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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 29 de outubro de 2022

APESAR DA QUEBRA DE PRODUÇÃO A CASTANHA VOLTA A SER RAINHA EM VINHAIS

IPB pela primeira vez no World University Rankings

 O Times Higher Education (THE) é um dos mais prestigiados e exigentes rankings mundiais que coloca, pelo primeiro ano, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) em destaque entre as instituições de ensino superior portuguesas, anunciou aquela instituição de ensino em comunicado.
A edição deste ano deste ranking inclui 1799 instituições de ensino superior de 104 países. No topo desta lista surge a Oxford University, Harvard University, Stanford e MIT.

A avaliação distribuída por áreas disciplinares, incluí o IPB em Ciências da Vida (posição 401.º-500.º global; 2.º nacional), Ciências da Computação (posição 601.º-800.º global; 3.º nacional) e Engenharias (posição 601.º-800.º global; 3.º nacional).

Para este ranking, e para cada área disciplinar, as instituições são também avaliadas com base em 13 indicadores. Alguns dos indicadores que destacam o IPB entre as instituições de ensino superior nacionais são: o número de citações em revistas especializadas (1.º nacional em Ciências da Vida, 2.º nacional em Ciências da Computação e 3.º nacional em Engenharias); as relações empresariais (1.º nacional em Ciências da Vida); e a internacionalização (2.º nacional em Ciências da Vida, Ciências da Computação e Engenharias).

Estes dados são resultado do trabalho dos investigadores do IPB, já reconhecido internacionalmente por diversos rankings, como o divulgado recentemente pela Universidade de Stanford, conhecido como “World’s Top 2% Scientist List” que coloca 8 investigadores do Instituto Politécnico de Bragança no top dos mais citados a nível mundial.

Elétrico 28

 Ti Adérito, mirandês dos quatro costados, tinha por hábito descer à capital, duas ou três vezes por ano. Apanhava um autocarro em Miranda do Douro e lá seguia caminho.
Quem o via, olhava-o com caridade. Vestia-se com roupas para lá de velhas; tinha trejeitos de mendigo; carteira ou porta-moedas nunca se lhe vira; maneiras rudes e parolas; e não se coibia de falar em mirandês, língua em que era fluente.
Chegado a Lisboa, instalava-se na casa de uma irmã para a viagem lhe sair mais económica. Nunca levava uma lembrança aos sobrinhos que tanto adoravam a bola doce mirandesa, ou uma alheira caseira, ou até uma couve do quintal! Nada de nada. Depois de assentar poiso, dava umas voltas pela cidade. Como a irmã vivia lá para os lados da Graça, apanhava o elétrico 28. O percurso começa no Martim Moniz e vai até Campo de Ourique, junto ao cemitério dos Prazeres – não compreendo como é que alguém dá o nome “Prazeres” a um cemitério! Qual é o prazer de morrer? Cá por mim deixo-me estar por estas bandas que das outras não quero saber, por ora. Passa pelas zonas mais emblemáticas de Lisboa, onde os turistas gostam de ir: Igreja dos Anjos, miradouros, Sé, Chiado, Camões, Basílica da Estrela, etc. Quem vive em Lisboa, conhece sobejamente este elétrico. Pasme-se: qualquer visitante estrangeiro desprevenido fica sem a carteira e nunca mais esquece o elétrico. Por mais polícias, à paisana, que circulem no elétrico 28, os manhosos dos carteiristas, contornam a questão. 
O ti Adérito, com a sua triste figura, passava incólume às mãos dos larápios. Quereis saber onde guardava o dinheiro? As moedas iam enroladas num lenço das mãos; e as notas, dentro das meias, presas com um elástico a reforçar. 
As razões, destas viagens a Lisboa, na terra ninguém as conhecia, nem ele fazia alarido delas. Cada um aventava o que melhor lhe parecia, mas longe ficavam da realidade. Estais em pulgas para saber do que se trata, não é verdade?
Pois o ti Adério era proprietário de dois prédios, cada um com cinco andares, vários apartamentos em cada piso e todos arrendados. Vinha ver se estava tudo bem cuidado, as rendas em dia e falar com o gerente do banco – não queria expor-se aos bancos lá da terra, preferia manter o caso em segredo.
Em certa viagem de elétrico, deparou-se com uma rapariga a olhá-lo de forma que ele não compreendia. Olhar fixo, oblíquo e penetrante. Dos lábios vermelhos e carnudos, soltava um sorriso discreto. Mal mostrava os dentes brancos e reluzentes. Meneava, com trejeitos, fartos cabelos lisos e longos, negros como a noite. Por debaixo de uma blusa de rendas - saltavam aos olhos -, um par de roliços seios. A cintura era delgada como a de uma vespa, ancorada em coxas fartas que transpareciam por debaixo de uma saia justa, que batia um pouco acima dos joelhos. As mãos eram esguias e longas, e a tez alva como a neve da serra da Nogueira.
Que figura inquietante! Por que razão estaria a olhá-lo, sendo ele de tão fraca aparência, bem o sabia? Deixou-se estar a ruminar no assunto, sem se mover do lugar onde vinha sentado, junto à janela. O lugar ao lago vagara, saíra um homem na paragem. A mulher, delicadamente, pedira se podia sentar-se. Não disse que sim nem que não. O silêncio foi entendido como consentimento. O ti Adérito permanecia estático e como se nada fora com ele, mas só na aparência, o coração pulava-lhe no peito. – Que quererá o dianho da mulher? – pensava entre dentes – Se calhar é alguma inquilina e eu não me estou a lembrar dela? Mas que diabo se está a passar? É melhor esperar um pouco a ver se ela abre a boca, se não, saio e depois apanho outro. Raios na mulher! Está a pôr-me doido.
Passaram duas paragens e a mulher resolveu meter conversa.
- O senhor não é de cá, pois não?
O ti Adérito estava sem saber se abria a boca, ou pulava borda fora. Sempre fora contido e discreto quanto à sua vida e agora uma estranha a meter conversa, querem lá ver o despropósito?
- Não.
- Logo vi. O senhor veio visitar os seus filhos?
- Não tenho filhos.
- Tem a certeza?
- Absoluta, menina. Nunca casei.
- Veja se conhece quem está nesta fotografia – abrira a carteira para lha mostrar.
O pobre do ti Adérito ficara sem uma gota de sangue, nem respirar era capaz. Reconhecera-se na fotografia, junto a uma jovem, muitos e muitos anos atrás.
- É a minha mãezinha e o senhor Adérito, não é verdade?
- Se a menina diz ser filha desta senhora…
- E sua, também.
- Cruz, credo! Nunca soube de tal. – parecia que ia desmaiar de susto.
- Pois não. Quando a mãezinha soube que estava grávida, foi embora de Lisboa. Tinha vergonha de ser mãe solteira. Mas olhe que nada me faltou. Cuidou de mim com muito amor e carinho. Hoje, sou eu que cuido dela. Estudei, arranjei um bom emprego e vivemos bem. Quer ver a mãezinha? Dou-lhe a morada.
Meneou a cabeça dizendo que sim. As palavras ficaram-lhe coladas ao céu da boca. Por mais que tentasse balbuciar algo, a língua estava enrolada. 
Acertaram a visita. Convinha preparar a mãe para o receber.
No dia e hora combinados, bateu à porta do 3º andar esquerdo, no número 20 da Calçada da Estrela. Comprara roupa e uns sapatos novos para se apresentar condignamente. Nas mãos, levava um ramos de rosas amarelas, ainda se lembrava serem as preferias de Natalina.
A porta abrira-se e ele, assim que bateu com os olhos em Natalina, caiu de joelhos ao chão. Não aguentou tanta emoção. Abraçou a filha e a mãe com o rosto coberto de lágrimas, pediu-lhes perdão por não saber nada delas, que tudo teria sido diferente se soubesse do caso…
- Deixe lá, paizinho. Daqui para a frente tudo pode ser diferente, se o paizinho nos aceitar.
- Amanhã mesmo vou falar ao meu advogado para resolvermos tudo. Quero que sejas reconhecida como minha filha. Que nome te deu tua mãe?
- Deu-me o nome da sua mãe: Eugénia.
- Então vais passar a chamar-te Eugénia de Andrade Correia.
Havia, sobre a mesa da sala, uma toalha alvíssima bordada com umas ramagens de campos de trigo, que o transportou a longuíssimos tempos. Tinha sido um presente que dera a Natalina. Como ela ainda conservava aquela toalha. Não se esquecera dele. 
Eugénia serviu bolo de mármore, acabado de fazer, e chá. Sabia ser o bolo preferido do pai.
 

