As raízes de José da Costa estão em Mogadouro, terra de sua mãe, Beatriz Pereira, neta de Francisco Lopes Pereira, o Papagaio, de alcunha e de Catarina Martins. O pai chamou-se André Vareda e seria originário de Itália, com um dos filhos a dizer que era natural de Pádua, e outro dando-o nascido em Roma.
Difícil seguir também o percurso de seus pais, o qual ficaria assinalado pelo nascimento de um filho em Cadiz, outro em Badajoz, um terceiro em Viana do Castelo e o nosso biografado em Lisboa, por 1690, sendo o mais velho dos 5 irmãos que chegaram à idade adulta.
Ainda pequeno quando rumou a Castela com o pai que, sendo contratador, levava uma vida de itinerâncias. Por 1709, encontrava-se José da Costa em Elvas, no ofício de soldado de cavalaria, a crer na informação de seu tio materno, Gaspar Lopes da Costa dizendo que aí se declararam um ao outro por judeus e acrescentou que o José lhe dissera que fora doutrinado por seu pai.
No ano seguinte encontrava-se em Lisboa e temos notícia de um encontro com Simão de Bivar, (1) na casa deste, o qual lhe daria um livro em castelhano para que o lesse “que era bom por tratar da lei de Moisés, que era boa para a salvação das almas”. Não se alongaria José da Costa por Lisboa e pelo ano de 1711 “passou para a Baía e para casa de uma sua tia chamada Clara Lopes” que lhe ensinou mais coisas da lei de Moisés.
Em casa de Clara Lopes estaria uns 3 meses, ao fim dos quais se embarcou para Angola. Não sabemos em que condições e em que companhia terá decorrido esta viagem, se bem que podemos suspeitar que fosse com um filho da Clara Lopes chamado Francisco Rodrigues Pereira que, sendo morador na Baía, tinha casa montada na cidade de S. Paulo de Luanda, em Angola. Não sabemos se nesta viagem José ia já como capitão do navio ou como passageiro. Certo é que a sua vida seria a de capitão de navios, ocupado principalmente no transporte de escravos de África para o Brasil.
E era já capitão do navio “Jesus Maria e José” (2) quando casou na Baía com Ana de Bernal Miranda, (3) por 1717. E era já proprietário de uma “roça” nas vizinhanças da cidade da Baía, no sítio da Graça, quando, por 1718, a sua mãe, o seu irmão António, a sua irmã Luísa e o marido desta chegaram à Baía e se instalaram na casa de José da Costa, o qual desempenharia o papel de chefe do clã famíliar, na falta do pai que falecera em Lisboa.
Antes de prosseguirmos, convém apresentar os irmãos que, certamente, trabalhariam mais ou menos em rede, como era próprio da gente da nação. Vejamos:
*João da Costa, ou Baredo, nasceu em Cadiz por 1693 e foi processado em 1714 pela inquisição de Lisboa, depois do que fugiu para Londres, onde já estivera antes e fora circuncidado. (4)
*Gaspar da Costa deixou o Reino em data que ignoramos e foi para o sertão brasileiro procurando ouro nas Minas de Cuiabá.
*Carlos Pereira, seguiu para a Baía e dali embarcou para a ilha do Príncipe, no Golfo da Guiné, e lá faleceu, pelo S. João de 1721. (5)
*António Lopes Pereira, nascido em Viana do Castelo, por 1704, aportou igualmente na Baía e dali foi para Angola.
*Finalmente, a irmã Luísa Maria Rosa, nascida em Badajoz, era já casada com João Gomes Carvalho quando embarcou para o Brasil, com a mãe, o irmão António e o seu marido. Este casal permaneceu poucos anos no Brasil, regressando a Lisboa por 1723. (6)
Não temos descrições das viagens do capitão José da Costa com o “seu” navio. Sabemos que a chegada da mãe à Baía coincidiu com a chegada de uma das suas “expedições” à Costa da Mina. E também sabemos que o Kipur de 1721 foi celebrado em sua casa por toda a família, com o jejum dedicado ao feliz sucesso de uma viagem que ele se preparava para fazer nos dias seguintes para a mesma Costa. Podemos ainda dizer que ele viajava para a Colónia do Sacramento onde o seu contacto comercial seria o seu cunhado Luís Nunes de Miranda, ali estabelecido. Mas a rota mais seguida pelo capitão do navio “Jesus Maria e José” era a de Angola. E a principal mercadoria transportada eram os escravos, considerados “marfim negro” e tratados como “peças”, comprados e vendidos em praças públicas, como gado em feiras.
E José da Costa não seria um simples capitão de navio mas um verdadeiro corsário. O próprio inventário dos seus bens ajuda-nos a compor a sua imagem de corsário. Vejam o equipamento que o inventário apresenta:
*Um vestido de lemiste preto e uma véstia de seda, da mesma cor, que lhe havia custado 60 mil réis.
*Camisas de Holanda (3 ou 4), com punhos de renda fina, que valiam mais de 40 mil réis.
*Uma véstia de veludo verde e outra de crepe preto, usadas, que valiam 12 mil réis.
*Um espadachim de prata, com punho de ouro, comprado por 6 moedas de 4.800 réis cada uma.
*Duas espingardas, novas, estrangeiras, que lhe custaram 32 mil réis.
*Duas plumas de chapéu de martinete que valiam 7 ou 8 moedas, de 4 800 réis.
*Dois martinetes mais ou cocares que valiam moeda e meia.
Camisas com punhos de renda, casaca de veludo verde ou preto, espada com punho ouro, chapéu em bico, decorado com plumas de uma ave de Porto Rico… é mesmo a imagem de corsário que o cinema consagrou!
De resto, os bens inventariados ao piloto, as dívidas ativas e passivas… tudo anda em volta do comércio de escravos e em todo o processo apenas há referência a umas 20 peças de algodão remetido de Angola para o proprietário do barco e umas fazendas levadas para o Rio da Prata juntamente com uma “manada” de escravos.
Foram mais de 20 as denúncias de judaísmo apresentadas contra José da Costa que foi mandado prender pela inquisição de Lisboa em 13.3.1726 mas que só em 13 de junho de 1728 ali foi entregue, vindo embarcado de Pernambuco na nau “Santiago Maior”. Acabou condenado em cárcere e hábito perpétuo e confisco de bens no auto de 16.10.1729. (7)
Depois terá novamente embarcado para o Brasil, como se depreende da seguinte declaração feita por sua mulher em 4.11.1737, a qual ficou morando em Lisboa, na Ruas das Gáveas, ao Bairro Alto e foi presa segunda vez:
- Disse que tinha 2 escravas, uma chamada Isabel e outra Ana, as quais lhe tinha mandado seu marido José da Costa, não sabe quanto valem por não saber quanto custaram ao seu marido. E que ela deve a seu cunhado João Gomes, homem de negócio morador em Alfama, as mesadas com que lhe assistia por conta de seu marido, não está certa no que importam mas o que ele disser será verdade. E que ela é devedora a seu irmão Manuel Nunes Bernal de assistência que lhe fez nesta Corte. (8)
Notas e Bibliografia:
1-Simão de Bivar era natural de Mogadouro, filho de D. Afonso de Bivar, cavaleiro castelhano e de Clara Rodrigues, de Torre de Moncorvo. – ANTT, inq. Lisboa, pº 3677, de Simão de Bivar.
2-O proprietário do barco era Francisco Xavier da Silveira.
3-Ana Bernal de Miranda foi levada pelos pais para o Brasil quando era pequena. Seu pai era médico e um de seus irmãos foi estabelecer-se na Nova Colónia de Sacramento estrategicamente situada na margem do Rio da Prata, cuja posse era disputada entre Portugal e Castela.
4-Na verdade, fizeram-lhe apenas um ligeiro corte pois que ele “não podia rigorosamente ser circuncidado porque não tinha onde se lhe poder fazer a cortadura, o que procedia de uma grande queixa gálica que ele havia padecido na mesma parte”. ANTT, inq. Lisboa, pº 7264, de João Baredo. Agradecemos à Drª Carla Vieira ter-nos cedido a transcrição do processo.
5-ANTT, inq. Lisboa, pº 9924, de Beatriz Pereira. Depois de contar que fizera o jejum do kipur de 1721 em casa de José da Costa, com este, com o filho Carlos, com a filha Luísa, com o genro João de Carvalho e com a nora Ana de Miranda “para que Deus nosso senhor desse bom serviço ao dito seu filho José da Costa em uma viagem que havia de fazer para a Costa da Mina”, volta atrás para emendar: - Agora estava melhor lembrada que o seu filho Carlos não estava presente porque falecera pelo S. João e o jejum fora em setembro…
6-IDEM, pº 2424, de Ana de Bernal Miranda; pº 764, de João Gomes Carvalho.
