Este fórum promoveu uma reflexão profunda sobre o papel da tecnologia na democracia do século XXI, perante uma plateia de cerca de 250 alunos e professores.
O debate contou com um painel diversificado, unindo a visão académica do Professor João Paulo, do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), a experiência do antigo Secretário de Estado e deputado por Bragança, Adão Silva (PSD), o olhar atento dos jornalistas Sílvia Brandão (RTP) e Francisco Pinto (Agência Lusa), e a perspetiva da comunidade estudantil representada por Joana Martins, vice-presidente da Associação de Estudantes (AE).
O jornalista Francisco Pinto sublinhou que as redes sociais democratizaram o acesso à informação, mas não de qualquer forma.
“Hoje, qualquer cidadão pode ser um veículo de denúncia ou um mobilizador de causas que, de outra forma, seriam invisíveis para o grande público. Mas é necessário confirmar as fontes e a sua origem. É importante questionar, sempre, os visados, para verificar as suas posições e o direito à sua defesa “.
Já Joana Martins, da AE, reforçou a importância destas ferramentas para as camadas mais jovens: “Para nós, estas plataformas são instrumentos de participação direta. É através delas que incentivamos o envolvimento dos alunos na vida pública e divulgamos causas que nos movem.”
“Não podemos ignorar que os algoritmos estão desenhados para nos mostrar apenas aquilo com que já concordamos, criando bolhas de pensamento que dificultam o diálogo democrático,” alertou Adão Silva, acrescentando que “a manipulação de opiniões é um risco real e constante.”
Contudo, o debate derivou para os riscos inerentes ao mundo virtual, sendo a disseminação de notícias falsas (fake news) e a opacidade dos algoritmos os temas mais sensíveis.
Na mesma linha de preocupação, o professor João Paulo, do IPB, trouxe para o debate a questão da segurança e privacidade, alertando para os perigos da exposição excessiva e do rasto digital que deixamos.
“A proteção de dados é hoje um pilar fundamental da nossa liberdade individual,” afirmou o docente, acrescentando que “no mundo digital, os nossos dados pessoais são um ativo valioso; se não soubermos gerir a nossa privacidade e as permissões que concedemos às plataformas, ficamos vulneráveis a abusos que podem condicionar as nossas decisões e a nossa própria segurança.”
Sílvia Brandão corroborou esta preocupação, focando-se na solução: “A nossa melhor defesa contra a manipulação é o desenvolvimento do pensamento crítico. Precisamos de literacia mediática para questionar o que nos aparece no ecrã e proteger os valores democráticos.”
O Fórum encerrou com a conclusão de que o impacto das redes sociais depende inteiramente da literacia e da intenção do utilizador. João Canteiro, aluno do 12.º F, resumiu o sentimento dos participantes: “Saímos daqui com a certeza de que temos de assumir um papel interventivo. Queremos agir para transformar a sociedade, mas temos de o fazer de forma responsável no mundo digital.”
Carla Moreno, docente de Sociologia, diretora de turma e promotora desta modalidade de aprendizagem, destacou o valor pedagógico da iniciativa, disse que "enquanto professora de Sociologia, e diretora de turma e promotora deste tipo de aprendizagem por projetos, considerou esta oportunidade única para trabalhar diversas competências”.
Este Fórum permitiu que os meus alunos saíssem da teoria e entrassem no domínio da análise crítica da realidade social.


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