Sobre o Blogue
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Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
Entre ajuda às empresas ou a criação de bolsas de emprego, há financiamento direto para quem se queira mudar para o interior.
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| Foto: Mário Cruz/Lusa |
Para apoiar o emprego estável e o empreendedorismo social, os fundos regionais europeus vão abrir concursos no valor de 240 milhões de euros. O objetivo é beneficiar os territórios urbanos de menor dimensão, especialmente no interior.
Entre ajuda às empresas ou a criação de bolsas de emprego, há financiamento direto para quem se queira mudar e trabalhar no interior.
Um apoio, que segundo adianta a ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho, que pode chegar aos 4.800 euros. “Vamos lançar um apoio financeiro direto de 2.600 euros por pessoa, mas depois pode chegar aos 4.800 em função das despesas associadas aos transportes e às mudanças - é para ajudar no momento inicial da instalação onde vão trabalhar e, depois, também é variável em função do número de elementos do agregado familiar”, explica.
Entre as várias linhas de financiamento está a comparticipação, durante três anos, no salário dos trabalhadores para empresas do interior que criem novos postos de trabalho. A ministra fala do “ lançamento de um novo aviso “+ Coesão Emprego”, um programa gerido pelo Ministério da Coesão Territorial, em que se apoia o pagamento de salários por parte de empresas que contratem no interior”.
O aumento do valor das bolsas de estágio e do apoio aos migrantes que queiram regressar e fixarem-se no interior são outras dos apoios previstos pelo Governo que quer, assim, criar melhores condições para quem queira viver e trabalhar no interior.
Segundo Ana Mendes Godinho, “temos de ter foco em criar medidas de discriminação positiva para os territórios do interior para responder aos desafios que tem. Um dos principais é exatamente esta questão da capacidade de atração e fixação e pessoas e sabemos como o trabalho é fundamental para que isso aconteça.”
O Governo quer “criar condições mais apelativas para colocar o interior no mapa de quem está a decidir onde vai trabalhar”.
Os fundos abrem em março e vão ficar abertos até julho. Já o apoio máximo será de 82.106 euros, durante três anos.
Vão ser abertos três avisos: um dedicado ao emprego em territórios urbanos; um apenas para o interior; e um terceiro para IPSS com projetos de empreendedorismo social.Para todos, será financiado o custo de cada trabalhador, salário ou outras despesas obrigatórias.
Medidas fazem parte do programa de incentivos à criação de emprego no interior (+GO3SO Emprego) que é apresentado, esta segunda-feira, em Bragança.
Isabel Pacheco , Carla Caixinha
Foi durante as comemorações do seu 36.º Aniversário, a 2 de fevereiro, que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Izeda recebeu, da parte do Município de Bragança, novos equipamentos de proteção individual de combate a incêndios e desencarceramentos, relativos ao Orçamento Participativo, e inauguraram, também, as obras de iluminação no Largo dos Bombeiros.
“Os Bombeiros Voluntários de Izeda são parceiros estratégicos no Serviço Municipal de Proteção Civil, desenvolvendo um importante papel para a região”, afirmou Hernâni Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança, durante a Cerimónia que decorreu na Corporação dos Bombeiros, na Vila de Izeda, reiterando "a importância que os diversos apoios municipais representam no quotidiano para a corporação".
Avaliados em 18.698,40€, os novos equipamentos de proteção individual de combate a incêndios e desencarceramentos foram adquiridos, pelo Município de Bragança, no âmbito do Orçamento Participativo Jovem 2018, após a proposta apresentada ter sido uma das mais votadas. Esta cedência de equipamentos visa reforçar a operacionalidade e eficiência da prestação do serviço de proteção civil à comunidade, de modo a alcançar maiores níveis de segurança.
Foram, ainda, inauguradas as obras de iluminação no Largo dos Bombeiros e nos respetivos acessos à Rua Central da Vila, num valor global de 11.442,98€. Um investimento do Município de Bragança com vista à melhoria das condições de segurança, quer dos elementos da Corporação de Bombeiros, quer dos cidadãos que se deslocam recorrentemente àquelas instalações. Toda a iluminação foi concebida com recurso a tecnologia LED, com vista à poupança de energia e, consequentemente, a um menor impacto ambiental.
O nosso Red Velvet e simplesmente único.
Parabéns.
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Bairro da Estacada em 1898
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A “reestruturação da estrutura tipológica e sociológica” da Cidade – que se reforça, “sobretudo, na segunda metade de Oitocentos, com incidência em valores disciplinadores de controlo policial dos comportamentos e também com objetivos económicos de receita” – acentua “uma progressiva diferenciação organizativa do espaço e das atividades sociais e económicas, hierarquizando-as e moralizando-as em função da visibilidade ética do centro do poder religioso, administrativo e político: já neste período (1870-1930), as ‘meninas de Bragança’ se vão localizar preferencialmente na Vila e na Boavista, somando a proximidade do mercado (soldados dos vários regimentos) à desqualificação urbana”. Deve acentuar-se, ainda, que “ruas estreitas e mal iluminadas, sujas e sem pavimento algum, tal como os casebres em que se comungava a habitação entre humanos e os suínos” e outra bicharada, caracterizavam os bairros “desqualificados” de Além do Rio, Estacada, Vila e Boavista.
Como é óbvio, com a mudança política do 5 de Outubro, muitos dos problemas não se resolveram (como que por magia…). Elucidativos, sobre as condições de vida, alguns dados que alinhamos… Estes e outros factos – com variadas situações à mistura – compunham o facies da urbe e marcavam o quotidiano das suas gentes.