7-IDEM, pº 10002, de José da Costa.
8-IDEM, pº 2424-1, de Ana de Miranda.
António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com
Número total de visualizações do Blogue
Pesquisar neste blogue
Aderir a este Blogue
Sobre o Blogue
SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.
terça-feira, 26 de setembro de 2017
PRECÁRIOS
O universo da precarização laboral cresce continuamente, por cá a regularização de alguns milhares de precários existentes na função pública coloca termo a situações escandalosas, no entanto, a árvore não pode, nem deve tapar a floresta. Já escrevi acerca da revolução tecnológica em curso, cujos efeitos no domínio da manutenção do emprego é, proporcionalmente, de custos bem mais elevados dos que gerou a Revolução Industrial.
A Amazon a maior empresa de livros no Planeta sem ser editora, ou a Ali Babá imenso escaparate desprovida de suporte físico, revelam o vai vem das compras desenvencilhando-se de profissionais de várias categorias do «clássico» sistema organizacional do comércio. No caso da comunicação social o problema é mais avantajado, mais bicudo, mais preocupante, isto porque a mola real da sua sobrevivência assenta na publicidade e esta foge continuamente para as redes sociais e canais on-line. O Facebook concentra 80% da publicidade digital sem gerar conteúdos e contratar jornalistas.
Há anos o Doutor Alexandre Manuel, antigo jornalista e editor, agora professor no ISCTE, no decorrer de um colóquio em Bragança afirmou só acreditar na sobrevivência da imprensa regional tendo explicado a causa da sua opinião. Recentemente, o Dr. Balsemão na esteira de outros empresários deixou indicações de pretender alienar várias publicações periódicas, exceptuando o Expresso por antes de ser a joia da coroa, é lucrativo.
Há dias um rapaz ficou sério e mal disposto quando lhe disse ser candidato ao desemprego ao ter escolhido o curso de comunicação social, ele ou anda distraído ou não gosta de perceber a realidade, só em Espanha foram dispensados 15.000 jornalistas nos últimos anos e mesmo o gigante El País enfrenta dificuldades, a venda da TVI é consequência do enorme endividamento do jornal.
A comunicação social das regiões sempre me atraiu, escrever no Diário de Notícias concedeu-me maior visibilidade, porém os jornais de vinculação local têm uma maior tempo de vida nas casas dos leitores, além desta fidelização, para o bem e para o mal, quem os lê joeira em crivo apertado o ponto de vista de quem escreve e se respeita a sua matriz intelectual. Sendo assim, e é, o escrevente não pode debitar sentenças impossíveis de cumprir, menos ainda proposta de actuação ou acção dos poderes públicos irrealizáveis, esbanjadoras, delirantes.
Ora, os despropósitos têm levado ao fenecimento de órgãos de comunicação social aumentando a precaridade redundante – os jornalistas, dos referidos órgãos – empobrecendo a nossa capacidade de expressão do pensamento pois os investidores não estão dispostos a sustentarem bagatelas de nefelibatas desprovidos do sentido da medida.
Sim, eu sei, nós sabemos quão grande é a transformação do Mundo minuto a minuto, dia da dia, em cruel competição a levar à aceitação da precaridade, os recursos são finitos, os candidatos a uma ocupação milhentos, longe vão os tempos dos empregos para uma vida.
Se me é permitido direi que ainda persiste na sociedade portuguesa o desejo de arranjarmos emprego à mesa do orçamento, como quem diz, na teta do Estado.
As clientelas partidárias ajudam à manutenção da referida ideia, daí a projecção das juventudes jotas no círculo dos jovens, apontando-se exemplos, ouvindo-se impropérios dos jotas quando não conseguem um lugar solarengo nas listas candidatas a eleições autárquicas e legislativas. Os contemplados bufam de alegre bazófia prestando-se a executar tarefas eivadas de truques e a transportarem a pasta dos seus «apoderados», muitos deles provindos de fornadas a mais antigas de jotas.
A precaridade só se combate através do insano trabalho dos empresários geradores de riqueza, logo de emprego, e no espaço estelar dos jovens quando são competentes, empreendedores e atrevidos no explanar ideias brilhantes nos domínios inerentes à sua formação académica. Neste jornal vou lendo os sucessos de alunos do Instituto Politécnico de Bragança, eles não se deixam derrotar pelo fatalismo, são propensos à paciência de estarem anos no periclitante sistema das bolsas, todavia, em função do seu excelente currículo acabam por ter a «sorte» de obterem o sonho ou desejo que perseguem. Todos sabemos que a sorte dá um trabalhão, um trabalho dos diabos, mesmo no mês de Setembro!
Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com
A Amazon a maior empresa de livros no Planeta sem ser editora, ou a Ali Babá imenso escaparate desprovida de suporte físico, revelam o vai vem das compras desenvencilhando-se de profissionais de várias categorias do «clássico» sistema organizacional do comércio. No caso da comunicação social o problema é mais avantajado, mais bicudo, mais preocupante, isto porque a mola real da sua sobrevivência assenta na publicidade e esta foge continuamente para as redes sociais e canais on-line. O Facebook concentra 80% da publicidade digital sem gerar conteúdos e contratar jornalistas.
Há anos o Doutor Alexandre Manuel, antigo jornalista e editor, agora professor no ISCTE, no decorrer de um colóquio em Bragança afirmou só acreditar na sobrevivência da imprensa regional tendo explicado a causa da sua opinião. Recentemente, o Dr. Balsemão na esteira de outros empresários deixou indicações de pretender alienar várias publicações periódicas, exceptuando o Expresso por antes de ser a joia da coroa, é lucrativo.
Há dias um rapaz ficou sério e mal disposto quando lhe disse ser candidato ao desemprego ao ter escolhido o curso de comunicação social, ele ou anda distraído ou não gosta de perceber a realidade, só em Espanha foram dispensados 15.000 jornalistas nos últimos anos e mesmo o gigante El País enfrenta dificuldades, a venda da TVI é consequência do enorme endividamento do jornal.
A comunicação social das regiões sempre me atraiu, escrever no Diário de Notícias concedeu-me maior visibilidade, porém os jornais de vinculação local têm uma maior tempo de vida nas casas dos leitores, além desta fidelização, para o bem e para o mal, quem os lê joeira em crivo apertado o ponto de vista de quem escreve e se respeita a sua matriz intelectual. Sendo assim, e é, o escrevente não pode debitar sentenças impossíveis de cumprir, menos ainda proposta de actuação ou acção dos poderes públicos irrealizáveis, esbanjadoras, delirantes.
Ora, os despropósitos têm levado ao fenecimento de órgãos de comunicação social aumentando a precaridade redundante – os jornalistas, dos referidos órgãos – empobrecendo a nossa capacidade de expressão do pensamento pois os investidores não estão dispostos a sustentarem bagatelas de nefelibatas desprovidos do sentido da medida.
Sim, eu sei, nós sabemos quão grande é a transformação do Mundo minuto a minuto, dia da dia, em cruel competição a levar à aceitação da precaridade, os recursos são finitos, os candidatos a uma ocupação milhentos, longe vão os tempos dos empregos para uma vida.
Se me é permitido direi que ainda persiste na sociedade portuguesa o desejo de arranjarmos emprego à mesa do orçamento, como quem diz, na teta do Estado.
As clientelas partidárias ajudam à manutenção da referida ideia, daí a projecção das juventudes jotas no círculo dos jovens, apontando-se exemplos, ouvindo-se impropérios dos jotas quando não conseguem um lugar solarengo nas listas candidatas a eleições autárquicas e legislativas. Os contemplados bufam de alegre bazófia prestando-se a executar tarefas eivadas de truques e a transportarem a pasta dos seus «apoderados», muitos deles provindos de fornadas a mais antigas de jotas.
A precaridade só se combate através do insano trabalho dos empresários geradores de riqueza, logo de emprego, e no espaço estelar dos jovens quando são competentes, empreendedores e atrevidos no explanar ideias brilhantes nos domínios inerentes à sua formação académica. Neste jornal vou lendo os sucessos de alunos do Instituto Politécnico de Bragança, eles não se deixam derrotar pelo fatalismo, são propensos à paciência de estarem anos no periclitante sistema das bolsas, todavia, em função do seu excelente currículo acabam por ter a «sorte» de obterem o sonho ou desejo que perseguem. Todos sabemos que a sorte dá um trabalhão, um trabalho dos diabos, mesmo no mês de Setembro!
Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com
CAMPANHA ALEGRE PELA TERRA TRISTE
As campanhas políticas já eram alegres, ao que parece, nos tempos idos em que Eça de Queiroz se dedicava ao jornalismo, no século XIX, quando o país fazia que andava, mas não andava na senda do progresso.