©Teresa do Amparo Ferreira, 28-10-2022
Natural de Torre de Dona Chama,
Mirandela, Bragança, Portugal.

Alunos de Freixo de Espada à Cinta podem concluir secundário, pela primeira vez, na vila

 Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, deu início a cursos técnico profissionais com 15 alunos que lhes permite concluírem pela primeira vez nesta vila o ensino secundário disse hoje o presidente da câmara.


“Os cursos começaram com 15 alunos oriundos do concelho de Freixo de Espada Cinta, mas são esperados entre 30 a 40 alunos de Cabo Verde e Guiné Bissau. Este é um grande passo em direção a um futuro melhor, uma oportunidade de ouro que deve ser bem aproveitada”, explicou à Lusa, Nuno Ferreira.

O agora polo de Formação Profissional do município de Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, está a funcionar na antiga escola primária n.º 2 que foi remodelada e equipada com as condições necessárias para os alunos.

“Estes alunos de Freixo de Espada já não têm de se deslocar para outros concelhos para concluir os seus estudos secundários. Os alunos que vêm destes dois Países de Língua Oficial Portuguesa [PALOP] ficarão de forma permanente, o que trará outra dinâmica a esta vila”, vincou o autarca socialista.

O ensino técnico-profissional na nesta vila é resultado de uma parceria com o município, ministério da Educação e do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

“São cerca de 50 alunos que diariamente estarão em Freixo de Espada à Cinta que vão a ajudar a incrementar uma nova dinâmica na economia local tanto na hotelaria, restauração e similares”, indicou Nuno Ferreira.

Os cursos lecionados neste polo de ensino são o de Técnico de Turismo e de Técnico de Cozinha/Pastelaria e para breve arrancará o curso de Técnico de Vitivinicultura.

“São cursos que dão equivalência ao grau quatro do ensino e que têm a ver com a realidade económica deste concelho”, frisou Nuno Ferreira.

Para o autarca transmontano, o Ensino Secundário Profissional é hoje uma realidade em Freixo de Espada à Cinta, sendo um compromisso “assumido e cumprido pelo Executivo autárquico que continuará a trabalhar em prol das crianças e jovens do concelho, defendendo e lutando pelos seus interesses e pelo direito de todos à educação”, disse.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Recomeçar

Por: Maria dos Reis Gomes
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

Hoje quero celebrar essas mulheres silenciosas, sem voz, só presentes quando se mostra um Portugal de miséria, e não deixar que as traições da memória ve­nham dizer: “nesse tempo é que era bom”!