Logo após a implantação da República, prosseguem os esforços para resolver o problema da luz elétrica. O vice-Presidente, Júlio Soares da Rocha Pereira, em 29 de outubro, anuncia a abertura de um novo concurso “tendente ao fornecimento de energia elétrica destinado à iluminação pública desta Cidade”.
O rio e as margens adjacentes apresentavam deploráveis e preocupantes condições de higiene e de salubridade.
Eram situações que o novo Executivo camarário desejava resolver. A proposta de um vereador vai no sentido de oficiar ao Cabido da Sé que se iria proceder à expropriação, por “utilidade pública, de uma faixa do terreno na cerca do Seminário”. Este espaço era necessário para abrir uma via que, “partindo da caleja da Calçada do Rio”, desembocasse na Praça da Sé. Urbanismo e higienismo tentavam caminhar de mãos dadas. Seria possível, com esta intervenção, “remover as fezes infecciosas que lá se depositam, constituindo um perigo para a salubridade pública, conforme atestam o delegado e o subdelegado de saúde”.
Numa outra reunião da Câmara, de 10 de novembro de 1910, presidida por Júlio Rocha tratam-se, uma vez mais, assuntos referentes a condições sanitárias e problemas de saúde pública. Para combater o “flagelo” dos cães vadios, para além da utilização da rede de captura vai recorrer-se ao envenenamento. É autorizado o pagamento de 10$000 réis, ao farmacêutico Álvaro Mós, “pelo fornecimento de bolas para a extinção de cães vadios”. São práticas que se vão manter por várias décadas.
As preocupações com a saúde pública implicavam campanhas de vacinação. A Pátria Nova de 4 de dezembro de 1910 anuncia o “programa de vacinas para a infância, a decorrer no comissariado do palácio civil em todos os dias úteis”.
Na sessão camarária de 29 de dezembro, conclui-se que, por falta de dinheiro, “não se pode ter um inspetor técnico para a inspeção das rezes no matadouro”. A Comissão Municipal, para minorar o problema, apela para o “patriotismo” e o profissionalismo dos dois facultativos municipais.
Quanto ao abastecimento de água, propunham-se soluções “tecnológicas” evoluídas para abastecer as instalações militares. Envidavam-se esforços, nos princípios de fevereiro de 1911 – ver Distrito de Bragança –, para resolver os problemas do regimento de Infantaria, dos esquadrões de Cavalaria e do Hospital Militar. O abastecimento era feito por “carroças com pipa”, e na unidade de Infantaria também era realizado com barris de água, dos fontenários, transportados por soldados. Agora projetava-se resolver o problema “por meio de bomba acionada diretamente por gerador de vapor”. Nada resolvido, porque “os últimos governos da Monarquia trataram geralmente mais de interesses políticos e particulares do que de interesses públicos”. Esperava-se que o ministro de Guerra, coronel Barreto, dedicasse a este assunto “todo o interesse que merece”.
A abrir o ano de 1915, no Notícias de Bragança – órgão do Partido Democrático que vai dominar a Cidade no período republicano –, reconhecia-se que era preciso arrancar Bragança “da sornice rotineira imprópria de uma capital de distrito”. “Os homens grados”, escrevia-se no artigo “Bragança em progresso”, estão finalmente decididos a “empregar todas as suas energias na consecução de melhoramentos que tornem Bragança um pouco mais confortável e a arranquem da sornice…” (Não deixa de ser significativo que, em 1933, se mantivessem preocupações idênticas…). Anunciavam-se “empreendimentos, já esboçados, no sentido de levar água aos domicílios e espalhar luz a jorros para tornar transitáveis essa ruas, que são perfeitas armadilhas quando a lua não nos obsequeia com a sua iluminação económica…” Aproveitando o donativo de um benemérito, ia iniciar-se a construção do primeiro pavilhão de um novo hospital e informava-se que tinham sido “coroadas de sucesso” as diligências para promover a “criação de um museu e biblioteca pública”.
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Hospital da Misericórdia de Bragança
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É sabido que a República produziu legislação sobre higiene pública, mas, em 1915, ainda se mantinham várias situações problemáticas que já existiam, “apesar do calcetamento das ruas e praças principais e respetivos passeios estar em franco progresso, a par do incremento simultâneo da arborização de algumas praças e arruamentos”.
É por esta altura – depois das captações de água em Sabariz e Gostei, a partir de 1915 1916 – que os sistemas de saneamento e de abastecimento de água se vão generalizando, embora com lentidão, a quase toda a Cidade. Mas apesar desta e de outras medidas no campo sanitário, com vacinas obrigatórias, e do papel desempenhado pela intendência de pecuária, os problemas higiénicos vão arrastar-se.
A 25 de setembro de 1915, o Notícias de Bragança proclama com letras bem visíveis que vinha aí “uma avalanche de melhoramentos! Bragança progredindo. A Câmara resolve-se a despejar o saco dos benefícios”. A preocupação incide fundamentalmente sobre os “problemas capitais” da luz e da água. “Só não está iluminada a luz elétrica por causa da guerra”. “O da luz aguarda o fim da tremenda loucura da guerra para ser solucionado”.
Finalmente, “será soltado sobre a Cidade o fiat lux genesíaco e os arcos voltaicos e as lâmpadas de 30 velas tirarão à terra o aspeto bárbaro que ora tem”.
