, muitas vezes em sistemas agro-florestais, como em pastagens ou em campos de cultivo agrícola, como as culturas de cereais, ou em povoamentos mistos com o sobreiro.

Foto: Ziegler175/WikiCommons

É uma espécie rústica e resistente, mas é sensível ao frio, ainda que tolere temperaturas mínimas até aos -3ºc.

É uma árvore heliófila, ou seja, de plena luz e intolerante ao ensombramento, que possui uma grande plasticidade ecológica. Também é classificada como uma espécie xerófila, estando adaptada a períodos de secura, mais ou menos prolongados, conseguindo viver com pequenas quantidades de águas.

É indiferente às condições edáficas, excepto em solos encharcados (com má drenagem), ou muito arenosos. Pode desenvolver-se em solos pobres, rochosos, pedregosos e esqueléticos, com pouca ou nenhuma humidade e é tolerante a qualquer tipo de pH. 

Árvore nobre

A azinheira é uma árvore nobre e tem um importante valor ornamental. É bastante tolerante à poluição urbana e a sua copa ampla e densa proporciona uma agradável sombra, sendo ideal para embelezar qualquer parque ou jardim, desde que lhe seja garantido espaço para que se possa desenvolver de forma natural, ainda que suporte intervenções de poda.

Graças à sua grande capacidade de germinação e de renovação através do cepo, é uma espécie muito resistente aos incêndios.

Os frutos da azinheira são considerados os de melhor qualidade entre as várias espécies do género Quercus, constituindo uma excelente fonte de alimento para os animais durante o outono e o inverno, sendo tradicionalmente utilizadas na alimentação dos porcos de montanheira.

As bolotas também são usadas na alimentação humana. Possuem um elevado valor nutricional e são ricas em fibras, proteínas e em compostos antioxidantes.

Apesar da sua utilização na alimentação humana ter decaído bastante nos últimos séculos, está a ser lentamente retomada, pois pode ser uma excelente alternativa nutricional para pessoas intolerantes ao glúten. Em algumas regiões, as bolotas são assadas, como as castanhas, ou misturadas com outros cereais para fazer farinha para pão.

A madeira de azinho é muito densa e compacta, resistente mecanicamente, além de ser bastante durável ao apodrecimento, no entanto deforma-se quando seca, e é difícil de trabalhar. É usada na construção, para o fabrico de pequenas peças de pavimentos – parquet, pois além da madeira apresentar “desenhos” que criam um belo efeito, também é muito rija, sendo resistente ao pisoteio, não sendo danificada pelos “saltos altos”.

É igualmente utilizada no fabrico de algumas peças de mobiliário e em peças para reboques, arados e outras ferramentas. Antigamente era usada em rodas de carros de bois e nas respectivas carroçarias e também na construção do cavername de naus e caravelas.

A madeira de azinheira possui um alto valor calorífico, sendo muito apreciada para carvão e lenha.

A casca, sobretudo dos exemplares mais jovens, possui uma grande quantidade de taninos, pelo que é muito apreciada no curtimento e tingimento de couro e outros materiais.

A azinheira também tem aplicações medicinais, pelas suas propriedades adstringentes. As folhas, frutos e casca são usados, na medicina popular, para tratar disenterias e diarreias.

Árvore protegida

A designação científica dada a esta espécie revela a imponência e beleza destas árvores. O termo genérico Quercus é o nome clássico, em latim dado aos carvalhos, azinheiras e sobreiro, uma planta sagrada para Júpiter e deriva do celta “Kaer-” e “-quer” que significa “bela árvore” ou “a árvore por excelência”. O termo rotundifolia deriva da combinação entre duas palavras: rotundos-, que significa “redondo ou esférico” e de –folius que significa “folha”, ou seja que tem “folha arredondada”.

A azinheira é uma espécie protegida em Portugal. A sua proteção justifica-se largamente pela sua importância ambiental e económica, já reconhecida na Lei de Bases da Política Florestal publicada em 1996 (Lei n.º 33/96, de 17 de Agosto).

