(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Premissa 1 – Sou Português com muito orgulho;
Premissa 2 – Sou “strasmuntano” com muita “proua”;
Premissa 3 - “Sou de l çtrito de Bergáncia cun ua proua inda maior”;
Premissa 4 – Ao ser da parte do “çtrito de Bergáncia” com uma incomensurável influência de cultura, língua, tradições, história, etnografia e etnologia provindas de uma região cuja ligação parecem querer apagar, também tenho muita “proua” em ser “asturo-lheonés”
Alheado tenho andado destas lides. Não apenas porque fui, compulsivamente, enxotado das minhas terras, tendo de, com alguma comoção à mistura, ir pregar para outras latitudes, nas quais parecem apreciar outras vertentes que não as do «panis et circenses»; mas também porque, e já por aqui (e noutros locais) o afirmei, as minhas imunoglobulinas, mais a minha histamina, conjuntamente com certos amigos celulares com nomes estranhos, ficam intranquilos com a presença de certos alérgenos, aqui se destacando os «sabetudólogos», os «tartufos» e, mais recentemente, os «desinformadores». Estes últimos representam uma classe de alérgenos que, para lá de publicar textos plagiados com incorrecções, nem se dignam a mencionar a fonte, recebendo as felicitações pelos eloquentes textos sem, sequer, terem a hombridade de se «descoser». O «problema» é que existem uns «tontos» que, de imediato, se questionam: «onde é que eu já li isto?»…
Um outro «problema» reside no facto de, por entre muitos outros tesouros desvalorizados por estas bandas, me serem demasiado familiares, a exemplificativo modo, o Castelo de Algoso, a Concatedral de Miranda do Douro, o Mosteiro de Castro de Avelãs, o Castelo de Mogadouro ou… Bragança. Ao longo dos últimos mais de trinta anos, já me consumiram, orgulhosamente, muito «queimar de pestanas»… E, ao confrontar-me com certos «disparates», lá tenho de recorrer ao «anti-histamínico» de me alhear destas andanças. Porém, e depois, há coisas emocionais mais fortes do que a racionalidade… Lamentando não resistir… (e, aos que lhes apetecer, que venham dar “uas gesteiradas no lombo”)…
Depois… Bem… Depois há paradoxos intragáveis. Sei que ainda subsistem uns saudosistas de um certo tempo em que, este texto, por exemplo, seria presenteado com um «lápis azul», arriscando-se o seu autor a uma estadia de eleição num «hotel com vista aos quadradinhos». Todavia, parecem ser mais aqueles que não são acossados por saudades do dito «lápis azul». Conquistas da Democracia… Uma Democracia, porém, onde continuam a vingar os preceitos emanados por uma certa escola historiográfica proveniente do… tempo do «lápis azul»! O que soa a incongruência! Ou seja, louvamos a Democracia, em simultâneo exaltando princípios historiográficos oriundos daquilo que a Democracia fez finar. “Rais’parta”!…
E lá tenho de me deparar com os conceitos da «pátria una e indivisível», do «reino uno e indivisível» do qual Bragança sempre fez parte, dizem, até, que muito antes da falácia do «Tratado de Zamora» de 1143, que nunca existiu, que o filho do Henrique e da Teresa lá teve de continuar a prestar vassalagem ao primo… Ou tenho de engolir que o Afonso, o primeiro que de Bragança não foi, é que patrocinou, e até fundou, o Mosteiro de Castro de Avelãs. Ou que o dito mosteiro se extinguiu porque os seus frades eram déspotas. Ou que o mesmo Afonso é que doou Mogadouro aos Templários. Ou que Bragança é anterior ao balofo conceito de «nacionalidade», por entre outras «tretas» que me consomem a medula óssea, que mais eosinófilos e basófilos tem de produzir... Para que esses «gajos» com nome estranho incentivem a produção da já referida histamina… “Ó depeis”, não gosto de ficar “tchêo de carranhas”, o que representa um incontrolável gasto de lenços de papel. Coisas de ser “moncoso”, “ranhoso” e... “rinhoso”…
A ignorância nunca me incomodará. Aliás, é uma das minhas amigas de eleição: «o pouco que sei, devo-o à minha ignorância». Reconhecendo que sou ignorante em imensos temas. Por isso, jamais me verão a escrever sobre, por entre muitos outros temas, técnicas agrícolas, mecânica, projectos de arquitectura ou de engenharia… São áreas nas quais, muito mais do que um humilde ignorante, sou, na verdadeira acepção figurativa, um «perfeito nabo». Há, porém, outras áreas nas quais sou menos ignorante, e «menos nabo», bem ao jeito de «cada maluco com a sua panca». E, nessas ditas áreas, sempre que me confronto com resquícios provenientes de uma certa escola da qual até fez parte o chefe da propaganda de um «homenzinho com bigode pequeno», o qual afirmava que «uma verdade repetida mil vezes se transforma em verdade», fico «endiabrado» ou, de vernácula forma, “spritado”. O que também se aplica aos ditos «desinformadores». Apenas porque a desinformação, ao contrário da ignorância, me “sprita”. E, indomável mau feitio, fico logo com vontade de “m’ingaliare” com alguém…
Porque Bragança, e as terras das quais é a capital de distrito, contêm tanto (mas tanto!), que desnecessário é alimentar a ignorância com desinformação. Isso é prestar um mau serviço a todos os que disponibilizam o seu tempo para ler! Já basta o facto de a nossa História sempre ter sido menorizada e adulterada pela «escola da velha senhora» e, posteriormente, pela «escola do litoral» que lhe resgatou os princípios…
A terminar esta incursão, em linguagem da “nh’ábo Maria”: “Zculpim qualquera cousa, ma num sou capaze de fitchar’a matraca c’os aldrúbias”…
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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