O 25 de Abril trouxe ao país uma lufada de ar fresco, e nós, estudantes, não ficámos indiferentes. O Liceu Nacional de Bragança foi o terceiro a nível nacional a aderir à greve geral, a seguir ao de Setúbal e ao de Vila Real. Estávamos em polvorosa. Pela primeira vez, sentíamos que a nossa voz contava, que o futuro podia ser discutido por todos nós, e que os corredores do liceu e as salas não eram apenas lugar de aulas, mas também de debates e de sonhos.
De repente, começámos a falar de projetos, de sonhos, de poesia, de futuro, de liberdade. Ouvíamos notícias, líamos panfletos, fazíamos comunicados, comentávamos entre nós o que tinha mudado e o que ainda podia mudar. Era como se tivéssemos acordado de um longo silêncio.
Eu estava lá. Era um deles. Um dos alunos que ajudaram a dar corpo à primeira Associação de Estudantes do Liceu Nacional de Bragança. Antes, os estudantes eram “representados” pela Academia, com funções mais limitadas e controladas. Depois da Revolução, abrimos caminho para uma nova forma de organização estudantil, mais livre, mais crítica, mais próxima dos anseios da juventude.
O nosso amigo Manuel Vitorino, como Presidente da última Academia do Liceu, penso que em parceria com a Rosalia Vargas, poderá, se assim entender, valorizar, enriquecer, corrigir e acrescentar o que possa ajudar a que esta minha memória não se afaste da realidade que todos os que lá estiveram… sentiram.
Vivíamos tudo com intensidade. Era um tempo de esperança, de discussão e de aprendizagem coletiva. Não tínhamos todas as respostas, mas tínhamos a vontade de construir. E essa vontade era a maior força da nossa geração e que, em muitos, ainda hoje se mantém.

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