E sobre a aquisição de terrenos em Sabariz, a cerca de uma légua da Cidade, para exploração da água, comenta-se: “É um renascimento! E um embarrelamento”. É grande a euforia e divertido o relato. Haverá “então água em abundância em todas as casas, água para lavagem das ruas, regas de jardim, para bocas-de-incêndio, para tudo enfim”. “Os brigantinos começarão a lavar-se, as ruas deixarão de oferecer o mau cheiro de aguar e tudo respirará frescura e asseio… Cessarão os barulhos no verão, junto dos marcos fontenários, entre as sopeiras, por causa da vez de encher o cântaro, e muito bom cidadão, com a água metida no domicílio, ousará lavar seu corpo uma vez por quinzena”. Pormenores importantes acerca de práticas e hábitos, ou ausência deles, que condicionavam a vida citadina e a dos seus habitantes. As esperas nas fontes – das “sopei ras” e de outras mulheres –, os banhos que não se tomavam.
Ficamos a saber, também, que a Câmara vai arranjar os passeios, nomeadamente os da Rua Direita, e que vai lançar a Rua da República: é “preciso rasgá-la até à Rua Alexandre Herculano, de modo a aformoseá-la, tornar mais rápido o acesso da gente que vem pelas estradas de Mirandela e Vinhais e se dirige ao centro da Cidade, onde está o principal comércio brigantino, Praça do Mercado, etc.”. Irá “colocar as grades no muro da dita rua que dá para a cerca do antigo Seminário. As ruas que precisam de reparação vão ser calcetadas e as ruas que marginam o terreno pertencente ao Hospital da Misericórdia vão ser abertas”. A Câmara ia, ainda, obrigar os munícipes a pôr caleiras nos beirais dos telhados…
Mas esta “avalanche de melhoramentos”, que tarda a chegar, não obsta a que continuem a ser denunciadas lamentáveis situações urbanas e miseráveis condições de vida de muitos habitantes, pobres cidadãos da urbe – “artistas” e outros trabalhadores não qualificados –, como se pode ver por mais documentos de 1919 e 1920. A falta de habitações e de salubridade, leva a que, aquando da visita do ministro da Justiça, Lopes Cardoso, a Câmara Municipal e a Associação Comercial e Industrial de Bragança subscrevam uma proposta conjunta, representando àquele membro do Governo a criação de um bairro operário. Uma vez mais foi preciso esperar, já que esta proposta só irá ser concretizada em 1937, com o Bairro da Estação.
Em O Bragançano, de 16 de dezembro de 1919, pode ler-se uma entrevista com o Governador Civil, Carlos Alves. É muito o que nos diz sobre conceções sociais do pensamento republicano… “Da visita do Sr. Ministro da Justiça à Associação Artística de Bragança… saiu a ideia… da criação de um bairro operário”. Os bairros sociais, explica, teriam surgido “do movimento de reivindicações operárias e da revolução operada pela grande guerra”.
A crise mundial de subsistências que depois da guerra nos flagela, afeta de tal maneira a classe operária, que “necessário é que o Estado a proteja para obter a sua colaboração no trabalho nacional”.
Sobre a Cidade, esta análise esclarecedora do ponto de vista social: “Bragança e a sua região não é certamente uma terra de fábricas, mas é uma terra de ofícios, pela tradição e pelo exercício deles, o que já justificou a criação de uma escola industrial. Pois essa população que dos ofícios vive e que na terra se designam pelo nome de artistas, são realmente os mais atingidos pela carestia de vida. O artista, dentro da Cidade, é obrigado a emigrar para os bairros pobres… Mas, procurando este meio de resolver o problema da economia doméstica, acha a ruina, prejudicando e perdendo a saúde e dos seus, contraindo doenças que as habitações, falhas de higiene e conforto, desenvolvem como meio propício que são. O orgulho natural do homem não traz para a rua, em exibicionismos, muitas misérias, mas penetrando nesses bairros, em que se acolhem os que do trabalho vivem, e nos casebres, sem ar, sem luz, sem limpeza, que os cobrem, ver-se-á que a ação socialista do Estado ainda não chegou a esta terra”. Por isso, conclui: “proceda-se sem demora à construção de um bairro operário… A criação de um Bairro Social não é um luxo, é a vida da população pobre que se defende…”
Ainda uma alusão a outro testemunho dos finais de 1920, quando a República já ia adiantada e experimentava graves dificuldades. A obra de Carlos Alves, Propaganda Regional do Distrito de Bragança, é especialmente significativa, não só pelo diagnóstico que é feito, como pelas medidas propostas para sair do “ensimesmamento” a que o século XIX e as décadas do XX já transcorridas tinham condenado o Distrito e a sua capital.
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Dispensário de Bragança, fundado em 1930
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Há receitas para combater a miséria extrema e organizar a assistência, que nos dão uma imagem da deplorável situação social dos moradores pobres. “É conhecida de todos os brigantinos a forma como os bandos de pedintes estacionam, em dias certos da semana, à porta da habitação daqueles que exercem a caridade, esperando pela moeda de cobre que os ajude a suportar a mísera condição. Nesses bandos há velhos e novos, válidos e inválidos, crianças que as mães vão educando na mendicidade. Outros fazem da mendicidade uma indústria, prejudicando os pobres verdadeiros e mentindo aos benfeitores". Para extinguir este espetáculo “deprimente para a Cidade”, dever-se-ia integrar a assistência individual na oficial, prestando apoio domiciliário e instituindo a “sopa dos pobres” e criar, ainda, colónias agrícolas para menores que “tirocinam o vício pelas ruas da Cidade”.
