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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

RESTOS DO CULTO DAS ÁGUAS, RIOS, FONTES, ÁRVORES E FOGO

Que estas crenças permaneciam ainda entre nós no século VI da era cristã, mostra-se dos cânones organizados por São Martinho, bispo de Dume, bem como por várias crendices supersticiosas de que a etnografia nos aponta vestígios, ainda hoje existentes no nosso povo (182).


É crença geral em todo o distrito de Bragança que a água dos rios e 
fontes está benta na manhã de São João (24 de Junho) e na de São Pedro (29 de Junho) e que produz efeitos benéficos ou curativos em muitas moléstias e antídotos nas feitiçarias [53]; por isso, além das abluções próprias, os lavradores vão lá banhar seus gados bovino, ovino e caprino. É também costume geral levarem o mesmo armentio a dar volta pelos adros dos santuários ou capelas existentes nos campos e montanhas, fora dos povoados, no dia da festa dos respectivos oragos, incorporando-o mesmo algumas vezes no cortejo processional e carregando à cabeça ou pendente do jugo com sacos, onde vai o cereal que, em cumprimento da promessa, oferecem ao santo festejado.
Em geral, nos adros destes santuários há uma ou mais árvores colossais, respeitada religiosamente, ninguém se atrevendo a cortar-lhe pernadas ou a colher-lhe o fruto, sem consentimento do pároco ou mordomos, porque o padroeiro fere com moléstias, geralmente sezões, os violadores sacrílegos.
Como adiante nos referimos muitas vezes ao angaranho e respectivos banhos curativos, convém explicar o que isto seja. Angaranho, anqueilhado ou caílho, é uma espécie de raquitismo e enfraquecimento que ataca as crianças de leite e as de idade inferior a cinco anos, incapazes de andar por se não segurarem nas pernas. Os banhos devem obedecer aos seguintes preceitos rituais: uma mulher leva a criança e outra trá-la para casa, devendo, sempre que seja possível, ter o nome de Maria; vão e voltam silenciosas; a criança é mergulhada completamente, sustentando-a uma pelos pés outra pela cabeça, deixando-lhe ao mesmo tempo ir o enxoval pela água abaixo e vestindo-lhe depois outro. De um modo geral, às águas de virtudes medicinais, ou como tais supostas, chamam Fontes Santas e Águas Santas.
Em algumas terras bragançanas também se cura o angaranho passando três vezes a criança pela abertura de uma árvore nova, que se rachou ao meio para este fim, tornando-a depois a unir e ligar por forma que solde e não seque, porque, se tal suceder, não se produz a cura.
Quando tudo isto resulta inútil e a criança, um pouco mais idosa, continua amarelecente e definhada, é preciso recorrer a uma mulher de virtude, geralmente a que teve dois gémeos de um parto, que a leva à lameira de um alto na encruzilhada de caminhos, colocando-a no centro de um signo-salomão, traçado por regos na lameira, fazendo-lhe ao mesmo tempo rezas especiais. Estas mulheres têm também virtude para pisar as torções e veias que tomam vento, bem como para benzer quebrantos, espinhela caída e outros padecimentos.
Os pulos e saltos por cima das fogueiras de arçã, rosmaninho, sal-puro e de outras plantas balsámicas, feitas nas ruas durante a noite de São João, livram de bruxedos, feitiçarias e de outras moléstias, segundo reza a crença popular. Também, segundo a mesma, os atacados de sarna e outros sofrimentos cutâneos saram, indo espojar-se na dita manhã sobre o linho dos linhares.
O povo distingue perfeitamente entre águas medicinais cientificamente ditas, de efeitos terapêuticos naturais, e águas das chamadas Fontes Santas e dos angaranhos, anqueilhados ou caílhos, de efeitos curativos sobrenaturais ou como tais supostos. Daquelas, há no distrito de Bragança as seguintes nascentes:
Agrobom, concelho de Alfândega da Fé, no sítio de S. Lourenço;
Alfaião, concelho de Bragança. Fonte dos Banhos. Água hipo-salina-sulfúrea-férrea (183), muito frequentada pelos reumáticos. Todavia, o Padre Luís Cardoso (184) atribui-lhe também eficácia na cura das «crianças engaranhadas» e para as «feridas».