O decreto-de-Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei n.º 155/2004, de 30 de Junho, estabelece as medidas de proteção desta espécie, assim como do sobreiro. De entre as medidas constantes neste diploma, destaca-se a necessidade de pedido de autorização prévia ao ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para proceder ao corte, arranque ou à poda de azinheiras e sobreiros.

Floresta autóctone

A floresta autóctone é uma floresta representada por espécies da flora nativa do próprio território, ou seja, que ocorre naturalmente ou de forma espontânea numa determinada região e que se encontra bem adaptada às suas condições edafo-climáticas.

As espécies que compõem a floresta nativa são geralmente mais resistentes a pragas e as doenças, podem suportar longos períodos de seca ou de chuva intensa, quando comparadas com as espécies exóticas, introduzidas no mesmo habitat.

As florestas autóctones são uma valiosa fonte de riqueza natural e de manutenção da biodiversidade. Exercem um papel fundamental na regulação e melhoria do clima, são excelentes sumidouros de carbono, favorecem a regulação do ciclo hidrológico e da qualidade da água, assim como promovem a formação e fertilidade dos solos.

Em Portugal, a floresta autóctone é representada pelos carvalhos, sobreiros, azinheiras, castanheiros, loureiros, azevinhos, faias, medronheiros e tantas outras espécies arbóreas, arbustivas, herbáceas, além dos muitos animais, fungos e outros seres vivos que a compõem. A floresta é muito mais do que árvores, é todo um ecossistema.

No mês em que se celebra a floresta autóctone e em que se fecha o concurso para apresentação de candidaturas para a Árvore Portuguesa do ano 2022, promovido pela União Florestal Mediterrânica (UNAC), é fundamental compreender a importância das árvores.

As árvores começam a vida como minúsculas plantas nascidas por semente, podendo acabar os seus dias como gigantes centenários. Muitas são as histórias que têm para contar, já passaram por muitas guerras e por períodos de paz mas, para que assim continuem, é necessário a sua preservação.

Exemplo dessa resiliência é a Azinheira Secular do Monte Barbeiro (Mértola), com mais de 150 anos, que representou Portugal no concurso de Árvore Europeia em 2019, onde arrecadou o 3º lugar.

No entanto, a tendência populacional desta espécie tem vindo a decrescer nos últimos anos, é importante perceber que esta espécie contribui para a biodiversidade local, além de sustentar a economia dessas regiões.

Dicionário informal do mundo vegetal:

Perenifólia – de folha persistente ou folha perene. Árvore que mantém as folhas verdes ao longo de todo o ano, fazendo a sua renovação gradual sem que fique despida.
Coriácea – que tem uma textura semelhante à casca da castanha ou do couro.
Pecíolo – pé da folha que liga o limbo ao caule.
Limbo – parte larga de uma folha normal.
Ovada – folha com a forma de um ovo mais larga perto da base.
Elíptica – folha com forma que lembra uma elipse, mais larga no meio e com o comprimento duas vezes a largura.
Monóica – espécie que apresenta flores femininas e masculinas separadamente na mesma planta.
Inflorescência – forma com as flores estão agrupadas numa planta.
Amentilho – inflorescência semelhante a uma espiga, onde as flores, geralmente unissexuais, surgem agrupadas num eixo comum.
Cúpula – invólucro duro, em forma de taça, formado por numerosas e pequenas brácteas, que protege e envolve (totalmente ou parcialmente) a flor e o fruto, de algumas espécies arbóreas e arbustivas, nomeadamente da família Fagaceae.
Heliófila – planta que vive preferencialmente em locais de exposição solar plena. Necessita da luz solar para um bom desenvolvimento.
Xerófila – planta adaptada aos climas secos, a períodos de seca mais ou menos prolongada. Que consegue viver com pequenas quantidades de águas.

Carine Azevedo