Aquele vulto maior das nossas letras lançava um olhar irónico, por vezes ácido sobre os protagonistas do rotativismo parlamentar em acelerado desgaste, enquanto, na margem, um republicanismo radical ia somando pequenos e grandes sucessos, até que a 31 de Janeiro de 1891 se propôs tomar o poder. Dezanove anos depois lá chegaria, montado no episódio sangrento do regicídio, fruto da ousadia carbonária, mas também da omissão dos que diziam defender a monarquia constitucional.
As campanhas eram, afinal, expressão de uma alegria tola de caciques, que esperavam do povo a embevecida vénia a suas mercês, que se passeavam de caleche pelo Chiado, seroavam em São Carlos e aportavam, ao fim da manhã seguinte, a São Bento, exalando perfume espanhol.
Reconhecidas as distâncias, a febre da alegria, da animação, do frenesim continua a ser marca das campanhas, século e meio depois.
Tornou-se um “must” o ritual das caravanas automóveis, ruidosas, coloridas, apressadas, para impressionar eleitores. Pretende-se medir o impacto das propostas políticas pela extensão do desfile de automóveis.
Espera-se que a participação de condutores tenha correspondência em votos, que deixe uma impressão de maré arrasadora para desanimar os concorrentes, no fim de contas impor as emoções às convicções, fazendo da decisão política um acto mais visceral do que racional.
A expressão da vontade democrática esteve e estará sujeita a estas contingências, porque a crueza da vida não se compadece com os cenários românticos dos sonhadores de mundos perfeitos. Basta lembrarmos o que se passa em países de gente mais fina, onde a boçalidade triunfa, porque lá também não faltam patêgos a olhar para o balão, sem se questionarem sobre os espectros que se insinuam no horizonte.
Por isso se impõe que um elevado sentido cívico oriente os cidadãos que participam na intervenção política. Na situação que vivemos neste interior, o passeio trepidante pelas povoações pode ser quase uma forma de desprezo ostensivo por quem se confronta todos os dias com o fim da esperança, o desânimo que convida à desistência, a amargura do futuro impossível, apesar da festa estridente que vai passando e só deixa a dor do silêncio esmagador sobre as tristezas que não encontram ouvidos nas caravanas.
Há décadas ainda se viam crianças e jovens espantados, sorriso de orelha a orelha, olhos de alegria, a disputar brindes coloridos. Apesar da festa que viveram não puderam ficar e, hoje, votam noutras paragens, decidindo presentes e futuros que se sobrepõem ao destino dos que por aqui ficaram e só chegam ofegantes, de cajata e olhos baços, ao largo da aldeia, quando os carros já rolam para nova algazarra.
Talvez fosse mais avisado encontrar tempo para, ao menos, os ouvir. Assim se poderia tomar consciência de que não há festa que chegue para matar a tristeza, que promete ficar para sempre.
Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com
Aquele vulto maior das nossas letras lançava um olhar irónico, por vezes ácido sobre os protagonistas do rotativismo parlamentar em acelerado desgaste, enquanto, na margem, um republicanismo radical ia somando pequenos e grandes sucessos, até que a 31 de Janeiro de 1891 se propôs tomar o poder. Dezanove anos depois lá chegaria, montado no episódio sangrento do regicídio, fruto da ousadia carbonária, mas também da omissão dos que diziam defender a monarquia constitucional.
As campanhas eram, afinal, expressão de uma alegria tola de caciques, que esperavam do povo a embevecida vénia a suas mercês, que se passeavam de caleche pelo Chiado, seroavam em São Carlos e aportavam, ao fim da manhã seguinte, a São Bento, exalando perfume espanhol.
Reconhecidas as distâncias, a febre da alegria, da animação, do frenesim continua a ser marca das campanhas, século e meio depois.
Tornou-se um “must” o ritual das caravanas automóveis, ruidosas, coloridas, apressadas, para impressionar eleitores. Pretende-se medir o impacto das propostas políticas pela extensão do desfile de automóveis.
Espera-se que a participação de condutores tenha correspondência em votos, que deixe uma impressão de maré arrasadora para desanimar os concorrentes, no fim de contas impor as emoções às convicções, fazendo da decisão política um acto mais visceral do que racional.
A expressão da vontade democrática esteve e estará sujeita a estas contingências, porque a crueza da vida não se compadece com os cenários românticos dos sonhadores de mundos perfeitos. Basta lembrarmos o que se passa em países de gente mais fina, onde a boçalidade triunfa, porque lá também não faltam patêgos a olhar para o balão, sem se questionarem sobre os espectros que se insinuam no horizonte.
Por isso se impõe que um elevado sentido cívico oriente os cidadãos que participam na intervenção política. Na situação que vivemos neste interior, o passeio trepidante pelas povoações pode ser quase uma forma de desprezo ostensivo por quem se confronta todos os dias com o fim da esperança, o desânimo que convida à desistência, a amargura do futuro impossível, apesar da festa estridente que vai passando e só deixa a dor do silêncio esmagador sobre as tristezas que não encontram ouvidos nas caravanas.
Há décadas ainda se viam crianças e jovens espantados, sorriso de orelha a orelha, olhos de alegria, a disputar brindes coloridos. Apesar da festa que viveram não puderam ficar e, hoje, votam noutras paragens, decidindo presentes e futuros que se sobrepõem ao destino dos que por aqui ficaram e só chegam ofegantes, de cajata e olhos baços, ao largo da aldeia, quando os carros já rolam para nova algazarra.
Talvez fosse mais avisado encontrar tempo para, ao menos, os ouvir. Assim se poderia tomar consciência de que não há festa que chegue para matar a tristeza, que promete ficar para sempre.
Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com
Criada formação de professores de mirandês para garantir ensino da língua nas escolas
Foi assinado, ontem, o protocolo entre o município de Miranda do Douro, o ministério da Educação e a Universidade de Coimbra para reforçar o projecto-piloto que visa o ensino e a aprendizagem da língua e cultura mirandesas. O presidente da câmara municipal, Artur Nunes, refere que este é um projecto importante para o reconhecimento desta língua.
“É uma grande honra que o governo tenha apoiado o protocolo e também o reconhecimento do próprio ministério da Educação sendo o mirandês a segunda língua oficial em Portugal”,
Este é um passo importante para a oficialização do mirandês no âmbito curricular, oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação e validados por uma das mais conceituadas instituições de ensino superior, a Universidade Coimbra.
“O que havia até agora era um plano especial, que a própria escola tinha de fazer, para os professores de mirandês. Agora com a assinatura do protocolo todo o processo vai ser mais simples”, explicou.
Também presente na cerimónia esteve a subdirectora da direcção geral da educação, Eulália Alexandre, que frisou a importância deste protocolo para garantir a continuidade do ensino do mirandês no agrupamento de escolas de Miranda do Douro:
“Temos já um projecto-piloto com a escola e é permitido o ensino e a aprendizagem do mirandês língua e cultura, mas extra-curricular. Neste momento o que nos foi colocado era a necessidade de haver mais professores formados para dar continuidade ao projecto”, destacou.
Eulália Alexandre sublinhou ainda a necessidade de se apostar na sua divulgação e preservação da língua mirandesa.
Escrito por Brigantia
“É uma grande honra que o governo tenha apoiado o protocolo e também o reconhecimento do próprio ministério da Educação sendo o mirandês a segunda língua oficial em Portugal”,
Este é um passo importante para a oficialização do mirandês no âmbito curricular, oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação e validados por uma das mais conceituadas instituições de ensino superior, a Universidade Coimbra.
“O que havia até agora era um plano especial, que a própria escola tinha de fazer, para os professores de mirandês. Agora com a assinatura do protocolo todo o processo vai ser mais simples”, explicou.
Também presente na cerimónia esteve a subdirectora da direcção geral da educação, Eulália Alexandre, que frisou a importância deste protocolo para garantir a continuidade do ensino do mirandês no agrupamento de escolas de Miranda do Douro:
“Temos já um projecto-piloto com a escola e é permitido o ensino e a aprendizagem do mirandês língua e cultura, mas extra-curricular. Neste momento o que nos foi colocado era a necessidade de haver mais professores formados para dar continuidade ao projecto”, destacou.
Eulália Alexandre sublinhou ainda a necessidade de se apostar na sua divulgação e preservação da língua mirandesa.
Escrito por Brigantia
Pesca atrai participantes ao concelho de Macedo
A zona de Santa Combinha da Barragem do Azibo em Macedo de Cavaleiros, foi escolhida no passado sábado para receber, mais uma vez, o concurso de pesca das vindimas. Organizado pelo Clube de Caça e Pesca de Macedo de Cavaleiros este evento é já uma tradição e conta com mais de 10 anos.