Bem Saúde (fonte). No concelho de Vila Flor, um quilómetro da estrada a macadame desta vila para Moncorvo. Muito eficaz em doenças do estômago, bexiga, fígado, rins, intestinos, reumatismo, gota, diabetes, escrofulismo e linfatismo.
Bragança. «Tem boas águas e duas fontes notáveis: a de Afonso Jorge e a do Conde, ambas medicinais para expelir pedra e areias da bexiga».
Castro de Avelãs, concelho de Bragança. Fonte de Penso. Goza de grande fama em moléstias cutâneas, já memorada no Tombo dos Bens do Cabido de Miranda feito em 1691, sempre crescente desde então até hoje.
Izeda, concelho de Bragança. Fonte das Águas Ferradas.
Moimenta, concelho de Vinhais. Água sulfúrea-férrea (185).
Olmos, concelho de Macedo de Cavaleiros. Fonte do Escarledo, muito eficaz em moléstias reumáticas e estomacais.
Penso, freguesia de Edral, concelho de Vinhais. A fonte nasce no leito do rio Rabaçal, e as suas águas, de efeitos similares às de Vidago, são muito procuradas para doenças estomacais.
Pombal, concelho de Carrazeda de Ansiães. Fonte chamada Caldas de São Lourenço, por brotar perto da capela deste santo. São conhecidas há perto de trezentos anos, pelo menos (186), como eficazes em curas reumáticas (187).
É curiosa a explicação que os padres do Tibete (Lamas) dão das águas« térmicas. Dizem eles «que o fogo, vendo-se cheio de pecados, pelos muitos males que fazia no mundo... se fora pedir remédio ao Pagode Badrid, o qual lhe disse que ficasse naquele lugar com ele, que assim ficaria purgado de todos aqueles pecados; teve o fogo por grande mercê esta que lhe fazia o Pagode, e assim se ficou a seus pés; e por isso saía aquela fonte de água tão quente» debaixo do Pagode. Este fogo teve primitivamente o poder de converter em ouro tudo quanto tocava, diz a mesma lenda, mas perdeu tal virtude devido à cobiça de um ferreiro que lançou lá grande quantidade de ferro a fim de enriquecer (188). Adiante, ao tratarmos da fonte da Beira Grande, apontamos lenda similar quanto à perda da virtude, mas por outra razão. 
Santa Cruz, concelho de Vinhais. Águas radioactivas, destinadas a um grande futuro, muito concorridas de doentes.
Vale de Nogueiras, concelho de Bragança.
Vinhas, concelho de Macedo de Cavaleiros. Idêntica nos efeitos à da
Fonte de Escarledo, termo de Olmos, no mesmo concelho.
Vimioso. No sítio da Terronha, margem direita do rio Angueira, termo de Vimioso e a quatro quilómetros da vila, brota «uma nascente de águas férreas e outra de águas sulfurosas frias, muito aproveitáveis para tratamento de moléstias de pele» (189).
Vinhais. «Afirma-se que a melhor água da província de Trás-os-Montes é a que existe no rossio da vila de Vinhais, em uma fonte admirável. Por mais que se beba dela nunca ofende o estômago e facilita muito a exclusão de areias e pedras» (190), Hoje, esta água está inquinada pelas infiltrações fecais das casas sobranceiras à fonte, sendo, por isso, utilíssimo que a nascente se procurasse no ponto conveniente, acima das recentes construções.
Além das fontes de qualidades medicamentosas especiais adiante mencionadas, têm virtude contra o angaranho as seguintes:
No concelho de Alfândega da Fé, a Fonte dos Angaranhos, no termo de Agrobom, e a Fonte da Moura, perto da igreja Matriz de Pombal.
No concelho de Bragança, a Fonte do Caílho, no termo de Parâmio; a água do rio Pepim, na sua junção com o Sabor; a Fonte dos Angaranhos, no termo de Soutelo da Gamoeda; e a do mesmo nome, perto da Senhora do Viso (Aviso, diz o povo) no termo de Serapicos.