Hoje, por diversas razões, apeteceu-me retomar as minhas “escritas” que tinha interrompido por algum cansaço de cacofonias e a necessidade de controlar a impulsividade que sentia para comentar os “excessos” da (des)informação… 
Tive a sorte de me “cruzar” com a excelente crónica de Tolentino Mendonça que a amiga Rosário Caldeira tão bem seleccionou e publicou na sua página de facebook. Repeti o título que é tão amplo e permito-me citar este trecho: 
“Há um dom naquelas estações em que a vida se resolve transparente, se movimenta em harmonia e tudo habilmente coincide.”
E é nessa harmonia que me quero inspirar para hoje recordar as mulheres “sem fotos” que preencheram a vida que corria na minha cidade. Lembro alguns rostos, alguns nomes mas sobretudo vidas de trabalho, cansaço e pouco rendimento mas que aliviavam as de alguns citadinos. 
Neste cortejo de rostos, recordo as “lavadeiras”! que vinham de Alfaião, com os burros carregados de roupa lavada com restos de cinzas e sabão feito em casa e que depois de bem esfregadas branqueavam ao sol. Um ritual de domingo, na casa da minha mãe, era receber a lavadeira, contar as peças da semana anterior e fazer a listagem das peças para lavagem na semana seguinte. Essa tarefa era minha desde que comecei a saber escrever. Lembro depois que a lavadeira almoçava connosco, fruto daquela afabilidade apanágio da minha mãe.
As leiteiras que bem cedo saiam dos seus lugarejos, ainda longe da cidade, e distribuíam o leite que invariavelmente era fervido antes de ser servido ao pequeno-almoço de quem tinha o privilégio de o poder tomar com o pão fresco, que as padeiras colocavam, enquanto nascia o dia, nos sacos deixados na porta de entrada de alguns mais favorecidos.
As mulheres que carregavam as estevas que acendiam os nossos fogões e as nossas braseiras, e com as quais se ousava discutir o preço do feixe das urzes.
As mulheres, que iam ao mercado manhã cedo, escolhiam os dias da chegada do peixe mais fresco, transportavam na cabeça sacos carregados e que, com andares “acrobatas”, fizeram os seus estragos nas “posturas” que se materializaram nas artroses precoces. 
Era um tempo de percursos feitos a pé ou de burro, sem “luzes”, só de alguma esperança, com neve, frio, chuva ou sol…por caminhos enviesados, em madrugadas mal acordadas e regressos a casa com bolsos de dinheiros esmolados, porque todos discutiam preços.
Não sei se se chamavam Marias, Aidas, Antónias ou Guilherminas… Sei que eram mulheres de força, algumas viúvas de homens vivos, interessadas na criação dos seus filhos e que foram envelhecendo em silêncios nunca partilhados.
Hoje quero celebrar essas mulheres silenciosas, sem voz, só presentes quando se mostra um Portugal de miséria, e não deixar que as traições da memória venham dizer: “nesse tempo é que era bom”!
Lembro, a propósito, uma homenagem feita recentemente às carquejeiras que “invadiam a cidade do Porto”, até há 70 anos, e que um grupo de mulheres de boa vontade teve o ensejo de lhe prestar homenagem.
Quero voltar a minha Bragança, percorrer ruas e praças e verificar se, em algum tempo e em algum lugar, vejo essas gloriosas anónimas serem relembradas com a força e o respeito que merecem. Estou farta de títulos e de condecorações que hoje “te dou a ti” para tu, mais tarde, “dares a mim” ou a um dos meus…

28.10.2022

Maria dos Reis Gomes
, nascida e criada em Bragança.
Estudou na Escola do Magistério Primário em Bragança, no Instituto António Aurélio da Costa Ferreira em Lisboa e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação no Porto, onde reside.
Sempre focada no ensino e na aprendizagem de crianças com NEE (Necessidades Educativas Específicas) leccionou no CEE (Centro de Educação Especial em Bragança). Já no Porto integrou o Departamento de Educação Especial da DREN trabalhando numa perspetiva de “ escola para todos, com todos na escola). Deu aulas na ESE Jean Piaget e ESE Paula Frassinetti no Porto.
A escola, a educação e a qualidade destas realidades, são os mundos que me fazem gravitar. Acredito que, tal como afirmou Epicteto “ Só a educação liberta”. Os meus escritos procuram reflectir esta ideia filosófica.

Capotamento na A4 faz dois feridos graves e provoca constrangimentos no trânsito no sentido Bragança-Macedo

 O capotamento de um carro, esta tarde, ao quilómetro 196 da Autoestrada Transmontana provocou dois feridos graves, com cerca de 45 anos, no sentido Bragança-Macedo de Cavaleiros, e está a provocar condicionamentos na circulação do trânsito no local.


De acordo com Carlos Martins, comandante dos bombeiros de Bragança, a circulação faz-se “pela berma” pois “os destroços ainda se encontram na faixa de rodagem”.

O alerta foi dado às 18h41. No socorro participaram 14 operacionais, com o apoio de quatro viaturas, para além da GNR e da VMER de Bragança.

António G. Rodrigues

𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐪𝐮𝐞𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚 - 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐒𝐚̃𝐨 𝐉𝐨𝐚̃𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐀𝐫𝐫𝐢𝐛𝐚𝐬

 Na próxima sexta feira, dia 4 de novembro, pelas 17h00, irá decorrer na Biblioteca Municipal António Maria Mourinho, a apresentação da exposição de Arqueologia - Castro de São João das Arribas, que estará patente neste espaço até ao dia 30 de dezembro de 2022.
Esta exposição é o resultado de 4 campanhas realizadas no âmbito do Projeto de Investigação Plurianual em Arqueologia 2016-2019.

📲 Saiba mais AQUI.

Indústria de laticínios critica aposta em nómadas digitais para ocupar o Interior

 “Não é com nómadas digitais que vamos assistir à inversão dos fluxos populacionais em direção ao litoral e às cidades”, frisam os industriais de laticínios. Está em causa a “autossuficiência do país".


O presidente da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios (ANIL) defendeu esta sexta-feira a relevância do setor lácteo para a economia nacional, em particular nas áreas geográficas em que se encontram os maiores polos de produção leiteira e de transformação industrial, notando ser “determinante para um país onde se pretende promover a fixação da população nas zonas agrárias e do interior, invertendo ou reduzindo os fluxos migratórios para o litoral e para as cidades”.

“Com o devido respeito pelas novas tendências de trabalho geradas pela pandemia e potenciadas pela recente evolução nas tecnologias de comunicação, não é com os nómadas digitais que vamos assistir à inversão dos fluxos populacionais em direção ao litoral e às cidades. É, sim, com a criação de condições para a sustentabilidade da produção e a geração de valor em setores como o dos laticínios”, declarou Manuel Casimiro de Almeida.

Na abertura do Encontro Nacional de Laticínios, que vai decorrer durante todo o dia na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, o líder dos industriais falou das “grandes dificuldades” colocadas pela subida dos preços da energia, da alimentação animal ou dos adubos num setor em que a cadeia de valor opera com “margens de comercialização muito exíguas”. E disse mesmo que “a sobrevivência do setor da exploração leiteira está em causa”, pois quando encerra uma exploração, normalmente o produtor não retorna a essa atividade.