Um projeto que dinamiza a cidade e traz cada vez mais participantes que têm o gosto pelo desporto da pesca aliado às vindimas.
António Oliveira, Presidente do Clube Caça e Pesca de Macedo de Cavaleiros conta-nos um pouco mais acerca das regras e objetivos da pescaria.
“Sim, este concurso é feito para os sócios e não sócios. No caso de hoje temos pescadores dos Ferroviários de Campanhã do Porto, de Parada de Baltar também temos muita gente, de Alijó, de Vila Real, Sabrosa, Mirandela, Bragança e os nossos sócios de Macedo. Portanto as pessoas que queiram participar neste concurso podem participar à vontade. Só o preço é que é diferente. Para os sócios é um preço, para os não sócios é outro; com almoço incluído. Hoje, é dos maiores concursos que temos feito aqui na nossa barragem, temos 55 inscritos, sócios temos 20 e o resto é tudo não sócios.”
Com a concentração no local marcada para as 8h30 da manhã, os pescadores sabem através de um sorteio o pesqueiro que lhes é atribuído. No final do dia existe prémio de maior valor para o pescador que conseguir pescar a maior quantidade. Depois de pesado, o peixe é lançado novamente à água.
João Ribeiro é pescador há cerca de 40 anos e refere alguns motivos para a variação da quantidade de peixe existente na zona.
“Eu acho que, não é só no Azibo, é em todo o lado, o peixe tem sido cada vez menos. Portanto isto das mudanças climáticas, poluição, estão em certa medida a por em causa a sobrevivência das espécies.”
Sócio do clube, António Lima, fala-nos da sua experiência como pescador e realça a importância do convívio nestes eventos.
“Já pesco há muito, o ano passado até fui eu que ganhei o interclubes. A pesca é um passatempo. O convívio é muito importante, o almoço, embora toda a gente goste de ganhar, é normal.”
O próximo evento do clube será um concurso de pesca desportiva do achigã e lúcio, dia 11 de novembro, também na Barragem do Azibo.
Escrito por ONDA LIVRE
Um projeto que dinamiza a cidade e traz cada vez mais participantes que têm o gosto pelo desporto da pesca aliado às vindimas.António Oliveira, Presidente do Clube Caça e Pesca de Macedo de Cavaleiros conta-nos um pouco mais acerca das regras e objetivos da pescaria.
“Sim, este concurso é feito para os sócios e não sócios. No caso de hoje temos pescadores dos Ferroviários de Campanhã do Porto, de Parada de Baltar também temos muita gente, de Alijó, de Vila Real, Sabrosa, Mirandela, Bragança e os nossos sócios de Macedo. Portanto as pessoas que queiram participar neste concurso podem participar à vontade. Só o preço é que é diferente. Para os sócios é um preço, para os não sócios é outro; com almoço incluído. Hoje, é dos maiores concursos que temos feito aqui na nossa barragem, temos 55 inscritos, sócios temos 20 e o resto é tudo não sócios.”
Com a concentração no local marcada para as 8h30 da manhã, os pescadores sabem através de um sorteio o pesqueiro que lhes é atribuído. No final do dia existe prémio de maior valor para o pescador que conseguir pescar a maior quantidade. Depois de pesado, o peixe é lançado novamente à água.
João Ribeiro é pescador há cerca de 40 anos e refere alguns motivos para a variação da quantidade de peixe existente na zona.
“Eu acho que, não é só no Azibo, é em todo o lado, o peixe tem sido cada vez menos. Portanto isto das mudanças climáticas, poluição, estão em certa medida a por em causa a sobrevivência das espécies.”
Sócio do clube, António Lima, fala-nos da sua experiência como pescador e realça a importância do convívio nestes eventos.
“Já pesco há muito, o ano passado até fui eu que ganhei o interclubes. A pesca é um passatempo. O convívio é muito importante, o almoço, embora toda a gente goste de ganhar, é normal.”
O próximo evento do clube será um concurso de pesca desportiva do achigã e lúcio, dia 11 de novembro, também na Barragem do Azibo.
Escrito por ONDA LIVRE
Autorizados 128,4 ME de indemnizações compensatórias nos transportes
O Governo autorizou hoje 128,4 milhões de euros de indemnizações compensatórias para as empresas de transporte rodoviário, ferroviário e aéreo, e mais 26,2 milhões de euros para três organismos da cultura, segundo um diploma publicado em Diário da República.
Estas dotações estão já contempladas no Orçamento do Estado para este ano, com efeitos a 1 de janeiro último, e destinam-se a compensações às empresas pelo serviço de transporte, incluindo passes sociais e descontos para estudantes.
A Infraestruturas de Portugal, organismo resultante da junção da REFER com a Estradas de Portugal, arrecada a maior fatia de indemnização, superior a 84 milhões de euros, e acima dos 50 milhões de euros atribuídos no ano passado e dos 38,3 milhões destinados em 2015.
Além da Infraestruturas de Portugal, outras oito empresas do setor público vão receber também indemnizações, entre as quais a SATA, a TAP, Soflusa, Transtejo, CP ou Metro do Porto, além das autarquias e de privados, como a AEROVIP.
No setor privado, as transportadoras rodoviárias e ferroviárias recebem dez milhões de euros, para cada um dos segmentos, traduzindo uma quebra face aos 5,1 milhões de euros que só a AeroVip recebeu em 2015 no âmbito do contrato de concessão para assegurar durante três anos os serviços aéreos regionais de Bragança, Vila Real, Viseu, Cascais e Portimão, além da ligação por avião entre Funchal e Porto Santo.
Da lista de indemnizações, destaca-se ainda uma verba de 3,5 milhões de euros para os municípios, compensando gastos com os passes 4_18, sub23 e Passes Social+.
O diploma hoje publicado destina ainda 26,3 milhões de euros para o setor da cultura, repartidos pela OPART (17,4 milhões), Teatro Nacional São João (4,7 milhões) e Teatro Nacional D. Maria II (4,2 milhões).
VP// ATR
Lusa/fim
Estas dotações estão já contempladas no Orçamento do Estado para este ano, com efeitos a 1 de janeiro último, e destinam-se a compensações às empresas pelo serviço de transporte, incluindo passes sociais e descontos para estudantes.
A Infraestruturas de Portugal, organismo resultante da junção da REFER com a Estradas de Portugal, arrecada a maior fatia de indemnização, superior a 84 milhões de euros, e acima dos 50 milhões de euros atribuídos no ano passado e dos 38,3 milhões destinados em 2015.
Além da Infraestruturas de Portugal, outras oito empresas do setor público vão receber também indemnizações, entre as quais a SATA, a TAP, Soflusa, Transtejo, CP ou Metro do Porto, além das autarquias e de privados, como a AEROVIP.
No setor privado, as transportadoras rodoviárias e ferroviárias recebem dez milhões de euros, para cada um dos segmentos, traduzindo uma quebra face aos 5,1 milhões de euros que só a AeroVip recebeu em 2015 no âmbito do contrato de concessão para assegurar durante três anos os serviços aéreos regionais de Bragança, Vila Real, Viseu, Cascais e Portimão, além da ligação por avião entre Funchal e Porto Santo.
Da lista de indemnizações, destaca-se ainda uma verba de 3,5 milhões de euros para os municípios, compensando gastos com os passes 4_18, sub23 e Passes Social+.
O diploma hoje publicado destina ainda 26,3 milhões de euros para o setor da cultura, repartidos pela OPART (17,4 milhões), Teatro Nacional São João (4,7 milhões) e Teatro Nacional D. Maria II (4,2 milhões).
VP// ATR
Lusa/fim
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Dr. José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo
Literalmente Doutor José Leite de Vasconcelos. Médico pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1886, antigo delegado de saúde e médico municipal do Cadaval, antigo professor do Curso Superior de bibliotecário-arquivista e conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa, lente aposentado da Faculdade de Letras da mesma cidade, sócio de várias associações científicas e literárias nacionais e estrangeiras, fundador e antigo director do Museu Etnológico Português, profundo filólogo, etnólogo e arqueólogo e um dos maiores polígrafos e eruditos contemporâneos.
Nasceu em Ucanha, concelho de Mondim da Beira, a 7 de Julho de 1858; filho de José Leite Pereira de Melo Cardoso e Vasconcelos e de D. Maria Henriqueta Leite de Vasconcelos Pereira de Melo, ambos de nobre estirpe.