Entre outros problemas, preocupa-o a incipiente rede de comunicações, uma vez que no Distrito de Bragança ainda estava por concluir o plano da rede geral de viação ordinária de 1862. A rede viária municipal continuava a utilizar “os caminhos medievais conservados pelas populações locais, segundo a antiga tradição comunitária, o que deveria impedir uma circulação viária superior a 5 km/hora”, pois, como ele próprio diz, “no Distrito a viação municipal é nula, ou quase nula. Bragança tem 17 quilómetros e meio de estradas de 3.ª ordem”, entre Vale de Álvaro e Parâmio. A lentidão do progresso da “viação acelerada” também o inquieta.
O ensino industrial, renovado por um diploma de 1918, é uma necessidade básica, uma vez que as indústrias do Distrito tinham desaparecido. No domínio agrícola, aconselha o estabelecimento de escolas de fomento rural, com ensino baseado na experiência local. Cotejem-se os problemas enunciados e as soluções propostas com os conteúdos dos relatórios dos Governadores dos anos de 1870. São muitas as semelhanças. Era suposto ter-se andado mais.
Termina com um texto sobre a emigração distrital, que leva à “despovoação dos campos”. “O comboio também contribuirá para exportar a mão-de-obra mal alimentada, que apenas garantia a sobrevivência”. Carlos Alves alertava para “esse empobrecimento provocado pela emigração, primeiramente direcionada para as Américas e naquela data já para o mercado europeu que a nossa intervenção na guerra dera visibilidade e proporcionara”.
Continuava a emigrar-se. Muito…
Abre-se um parêntesis para notar que a denúncia da grande vaga da emigração vinha de trás. Nos finais de 1912, escrevia-se: “Sobe já de nove mil e quinhentos o número de emigrantes deste Distrito no ano corrente, afora aqueles que clandestinamente se retiraram por Espanha. É mais da vigésima parte da população do Distrito só a que emigrou legalmente”, refere-se em O Montanhês do Norte de 10 de novembro de 1912. De facto, a partir dos anos de 1880 e durante quase todo o século seguinte, o maior, “para não dizer único produto de exportação, tinha sido o Homem”. O Abade de Baçal, em artigo no Diário de Notícias de 17 de outubro de 1912, escrevia: “acabaram as vindimas, colheita inferior à do ano passado em quantidade e qualidade. Péssimo ano agrícola; escassez de colheitas; miséria em perspetiva; os habitantes, fugindo à fome, lançam-se nos horrores da emigração, que vai atingindo proporções assombrosas”. Baçal não fugia à falta de condições, que o Nordeste oferecia e vai continuar a oferecer.
O ano de 1919 vê chegar ao fim o Banco de Bragança, que se havia mantido em atividade durante 45 anos (1875-1919). “Era o fim de um sonho, após a vivência de algumas épocas de crise de caráter nacional e alguns factos que contribuíram, possivelmente, para o desfecho agora concretizado”. Avancemos, desde já, que de 1913 a 1915, o que se dizia passar com esta instituição teria contribuído, em boa medida, para uma grande tempestade política…

Mas nem tudo são desaires… As “trevas” vão acabar, na Cidade, com o aparecimento da energia elétrica – já se havia passado pelo azeite, pelo petróleo e pelo gás pobre. Por impossibilidades várias, em especial, pela falta de meios, só em 1921 se efetiva o fornecimento da eletricidade ao domicílio. A Companhia de Lucien Guerche edifica uma central que aproveita a hidráulica do Fervença para produzir energia. A difusão e a adesão vão ser lentas. Este 30 de outubro de 1921 foi, por conseguinte, um dia marcante na vida da Cidade, realizando-se “esta noite as primeiras experiências de luz elétrica, aparecendo iluminada a Praça da Sé, sendo, por tal motivo, grande a concorrência ali”.
E se as deficiências de higiene pública perduram por mais algumas décadas, “sobretudo nos talhos e açougues e ruas mais excêntricas, pululando monturos de lixo em São Sebastião, no Loreto e Estacada e envolvência do castelo”, a verdade é que será a República a tentar resolver os problemas de saúde pública, com a construção do Hospital, do projeto para reparação e embelezamento do Cemitério Público, do Lactário e do Dispensário Antituberculoso.
A “primeira intervenção urbana da República inicia-se em 1913, com a reformulação da Caleja da Maria Manta e seu prolongamento até junto da Praça de Almeida Garrett”, após a apropriação estatal da cerca do Seminário.
A zona, que vinha a ser valorizada, é “depois aformoseada pelo Jardim de António José de Almeida, de finais da década de 20 e inícios da seguinte. Em termos de área urbana e de novos conceitos de espaços públicos de lazer, esta intervenção é a que melhor caracteriza o que a República nos legou em Bragança, na sua formosura singela, democrática e polivalente”.Como se conclui, “é pois, este conjunto urbanístico composto pela Rua da República, Jardim de António José de Almeida e acessos vindos da Praça do Mercado que marcam este período histórico e a nova urbe, pois o novo jardim obriga à deslocalização de eventos festivos e de lazer para esta nova área pública”.
A Cidade dos fins dos anos de 1920 e dos primeiros anos de 1930 revelou-se fértil em obras de restauro e de recuperação. Por esta altura, vivia-se já um ambiente de uma certa exaltação patriótica – o património era visto como elemento essencial na afirmação da Nação.