“A autossuficiência do país no que respeita aos laticínios está em causa e, consequentemente, a soberania alimentar nacional. E, como se verifica noutros setores de atividade mundial, este tema de autossuficiência ou de dependência económica de países terceiros não é propriamente uma questão menor”, dramatizou Manuel Casimiro de Almeida.

No caso da indústria, particularizou o mesmo responsável, aos desafios estruturais como a inovação, a sustentabilidade, as tendências de consumo e a concorrência externa, junta-se agora a “questão problemática da absorção dos incrementos enormes de preços decorrentes do atual processo inflacionista e a capacidade de os repercutir nos preços de venda finais”.

“A subida exponencial do preço de aquisição do leite em natureza pela indústria ao produtor, os custos energéticos e de distribuição, a subida das taxas de juro, colocam sérios problemas de rendibilidade e sustentabilidade económica à indústria”, concretizou o presidente da ANIL, reclamando ao Estado a “adoção e concretização de medidas orçamentais ao nível dos impostos diretos e indiretos”.

António Larguesa

Novo Comandante da PSP do distrito admite ser “uma enorme honra” esta nomeação

 O novo Comandante da PSP do distrito de Bragança, Carlos Anastácio, considera, em declarações ao Mensageiro de Bragança, que esta nomeação foi “uma enorme honra” pois é “um dos cargos mais nobres” que um Superintendente pode exercer e garante, agora, que tudo fará “para merecer a confiança” dos cidadãos do Nordeste Transmontano.


“Foi para mim uma enorme honra a proposta de nomeação para Comandante Distrital da PSP de Bragança, efetuada pelo Exmo. Sr.º Diretor Nacional a Sua Excelência o Sr.º Ministro da Administração Interna. Como resultado dessa proposta fui designado, em comissão de serviço, pelo período de três anos, para as funções já referidas. Encaro a confiança depositada na minha pessoa como um estímulo e motivação para o exercício de tão elevada responsabilidade. Durante os 33 anos em que sirvo na PSP tive oportunidade de desempenhar diversos cargos na instituição. Agora, fruto da ascensão à categoria de Superintendente, surgiu a oportunidade de exercer o cargo de Comandante Distrital, em Bragança”, disse Carlos Anastácio, de 51 anos.

“O cargo de Comandante Distrital é para mim dos mais nobres que um Superintendente da PSP pode exercer. Desde logo, por ser o máximo representante da PSP no distrito implicando por isso relacionamento com todas as forças vivas da região incluindo as congéneres. Por outro lado, é um cargo que povoa desde cedo o imaginário dos jovens cadetes que ingressam no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, uma vez que se trata do exercício do Comando ao mais alto nível, para onde é dirigida grande parte da formação aí ministrada”, disse ainda.

O novo comandante sublinha que “dada a recente nomeação, com efeitos desde 24 de outubro de 2022”, encontra-se “em processo de avaliação, também do público externo e interno”.

“Dada a complexidade da sociedade atual e também da função policial, é impossível agarrarmo-nos a receitas preconcebidas de aplicação geral. Tem de se proceder a uma avaliação criteriosa que nos permita desvendar a realidade envolvente e aplicar os nossos recursos, nunca abundantes, onde surtam maior efeito, sendo certo que da avaliação efetuada terá de resultar sempre um claro benefício para o cidadão que servimos, mantendo seguras as cidades de Bragança e Mirandela”, frisou o até aqui Segundo Comandante da PSP de Faro.

“Em suma, encaro a minha comissão de serviço de três anos como Comandante da PSP de Bragança com espírito de missão e tudo farei para merecer a confiança que sei que toda a comunidade de Bragança e Mirandela depositam na sua PSP, honrando assim os seus 146 anos de existência e todos os policias e pessoal técnico de apoio à atividade operacional”, concluiu.

Tal como o Mensageiro anunciou em primeira mão, Carlos Anastácio tomou posse na segunda-feira como novo comandante da PSP de Bragança, substituindo José Carlos Neto, que pediu uma licença sem vencimento.

Carlos Anastácio, de 51 anos, foi promovido, em setembro, a superintendente e era, desde 2019, segundo comandante da PSP de Faro. Foi chefe da Divisão de Estudos, Doutrina Policial e Relações Internacionais entre 2014 e 2019, chefe da Divisão de Prevenção Pública e Proximidade entre 2012 e 2014, Comandante do Grupo de Operações Especiais da Unidade Especial de Polícia entre 2010 e 2012 e de Comandante do Corpo de Intervenção da Unidade Especial de Polícia em 2009.

É licenciado em Ciências Policiais pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e de Segurança Interna. Possui uma pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação, pela Escola Superior de Comunicação Social.

António G. Rodrigues

"Jornadas Imersivas para a Sustentabilidade" projeto-piloto em Vilares da Vilariça

 A localidade de Vilares da Vilariça, em Alfândega da Fé, transforma-se a partir de hoje, e durante cinco dias, num laboratório de experiências para mostrar que é possível viver numa aldeia transmontana com os recursos existentes.


Trata-se das Jornada Imersivas para a Sustentabilidade que são “o pontapé de saída” de um projeto pensado há uma ano e meio e, através do qual, a Inteligência Local - Associação para a Regeneração, Desenvolvimento, e Governanças das Economias Locais quer impulsionar “um movimento migratório” para os territórios do interior de Portugal.

Vilares da Vilariça, no concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, foi a aldeia escolhida para o projeto-piloto, como contou à Lusa Filipe Jeremias, que tem laços familiares nesta localidade e que foi o mentor do projeto da associação para o concretizar.

A ideia é conseguir convencer “150 pessoas” a mudarem-se para a aldeia “até 2030” e Filipe Jeremias aposta “no ano de 2023” para iniciar este “movimento migratório”, a começar por ele e pela família de mais cinco pessoas, como disse à Lusa.

Um dos argumentos da associação é que existem soluções próprias a partir dos recursos existentes para viver nestes territórios, algumas das quais vão ser apresentadas nas jornadas que começam hoje com a expectativa de receberem “cerca de 500 pessoas” na aldeia com aproximadamente 120 habitantes.

