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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

“A segurança é a maior riqueza”

                      Grande Entrevista:
Diário de Trás-os-Montes (DTM): De acordo com informação recolhida por entre os seus subordinados na preparação desta entrevista, denotei que existe da parte deles um certo apreço em relação a si, apesar de, julgo eu, ainda só o conhecerem há pouco tempo. O que tem a dizer sobre isso?
Comandante Amílcar Ribeiro (CAM): É claro que me agrada, mas isso deve ser um gesto de simpatia das pessoas que me conhecem e nada mais.

DTM: Ainda nesse processo de recolha de informação, deparei-me com a seguinte expressão que me ficou impressa na memória e que, aliás, foi proferida por um militar em forma de elogio referindo-se a si como: “um homem que vive para a Guarda”. Gostaria de comentar?
CAM: Isso é um exagero, naturalmente. Hoje em dia, ninguém vive para algo em exclusivo. É impossível, até porque nós não temos essa capacidade. Para além da família e dos amigos, temos um conjunto de coisas que não nos permite isso e, aliás, nem faz sentido. Qualquer profissional, aquilo que tem e deve fazer, no sentido do dever, da missão que tem, é procurar fazer o melhor possível. Nem mais, nem menos. E é o que eu tento fazer. Tento dar o melhor de mim.

DTM: Na sua primeira semana enquanto Comandante em Bragança, aproveitou para conhecer as várias valências da GNR espalhadas pelo distrito. A que conclusões é que chegou?
CAM: Estamos a falar de doze concelhos, mas o efetivo é proporcional à realidade populacional. Também os meios materiais disponíveis e de apoio à atividade operacional, os meios que complementam, no fim de contas, todo o aspeto operativo que realizamos, são suficientes. Estou a falar dos meios auto, moto e de outras componentes, possibilidades e aptidões que temos em termos de intervenção.

DTM: Em termos de dispositivo humano, qual é o efetivo que o Comandante dispõe no sentido, também, de poder tranquilizar a população?
CAM: Temos aqui cerca de 630 homens e mulheres.

DTM: Quais é que considera serem os principais problemas do distrito de Bragança?
CAM: Problemas como o isolamento estão associados à desertificação crescente que se tem vindo a sentir desde há uns anos a esta parte. A distância entre as várias localidades e a segurança rodoviária que tem de existir nessas deslocações, tem a ver com o sentimento de segurança que as pessoas têm de ter na sua habitação, no seu local de trabalho, seja no ambiente de cidade, de vila ou de aldeia. O mais importante é que a comunidade sinta que a GNR está ali para a proteger e ajudar dentro das suas competências. Agora, o sentimento de segurança existe e a Guarda realiza esse sentimento de segurança, materializamos a República, preservamos as instituições democráticas no funcionamento do Estado de Direito e, obviamente, o nosso esforço irá sempre nesse sentido. No modelo atual de sociedade ocidental, chamado moderno, no paradigma existente, a segurança é a maior riqueza e nós, GNR, produzimos essa riqueza. Vimos, infelizmente, os acontecimentos de Paris e não havendo segurança nada funciona. O professor não vai para a escola, o médico não vai para o hospital, deixa tudo de funcionar numa sociedade moderna.

DTM: O fator desertificação também faz com que as populações, sobretudo, as mais envelhecidas sejam um alvo preferencial da atividade criminosa. A GNR tem algum plano em marcha que combata este tipo de violência cada vez mais recorrente exercida contra os cidadãos seniores? 
CAM: A GNR dispõe de programas especiais onde certos militares com formação específica nesse âmbito conseguem desenvolver um conjunto de ações destinadas a acompanhar as situações mais difíceis. Primeiro, são sinalizadas e depois são acompanhadas e monitorizadas de uma forma continuada para identificar algum aspeto que não seja normal e assim atuar em conformidade. Felizmente, não temos tido nenhuma situação que saia da normalidade ou até que nos preocupe. Mas isso não invalida que, a qualquer momento, o pior possa acontecer. Hoje em dia, as pessoas movimentam-se com muita facilidade. O espaço Schengen permite a livre circulação de pessoas dentro dos países signatários, sem a necessidade de apresentação de passaporte nas fronteiras e, assim sendo, se construímos uma União Europeia com este molde, dentro destas caraterísticas, temos de perceber que existem coisas boas e menos boas. Menos boas é que qualquer indivíduo como aparece rapidamente, também desaparece da mesma forma e nós temos de ter consciência disso.