É enorme a bibliografia deste erudito e profundo escritor, que os curiosos poderão ver no Dicionário Bibliográfico, tomo XIII, e em outras publicações da especialidade. Com referência ao distrito de Bragança, além de vários artigos em publicações esparsas, tem escrito:
O dialecto mirandês. Porto, Livraria Portuense, Editora, 1882. 8.º gr. de 40 págs. Esta obra obteve prémio no concurso filológico da Sociedade das Línguas Românicas de França em 1883 e foi favoravelmente apreciada pelo doutor Hugo Schuchardt in Literaturblat für Germ. und Roman Philologie, 1883, págs. 108 a 112; por E. Teza, in Recensioni, etc., págs. 182 e 183, e por G. Titré in Arch. per le Trad. prop., etc.; in Boletín de la institución libre de enseñanza de Madrid, VII, págs. 108 e 109 e in Revue des langues romanes, XXIV, págs. 17 a 19 (932).
Línguas raianas de Trás-os-Montes – Sucintas notas filológicas. I – Notícia das línguas de Riodonor e Guadramil. II – Observações sobre o dialecto sendinês. Porto, Tip. de A. J. da Silva Teixeira, 1886. 8.º de 15 págs.
Flores mirandesas. Porto, 1884. Livraria Portuense de Clavel & C.ª 8.º de 40 págs., compreendendo poesias em mirandês e notas glotológicas. Traz em mirandês a versão das oitavas XX e XXI do canto III dos Lusíadas. Com vista aos camonianos, pois esta menção não se encontra no Dicionário Bibliográfico.
Estudos de filologia mirandesa. Lisboa, Imp. Nacional, 1900. Dois vols. in-8.º gr. de XIX-488-344 págs., com duas cartas geográficas e, no frontispício de cada um, uma gravura comemorativa do quarto centenário do descobrimento da Índia.
![]() |
| Foto do Dr. Leite Vasconcelos, de barbas, nos anos 35-36 do Séc. XX, em Barrancos José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo ... |
Silva mirandesa (Separata da Revista Lusitana, vol. VII). Porto, Tip. de A. F. Vasconcelos, Suc., 1903. 8.º gr. de 23 págs. Contém notas filológicas, biográficas, etnográficas, canções e contos populares e uma notícia da área em que se fala o mirandês.
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
Dia Europeu das Línguas
O Dia Europeu das Línguas foi estabelecido pela Comissão Europeia e pelo Conselho da Europa, representando este último 800 milhões de europeus de 47 países. A iniciativa conta com a participação de diversos institutos culturais e linguísticos, associações, universidades e, em especial, escolas.
O Dia Europeu das Línguas foi criado em 2001 e, é comemorado anualmente, a 26 de setembro.
Este dia, celebra a diversidade linguística de um continente que conta com:
- mais de 200 línguas europeias
- 24 línguas oficiais da UE
- cerca de 60 línguas regionais/minoritárias
- muitas outras línguas que são faladas por pessoas oriundas de outras partes do mundo
Este dia é uma oportunidade para:
- sensibilizar o público para a grande variedade de línguas existentes na Europa
- promover a diversidade cultural e linguística
- incentivar pessoas de todas as idades a aprender línguas – conhecer várias línguas facilita os contactos interpessoais e a procura de emprego e contribui para o crescimento das empresas
O Município de Miranda do Douro comemora este ano pela primeira vez o dia e vai fazê-lo com a distribuição de material promocional acerca do tema no Posto de Turismo local.
O Dia Europeu das Línguas foi criado em 2001 e, é comemorado anualmente, a 26 de setembro.
Este dia, celebra a diversidade linguística de um continente que conta com:
- mais de 200 línguas europeias
- 24 línguas oficiais da UE
- cerca de 60 línguas regionais/minoritárias
- muitas outras línguas que são faladas por pessoas oriundas de outras partes do mundo
Este dia é uma oportunidade para:
- sensibilizar o público para a grande variedade de línguas existentes na Europa
- promover a diversidade cultural e linguística
- incentivar pessoas de todas as idades a aprender línguas – conhecer várias línguas facilita os contactos interpessoais e a procura de emprego e contribui para o crescimento das empresas
O Município de Miranda do Douro comemora este ano pela primeira vez o dia e vai fazê-lo com a distribuição de material promocional acerca do tema no Posto de Turismo local.
Aviso de Inscrições para o Ano Letivo 2017/2018 da USMMD.
O Município de Miranda do Douro informa que está a decorrer o período de inscrições para o ano letivo 2017/2018 da Universidade Sénior do Município de Miranda do Douro.
As inscrições são feitas no Balcão Único da Câmara Municipal, durante os meses de setembro e outubro.
O início das atividades letivas está agendado para o dia 09 de outubro de 2017, conforme o horário.
As inscrições são feitas no Balcão Único da Câmara Municipal, durante os meses de setembro e outubro.
O início das atividades letivas está agendado para o dia 09 de outubro de 2017, conforme o horário.
Concurso “Nome e Logomarca CRO da AMTQT”
A Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana abre concurso, no próximo dia 18 de setembro de 2017, para batizar e atribuir uma nova imagem ao Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia Intermunicipal da Terra Quente Transmontana (comumente conhecido por Canil Intermunicipal).
O concurso decorre de 18 de setembro a 31 de outubro de 2017 e aceita propostas concorrentes dos munícipes e dos alunos dos ensinos secundário e superior de estabelecimentos de ensino da Terra Quente Transmontana (Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor)
Com a aprovação da Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto, e a portaria que a regulamenta, Portaria n.º 146/2017, de 26 de abril, os Centros de Recolha Oficial (CRO) veem-se comprometidos com três objetivos que alteram significativamente a sua dinâmica de funcionamento:
i. a obrigatoriedade de esterilização de todos os animais adotáveis (a partir de setembro de 2017);
ii. a realização dos programas CED para os felídeos domésticos (a partir de setembro de 2017);
iii. a proibição do abate (a partir de setembro de 2018).
De forma a antecipar os efeitos das novas obrigações legais, o CRO da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana (AMTQT) tem instituída uma política de abate zero, desde 07 de fevereiro de 2017. Desde então, procurou aumentar o número de adoções como medida de controlo populacional (com sucesso).
Perante a mudança de paradigma de funcionamento do CRO da AMTQT, a necessidade de substituir uma imagem, notoriamente, negativa e conotada ao “Canil Intermunicipal”, e premência numa maior ligação efetiva e afetiva à comunidade, justifica-se o batizar deste Centro de Recolha Oficial e a criação de uma logomarca, de forma a marcar esse ponto de viragem no modus operandi do CRO da AMTQT, envolvendo a comunidade nesse processo.
Um nome e uma logomarca que permitirão combater estereótipos, preconceitos e mitos há muito veiculados e, atualmente, infundados, aproximando a população e o CRO da AMTQT, potenciando adoções e promovendo o atingir dos objetivos do CRO, da AMTQT e dos municípios associados.
Qualquer informação adicional poderá ser obtida junto da AMTQT, através do contacto telefónico 278201430 ou via e-mail geral.amtqt@amtqt.pt
Leia os Estatutos da AMTQT AQUI.
Leia o Regulamento do CRO AQUI.
Leia o Regulamento do Concurso AQUI.
O concurso decorre de 18 de setembro a 31 de outubro de 2017 e aceita propostas concorrentes dos munícipes e dos alunos dos ensinos secundário e superior de estabelecimentos de ensino da Terra Quente Transmontana (Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor)
Com a aprovação da Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto, e a portaria que a regulamenta, Portaria n.º 146/2017, de 26 de abril, os Centros de Recolha Oficial (CRO) veem-se comprometidos com três objetivos que alteram significativamente a sua dinâmica de funcionamento:
i. a obrigatoriedade de esterilização de todos os animais adotáveis (a partir de setembro de 2017);
ii. a realização dos programas CED para os felídeos domésticos (a partir de setembro de 2017);
iii. a proibição do abate (a partir de setembro de 2018).
De forma a antecipar os efeitos das novas obrigações legais, o CRO da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana (AMTQT) tem instituída uma política de abate zero, desde 07 de fevereiro de 2017. Desde então, procurou aumentar o número de adoções como medida de controlo populacional (com sucesso).
Perante a mudança de paradigma de funcionamento do CRO da AMTQT, a necessidade de substituir uma imagem, notoriamente, negativa e conotada ao “Canil Intermunicipal”, e premência numa maior ligação efetiva e afetiva à comunidade, justifica-se o batizar deste Centro de Recolha Oficial e a criação de uma logomarca, de forma a marcar esse ponto de viragem no modus operandi do CRO da AMTQT, envolvendo a comunidade nesse processo.
Um nome e uma logomarca que permitirão combater estereótipos, preconceitos e mitos há muito veiculados e, atualmente, infundados, aproximando a população e o CRO da AMTQT, potenciando adoções e promovendo o atingir dos objetivos do CRO, da AMTQT e dos municípios associados.
