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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Três Lendas do Concelho de Mirandela

A velha e o carvão

Uma velhota de Vila Verdinho, concelho de Mirandela, andava um dia a guardar umas ovelhas num campo pegado à aldeia, quando lhe apareceram três mouras a pedirem-lhe um pouco de leite para matarem a sede.
A velhota, como era pessoa bondosa, foi logo mugir as ovelhas, deu o leite a beber às mouras e ainda lhes ofereceu parte da merenda que tinha consigo.
As mouras agradeceram e uma delas pega então nuns pedaços de carvão e dá-lhos como paga, dizendo que os guardasse até casa e que não se arrependeria.
Ela guardou os pedaços de carvão no avental, mas, quando ia a caminho de casa, com medo que o marido viesse a saber que tinha dado o leite às mouras, resolveu atirá-los fora. Mais tarde, já em casa, ao sacudir o avental, viu que uns restinhos do carvão se tinham transformado em bocadinhos de ouro. O marido, que estava ao pé, ficou muito admirado, obrigando-a a contar tudo. Soube então da história do carvão e logo trataram de ir os dois, muito ligeiros, à procura dos bocados que ela tinha atirado fora no caminho.
Mas já nada encontraram. Há quem diga que ainda lá andam, para cá e para lá, a saber do carvão.

Fonte: Inf.: Olímpia da Ressureição, 92 anos; rec.: Vila Verdinho, Mirandela, 2000

A chave de ouro

Antigamente, a gente era pobre e tinha de ir apanhar a lenha ao feixe. Como havia pouquinha, íamos para muito longe saber dela e tínhamos os pousadoros certos para descansar.
Um dia deu-nos para chegar ao pé do “Fragão” [um grande penedo situado em Lameirinha], onde os antigos diziam que havia um encanto. Tomámos coragem e fomos ver a frincha do fragão. Vimos então lá uma chave com 60 centímetros de ouro.
E chegámo-nos logo à frente a ver se a caçávamos.
Mas de nada valeu. A chave pôs-se a fugir pela frincha adentro, como se tivesse pernas. E lá mais para os fundos ouvimos alguma coisa a fazer tlim-tlim. Como não vimos mais nada, julgámos que era a chave a tlintar, mas os antigos sempre disseram que ali havia uma tecedeira encantada e que, por isso, o tlim-tlim só podia ser o barulho do seu tear.

Fonte: Inf.: Idalina da Conceição Cabages, 73 anos; rec.: Ribeirinha, Mirandela, 2001.

A pocinha do Vale de Amieiro

Versão A:
Em Vale de Amieiro, perto de Ribeirinha, havia antigamente uma pocinha de água, de onde saía um encanto. Mas não o via toda a gente. Dizem que esse encanto era uma menina que estava um bocadinho ao sol e depois sumia-se. Quem a viu dizia que estava a pentear-se.
Ora esta menina também não falava com ninguém, a não ser, de vez em quando, com a madrinha e com o padrinho. Então o padrinho era muito jogador. E um dia, quando estava a perder, disse para os companheiros:
– Eu cá jogo e torno a jogar enquanto a pocinha do Vale de Amieiro não secar!
Fez bem mal. Com estas palavras dobrou o encanto à afilhada que nunca mais apareceu. E a pocinha secou.

Versão B (A donzela encantada e o jogador):
Na aldeia de Ribeirinha, concelho de Mirandela, brota de uma fraga uma água muito pura, que o povo acredita ser milagrosa. O local é hoje conhecido como Fonte de Nossa Senhora da Ribeirinha.
Conta-se que numa ocasião ia de noite um homem àquela fonte e viu lá uma cobra. Vai daí, agarrou num pau e aprontou-se para lhe dar com ele. Nisto, a cobra pôs-se a falar e disse-lhe:
– Não me mates, que não te arrependerás!
O homem ficou muito admirado e já não lhe deu com o pau. Ela então continuou a dizer-lhe:
– Eu sou uma donzela encantada e amanhã acaba o meu fado. Se aqui vieres à meia noite, eu subo por ti acima e dou-te um beijo na face. Porém, tu não podes fazer o mais pequeno gesto, nem estremecer, porque se o fizeres dobras-me o fado.
Na noite seguinte, o bom homem voltou à fonte. Ia cheio de coragem e esperou pela meia noite. Ela então lá lhe apareceu como tinha dito. Depois subiu-lhe pelo corpo e o homem nem se mexeu. Só que, no momento em que o ia beijar na cara, ele estremeceu. Então a cobra desceu e, com uma fala que mais parecia um rugido, disse:
– Dobraste-me o fado, mas não te arrependerás de aqui ter vindo. Todas as noites aqui encontrarás três moedas.
O homem nunca se esquecia de ir lá buscar o dinheiro. Fazia-lhe jeito. Só que uma vez, quando estava a jogar, perdeu. E não se mostrou nada incomodado com isso.
Disse então aos outros jogadores:
– Enquanto na fonte da Ribeirinha todas as noites as três moedas encontrar,
hei-de sempre poder jogar.
Tal coisa não tivesse dito. Nessa noite, quando lá foi saber das três moedas, o que encontrou foram três carvões. E nas noites seguintes nem isso.

Fonte – versão A: Inf.: Idalina da Conceição Cabages, 73 anos; rec.: Ribeirinha, Mirandela, 2001. Fonte – versão B: Inf.: Sílvia de Jesus Costa Felgueiras, 46 anos; rec. Mirandela, 1999.

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