“Estamos a propor regenerar a aldeia e promover desenvolvimento local a partir das mais diversas aéreas, desde atração de empregabilidade, turística, de desenvolvimento na área energética, educacional, é uma vasta área de propostas”, apontou.

Nas jornadas, a associação propõe-se mostrar que “é possível a partir dos recursos existentes melhorá-los e fazer com que estes locais sejam mais sustentáveis”, pegando naquilo que já existe e, muitas vezes, não é valorizado.

Ao longo de cinco dias, estão previstos cinco laboratórios, com especialistas em diferentes áreas, sobre a água, a energia, bioconstrução, economia circular e alimentação.

Segundo Filipe Jeremias, vão ser apresentadas evidências de, por exemplo, “como captar e reter melhor a água nos solos, fazendo paisagens de retenção de água”.

Ou como é possível transformar esta numa aldeia sustentável do ponto de vista energético, a partir do sol e da biomassa, com um biocompostor que vai produzir biogás suficiente para alimentar uma boca de um fogão.

Produzir o próprio gás com os desperdícios orgânicos.

Na alimentação, a abordagem é a da transição para a proteína verde e animal, nomeadamente os insetos, e a produção de alimento a partir da água.

Recuperar técnicas ancestrais e tradicionais de construção mais sustentável é o tema na área da bioconstrução, e a compostagem e reutilização de produtos e materiais são o mote do laboratório sobre economia circular.

As jornadas servirão também para mostrar projetos que podem ser desenvolvidos no interior, como exemplo de modelo de negócio para se fixarem na aldeia, nas áreas de produção de insetos, cogumelos, chocolataria artesanal ou fabrico de aventais artesanais.

A iniciativa conta, segundo disse, com participantes de todo o país, nomeadamente um grupo de jovens que o município de Odemira, no Alentejo, decidiu levar a Alfândega da Fé para conhecer este projeto.

De acordo com o responsável, o financiamento deste projeto “é basicamente privado oriundo de vários parceiros”, entre os quais estão “os politécnicos de Bragança, Tomar e Portalegre, a Universidade do Porto” e empresas como a “Movera e Mota-Engil”.

A aposta é transformar Vilares da Vilariça numa “aldeia inteligente, um lugar mais sustentável, mais amigo, mais em contacto com a natureza, mas, sobretudo, olhar para o lugar onde as relações humanas são mais fraternas”, como salientou.

Ainda não há candidatos a fazer o “movimento migratório” para a aldeia, mas os promotores do projeto apostam “no ano 2023 para iniciar o processo.

Para o efeito, estão pensados “um evento relacionado com o nomadismo digital” e “contactos com o Brasil, concretamente pessoas com mais de 55 anos que se querem reformar mais cedo” e queiram investir neste território para passarem alguns meses.

Do arco da velha...

Por: Paula Freire
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

- Olha a velha Pepa! Foge qu’é bruxa! - gritava a rapaziada em desgovernado alarido, sempre que a viam passar pelos caminhos da aldeia. Já trôpega do corpo inteiro, cabeça enfiada debaixo de um lenço cor de escuridão, a tossicar maldições, em sussurro, contra a canalha atrevida e despropositada.

Onde iria a velha Pepa, por esses dias frios de outono, quando passava, quase muda para o mundo, com a vagareza de quem já conhecia o amargo sabor de um século de vida?
Que a desgraçada da morte a levasse de uma vez, pensava muitas vezes com os vetustos botões, já descascados, da intrépida casaca, companheira de incontáveis invernos. Que fazia ela aqui, a dever agora tantos anos à cova, vítima de tamanhas e inclementes dores e desalentos?
E praguejava para dentro, com o pensamento entrecortado por duas ou três ave-marias que a protegessem das mordazes e implacáveis vozes dos maganões que, assim, a atormentavam sempre que por ali tinha precisão de passar, para o cumprimento da sua longa missão.
Benzia-se uma e depois outra vez e arrepiava caminho até se tornar invisível aos olhares que a perscrutavam.
A verdade é que nunca ninguém se atrevera a segui-la com o intuito de lhe adivinhar o destino. Talvez fosse o medo de confirmarem os feitiços que a centenária cuspia do olhar, segundo rezavam os mais velhos.
O certo, é que também nunca ninguém a vira regressar do lugarejo onde pudesse ter ido conceber estranhos sortilégios.
Era um mistério, porque no ano seguinte, lá a viam de novo a tremelicar passos pesados por baixo dos pés rombos.
E a velha Pepa, que se entendia mais velha do que o mundo, desaparecia exatamente da mesma forma sinistra como surgia, sem que alguém lhe conhecesse a história.
Até ao dia em que não voltou.
Um ano e outro ano e mais outro e a velha Pepa não tornou a dar sinal de presença.
O povo, com intenção de lançar luz sobre o fenómeno, ainda que alguns mais desinteressados encolhessem os ombros enquanto profetizavam a morte da velha, destacou dois ou três rapazolas arrojados para descobrirem do segredo que lhe alimentava a curiosidade.
Já com as gentes cheias de preocupação e sobressalto, foram precisos alguns dias até que aqueles regressassem com notícias.
Tinham encontrado lá para as bandas dos confins da aldeia, escondido e tenebroso lago, com que poucas almas, mesmo atentas, dariam de caras. Enterrada nas margens, vultosa cruz de madeira anunciava que ali houvera morte certa há um horror de anos atrás. Jocelino Ventura, o nome gravado em epígrafe.
Adiante, um tortuoso caminho coberto de matagais, conduzira-os a uma inóspita casa. Com cheiro a almas penadas, garantiram. Lá dentro, entre antiguidades e lixo acumulado, vários retratos de onde se destacava bonito casal e uma criança de tenra idade. Por trás, a referência, em letra miudinha, à nobre família Ventura. Junto ao retrato, coçado diário a revelar trágicas desventuras.
Vivia feliz o casal Anastácio e sua esposa Josefa Ventura, com o enlevo próprio de pais afortunados pelo único filho, o pequeno Jocelino, até ao dia fatídico em que desprevenido tiro, dado pelo próprio pai, em tarde de caça e lazer, caíra sobre o corpo leve do menino. Descomposto e desvairado pela amargura do destino, e a prever a loucura em que a fatalidade atiraria a mulher, o infeliz homem premiu o gatilho sobre si mesmo, logo depois de deitada a alma da criança nas águas daquele lago.
A vida morreu para a pobre mãe naquele dia. E, em cada ano que o tempo a obrigou a abraçar aquela dor, D. Josefa tornava sua a missão de, pelas alturas em que o infortúnio fazia memória, derramar as suas lágrimas amargas sobre a cova do único amor que pudera sentir, pedindo clemência ao Senhor pela cobarde desumanidade do marido.
Estupefacta com a inusitada história, a aldeia inteira pediu perdão ao espírito de D. Josefa pela maldade das suposições e dos impropérios sempre proferidos. O retrato do casal, colocado junto ao altar da igreja, passou, então, a relíquia do local com desejo de absolvição pelos atos praticados. De bruxa, D. Josefa subiu ao estatuto de santa.
Como o rasto lhe foi perdido, todos acreditaram que também partira.
Mas nunca ninguém conseguiu compreender porque motivo, pelos dias mais frios de cada outono, a névoa erguida do lago, acordava todas as noites vestida de um fogo azul, com surpreendente odor a condenação.