No concelho de Carrazeda de Ansiães, a Fonte dos Angaranhos, na Venda Nova, bairro de Parambos.
No de Macedo de Cavaleiros, a Fonte dos Angaranhos, no termo de Ferreira; idem, no de Gradíssimo, Grijó de Vale Benfeito, Pinhovelo, e na fonte da Charça, termo de Salselas.
No de Mirandela, a Fonte do João Frio, termo de Alvites; a Fonte dos Angaranhos, no termo dos Couços, freguesia das Múrias; idem, na de Vale da Sancha e a Fonte de Vale do Carro, termo de Vila Boa.
No concelho do Mogadouro, o Poço de São João, termo de Travanca.
No concelho de Vila Flor, a Fonte Carvalha, termo do Nabo.
No concelho do Vimioso, a Fonte de Terronha, termo de Uva. Barcel. Nesta povoação, concelho de Mirandela, «ha uma fonte, á qual vão levar os meninos quando estão doentes, e dentro do espaço de oito dias, ou melhorão, e cobram saude, ou morrem; do que ha repetidas experiencias nestes moradores» (191).
Beira Grande. No termo desta povoação, concelho de Carrazeda de Ansiães, havia uma Fonte Santa muito concorrida de enfermos, para remédio de seus padecimentos, mas secou se porque curaram nela as mataduras de um burro; nunca mais deitou água, diz o nosso informador.
O Padre António Carvalho da Costa (192) menciona tambem esta Fonte Santa como eficaz para a cura dos meninos que nela lavam.
Bruçó. «Dizem que a água da fonte do Calvário Velho [termo de Bruçó, concelho do Mogadouro], cura as sezões» (193).
Carrapatas. No termo de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros, «uzam os moradores da agua uma fonte chamada Fonte Santa: em alguns tempos lança uns olhos de azeite, que se manifestam sobre a agua: tem virtude para curar a fleuma salgada e os meninos leprosos, e os que padecem o achaque de aranganho» (194). Esta fonte nasce no sítio chamado Serrinha.
Carrazedo. As fontes de Carrazedo, concelho de Bragança, «principalmente do campo, são tão frias, que caindo-lhe algum bicho, ou animal pequeno, acaba logo a vida; entre estas, as mais celebres nesta qualidade são as do Corisco e Escudeiro: no inverno são muito quentes e temperadas» (195).
Casares. No povo dos Casares, concelho de Vinhais, há uma fonte de água tão fria, que metendo-lhe dentro um quarto de carneiro o come todo sem lhe deixar mais que os ossos e não faz mal aos moradores que dela bebem (196).
Há outra idêntica no lugar da Freixeda, concelho de Miranda do Douro (197), mas Carvalho da Costa (198) diz que esta Freixeda da fonte fria é no concelho de Mirandela. Na Freixeda, freguesia de Salsas, concelho de Bragança, há outra fonte de qualidades frígidas idênticas, segundo dizem.
Cércio. No povo de Cércio, concelho de Miranda do Douro, há uma fonte muito bem feita, em arco de cantaria, eficaz na cura da dor de pedra (199).
Chacim. No termo de Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros, há uma fonte em uma fraga, junto ao rio Azibo, que crescendo o rio se inunda a fonte, com tal singularidade, que vão subindo as águas da fonte pela fraga acima, fugindo das do rio; tem virtude para sarar os meninos de fogo ou tolhimentos: é mais frequentada nos dias de São João, São Lourenço e São Pedro: a cor das suas águas é clara, o cheiro de enxofre, e os seus limos semelhantes às claras dos ovos» (200).
Coelhoso. A uns cem metros da capela de Santo António, no termo da povoação de Coelhoso, concelho de Bragança, fica a fonte do Milagre, onde ainda hoje os lavradores no dia da festa do santo, depois de darem volta à capela com seus bois e outros gados, os vão aspergir com água da Fonte.
Coleja. Há no termo desta povoação, concelho de Carrazeda de Ansiães, uma Fonte Santa, onde vão lavar as crianças raquíticas no dia 24 de Agosto (festa de São Bartolomeu), porque as cura, robustecendo-as e desenvolvendo-as.
