O dia 25 de Abril de 1974 marcou um dos momentos mais importantes da história contemporânea de Portugal. Conhecido como a Revolução dos Cravos, este acontecimento pôs fim a quase meio século de ditadura, abrindo caminho para um regime democrático e para a consagração de direitos fundamentais, como a liberdade de expressão.
Durante o Estado Novo, instaurado por António de Oliveira Salazar e depois liderado por Marcelo Caetano, o país vivia sob forte repressão política. A censura controlava jornais, livros, cinema, rádio e televisão, impedindo a divulgação de ideias contrárias ao regime. A polícia política, a PIDE, perseguia, prendia e torturava opositores. As liberdades individuais eram severamente limitadas e qualquer crítica pública ao governo podia significar prisão.
A Revolução começou nas primeiras horas de 25 de Abril, liderada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), um grupo de militares que contestava a guerra colonial e o regime autoritário. A senha para a ação foi dada através de duas músicas transmitidas na rádio. “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, esta última tornou-se símbolo da revolução.
Nas ruas, a população juntou-se aos militares, oferecendo cravos que foram colocados nos canos das espingardas e nos uniformes dos soldados, símbolo pacífico de um dia que, apesar de muito nervosismo, resultou em muito poucas vítimas. O gesto dos cravos tornou-se imagem eterna da revolução.
O 25 de Abril significou o fim da censura e da repressão política. Pela primeira vez em décadas, os portugueses puderam falar livremente, formar partidos, manifestar-se e ler jornais sem cortes. A liberdade de expressão tornou-se um dos pilares da nova ordem democrática.
A data é hoje celebrada como o “Dia da Liberdade” e recorda que os direitos conquistados, embora exigindo cuidado e preservação, nasceram do esforço conjunto de militares e povo. O 25 de Abril foi a abertura de portas e janelas para um país respirar a liberdade.

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