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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Simão de Cirene: o homem que levou a cruz

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


«E obrigaram um certo Simão Cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.» (Marcos 15, 21)

Há homens que entram na história sem o procurarem. São homens comuns, que seguem o seu caminho, ocupados com o trabalho de cada dia. Simão ajudou penosamente a levar a cruz e depois caiu no esquecimento dos séculos, sem templos, sem igrejas, sem catedrais.

Vinha do campo. Talvez regressasse a casa, cansado do trabalho, enquanto a mulher o esperava para almoçar. Não sabemos o que pensava, nem o que sentiu quando os soldados romanos o obrigaram a carregar a cruz de um condenado. Não foi por sua vontade. Foi obrigado.

Há coisas estranhas. Não sei porquê, esta noite entraste silenciosamente na minha casa, Simão de Cirene. Talvez porque ajudaste a carregar a cruz dos outros, repartindo a dor, oferecendo o ombro a quem já não consegue caminhar sozinho. E isso também é uma forma de amar.

Fecho a Bíblia, mas Simão de Cirene fica comigo o resto do serão.


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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