Depois da queda da República, criam-se expetativas em relação aos novos dirigentes e vive-se um clima de uma certa euforia que se traduz num afervorar do regionalismo e do patriotismo. Em novembro de 1930, com o intuito de dar maior projeção à urbe, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Bragança e a Comissão Municipal da União Nacional Republicana propõem a elevação da Cidade a capital de província.
Projetos de reconstrução de edifícios e de remodelação de fachadas, são, em grande parte, exigidos pela Câmara. As intervenções na malha urbana de 1929 e anos posteriores consistem fundamentalmente em remodelações, ampliações, e realinhamentos. São manifestas as preocupações de ordem estética: substituição de fachada na Rua Alexandre Herculano; edifício novo junto da Central Elétrica; remodelações na Rua Nova e na Rua Direita; em 1931, realinhamento de fachadas na Rua da República, para além de solicitações para a Rua Abílio Beça, Largo do Tombeirinho, Largo Camões e ainda a construção de mais um armazém da moagem de Afonso Lopes, no final da Rua Alexandre Herculano. As alterações prosseguem em 1932 e 1933.
A conclusão do caminho-de-ferro levou ao aformoseamento da Avenida da Estação – antiga Rua do Conde de Ferreira e futura João da Cruz. Agora, a Avenida João da Cruz, assim denominada por ser esse o nome do empresário falido da via-férrea de Mirandela a Bragança, mereceu “intervenção demorada em artéria que será estruturante. Mas já vinha prometida da Monarquia, “unindo a estação à Casa da Roda, agora demolida e permitindo a ligação às dignas Almirante Reis e 5 de Outubro”.

De 1933 é o projeto para a construção do Matadouro Municipal.
Merece uma referência especial, no que respeita à “arte pública”, o Monumento aos Mortos da Grande Guerra. A evocação desses heróis vai ser promovida, no caso da urbe brigantina, pelo jornal Concelho de Bragança. Em agosto de 1928, o Monumento é inaugurado no Largo do General Sepúlveda, antigo Principal.
Em maio de 1932, inaugura-se o aeródromo de Bragança. Diga-se, como curiosidade, que a primeira carta transportada por avião, de Bragança para Lisboa, foi em 1 de setembro de 1925.
No ano de 1933, ainda vai haver, em Bragança, uma tentativa de revolta, de Infantaria n.º 10, contra o Estado Novo… E, em outubro de 1934, Salazar desloca-se a Bragança para uma visita relâmpago, que inclui alguns monumentos. Aí estava, como se comenta com propriedade, a “nova ordem” em pessoa.
Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa
Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Quando não me apetece ler, folheio os livros da minha modesta biblioteca. Leio umas linhas e torno a fechá-los. Montaigne – se não estou em erro, – fazia o mesmo.
Desta vez, ao percorrer as lombadas, encontrei: “O Soldado Prático”, do nosso Diogo Couto (séc. XVI), e deparei, na Cena VI, uma grande verdade:
(…) “ Há muitos anos, que se não costuma buscar homens para cargos, senão cargos para homens.”
Há muitos anos, diz o autor, já se criavam cargos (como agora,) para colocar homens: amigos, correligionários, parentes…
Décadas atrás, conheci pobre homem, que se aventurou a concorrer a certo lugar, na firma onde trabalhava. Ao entregar a candidatura, declarou:
- “Quando se faz capela, já se sabe quem é o santo! …”
E não errou…
Sempre foi assim: quem não possui “ padrinho” (pistolão,) por mais dedicado, por mais conhecedor, que seja, raras vezes passa da cepa torta, como o vulgo costuma dizer.
Em verdes anos, pensei, que o mal era a ditadura em que se vivia. Enganei-me redondamente: em democracia é muito pior…
Jovem que não nasce em família rica e influente, se quer alcançar lugar de relevo, é obrigado abraçar a política e bajular o líder, se quer receber benesses.
O essencial é que não hajam escrúpulos. Ser como o famoso duque se Sabóia, Carlos Manuel – o vira casacas. - Tudo lhe servia desde que o servisse.
Ferrenhos Salazaristas, em Portugal, após a Revolução dos Cravos, passaram a desempenhar importantes cargos, e asseveravam, que sempre foram de esquerda! … Por ingenuidade ou medo, acreditavam nas suas palavras…
Na queda da Monarquia, o mesmo aconteceu: António Manuel Pereira, em :” Do Marquês de Pombal ao Dr. Salazar”, afirma: que quem comandava a escolta dos cadáveres do Rei e do Príncipe, dizia aos soldados: “Se algum de vocês virem algum republicano, atira-lhe como a cães!”…. Proclamada a Republica, acabou nomeado Governador Civil! …
Fez, como fazia o duque de Sabóia….
O Homem é sempre o mesmo.
A História sempre se repete…
Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".
É mercearia e com muitos petiscos para provar. A Trazmontes traz ao Porto a memória de um Alto Douro tradicional. E aqui, garante-se, “não há matéria-prima de supermercado”.
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| Trazmontes NELSON GARRIDO |
Passamos pela Rua do Bonjardim, a um minuto de distância da estação de metro da Trindade, no Porto, e no meio da correria quase nem damos pela nova inquilina. Mas ela está ali, e num dia descontraído somos capazes de reparar nela. Pensamos, se calhar, na Casa Soleiro, cujo sapato gigante pendurado por cima das portas 104 e 106 da Rua Chã, na Sé, chama a atenção para o negócio de solas e cabedais. Neste caso, somos recebidos por Transmontina, o espantalho que veio do Alto Douro para o Porto e se instalou à porta da casa que quer dar a conhecer alguns dos melhores petiscos tradicionais feitos em Trás-os-Montes.
