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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tempo do racionamento

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 - Vou-lhe contar um caso, que isto não interessa nada, mas é um modo de falar, para passarmos o tempo! E isto tem a ver com este temporal! Pois é o seguinte, uma ocasião, por altura do Natal o bacalhau andava escasso no soto do seu pai, do tio Serafim que Deus o tenha em bom lugar. Tempo do racionamento. Mas eu nunca fui de me acanhar e então vou-me a Bragança, falar com um amigo que tinha um soto ali para os lados da rua do Tombeirinho, que até era irmão dum gajo que esteve preso por causa do contrabando e tinha uma irmã que até era criada de servir em casa duma minha comadre… bem, mas vamos lá que isto não interessa para o caso… pois como lhe estava a contar, o certo é que à tarde eu vim para casa, com um peixe de bacalhau que até se ria para a gente… grosso, mais duma mão travessa… pois com esta tempestade passa-se agora o mesmo, só que pior. Já não basta conhecer alguém, já não chega o jeito, nem o desenrascanço. E, no entanto, continuam a aparecer os de sempre, convencidos de que com manha e conversa se resolvem tragédias.

Anoitecia… o meu amigo, de chapéu na mão, regressou a casa…arrastando os anos da sua provecta idade… desconfiado que não me tinha convencido… mas ia satisfeito como quem cumpriu um dever de dar uma lição de ancestral sabedoria.

Como num desabafo murmurou para si mesmo: - quem tem unhas toca guitarra!

… só que agora o bacalhau é outro! Embora, infelizmente, continue a haver bons guitarristas, sempre prontos, para tocar a pérfida guitarra do oportunismo!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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