DTM: Depois dos ataques terroristas ao coração da Europa, Paris, e estando nós tão próximos de uma fronteira terrestre, a GNR pensa adotar medidas preventivas que possam salvaguardar a segurança das pessoas, instituições e da própria região?
CAM: Não podemos trabalhar isoladamente e muito menos em Bragança. Nós, em Portugal, temos serviços próprios da República que estudam e fazem o respetivo acompanhamento desses fenómenos. Em Quintanilha existe um Centro de Cooperação Policial e Aduaneira e isso significa que temos um grupo que faz todo um acompanhamento destas situações na tentativa de identificar um potencial risco que possa existir. Estes procedimentos são realizados em estreita consonância e harmonia com as autoridades espanholas e, inclusive, europeias.

DTM: Bragança é o sexto distrito do país com mais casos de violência domestica contra idosos, sendo que a violência doméstica entre casais aumentou 32 por cento de 2013 para 2014. A GNR tem acompanhado este fenómeno?
CAM: Sim, temos. Infelizmente, têm-se reportado alguns casos, mas continuo a dizer que não será fora daquele limite considerado tolerável. Mais uma vez repito, o ideal seria nada disto acontecer. Mas, obviamente, isso seria pedir o impossível. Esses casos existem, de fato. E pelas mais variadas razões.  Mas temos programas especiais e temos também trabalhado em parceria com diversas instituições a nível local e distrital e todos os casos identificados são tratados da maneira mais correta. Isso posso garantir-lhe.

DTM: Como é que classificaria a criminalidade no distrito?
CAM: Os índices de criminalidade são francamente baixos. Agora, o ideal era não haver crimes, mas onde há uma sociedade, existirão sempre conflitos. Faz parte da natureza humana e não há como evitar. No limite, essas mesmas disputas constituem crimes e aí entra a GNR para atuar e os tribunais para absolver ou condenar.

DTM: Na sua opinião, qual o maior desafio que terá de enfrentar ao longo dos próximos quatro anos?
CAM: O meu maior desafio será dar continuidade àquilo que foi feito pelo meu antecessor e conseguir manter esse sentimento de segurança que existe e que é fundamental. Essa é a maior riqueza que possuímos no distrito e é para alcançarmos esse objetivo que nos esforçamos e trabalhamos todos os dias.

DTM: Para terminar, que conselhos daria aos nossos leitores para a época natalícia que aí se avizinha?
CAM: Se conduzirem não bebam álcool. Esse é um conselho que fica sempre bem. E tentem também fazer uma condução defensiva, respeitar os limites de velocidade e colocarem sempre o cinto de segurança. E não se esqueçam de adaptar a velocidade do veículo às condições e caraterísticas da via. Respeitar é fundamental! Respeitem-se a si próprios e respeitarão os outros.
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Factos:

Nomeado: Amílcar Ribeiro
Naturalidade: Chaves
Data de Nascimento: 1962/02/06
Idade: 53
Profissão: Comandante da Guarda Nacional Republicana de Bragança
Livro: “Novos Contos da Montanha”, de Miguel Torga (1944)
Autor: Miguel Torga (1907 – 1995)
Artista, música ou banda sonora: Freddie Mercury (1946 – 1991) e Luciano Pavarotti (1935 – 2007)
Filme: “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola e “Era uma vez na América” (1984), de Sergio Leone
Um destino: Moçambique e Guiné-Bissau
Uma comida: Batata cozida, grelos e uma boa alheira transmontana
Clube: Sócio do Grupo Desportivo de Chaves e um homem do Norte (subentenda-se, F.C. Porto)

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

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