Qualquer informação adicional poderá ser obtida junto da AMTQT, através do contacto telefónico 278201430 ou via e-mail geral.amtqt@amtqt.pt
Leia os Estatutos da AMTQT AQUI.
Leia o Regulamento do CRO AQUI.
Leia o Regulamento do Concurso AQUI.
Novo monumento vai permitir presença da imagem de São Francisco durante todo ano
O Bairro de São Francisco em Macedo de Cavaleiros conta agora com um novo monumento em homenagem ao Santo padroeiro.
Trata-se de uma capela, embora de pequenas dimensões, que vai, a partir de agora, permitir a presença da imagem de São Francisco que antes estava na igreja de Macedo de Cavaleiros.
A ideia partiu da comissão de festas que há uma ano para cá angaria fundos para a construção da capela, com várias atividades que contaram com a ajuda de todos, refere Elisabete Costa, da comissão de festas.
“Sim foi desde início a nossa ideia fazer um monumento dedicado ao São Francisco e fizemos um nicho religioso. Ficou muito bem, estamos muito orgulhosos com o resultado final.
Fizemos várias atividades. Tínhamos o monumento para fazer, também queríamos fazer o arraial mas o monumento dedicou muito do nosso esforço e fizemos o magusto, baile de Natal, Passagem de Ano e vários eventos ao longo do ano.
Aqui no bairro todos gostavam de ter um monumento para o nosso São Francisco, aqui nós somos muito bairristas e gostamos. Os moradores foram cooperativos até ao fim e o nosso objetivo foi cumprido e estamos felizes.”
Os moradores não escondem a felicidade por terem agora a imagem de São Francisco presente no bairro o que dizem que há muito era desejado por todos.
Estamos muito contentes, era algo que a gente não contava e realmente estes jovens propuseram-se e fizeram.
É muito de louvar o trabalho deles sem grandes ajudas.
Agora vamos poder rezar com o Santo presente todos os anos e todos os dias.
Ultimamente não tem deixado celebrar a Eucaristia aqui mas este ano deixaram. Acho que correu muito bem e deve continuar. Muito bem, muito bonito, parabéns aos mordomos, está tudo muito bem. Contribui como pude.
Eduardo Novo, Pácoro da Unidade Pastoral de Macedo de Cavaleiros, vê nesta nova capela um ato de fé e também uma forma de inspiração para todos.
“Indubitavelmente é uma manifestação pública da fé, esta construção do nicho manifesta a interioridade das pessoas, neste caso concreto os habitantes deste bairro e desta cidade. E esta construção manifesta, de facto, a beleza daquilo que cada um deles busca dentro de si, expressa naquilo que é o contributo numa manifestação da arte e simultaneamente é um pedido de inspiração e de vivência cristã neste aprofundamento da fé. É o exemplo de São Francisco de Assis. Ser também o compromisso que cada um ao passar por aqui sentir que se sente instrumento de paz. E ser esta manifestação de que vale a pena viver, de que vale a pena estar em Macedo de Cavaleiros, que vale também ser uma forma pública da nossa fé.”
A nova capela que recebe agora a imagem de São Francisco foi inaugurada e benzida ontem durante a eucaristia, inserida nas comemorações das festas do Bairro São Francisco em Macedo de Cavaleiros.
Escrito por ONDA LIVRE
Trata-se de uma capela, embora de pequenas dimensões, que vai, a partir de agora, permitir a presença da imagem de São Francisco que antes estava na igreja de Macedo de Cavaleiros.
A ideia partiu da comissão de festas que há uma ano para cá angaria fundos para a construção da capela, com várias atividades que contaram com a ajuda de todos, refere Elisabete Costa, da comissão de festas.
“Sim foi desde início a nossa ideia fazer um monumento dedicado ao São Francisco e fizemos um nicho religioso. Ficou muito bem, estamos muito orgulhosos com o resultado final.
Fizemos várias atividades. Tínhamos o monumento para fazer, também queríamos fazer o arraial mas o monumento dedicou muito do nosso esforço e fizemos o magusto, baile de Natal, Passagem de Ano e vários eventos ao longo do ano.
Aqui no bairro todos gostavam de ter um monumento para o nosso São Francisco, aqui nós somos muito bairristas e gostamos. Os moradores foram cooperativos até ao fim e o nosso objetivo foi cumprido e estamos felizes.”
Os moradores não escondem a felicidade por terem agora a imagem de São Francisco presente no bairro o que dizem que há muito era desejado por todos.
Estamos muito contentes, era algo que a gente não contava e realmente estes jovens propuseram-se e fizeram.
É muito de louvar o trabalho deles sem grandes ajudas.
Agora vamos poder rezar com o Santo presente todos os anos e todos os dias.
Ultimamente não tem deixado celebrar a Eucaristia aqui mas este ano deixaram. Acho que correu muito bem e deve continuar. Muito bem, muito bonito, parabéns aos mordomos, está tudo muito bem. Contribui como pude.
Eduardo Novo, Pácoro da Unidade Pastoral de Macedo de Cavaleiros, vê nesta nova capela um ato de fé e também uma forma de inspiração para todos.
“Indubitavelmente é uma manifestação pública da fé, esta construção do nicho manifesta a interioridade das pessoas, neste caso concreto os habitantes deste bairro e desta cidade. E esta construção manifesta, de facto, a beleza daquilo que cada um deles busca dentro de si, expressa naquilo que é o contributo numa manifestação da arte e simultaneamente é um pedido de inspiração e de vivência cristã neste aprofundamento da fé. É o exemplo de São Francisco de Assis. Ser também o compromisso que cada um ao passar por aqui sentir que se sente instrumento de paz. E ser esta manifestação de que vale a pena viver, de que vale a pena estar em Macedo de Cavaleiros, que vale também ser uma forma pública da nossa fé.”
A nova capela que recebe agora a imagem de São Francisco foi inaugurada e benzida ontem durante a eucaristia, inserida nas comemorações das festas do Bairro São Francisco em Macedo de Cavaleiros.
Escrito por ONDA LIVRE
Cal nas Memórias Arqueológico-Históricas
Fabrica-se em Rebordãos e S. Pedro dos Sarracenos, concelho de Bragança, Dine, concelho de Vinhais, e no Vimioso, e ainda há poucos anos se fabricou em Aveleda e Rabal, concelho de Bragança; porém, as melhores pedreiras de cal, exploradas desde tempo imemorial e com maior aceitação dos seus produtos, são as de Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros, e Cova de Lua, concelho de Bragança, que exporta mesmo para as povoações fronteiriças de Espanha.
A 29 de Novembro de 1714 foram os moradores de Salselas escusos de certa contribuição para a Câmara de Bragança por estarem obrigados «á facção da cal para as fortificações da villa de Chaves».
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
Sabão nas Memórias Arqueológico-Históricas
Na nossa monografia, falando da igreja pertencente ao extinto convento franciscano de Moncorvo, escrevemos: «Extintas as ordens religiosas e profanada a igreja do convento, estabeleceu-se nela uma saboaria dirigida por José Henriques Pinheiro, natural de Moncorvo, benemérito iniciador dos estudos arqueológicos em Bragança, em cujo liceu foi professor de francês, indo morrer a 7 de Outubro de 1904 na cidade do Porto, depois de aposentado.
A tradição desta indústria fabril em Moncorvo é antiga e, pelos anos de 1706, a fábrica do sabão mole, que nesta vila se obrava, dava provimento a muitos lugares desta província, à cidade do Porto, à província do Minho e cidade de Lamego.
Suponho que Pinheiro estivesse à frente desta exploração pelos anos de 1857 a 1863, data que mediou entre a conclusão do seu curso e o ingresso no magistério secundário no liceu de Guimarães, de onde depois foi transferido para o de Bragança.
O génio empreendedor de Pinheiro levou-o a montar nesta cidade uma fábrica de macarrão que cultivou enquanto aqui viveu, e pelos anos de 1884 uma outra de sabão que em 1888 vemos mencionada entre as treze que concorreram à exposição da Avenida, com a produção anual de seiscentos quilos ao preço de 140 réis por cada um».
Com a saída de Pinheiro, acabaram em Bragança as duas indústrias por ele fundadas.
Em intervalos mais ou menos longos tem-se fabricado sempre sabão em Moncorvo, e em 1911 fundou José Barrega em Carviçais, do mesmo concelho, a Fábrica Estrela para exploração dessa indústria, que nada produziu devido à falta de tino administrativo.Mais feliz promete ser a Fábrica Carviçaense, que lhe sucedeu, fundada na mesma localidade no ano seguinte por Raul de Carvalho, natural de Lisboa.
Preço do quilo, 140 réis; por arroba (quinze quilos), 2$250 réis. O sabão é de boa qualidade e tem muita procura. Emprega duas pessoas no fabrico e várias por fora.