Felgares. «Em a quinta dos Felgares, termo da villa de Freixiel, que he vesinha a este concelho, está huma cappella da invocaçam de Sam Gens, e junto della huma cerdeira e dando esta seo fruito maduro nos principios de Junho, dois ramos della, que cahem sobre a mesma cappella, fiquam sem produzirem naquelle tempo devido seo fruito; e criando depois flores e cereijas as tem maduras no dia do mesmo Sam Gens, a 25 de Agosto.
E toda a pessoa que as come antes do dia do Santo lhe dam no mesmo instante fortes maleitas, ainda que nunca as tivesse, e toda aquella que as come depois de sua festividade, ainda que de muitos annos as padeça, he logo livre dellas, por cuja rezam já ninguem lhas come antes daquelle dia, e nelle toda a pessoa as procura haver asi para remedio das ditas maleitas, que he achaque que muito reina nesta terra» (201).
Em Baçal, concelho de Bragança, há, junto à capela de São Sebastião, um grande sardão (quercus ilex), e dizem que dão maleitas a quem lhe cortar qualquer galho. A mesma crendice corre em Argozelo a respeito de outro que há junto à capela de São Bartolomeu, a que aludimos na p. 34.
Freixeda. Ver Casares.
Lagoaça, concelho de Freixo de Espada à Cinta; Fonte Santa, muito concorrida de doentes e afamada em curas [54].
Macedo do Peso. O Cabeço do Chocalho, termo de Macedo do Peso, é tão abundante de águas que, exploradas, fariam andar dois moinhos, mas não as pesquisam por temerem que a corrente leve a povoação. Nas Palas da Tinha, também termo de Macedo do Peso, há uns buracos que no Inverno deitam fumo como se dentro houvesse fogo [55].
Marmelos. A povoação de Marmelos, concelho de Mirandela, tem dez fontes, e uma delas medicinal para diversas enfermidades (202).
Mazouco. Na povoação de Mazouco, concelho de Freixo de Espada à Cinta, há junto à igreja paroquial uma nascente chamada Fonte do Xido [56], que «costuma começar a lançar suas aguas no mez de Março, e se o anno hade ser fertil de pão, lança muito pouca e se hade ser esteril, lança mais agua no tempo do estio, que nos mezes antecedentes» (203).
Misquel. No termo de Misquel, concelho de Carrazeda de Ansiães, há uma nascente chamada «a fonte Bieita, dizem, tem virtude para os achaques dos meninos que nela lavam» (204).
Da mesma fonte diz o Padre António da Cunha e Almeida: «pouco abaixo da povoação ha uma fonte de agua milagrosa: diz a tradição que passando ali o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Martyres pela estrada proxima, fora lá beber dessa agua e que achando-a excelente a abençoara; e por isso é tida por curativa de males especialmente de crianças rachiticas, a que o vulgo chama o mau-olhado, que sendo mergulhadas tres vezes naquela fonte ficam curadas» (205).
É já antiga esta crença, porque as Memórias de Ansiães escritas em 1721 (206), dizem a tal respeito: «no limite do lugar de Misquel, junto da ribeira que lhe passa ao sul pouco distante do lugar, está huma fonte, cuja agoa tem particular virtude para muitos achaques, especialmente de pessoas novas, por cujo respeito ha para ella huma geral concorrencia de gente de muitas partes a qoal se chama Fonte Bieita, palavra antiga da bençam que a vulgar tradiçam tem, lhe fora lançada pelo Illustríssimo e dig.mo Senhor Frei Bartolomeu dos Martyres, Arcebispo Primaz de Braga, a cuja bençam se atribue sua grande virtude».
Mós. No termo de Mós, concelho de Moncorvo, há uma fonte «que chamam do Gogo, e medicinal e em dia de S. João Baptista levão os meninos a lavar-se nela, dando-lhe certo banho, e suores e assegura a experiencia que ou logo logrão melhoria em seus achaques, ou brevemente morrem; e tambem nela se lavam pessoas maiores com bom sucesso em suas enfermidades; e é de notar que, lançando esta fonte no discurso do ano moderada agua, pela meia noite da vespera do dia de S. João começa a lançar em grande quantidade e assim continua todo o anno» (207).
