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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Espanhóis querem dar nome de Trás-os-Montes a estação do comboio de alta velocidade

Estação de Sanábria fica a 35 quilómetros de Bragança e poderá pôr a capital de Trás-os-Montes a duas horas e meia de Madrid
“Consideramos que a estação do AVE servirá dois territórios e duas povoações. Por isso, deverá chamar-se Porta Sanabria/Trás-os-Montes”. José Rodriguez Ballesteros, porta-voz da Associação de Defesa da Sanabria e Carballeda, entende que dois territórios desertificados juntos têm mais força e justificam a construção de uma estação do comboio de alta velocidade que lhes seja dedicada.

A linha do AVE (Alta Velocidade Espanhola) que ligará Madrid à Galiza quase toca a fronteira portuguesa, perto de Rio de Onor e Bragança, quando atravessa a zona de Sanabria. O projecto desta linha prevê a construção em Otero de Sanabria de uma estação que servirá os comboios que circulam a 300 Km/hora, mas são os próprios habitantes locais que vêem vantagens em que a sua estação inclua o nome de Trás-os-Montes.

“Sanabria e Carballeda têm 7000 habitantes, mas Trás-os-Montes é um território de 40 mil habitantes, pelo que faz todo o sentido que a estação sirva toda esta região fronteiriça”, disse José Rodriguez Ballesteros ao PÚBLICO.

Bragança fica a 35 quilómetros da futura estação do TGV espanhol, numa estrada com muitas curvas, mas aquele dirigente associativo não defende uma auto-estrada a ligar a capital transmontana a Sanabria para não interferir com o Parque Nacional de Montesinho. Em sua opinião, basta melhorar a estrada existente a fim de encurtar o tempo de viagem até à estação ferroviária. A partir daí, os transmontanos chegarão mais depressa a Madrid do que a Lisboa, porque bastarão duas horas e meia sobre carris para chegar ao centro da Meseta Ibérica.

Em Maio deste ano realizou-se uma manifestação reivindicativa no local onde ficará situada a estação de Otero de Sanabria, organizada pela Associação de Defesa da Sanabria e Carballeda à qual se juntou também um movimento cívico português — o DART (Defender, Autonomizar e Rejuvenescer Trás-os-Montes).

Francisco Alves, deste movimento, disse ao PÚBLICO que o importante é que a estação do AVE se construa em Sanabria e que depois os comboios lá parem. “É que, do lado sanabrés, a estação não se justifica, com excepção talvez do Verão em que há mais gente, mas, contando com Trás-os-Montes, o cenário muda de figura”.

O documento entregue ao governo espanhol reivindicando a paragem do comboio de alta velocidade em Sanabria assume um claro divórcio da região transmontana com o resto de Portugal no que concerne às acessibilidades: “a estação de Puebla/Bragança [nome alternativo a Sanabria/Trás-os-Montes] permitirá aos residentes da região o acesso ao aeroporto de Madrid pelo facto de encurtar o tempo de viagem, constituindo assim uma alternativa mais rápida e mais segura relativamente ao terminal do Porto, para já não falar no de Lisboa”. 

Esta proximidade de Barajas, dizem, “representa um potencial inestimável para todos quantos pretendem visitar a região, ou para os residentes viajarem para outras partes do mundo”.

Esta apetência do Nordeste português para Madrid é ainda potenciada pelo facto de se constar que a TAP vai acabar com os voos de longo curso a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Mas, para chegar à estação do AVE que levaria os transmontanos para o mundo, é necessário uma via rápida entre Bragança e Sanabria, que encurtaria a viagem dos actuais 45 minutos para 20 minutos. Francisco Alves diz que, desta forma, a capital de Trás-os-Montes ficaria a poucas horas das principais cidades do centro e norte de Espanha.

José Rodriguez Ballesteros acrescenta que o ideal até seria uma ligação ferroviária a Bragança, cidade que viu partir um comboio pela última vez em Dezembro de 1991, aquando do encerramento da linha do Tua, entre esta cidade e Mirandela. Mas esse é o mais improvável dos cenários, até porque o que restava da linha do Tua também tem vindo a ser desmantelado.

Em meados de Novembro, a Plataforma Salvar o Tua considerou “um erro e um crime contra o património nacional” o levantamento dos carris no troço de 18 quilómetros que vai ser submergido pela barragem do Tua, cuja construção está a cargo da EDP. Esta obra levantou inúmeros protestos na região pelo seu impacto ambiental negativo e pelo facto de submergir parte da linha do Tua, cuja circulação se encontrava suspensa à data do início da construção da barragem, na sequência de quatro acidentes com igual número de mortos.

A eléctrica portuguesa diz possuir um “Projecto de Mobilidade” que deverá ser uma alternativa à via férrea, mas nunca o divulgou. Contactada pela PÚBLICO, a empresa limitou-se a repetir uma informação divulgada em finais de Novembro, de que brevemente irá assinar um contrato com um operador privado — cujo nome não quis revelar —, que irá “criar uma alternativa de transporte ao troço da linha do Tua submerso pela futura albufeira”.     

Ligação rodoviária à futura estação à espera do novo Governo

A melhoria da ligação rodoviária entre Bragança e Puebla de Sanabria é essencial para garantir a acessibilidade à nova estação do AVE, mas o investimento do lado português não tem sido considerado prioritário. A obra, que para o município passaria apenas por uma correcção de traçado da via existente, e que atravessa o Parque Natural de Montesinho, não constava do plano de intervenções da antiga Estradas de Portugal, actual Infraestruturas de Portugal, o que vem deixando agastados o autarca de Bragança, Hernani Dias, e associação de municípios Eixo Atlântico.

Enquanto do lado espanhol as obras necessárias têm o apoio de autarquias e do próprio Governo Regional, em Portugal as tentativas de convencer o Governo de Passos Coelho a avançar com o investimento falharam, apesar do interesse demonstrado pelo ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Regional Castro Almeida, e agora os esforços voltam-se para o novo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

O Eixo Atlântico espera conseguir também o sim do executivo português ao lançamento dos concursos para a reabilitação da Linha do Minho, essencial para a melhoria da ligação ferroviária entre Porto, Vigo e Corunha. No lado galego, a nova ligação Vigo-Corunha, que vai passar brevemente dos actuais 80 para 70 minutos, conseguiu atrair, entre a inauguração em Abril e o mês de Outubro 1,7 milhões de passageiros, segundo dados oficiais revelados pela imprensa, explicou ao PÚBLICO o secretário-geral do Eixo Atlântico.

Xoán Mao espera conseguir do actual Governo as garantias e, acima de tudo, os passos concretos para a concretização destes dois investimentos que beneficiam as conexões na euro-região e desta para o resto da península. 

Com Abel Coentrão
Jornal Público

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