Paula Freire
- Psicologia de formação, fotografia e arte de coração. Com o pensamento no papel, segue as palavras de Alberto Caeiro, 'a espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias'.

Chuva ajudou culturas, mas não se nota nas barragens do Vale da Vilariça

 A chuva dos últimos dias ajudou as culturas do Vale da Vilariça, mas sem impacto visível nas barragens de regadio da zona agrícola mais fértil do Nordeste Transmontano, segundo balanço feito hoje pela associação de regantes.


A campanha de rega, que este ano começou mais cedo devido à seca, já terminou, com as reservas de água nas barragens “em baixo” e os agricultores à espera de um inverno chuvoso para reverter a situação.

A chuva que tem marcado o mês de outubro “resolveu as necessidades hídricas das culturas, mas nas barragens de regadio “não se nota nada”, segundo disse à Lusa Fernando Brás, presidente da Associação de Regantes.

Nesta zona do distrito de Bragança “choveu muito pouco”, de acordo com o dirigente que apontou que as baixas reservas deverão ser confirmadas na atualização do relatório oficial sobre as albufeiras de regadio.

A última atualização foi publicada a 14 de outubro, ainda antes de ter começado a chover nesta região.

O presidente da Associação de Regantes avançou à Lusa que a campanha de rega deste ano foi encerrada no Vale da Vilariça com as reservas de água “muito em baixo”.

Apontou o caso concreto da principal e mais problemática barragem, a da Burga que, segundo disse, no final, da campanha “estava mesmo no fim”.

Fernando Brás espera agora que “o inverno venha um pouco mais chuvoso” e que consigam “repor as reservas de água”, caso contrário antecipa que o próximo ano será “muito, muito mau”.

A associação de regantes vai aproveitar os meses de inverno, em que não é necessário usar o regadio, para realizar trabalhos de manutenção nas principais condutas.

O presidente espera que, em simultâneo, seja possível executar outras intervenções “para uma gestão mais eficientes em todo o perímetro de rega” e para as quais obteve “parecer favorável” a uma candidatura de três milhões de euros” a fundos comunitários.

Os trabalhos previstos nos próximos meses impedirão alguns produtores do vale com estufas de terem acesso ao regadio.

A associação de regantes disse que está “a ver quais são as soluções possíveis, junto com a Direção-geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).

O Vale da Vilariça estende-se pelos concelhos de Vila Flor, Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.

É dos mais férteis do país, mas continua a reclamar o reforço do regadio com o aumento da capacidade de armazenamento de água, nomeadamente o alteamento da barragem da Burga.

O regadio do Vale da Vilariça é composto por três blocos servidos pelas barragens da Burga, Santa Justa e Ribeiro Grande e Arco e é o maior do Nordeste Transmontano, com cerca de 800 beneficiários com culturas nos mais de 2.400 hectares já existentes.

O plano que deu origem às barragens existentes começou a ser pensado na década de 1960 pelo chamado “pai” da agricultura transmontana, Camilo Mendonça, que projetou o complexo agroindustrial do Cachão e a maioria das infraestruturas que servem o setor.

Foto: AP

Edifício dos Paços do Concelho volta a receber serviços após obras de beneficiação

 Transferência acontece dia 2 de novembro e ocorre após trabalhos de melhoria da eficiência energética com um investimento de meio milhão de euros.


Os serviços do Município de Macedo de Cavaleiros regressam ao edifício dos Paços do Concelho já na próxima quarta-feira, dia 02 de novembro, concluídas que estão as obras de requalificação do edifício. Dois anos após o arranque dos trabalhos, “os trabalhadores regressam agora a um edifício com melhores condições, em particular ao nível da eficiência energética, e que nos irá permitir reduzir a fatura com o aquecimento no período do Inverno que, em Trás-os-Montes, é muito rigoroso”, explica o presidente da Câmara Municipal, Benjamim Rodrigues.

A intervenção representa um investimento superior a 500 mil euros, parcialmente cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito de uma candidatura de eficiência energética ao Programa Operacional do Norte (PO NORTE) e pelo Programa BEM (Programa de Beneficiação dos Equipamentos Municipais), um programa criado pelo Governo em 2018 para beneficiação de equipamentos municipais em territórios de baixa densidade, visando assegurar a qualidade da funcionalidade dos órgãos e serviços municipais e a dignidade do exercício do poder local.

Com a conclusão dos trabalhos ficam garantidas condições para, desde logo, reduzir os custos com a fatura energética. “Trata-se de um edifício antigo, que nunca tinha sofrido obras de grande relevo e onde, por exemplo, o isolamento térmico se encontrava muito degradado”, recorda Benjamim Rodrigues. Essa situação obrigava a que no inverno se registassem gastos avultados com o aquecimento dos espaços. Outro dos problemas identificado e que motivou os trabalhos agora concluídos, dizia respeito a infiltrações e que, em alguns casos, “até seria prejudicial para a saúde dos nossos trabalhadores”, acrescenta o autarca macedense.