Ângela Ramos e Anabela Guerreiro não são irmãs biológicas mas, garantem, é como se fossem. Ambas com 43 anos, conhecem-se desde o 7.º ano da escola básica e licenciaram-se juntas no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), no mesmo distrito onde abriram uma agência de contabilidade, em 2005. A Trazmontes, uma espécie de híbrido de mercearia e cafetaria com traços de restaurante, com um menu “composto por coisas que podem ser provadas na hora ou levadas para casa”, foi inaugurada pelas duas em Dezembro de 2019, com ajuda na gestão da casa por parte de Elza Alves – que trabalhou na agência de Ângela e Anabela até se mudar para o Porto, há pouco mais de um ano. A ideia passa por mostrar que comida transmontana “não é só alheira de Mirandela e castanha”.
Depois de tomarmos nota da variedade que marca as prateleiras no átrio de entrada, temos dificuldade em discordar. Mas antes de lançarmos um olhar sobre o menu, é o ambiente que nos prende. Se Anabela conta que “quem vem de Trás-os-Montes sente que está em casa”, não é só por causa dos pastéis de Chaves ou da alheira. E também não é só por causa das paredes de pedra, que sugerem um cenário tipicamente rural.
O Dia Mundial das Zonas Húmidas é assinalado este domingo, 2 de fevereiro, com o objetivo de alertar para a importância vital desses habitats e para a riqueza da sua biodiversidade. Promover a conservação das Zonas Húmidas é essencial para assegurar o equilíbrio e a viabilidade dos ecossistemas e para fazer face às alterações climáticas, sobretudo tendo em conta que, nalgumas regiões do mundo, perderam-se já mais de metade das turfeiras, pântanos, áreas ribeirinhas, zonas litorais e planícies de inundação. Desde 1900, estima-se que mais de 64 por cento das nossas Zonas Húmidas tenham desaparecido.
Convenção de Ramsar: o primeiro tratado internacional sobre conservação
A criação deste dia está relacionada com a Convenção sobre as Zonas Húmidas, também conhecida por Convenção de Ramsar, relativa à conservação e ao uso sustentável das Zonas Húmidas, a qual foi assinada no dia 2 de fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar. Esta convenção entrou em vigor em 1975 e conta atualmente com 169 países em todos os continentes. O Estado Português assinou a Convenção sobre as Zonas Húmidas em 1980, tendo esta sido ratificada a 24 de novembro desse mesmo ano e entrado em vigor no dia 24 de março de 1981. O Dia Mundial das Zonas Húmidas foi celebrado pela primeira vez em 1997.
A Convenção de Ramsar, considerada o primeiro tratado internacional sobre conservação, tem como objetivo conservar e proteger as Zonas Húmidas e os seus recursos, incluindo as aves aquáticas e os peixes. Atualmente, os países que ratificaram a Convenção definiram já 2 200 Sítios de importância internacional para proteção desses habitats, os quais são denominados por Sítios Ramsar, cobrindo um total de 215 247,837 ha.
O que são as Zonas Húmidas?
As chamadas Zonas Húmidas referem-se a todos os ambientes aquáticos do interior e à zona costeira marinha. São, desta forma, de acordo com a Convenção de Ramsar, "zonas de pântano, charco, turfeira ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros". As Zonas Húmidas podem também “incluir zonas ribeirinhas ou costeiras a elas adjacentes, assim como ilhéus ou massas de água marinha com uma profundidade superior a seis metros em maré baixa, integradas dentro dos limites da zona húmida”.
Sítios Ramsar: o que são?
Os Sítios de importância internacional, ou Sítios Ramsar, que foram definidos no âmbito da Convenção de Ramsar, são habitats reconhecidos como Zonas Húmidas que cumprem critérios de representatividade desses ecossistemas, de biodiversidade de fauna e flora e de importância para a conservação de aves aquáticas e peixes. Portugal criou, até ao momento, 31 Sítios Ramsar em território continental e no Arquipélago dos Açores.
Estuário do Tejo, Ria Formosa, Paul de Arzila, Paul da Madriz, Paul do Boquilobo, Lagoa de Albufeira, Estuário do Sado, Lagoas de Santo André e da Sancha, Ria de Alvor, Sapais de Castro Marim, Paul de Tornada, Paul do Taipal, Planalto Superior da Serra da Estrela, Parte Superior do Rio Zêzere, Polje de Mira Minde e nascentes relacionadas, Lagoas de Bertiandos e de S. Pedro de Arcos e Estuário do Mondego foram dos primeiros Sítios Ramsar criados em Portugal.
Qual é a importância das Zonas Húmidas?
As Zonas Húmidas são ecossistemas únicos e complexos que são fundamentais para assegurar serviços naturais absolutamente essenciais à vida na Terra: promovem a filtragem das águas, fornecem água potável, garantem a produção alimentar, mantêm o equilíbrio dos vários ecossistemas, protegem a biodiversidade, bem como as linhas de costa, sendo igualmente uma peça-chave para atenuar os efeitos das alterações climáticas.
Zonas Húmidas: principais ameaças
As principais ameaças às Zonas Húmidas são a poluição, principalmente com origem nos aglomerados urbanos, setor industrial e agricultura intensiva, com recurso a fertilizantes e pesticidas; incêndios florestais, que promovem a erosão, a destruição da vegetação ribeirinha e a artificialização das margens dos cursos de água; espécies invasoras; drenagem; construção ilegal e atividades recreativas.
