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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 12 de junho de 2018

POR TERRAS TRANSMONTANAS – PARTE 2

Périplo pela Terra Quente

Depois da visita ao Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, iniciámos o périplo pelas localidades que integram a Terra Quente Transmontana, conforme o previsto. A continuar no rasto de Graça Morais, era prioritário começarmos pelas terras que remetem para as suas origens – Vila Flor, Vieiro e Freixiel, com as quais mantém fortes ligações. Sobre Vieiro, sua terra natal, em conversa com o autor do livro que comprei em Carrazeda de Ansiães, confessa:

«Tenho ligações com esta terra como o tem esta oliveira.»

Gostámos muito de Vila Flor. Terra de vinhas e oliveiras, continua a fazer jus ao nome que lhe foi dado por D. Dinis quando andou por estas paragens. É uma vila airosa, bem preservada e orgulhosa dos seus solares. Mesmo no centro, perto da Igreja Matriz, destaca-se o Solar dos Aguilares, onde funciona o Museu Dr.ª Berta Cabral que visitámos.

Mal se entra, impressiona a parafernália de peças que alberga, todas ou quase todas oferecidas pelas gentes da terra. Tem de tudo um pouco: arqueologia, arte sacra, numismática, colecções variadas, pintura. Numa parede coberta de quadros, reparámos que faltava um. Fizemos perguntas. Tinha sido temporariamente retirado para integrar uma exposição a decorrer em Bragança, no Centro de Arte Contemporânea. Era um retrato da avó paterna de Graça Morais, pintado e oferecido pela artista ao Museu.


Lembrava-me perfeitamente de o ter visto nessa exposição. De corpo inteiro, demarcava-se, pelo seu realismo, dos demais quadros com rostos de pessoas que ela conhecia de Vieiro, Freixiel ou Vila flor, com quem gosta de conversar e por quem nutre uma admiração enorme. No livro atrás citado, informa:

«Faço uma peregrinação pelos lugares sagrados, visito lugares antigos, povoações isoladas, serras, vejo gente (…). Esta gente, que tenho o privilégio de conhecer, está situada no tempo, conhece a sua história, tem tempo para sentir o tempo e enfrenta com coragem as geadas que tudo queimam, as trovoadas nos Verões abrasadores que destroem, em minutos, o duro trabalho de meses. Quando os observo, vejo-lhes harmonia entre o corpo e a mente. Sinto as mulheres como árvores fortes, cheias de raízes, dotadas de uma grande energia, a quem a maternidade dá um grande poder.»


Quando terminámos a visita ao Museu, olhámos para o relógio. Começava a ficar tarde. Por razões sentimentais, queríamos visitar ainda Alfândega da Fé, terra ligada aos nossos vizinhos mais próximos, em Braga. Estacionámos o carro na parte baixa da vila, moderna e desafogada.


Entrámos na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, onde pudemos apreciar uma exposição de crucifixos modernos, muito originais, com uma particularidade interessante – em todos foi usada madeira de sicômoro, árvore muito comum em Judá. Tivemos ainda tempo para subir, por sinuosas e estreitas ruas, até à Torre do Relógio e ao Miradouro para desfrutarmos da magnífica vista sobre a vila e redondezas.


Ao entardecer, numa romagem de saudade, demos um salto a Vilar Chão, terra que foi berço do nosso vizinho e, por sua própria escolha, também leito para dormir o sono eterno.

Caiu a noite. Mergulhados no passado, recolhemos ao carro tristes, mas ao mesmo tempo, com uma reconfortante sensação de dever cumprido.





Texto e fotos: Jacinta Ribeiro

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