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
Amêndoas cobertas de Moncorvo nas Memórias Arqueológico-Históricas
Em todas as cidades e vilas do distrito de Bragança, é explorada para consumo local a amêndoa coberta; porém, a especialidade desta indústria em Moncorvo, já desde tempos antigos, que não podemos fixar, com larga exportação para as nossas províncias de Trás-os-Montes, Beiras, Douro e até para a África e Brasil, merece resenha particular.
Actualmente ocupa em média duas ou três mulheres, e dezoito ou vinte no Verão, período das festas religiosas em que há maior consumo.
Fabricam-se em média anual duzentas arrobas (três mil quilos). O quilo da amêndoa grande, quer branca, quer com canela ou outras substâncias aromáticas, custa 600 réis, e 500 réis sendo da pequena.
A amêndoa é primeiramente escaldada, depois descascada e em seguida torrada no forno em latas apropriadas. Finda esta operação, coloca-se em bacias redondas de cobre assentes em grandes alguidares de barro cheios de rescaldo.
É aqui onde pouco a pouco, sempre remexida cuidadosamente pela mulher chamada cobrideira, recebe o açúcar em ponto, lançado em intervalos às colheres de sopa.
A cobrideira ganha por dia 120 a 140 réis, e pode gastar quatro quilos de açúcar diariamente.
Ainda há poucos anos exploravam em larga escala esta indústria em Moncorvo capitalistas como António de Oliveira e outros da mesma vila.
Ao ilustrado abade de Carviçais, José Augusto Tavares, por várias vezes memorado nestas páginas, aqui renovamos o nosso reconhecimento pelos elementos que nos forneceu relativos a esta indústria e à do sabão.
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
domingo, 24 de setembro de 2017
Estradas estão abertas mas fogo continua ativo (atualização)
O incêndio que lavra desde as 12h30 no concelho de Macedo de Cavaleiros e que teve origem na aldeia de Castelãos, ainda continua ativo.
Durante a tarde, o fogo alastrou aos termos de outras localidades, nomeadamente Olmos, percorreu toda a berma da estrada até ao Santuário de Santo Ambrósio, que não foi atingido pelas chamas, e seguiu até à área da aldeia de Limãos onde ao final da tarde, segundo aos autoridades competentes, constituía a única frente ativa.
De recordar que este incêndio chegou a ter duas frentes e a cortar estradas, nomeadamente a nacional 216 que dá acesso aos Olmos.
Segundo informações do Comando de Operações de Socorro instalado no local, ainda estão 139 homens a combater as chamas, apoiados por 49 viaturas. Os meios aéreos foram desmobilizados ao final da tarde, altura em que a visibilidade já era reduzida, impedindo-os assim de voar.
Ao que apuramos junto da Proteção Civil, o fogo ainda chegou a consumir parte do Campo de Tiro, situado no termo de Olmos, não havendo no entanto mais informações sobre o estado da estrutura.
Neste momento todas as estradas estão abertas à circulação.
Durante a tarde, o fogo alastrou aos termos de outras localidades, nomeadamente Olmos, percorreu toda a berma da estrada até ao Santuário de Santo Ambrósio, que não foi atingido pelas chamas, e seguiu até à área da aldeia de Limãos onde ao final da tarde, segundo aos autoridades competentes, constituía a única frente ativa.
De recordar que este incêndio chegou a ter duas frentes e a cortar estradas, nomeadamente a nacional 216 que dá acesso aos Olmos.
Segundo informações do Comando de Operações de Socorro instalado no local, ainda estão 139 homens a combater as chamas, apoiados por 49 viaturas. Os meios aéreos foram desmobilizados ao final da tarde, altura em que a visibilidade já era reduzida, impedindo-os assim de voar.
Ao que apuramos junto da Proteção Civil, o fogo ainda chegou a consumir parte do Campo de Tiro, situado no termo de Olmos, não havendo no entanto mais informações sobre o estado da estrutura.
Neste momento todas as estradas estão abertas à circulação.
COLHEITA DE CAFÉ - Estado de São Paulo -Brasil
Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Lembro cafezais em flor; flores brancas,
Que perfumavam os campos mogianos,
Colhendo o “mundo novo, o conilon e o burbom”
Do cheiro do café de coador, feito de panos,
Dos campos, dos animais e das flores,
E aquela luz num céu azul de néon... .
Faziam parte de minha vida de menino pobre,
Lembro-me da chuva, do rio e dos pássaros.
Não pude ver o mar; ao menos antes dos quatorze !
Só via mulheres com dor- d’olhos, cobertas de trapos,
Sempre grávidas; sempre sorrindo com quatro dentes,
Com suas canelas finas e feridentas; desde o seu nascimento.
Lembro a saparia do brejo e os silvos das cobras noctâmbulas,
Caçando e sendo caçadas, no esforço de se manterem vivas.
Lembro mugidos das vacas parideiras, voltando ao curral,
Remastigando o capim, que se faz leite sem igual.
Lembro os ipês, da infância da minha vida,
Lembrando, todo ano, que de setembro a outubro,
Já é hora de preparar a terra e de plantar.
Vi muita gente ir para o trabalho, quando ainda era noite,
Homens de faces enrugadas; filhos sonolentos,
Trabalhando o cafezal ou na sua plantação de subsistência,
Mocinhas de doze anos, meninos de oito, velhos de quarenta.
Vi muitas flores, plantações, árvores, rios,
Lembro pintassilgos, canários sabiás e seus cantares,
Só não via o mar; porque dele só sabia da existência!
Caipiras como eu, esperançosos, apegando-se a Deus e aos santos,
Esperando por vida melhor, assim como o filho, pai, o avô, o bisavô,... .
Caipiras que exibem suas mazelas, mas que esperam, com as suas,
Bocas desdentadas, cicatrizes nos braços e nos rostos,
Encardidos da terra roxa, queimados do sol mogiano,
Uma brisa da Providência em seu favor... .
Observando o capim gordura, formando ondas ao vento,
Com suas flores violáceas ao cair da tarde modorrenta
-Será que um dia ressurgirão num céu azul, vestidos de estrelas?
Já não tenho pernas; minhas mãos tremem,
Meus olhos fraquejam, meu coração sempre a palpitar,
Talvez vocês não saibam a razão do meu cismar:
-Vim da terra roxa e do cafezal paulista,
Da terra de aluvião vulcânica e massapé,
Onde o café se estendia a perder de vista,
A mim parece gravura, à vista de uma janela,
Vim donde existem almas penadas, matas e suçuaranas,
Vivo longe da minha terra, mas estou impregnado dela;
Ante esse quadro, não resisto ao fato:
-Que sou eu, sertão, senão seu retrato?
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 9 livros, sendo 4 “solos” e cinco em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Lembro cafezais em flor; flores brancas,
Que perfumavam os campos mogianos,
Colhendo o “mundo novo, o conilon e o burbom”
Do cheiro do café de coador, feito de panos,
Dos campos, dos animais e das flores,
E aquela luz num céu azul de néon... .
Faziam parte de minha vida de menino pobre,
Lembro-me da chuva, do rio e dos pássaros.
Não pude ver o mar; ao menos antes dos quatorze !
Só via mulheres com dor- d’olhos, cobertas de trapos,
Sempre grávidas; sempre sorrindo com quatro dentes,
Com suas canelas finas e feridentas; desde o seu nascimento.
Lembro a saparia do brejo e os silvos das cobras noctâmbulas,
Caçando e sendo caçadas, no esforço de se manterem vivas.
Lembro mugidos das vacas parideiras, voltando ao curral,
Remastigando o capim, que se faz leite sem igual.
Lembro os ipês, da infância da minha vida,
Lembrando, todo ano, que de setembro a outubro,
Já é hora de preparar a terra e de plantar.
Vi muita gente ir para o trabalho, quando ainda era noite,
Homens de faces enrugadas; filhos sonolentos,
Trabalhando o cafezal ou na sua plantação de subsistência,
Mocinhas de doze anos, meninos de oito, velhos de quarenta.
Vi muitas flores, plantações, árvores, rios,
Lembro pintassilgos, canários sabiás e seus cantares,
Só não via o mar; porque dele só sabia da existência!
Caipiras como eu, esperançosos, apegando-se a Deus e aos santos,
Esperando por vida melhor, assim como o filho, pai, o avô, o bisavô,... .
Caipiras que exibem suas mazelas, mas que esperam, com as suas,
Bocas desdentadas, cicatrizes nos braços e nos rostos,
Encardidos da terra roxa, queimados do sol mogiano,
Uma brisa da Providência em seu favor... .