Aeroporto do Montijo considerado principal ameaça para o Estuário do Tejo
A aprovação recente, por parte do Governo, da construção do aeroporto do Montijo é considerada por várias associações, especialistas e organizações de conservação da natureza como uma grande, senão mesmo a principal ameaça para o Estuário do Tejo, classificado como um Sítio Ramsar e como Reserva Natural.
De acordo com vários peritos e estudiosos, a construção do aeroporto ameaça todo o complexo ecossistema do estuário, a sua fauna, flora e recursos, colocando em risco extremo este habitat de elevada importância nacional e internacional ao nível de riquezas e serviços naturais.
As organizações Almargem, ANP/WWF, A Rocha, GEOTA, Liga para a Proteção da Natureza - LPN, FAPAS, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves - SPEA e ZERO decidiram mesmo recorrer aos tribunais e à Comissão Europeia para tentar travar a construção do novo aeroporto no Montijo, por considerarem que este vai "contra as leis nacionais, as diretivas europeias e os tratados internacionais”.
As associações consideram que o Estudo de Impacto Ambiental que deu um parecer favorável à construção do novo aeroporto “tem insuficiências graves” porque não avalia corretamente o impacto ambiental do projeto e estabelece medidas desadequadas de compensação e mitigação.
Cerca de 200 empreendedores participaram na iniciativa transfronteiriça UNI+i, que ajudou a impulsionar a competitividade, a internacionalização e o volume de negócios de empresas nas regiões do Norte de Portugal e de Castela e Leão, em Espanha.
"São cerca de 200 empreendedores que participaram no projeto transfronteiriço UNI+i, centrado em jovens com potencial de criação e inovação. Este projeto foi importante, porque o seu objetivo era criar, inovar e fixar polução empreendedora no território de fronteira", disse hoje à Lusa o presidente da Associação de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), Artur Nunes.
O projeto, concluído em dezembro passado, teve o seu início em abril de 2017, com um investimento de cerca um milhão de euros, entre fundos provenientes do INTERREG/POCTEP - Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal e a comparticipação dos parceiros portugueses e espanhóis envolvidos na iniciativa transfronteiriça.
O UNI+i foi dirigido a empresas de diferentes setores estratégicos de atividade - agroalimentar, ambiente, ciências da vida e da saúde ou tecnológico -, de forma a criar mais-valias económicas e atravessar fronteiras à conquista de novos mercados.
"Fazemos um balanço muito positivo do UNI+i, já que deu a oportunidade de envolver universidades e empreendedores para idealizar os seus projetos, o que nos permite ir mais longe neste tipo de iniciavas de cooperação entre Portugal e Espanha, tendo em vista a dinamização de todo o Douro, desde a nascente à foz", vincou Artur Nunes.
O UNI+i foi coordenado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), juntando o Regia Douro Park - Parque de Ciência e Tecnologia de Vila Real, a Universidade do Porto, a Universidade de Salamanca, o Parque Científico de Salamanca e a AIMRD.
Para o responsável da AIMRD, o projeto terminou “cumprindo os objetivos propostos", em particular a promoção da região de Castela e Leão e do Norte de Portugal "como uma região amiga do empreendimento inovador".
"Nas atividades de apoio aos empreendedores e às empresas recém-criadas, no total, foram contabilizadas 323 horas de acompanhamento tecnológico", contabilizou a associação.
À disposição dos empreendedores foram colocados materiais didáticos, como vídeos, abordando "o desenvolvimento da massa crítica e empreendedora, tal como a motivação para empreender", frisou Artur Nunes.
Ao nível desta rede criada pela iniciativa, foi dado especial destaque ao empreendedorismo jovem.
"Há sinais de que os jovens mostram vontade em se fixar neste território através deste projetos, agora desenvolvidos, como podemos verificar em vídeos informativos por nós desenvolvidos, com exemplos muito concretos desses novos projetos”, disse o representante associativo.
O território ribeirinho do Douro, acrescentou, "tem um potencial enraizado, em que os jovens têm de olhar para o seu todo".
A cidade de Bragança recebe sábado 300 atletas de 21 equipas na primeira edição dos Jogos de Inverno da Associação Nacional de Desporto para o Desenvolvimento Intelectual (ANDDI).
Trata-se de uma iniciativa de desporto adaptado para atletas com deficiência que envolve modalidades como Basquetebol 3x3, Boccia, Caminhada, Trail e Mini-Trail, Polybat, ParaHóquei e Ténis de Mesa.
A ANDDI tem como parceiros na organização deste evento o município de Bragança e a Academia do Centro Social e Paroquial dos Santos Mártires. Os jogos são apadrinhados pelo jogador de futebol Pizzi, natural de Bragança.
António Pereira
O município de Alfandega da Fé mostra, a partir de sábado, a exposição “Máscaras Rituais de Portugal” de Roberto Afonso, um transmontano que se tem dedicado ao estudo e divulgação das festas de mascarados e que reúne nesta mostra trabalhos de 37 artistas sobre quase quatro dezenas de festas portuguesas.
Os exemplares vão de Aveiro a Coimbra, Viseu, Porto e Bragança e estarão patentes até 30 de março no Centro de Interpretação do Território, em Sambade, no concelho de Alfândega da Fé,distrito de Bragança.