Benjamim Rodrigues recorda que “os trabalhos acabaram por ser mais demorados do que o inicialmente previsto, desde logo porque as obras arrancaram em plena pandemia, atravessando períodos em que a paralisação do país foi quase total”. “Além disso, o empreiteiro teve alguns problemas com a obtenção de alguns materiais, que não só encareceram muito como, em alguns casos, chegaram a escassear”, explica Benjamim Rodrigues.

Durante o decorrer dos trabalhos foram detetadas várias outras necessidades de intervenção, nomeadamente a substituição da rede informática e elétrica e o melhoramento nas condições de acessibilidade dos munícipes.

“Estamos confiantes que esta mudança será muito positiva, não só ao nível da poupança energética, como também ao nível da melhoria das condições de trabalho, conforto e na melhoria nas condições de atendimento ao público”, conclui Benjamim Rodrigues.

Consultas gratuitas realizam-se este fim-de-semana em Freixo e há mais especialidades médicas

 Este fim-de-semana há, novamente, consultas gratuitas, em Freixo de Espada à Cinta. Este serviço é uma parceria entre o município e um grupo de médicos voluntários, com a colaboração da Unidade Local de Saúde do Nordeste


As consultas acontecem todos os meses, sendo que começaram em Setembro e este mês há uma ampla variedade de especialidades médicas, segundo confirma o presidente da câmara, Nuno Ferreira. "Dermatologia, Ginecologia, Otorrinolaringologia, Ortopedia, Urologia, Cardiologia, Clínica Geral, Pneumologia, Medicina Paliativa e Pediatria. Serão estas as novas especialidades, esporadicamente, este fim-de-semana. Há algumas delas que se mantém constantemente ao longo dos meses".

Este mês, excepcionalmente, é a segunda vez que as consultas gratuitas vão acontecer. "Aquilo que esta mesmo assegurado é que as pessoas tenham consultas gratuitas uma vez por mês. Neste mês, e ainda bem que assim foi, é a segunda vez que se vão realizar as consultas. As consultas fazem-se mediante a disponibilidade dos médicos voluntários que aqui vêm. Sabemos já que em Novembro as consultas se realizarão no dia 19".

Ao todo, amanhã e domingo, 20 médicos voluntários vão deslocar-se a Freixo.

O autarca faz um balanço positivo das duas consultas que já houve. "O feedback tem sido extremamente positivo. As consultas estão completamente esgotadas. Basta dar o exemplo das consultas de pediatria... estas consultas custam 50 a 60 euros e, aqui, podem ser realizadas de forma gratuita e não é necessário que as pessoas se desloquem para fora do concelho".

As consultas acontecem no Centro de Saúde. Entre as 9 e as 13 horas são destinadas à população em geral e à tarde são reservadas aos utentes das IPSS.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

A VII Feira da Castanha, 🌰 acontece no fim-de-semana de 5 e 6 de novembro, em Corujas.

 Este certame tem diversas iniciativas associadas à castanha, desde logo o concurso da castanha "longal", o seminário "Fertilização do castanheiro e vespa das galhas do castanheiro", com intervenções de Manuel Ângelo Rodrigues e Albino Bento, ambos docentes do IPB, o tradicional magusto, contando também com uma ação de sensibilização sobre "residência segura e formação em COTS", realizada pela GNR e ainda, com animação musical durante os dois dias. 

Marque na sua agenda, 5 e 6 de novembro em Corujas, a castanha é rainha.

Homem ferido em acidente na A4 na zona de Amendoeira

 Um homem ficou ferido esta tarde na sequência de um acidente de viação que envolveu um veículo ligeiro e um pesado de mercadorias na autoestrada transmontana (A4), na zona da Amendoeira, no concelho de Macedo de Cavaleiros.


Segundo uma fonte dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros a vítima foi considerada “um ferido de média gravidade” e foi encaminhada para uma unidade hospitalar. "Quando os bombeiros chegaram depararam-se com um veículo imobilizado junto ao separador central da A4, que anteriormente terá batido num camião em circulação", referiu uma fonte dos bombeiros de Macedo de Cavaleiros.

O socorro envolveu 11 meios humanos apoiados por quatro viaturas, nomeadamente dos bombeiros, INEM e da GNR.

Glória Lopes

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE RUPESTRE E UNIVERSIDADE DO PORTO ESCREVEM AO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE MIRANDELA A APELAR À SUSPENSÃO DO PARQUE EÓLICO

 Depois de se saber que a serra de Santa Comba/Passos está em processo de classificação como Sítio de Interesse Público (SIP) e que pode colocar em risco a instalação de um parque eólico, cujos trabalhos estavam previstos começar em breve, a Federação Internacional de Arte Rupestre e o Departamento de Ciências e Técnicos do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto enviaram cartas ao Presidente da Assembleia Municipal de Mirandela a apelar à suspensão da construção daquele parque eólico. Estes dois organismos não têm dúvidas que se isso não acontecer vai destruir-se a que já apelidam de “Montanha Sagrada”, uma das zonas arqueológicos das mais importantes da Península Ibérica, da Europa e do Mundo.


Na carta assinada pelo italiano Angelo Fossati, presidente da Federação Internacional de Arte Rupestre, começa por dizer que os achados arqueológicos que estão na área em processo de classificação como SIP estão sinalizados "como arte rupestre reconhecida internacionalmente devido à identificação, ao longo das últimas décadas de estudos, de dezenas de abrigos decorados com centenas de painéis pintados, existindo, em muitos deles, ocupação da época pré-histórica".

Entre esses sítios arqueológicos encontra-se o chamado “Buraco da Pala” no qual "as investigações levaram a identificados dos mais antigos indícios em território português de agricultura". 

Angelo Fossati afirma mesmo que se trata de uma verdadeira “Montanha Sagrada” que foi continuamente frequentada por seres humanos desde antes do III milénio AC, sendo assim "uma das zonas arqueológicos das mais importantes da Península Ibérica, da Europa e do mundo", escreve o presidente da Federação Internacional de Arte Rupestre que não tem dúvidas que a instalação de “um conjunto de ventoinhas”, é assim que se refere ao parque eólico, iria "alterar de forma considerável a paisagem, desfigurar a zona e pouco contribuir para a sua promoção".