Paradela. No termo de Paradela, concelho de Mogadouro, fica a Fonte Santa, eficaz em moléstias cutâneas.
Quebradas. No termo da quinta das Quebradas, concelho do Mogadouro, fica a Fonte Santa, nascente de água morna, de virtudes curativas nas moléstias de olhos [57].
Sabor. O rio Pepim nasce em Espanha, na vertente este da serra de Montesinho, divide ao meio a povoação de Aveleda, banha o termo de Baçal e entra no Sabor no sítio chamado Trambe-las-Águas (Entre ambas as águas), termo de Oleirinhos, freguesia de Meixedo. No ponto da junção, a água tem virtude contra o angaranho e lá vão banhar as crianças.
São Salvador. Em São Salvador, concelho de Mirandela, há a Fonte do Bispo, por ser aberta, segundo diz a lenda, com uma bengala por D. António da Veiga Cabral e Câmara, bispo de Bragança, falecido naquela povoação em 1819.
As virtudes curativas da fonte, extraordinariamente procurada pelos doentes de várias moléstias, resultam da bênção especial que o bispo (santo no conceito popular, não só no local, mas mais ou menos geral na diocese e fora dela) lhe lançou.
Ainda hoje, nas grandes estiagens, nas grandes chuvadas, nas crises agrícolas, o povo de São Salvador recorre à intercessão do Santo Bispo, como ele lhe chama, e lhe atribui a bênção dos frutos nas colheitas prósperas.
Urros. No termo de Urros, concelho de Moncorvo, junto à capela de Santo Apolinário, «ha um grande cipreste e um belo chafariz, alimentado por optima agua potavel, e diz a lenda que o cipreste nasceu de uma gota de agua que o santo ali vasara de uma cabacinha, que tinha enchido quando passou o Douro, e a agua do chafariz a fez rebentar neste sitio; e muita gente lhe chama fonte santa e faz uzo desta agua no tratamento de algumas moléstias; mas não consiste aqui só a maravilha, porque estando tres quilometros distante do Douro, dizem que se comunica com elle, de sorte que a agua da fonte está clara quando o Douro corre limpo, e se faz turva quando o rio tambem assim vai» (208).
Vale dos Lobos. No termo desta povoação, concelho de Mirandela, há uma fonte chamada Água Santa.
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(182) Ver sobre o assunto VASCONCELOS, J. Leite de – Religiões da Lusitânia, vol. 3, p. 566, onde se faz um largo extracto desses cânones, acompanhado de eruditas notas bibliográficas referentes ao assunto.
(183) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais de Portugal, 1892, p. 113.
(184) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1747, artigo «Alfayam».
(185) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais..., p. 296.
(186) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, tomo 1, p. 437.
(187) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais..., p. 348.
(188) ANDRADE, António de – O descobrimento do Tibete em 1624, edição de Francisco Maria Esteves Pereira, 1921, p. 53.
(189) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, p. 199.
(190) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal..., 1762.
(191) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, artigo «Barcel».
(192) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 436.
(193) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, 1908, p. 91.
(194) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, tomo 2, artigo «Carrapatas».
(195) Ibidem, artigo «Carrazedo».
(196) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal..., 1762, parte 1a, artigo «Fontes».
(197) Ibidem.
(198) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, p. 452.
(199) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, artigo «Cercio».
(200) Ibidem, artigo «Chacim».
(201) Memórias de Ansiães, por João Pinto de Morais, reitor de São João Baptista, extramuros de Ansiães, e António de Sousa Pinto (natural de Marzagão, que também assinava António de Sousa Pinto de Magalhães), 1721, manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa, § 35.
(202) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal Antigo e Moderno, 1762, artigo «Fontes».
(203) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 431.
(204) Ibidem, p. 428.
(205) Relação nominal de todas as freguesias do Concelho de Carrazeda de Ansiães, 1887, p. 16.
(206) Manuscrito da Torre do Tombo, § 45.
(207) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 477.
(208) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, 1908, p. 85. COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 428.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

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