Observando o capim gordura, formando ondas ao vento,
Com suas flores violáceas ao cair da tarde modorrenta
-Será que um dia ressurgirão num céu azul, vestidos de estrelas?
Já não tenho pernas; minhas mãos tremem,
Meus olhos fraquejam, meu coração sempre a palpitar,
Talvez vocês não saibam a razão do meu cismar:
-Vim da terra roxa e do cafezal paulista,
Da terra de aluvião vulcânica e massapé,
Onde o café se estendia a perder de vista,
A mim parece gravura, à vista de uma janela,
Vim donde existem almas penadas, matas e suçuaranas,
Vivo longe da minha terra, mas estou impregnado dela;
Ante esse quadro, não resisto ao fato:
-Que sou eu, sertão, senão seu retrato?
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 9 livros, sendo 4 “solos” e cinco em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
Incêndio ativo em Bragança, em conclusão em Vila Real. Vento vai diminuir
Há um incêndio de dimensão considerável ativo, este domingo, em Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança. Proteção Civil refere que temperaturas vão manter-se mas intensidade do vento vai diminuir.
Arde em duas frentes, um incêndio em Macedo de Cavaleiros (nas localidades de Castelãos e Vilar do Monte), distrito de Bragança. O fogo teve início às 12h29 deste domingo e, de acordo com declarações da Proteção Civil ao Notícias ao Minuto, os “trabalhos de combate decorrem favoravelmente”.
Não há pontos críticos ao nível de perigo para populações, uma vez que arde em zona de mato. No local estão 102 operacionais apoiados por 30 veículos e quatro meios aéreos.
Na tarde de sábado iniciou-se um incêndio em Vila Real, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, que tinha uma frente ativa devido a um reacendimento e que ardia com alguma intensidade, mas que, nesta altura, já está em resolução. Esteve perto da aldeia de Alfarela de Jales mas não houve necessidade de evacuação. Estão no local 110 operacionais apoiados por 26 veículos e quatro meios aéreos.
O incêndio que mobilizou cerca de 400 operacionais este sábado em Mação foi dominado na madrugada de domingo. De acordo com fonte da Proteção Civil, o perímetro ficou controlado, estando neste momento a ser feitos trabalhos de consolidação e rescaldo. No local, permanecem 337 operacionais apoiados por 101 veículos.
A Proteção Civil esclarece, ainda, que as temperaturas vão-se manter entre hoje e amanhã, segunda-feira, mas que a intensidade do vento irá registar uma diminuição, com aumento da humidade à noite.
Anabela Dantas
Notícias ao Minuto
Arde em duas frentes, um incêndio em Macedo de Cavaleiros (nas localidades de Castelãos e Vilar do Monte), distrito de Bragança. O fogo teve início às 12h29 deste domingo e, de acordo com declarações da Proteção Civil ao Notícias ao Minuto, os “trabalhos de combate decorrem favoravelmente”.
Não há pontos críticos ao nível de perigo para populações, uma vez que arde em zona de mato. No local estão 102 operacionais apoiados por 30 veículos e quatro meios aéreos.
Na tarde de sábado iniciou-se um incêndio em Vila Real, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, que tinha uma frente ativa devido a um reacendimento e que ardia com alguma intensidade, mas que, nesta altura, já está em resolução. Esteve perto da aldeia de Alfarela de Jales mas não houve necessidade de evacuação. Estão no local 110 operacionais apoiados por 26 veículos e quatro meios aéreos.
O incêndio que mobilizou cerca de 400 operacionais este sábado em Mação foi dominado na madrugada de domingo. De acordo com fonte da Proteção Civil, o perímetro ficou controlado, estando neste momento a ser feitos trabalhos de consolidação e rescaldo. No local, permanecem 337 operacionais apoiados por 101 veículos.
A Proteção Civil esclarece, ainda, que as temperaturas vão-se manter entre hoje e amanhã, segunda-feira, mas que a intensidade do vento irá registar uma diminuição, com aumento da humidade à noite.
Anabela Dantas
Notícias ao Minuto
Desafio do ministro encontrou eco nas instituições
Manuel Heitor pediu às universidades e politécnicos alternativas de recepção aos caloiros. Cultura e ciências foram as principais opções.
No arranque do novo ano lectivo, o ministro da Ciência e Ensino Superior tinha pedido às instituições que “dessem a volta à praxe”, encontrando alternativas. Numa carta enviada às universidades e politécnicos, e em várias intervenções públicas, Manuel Heitor apontou a cultura e a ciência como áreas prioritárias. A resposta foi positiva, com a generalidade das instituições a criarem este ano — ou a reforçarem — programas de acolhimento. O ministério tem-se empenhado em promover muitos deles.
Na próxima semana, a Universidade do Minho organiza o Festival de Outono, com programação reforçada face aos anos anteriores, incluindo música, teatro ou cinema. Os espectáculos tanto incluem projectos nascidos nos cursos artísticos da instituição, como artistas consagrados como Dead Combo (sexta-feira, 29) e Legendary Tiger Man, no dia seguinte.
O programa alternativo à praxe vai levar, por exemplo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa a fazer concertos em várias cidades do país com instituições de ensino superior, como o Porto, na próxima terça-feira, e Guimarães, no dia seguinte, e em Outubro em Setúbal (dia 19), Vila Real (25) e Bragança (26).
Criada pela Direcção-Geral do Ensino Superior, a plataforma www.exarp.pt serve para divulgar actividades de música, desporto, cultura científica, responsabilidade social que têm como objectivo ajudar a integrar os novos alunos. As iniciativas com o selo exarp — “praxe” escrita ao contrário — arrancaram este mês. No próximo (dia 11), o Politécnico do Porto organiza um concerto no Teatro Rivoli, que está a ser preparado por Manuel Cruz, o antigo líder dos Ornatos Violeta, envolvendo várias bandas emergentes da cidade.
Mas não foi só a cultura a merecer atenção das universidades e politécnicos. Programas de formação ou visitas a laboratórios científicos foram também propostas das instituições. O Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Botânica, vão dinamizar o projecto Botânica — Arte na Natureza para colocar os estudantes em contacto com a disciplina durante o próximo mês.
No ano lectivo passado, Heitor já tinha criticado a praxe, numa carta a todas as instituições de ensino. Defendia que não deveria ser dado nenhum tipo de reconhecimento às comissões que a organizam. Nesse ano, a tutela recebeu nove queixas de actos violentos ou coercivos em praxes académicas.
Samuel Silva
Jornal Público
No arranque do novo ano lectivo, o ministro da Ciência e Ensino Superior tinha pedido às instituições que “dessem a volta à praxe”, encontrando alternativas. Numa carta enviada às universidades e politécnicos, e em várias intervenções públicas, Manuel Heitor apontou a cultura e a ciência como áreas prioritárias. A resposta foi positiva, com a generalidade das instituições a criarem este ano — ou a reforçarem — programas de acolhimento. O ministério tem-se empenhado em promover muitos deles.
Na próxima semana, a Universidade do Minho organiza o Festival de Outono, com programação reforçada face aos anos anteriores, incluindo música, teatro ou cinema. Os espectáculos tanto incluem projectos nascidos nos cursos artísticos da instituição, como artistas consagrados como Dead Combo (sexta-feira, 29) e Legendary Tiger Man, no dia seguinte.
O programa alternativo à praxe vai levar, por exemplo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa a fazer concertos em várias cidades do país com instituições de ensino superior, como o Porto, na próxima terça-feira, e Guimarães, no dia seguinte, e em Outubro em Setúbal (dia 19), Vila Real (25) e Bragança (26).
Criada pela Direcção-Geral do Ensino Superior, a plataforma www.exarp.pt serve para divulgar actividades de música, desporto, cultura científica, responsabilidade social que têm como objectivo ajudar a integrar os novos alunos. As iniciativas com o selo exarp — “praxe” escrita ao contrário — arrancaram este mês. No próximo (dia 11), o Politécnico do Porto organiza um concerto no Teatro Rivoli, que está a ser preparado por Manuel Cruz, o antigo líder dos Ornatos Violeta, envolvendo várias bandas emergentes da cidade.
Mas não foi só a cultura a merecer atenção das universidades e politécnicos. Programas de formação ou visitas a laboratórios científicos foram também propostas das instituições. O Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Botânica, vão dinamizar o projecto Botânica — Arte na Natureza para colocar os estudantes em contacto com a disciplina durante o próximo mês.
No ano lectivo passado, Heitor já tinha criticado a praxe, numa carta a todas as instituições de ensino. Defendia que não deveria ser dado nenhum tipo de reconhecimento às comissões que a organizam. Nesse ano, a tutela recebeu nove queixas de actos violentos ou coercivos em praxes académicas.
Samuel Silva
Jornal Público
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















