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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 18 de junho de 2019

EMPARCELAMENTO NÃO PODE SER CONFISCO

O ministro da Agricultura e Florestas aparece, com frequência, no espaço mediático, a anunciar medidas relativas à gestão da propriedade, apresentadas como a novíssima reforma agrária, para dar frutos nas próximas décadas.

Há muito tempo se reconhece que, nalgumas regiões do país, a propriedade rural se pulverizou em poucas gerações, a partir do meado do século XIX, inviabilizando explorações agrícolas capazes de penetração nos mercados. Por isso restou a subsistência miserável ou o simples abandono, que nos conduziu à situação que se vive nos territórios do interior.

Não caberá aqui a análise da evolução da propriedade. Basta-nos ter em conta que, durante séculos, a terra agricultável esteve nas mãos de grupos restritos, politicamente poderosos, que não demonstraram vocação para a produção de mercado, antes a encaravam como suporte da subsistência das comunidades que dominavam.

Na transição para a idade moderna (séculos XV/XVI), alguma burguesia, ligada ao comércio, dispôs-se a investir na produção, trazendo para a terra a perspectiva empresarial. O caso inglês foi exemplo de um novo modelo de agricultura nos grandes domínios, postos a produzir em função do comércio e das manufacturas, originando um emparcelamento, por vezes violento, que empurrou os camponeses para o êxodo rural e a proletarização.

No caso português as condições típicas da economia medieval mantiveram-se até muito tarde, com todas as consequências observáveis numa ruralidade esquálida, condenada a permanecer na subnutrição e na miséria. Extintos os morgadios, que garantiam a transmissão da propriedade indivisa ao longo de gerações, a fragmentação foi inevitável. Como o país não conheceu uma industrialização significativa, o retalhar da terra e a emigração marcaram os dois últimos séculos, com efeitos na inviabilidade das explorações agrícolas.

Naturalmente é preciso que sejam postas em prática medidas de promoção das exploração racional das potencialidades agrícolas e florestais do país. Mas isso não pode passar pelo confisco dos bens de largos milhares de cidadãos. Não é legítimo confundir os pequenos proprietários com os latifundiários absentistas por capricho ou irresponsabilidade.

As medidas anunciadas pelo ministro, nomeadamente o fim do registo de terrenos florestais por usucapião e o aumento do IMI para prédios não cultivados, vão traduzir-se na impossibilidade de lhes dar outro destino, nomeadamente a venda a eventuais interessados. Pelos vistos, vai ser o Estado a assenhorear-se deles ou serão vendidos, por valores irrisórios, a grandes empresas, que têm dado mostras de pouco se importarem com as características da paisagem e as vocações dos terrenos agrícolas e florestais, o que conduzirá à instalação de uma cobertura vegetal incaracterística, exótica, potencialmente perigosa.

O Estado devia garantir que o emparcelamento fosse um processo partilhado com as populações, respeitando os seus direitos, em vez de abrir o caminho ao confisco ostensivo, para desespero de cidadãos que já não têm força para resistir.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

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