A exposição mostra também um conjunto de composições que o colecionador Roberto Afonso criou, e todas as obras que o público poderá apreciar são ilustradas com textos da autoria de Alex Rodrigues, Alfredo Cameirão, Antero Neto, António Tiza, Isidro Rodrigues e Roberto Afonso.
O caçador considerado culpado de envenenar mortalmente um abutre-preto e três grifos foi condenado a seis meses de prisão e uma multa de 36.000 euros.
Além da pena de prisão e da multa, o mesmo homem ficou proibido de caçar durante um período de dois anos.
Em causa está um envenenamento que aconteceu em 2012 na província de Ciudad Real, região de Castela-La Mancha, relata uma notícia do jornal espanhol Hoy, citada pela Vulture Conservation Foundation.
Agentes ambientais espanhóis encontraram a carcaça de um abutre-preto numa quinta da localidade de Agudo. Dias mais tarde, acompanhados por pessoas da Unidade de Investigação de Venenos de Ciudad Real, descobriram os corpos de três grifos e os restos de uma ovelha que as aves tinham comido.
Mais tarde, devido à realização de necrópsias, soube-se que tanto as aves como a ovelha continham vestígios de um poderoso insecticida usado em colheitas, que lhes terá provocado a morte. “De acordo com a sentença, o caçador preso por estes anos usou a ovelha como isco para eliminar os abutres”, relata a VCF.
A decisão do tribunal foi conhecida a 15 de Janeiro em Espanha, divulgada pela Associação Profissional de Agentes Ambientais de Castela-La Mancha, que pede desde há muito a criação de novas unidades de investigação de venenos na comunidade para que sejam detectados os crimes contra a vida selvagem através do uso de iscos envenenados.
“O envenenamento na natureza continua a ser uma das práticas ilegais mais destrutivas para a biodiversidade em Espanha, matando vida selvagem preciosa”, defende a VCF.
“Espanha, no entanto, pode ser vista como um exemplo das melhores práticas na Europa no que respeita a combater o envenenamento ilegal de vida selvagem”, sublinha esta organização não governamental internacional dedicada à conservação dos abutres europeus.
Em Portugal, em Abril passado, foi anunciado um novo protocolo de actuação no âmbito do combate a estes crimes. Na altura, o então presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Rogério Rodrigues, referiu que se estima que apenas 10% dos animais vítimas de iscos envenenados são detectados.
O projecto de seguimento, pela Junta de Castela e Leão, deverá começar no primeiro semestre deste ano. O objectivo é saber como o urso-pardo usa o território e identificar corredores ecológicos.
Actualmente estima-se que vivam na Cordilheira Cantábrica, no Norte da Península Ibérica, entre 230 a 270 ursos-pardos (Ursus arctos), espécie declarada Em Perigo de extinção em Espanha em 1989 e protegida pela legislação espanhola desde 1973.
Estão distribuídos por duas sub-populações, a ocidental com entre 190 e 230, e a oriental, com cerca de 40.
Todos os anos, equipas técnicas das comunidades autonómicas, da Fundación Oso Pardo (FOP), de outras entidades conservacionistas e voluntários saem para o campo à procura de indícios e recolhem vídeos e fotografias para saber quantas fêmeas e quantas crias vivem na região. O último censo conhecido, referente a 2018, deu conta de 38 fêmeas e 64 crias.
Agora, além deste tipo de contagens, as autoridades vão experimentar uma outra forma de conhecer melhor estes animais, através do seguimento por radiotransmissores.
O projecto piloto vai acontecer na província de Leão e depois será implementado no Principado das Astúrias.
Este projecto “é de grande importância para podermos conhecer os padrões das deslocações e a actividade dos ursos-pardos cantábricos”, explicou, no início deste mês, a Junta de Castela e Leão em comunicado.
As autoridades sublinham que vão conseguir “quantificar a extensão e localização das áreas reais usadas por machos e fêmeas, adultos e subadultos, ao longo dos diferentes períodos que caracterizam a biologia do urso-pardo”.
Além disso, a informação recolhida será importante ainda para seguir os movimentos de dispersão dos ursos subadultos, necessária “para planear possíveis corredores que facilitem a ligação entre populações ou para identificar e eliminar o efeito barreira de algumas infraestruturas”.
Na verdade, as subpopulações ocidental e oriental têm, de momento, uma “ligação mínima” entre si.
Outra das vantagens deste novo projecto, que surge no âmbito da Estratégia para a Conservação do Urso-pardo na Cordilheira Cantábrica – documento aprovado a 30 de Setembro de 2019 -, é identificar os ursos que mais frequentemente causam danos a propriedades humanas e qual o efeito do recente turismo de observação de ursos, “que pode afectar os ritmos de actividade, as deslocações e o uso do território”.
Segundo a Junta de Castela e Leão, o seguimento dos ursos “é indispensável para gerirmos as pequenas populações ameaçadas de ursos-pardos na Cordilheira Cantábrica”.
Este projecto será complementado com as informações dos censos anuais e de estudos genéticos, tudo para conservar esta espécie.
Ainda por definir está o número de ursos que serão seguidos, e quais, bem como as épocas e as metodologias de captura dos animais para a colocação das coleiras com os radiotransmissores.
Participa neste esforço, além da Junta de Castela e Leão, a equipa de investigação em urso cantábrico da Unidade Mista de Investigação em Biodiversidade do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).
Com Luís Santos; Nuno Silva; Daniela Leite Castro; Fábio Videira; Angel Fragua; Inquieta - Agência Criativa
Foto de André C. Macedo