Fossati lembra que o nosso país, desde que em meados dos anos noventa, o então Primeiro-Ministro, António Guterres, "teve a coragem de suspender a construção da barragem de Foz Côa, é apontado em todo o mundo como um exemplo a seguir, considerando que a criação do Parque do Vale do Côa e a classificação da área como património mundial mostra como tal decisão foi a correta e como contribuiu para um desenvolvimento sustentável da zona". 

Perante estes argumentos, o presidente da federação que integra mais de 60 organizações e entidades mundiais apela ao presidente da Assembleia Municipal de Mirandela para que o projeto de parque eólico previsto para a Serra de Santa Comba "seja relocalizado para outra área menos sensível ou mesmo substituído por alternativas ecologicamente válidas".

Já o presidente do Departamento de ciências e técnicas do património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apela "à suspensão da construção do parque eólico, por um período de dois anos", de modo a que possa proceder-se à atualização dos dados de campo do património cultural, nomeadamente arqueológicos, uma vez que "os que serviram de base ao Estudo de Impacte Ambiental, entre 2012 e 2014, foram já amplamente alargados pelas pesquisas dos últimos anos, necessitando ainda de ser ampliados por trabalhos de campo e avaliados quanto à sua consistência e relevância", escreve Manuel Joaquim da Rocha.

Essa suspensão, "permitiria ainda um planeamento do ordenamento territorial da serra de Santa Comba numa atuação conjunta com outros especialistas, da área da geologia, silvicultura, e ambiente em geral, na presença ou ausência do parque eólico", acrescenta.

Este ponto é para Manuel Joaquim da Rocha "da máxima importância" já que entende que "o património cultural mais frágil da serra está na meia centena de abrigos e mais de duas centenas de painéis com pintura rupestre esquemática, sobre os quais há que ter medidas de conservação e proteção, sendo, no conjunto, exigido que seja levado a cabo, com ponderação, um plano de mitigação".

Este departamento da Universidade do Porto aprovou, por unanimidade, um apelo para a suspensão do parque eólico para que seja tido em conta nas discussões e decisões da Assembleia Municipal de Mirandela.

Estas duas cartas foram dirigidas ao presidente da Assembleia Municipal de Mirandela, que Francisco Esteves vai agora fazer chegar à comissão permanente daquele órgão autárquico. 

Ao que apurámos, a maioria dos membros da comissão permanente tem a intenção de aprovar a realização de uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal tendo como único ponto de discussão o processo da construção do parque eólico por parte de um consórcio com um investimento a rondar os 30 milhões de euros.

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

... quase poema... ou da esperança

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

O velho Soto do meu pai ruiu pela força dos anos e Invernos muitos… já não sinto o cheiro a polvo de meia cura, nem a vizinha vem comprar uma quarta de pimento… uma bica de tripas, um quartilho de petróleo… ou um metro de chita para um avental.. mas o Soto do meu pai tinha um rosto, uma alma e os vizinhos compravam como podiam e os papéis do fiado honravam o negócio.
...o soto caiu... a casa caiu... ficam as mágoas... só resistiu o forno... que aguarda renascer das cinzas... 
... e tu, minha mãe..  minha Eugénia, como quem só foi ali... à fonte... ao entardecer, regressarás a casa e de novo vamos acender o forno... e as tuas mãos serão alvas... farinha e trigo.
... prometo.

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Rural Castanea-Festa da Castanha de Vinhais

 É caso para perguntar: "Quem quer quentes e boas, quentinhas?"
E a resposta é: Vir a Vinhais e comer as melhores castanhas, beber uma boa jeropiga e divertir-se muito... 

É já amanhã, dia 28 de outubro, que inicia a XVII Edição da Rural Castanea de Vinhais, que se prolonga até domingo, dia 30 de outubro.

Não perca, visite-nos.

Estamos certos que vai gostar muito da Festa da Castanha e de Vinhais.

SECRETÁRIO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO CONSIDERA NÃO SER "ACEITÁVEL" QUE MENINA INVISUAL DE MIRANDELA CONTINUE SEM PROFESSOR DE BRAILLE

 O PROBLEMA É O "CUMPRIMENTO DOS PRAZOS LEGAIS DE BAIXA MÉDICA", ADMITE ANTÓNIO LEITE.


O Secretário de Estado da Educação admite que não é aceitável que um mês e meio depois do início do ano letivo, Matilde Sampaio, a menina invisual de 11 anos que frequenta a Escola Básica Luciano Cordeiro, em Mirandela, ainda não tenha professor de braille. “Ainda não foi possível encontrar uma solução mas temos de a encontrar, porque não é aceitável a situação em que ela está”, disse António Leite, à margem do seminário nacional de educação e formação de adultos que aconteceu, em Mirandela.

Recorde-se que a docente especializada no ensino de braille que estava destacada para a escola Luciano Cordeiro está de baixa e o secretário de Estado da Educação assume a existência de dificuldades processuais na substituição da professora que decorre do facto de ainda estar a decorrer o prazo previsto na Lei em que vigoram as baixas médicas.

Enquanto isso, decorre, provisoriamente, um professor afeto ao agrupamento de escolas Abade de Baçal, em Bragança, está a vir à escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, uma vez por semana, mas “essa não pode ser a solução definitiva, porque ela precisa e tem direito ao apoio”, acrescentou António Leite.

Entretanto, a mãe da Matilde, diz estar indignada com o facto de a sua filha, há duas semanas, ter sido “colocada no corredor do bloco da escola acompanhada de uma funcionária a realizar uma questão de aula de matemática, enquanto os seus colegas de turma ficaram dentro da sala de aula”. 

Patrícia Costa adianta que a explicação que lhe foi dada, foi que “não havia salas disponíveis para a Matilde, nem professores para acompanhar a minha filha na prova dela”, refere“. 

Sobre este episódio, a direção do agrupamento de escolas de Mirandela não tece comentários.

Com este início de ano letivo tão atribulado, Matilde confessa que começa a ficar sem ânimo para ir à escola. “Já não tenho a mesma animação de ir para a escola e já dou comigo a dizer que o dia foi um bocado chato”.

Tempos difíceis, para esta menina invisual que ainda não tem professor de braille.

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)