Sobre o Blogue
SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
Olá gentinha boa e amiga!
Este ano o mês de Fevereiro é XL, porque o ano é bissexto e traz mais um dia. Como diz o povo “o primeiro de Fevereiro jejuarás, o segundo guardarás e o terceiro é dia de S. Brás. Semeia o cebolinho e tê-lo-ás”, ou “dia de S. Brás a cegonha verás, se não a vires o Inverno vem atrás”, mas também “Fevereiro enxuto rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.”
Neste mês já se notam bem os dias a crescer pois “em Fevereiro entra o sol em qualquer ribeiro”, mas atenção porque “o Fevereiro engana as velhas ao soalheiro.”
Nos primeiros dias do mês, festejou-se a Sr.ª das Candeias (2 de Fevereiro), e houve festa em Nogueira (Bragança), em honra da Sr.ª da Cabeça.
A avó Laurinda ainda se recorda de há 70 anos se fazer, pelas ruas de Bragança, a procissão das candeias. No dia 3 festejou-se o S. Brás, advogado das doenças da garganta.
O mês entrou com uma temperatura mínima de 12 graus, muito alta para esta altura. A nível agrícola, a nossa gente anda em força nas podas e nas plantações de castanheiros e oliveiras.
Nestes últimos dias festejaram o seu aniversário o Manuel Rodrigues (78), de Parada (Bragança), o pai do nosso Zé do Pipo; Ana Corina (34), de Parada (Bragança), esposa do Carlos da Grua; Adelino Morais (67), de Espinhoso (Vinhais); João Marques (52), de Paradinha Nova (Bragança); Luís Pires (25), de Milhão (Bragança); os irmãos Luís (48) e Victor Silva (45), de Nunes (Vinhais), filhos do tio Chedre; António Maria e António João (79), ambos de Genísio (Miranda do Douro); Paula Cubo (48), de Caravela (Bragança); Tiago Fidalgo (34), de Paradinha de Outeiro; Ana Rita (30), de Rio Frio (Bragança); Guilherme Rodrigues (60), de Grijó de Parada (Bragança); Orlando Neto (74), de Nuzedo de Baixo (Vinhais); Sofia Morais (67), de Veigas de Quintanilha (Bragança) e Pedro Venâncio (69), de Vila Chã da Braciosa (Miranda do Douro).
Para todos muitas saúde e paz, pois já sabemos que o resto a gente faz.
Agora vamos conhecer melhor a nossa tia pintora, Isilda Martins, da Especiosa (Miranda do Douro).
Já há algum tempo que a tia Isilda dos Ramos Martins, da Especiosa (Miranda do Douro), se apresentou à nossa família, umas vezes ligando da Especiosa e outras de Madrid, onde passa algumas temporadas com os seus filhos e netos.
Nasceu a 30 de Março de 1950. Com 3 meses de vida foi com os seus pais para o Rio de Janeiro (Brasil), viver com os tios, onde frequentou um colégio até aos 8 anos. Regressou com os seus pais, em 1958, à sua terra natal, porque os seus avós já não tinham saúde para dar conta do recado de toda a faina agrícola com que lidavam na altura.
Em 1970, farta da vida na agricultura, resolveu ir para casa de uns tios, que moravam em Madrid. Ao fim de seis anos de namoro casou com um madrileno e teve três filhos. Tirou o curso de cozinheira e trabalhou na profissão durante 30 anos.
O despertar da tia Isilda para a pintura surgiu nos finais dos anos 80. Contou-nos que “uma vez fui ao Corte Inglês, em Madrid, onde estavam a oferecer folhas com desenhos tracejados para pintar. Quando cheguei a casa, resolvi pintar a folha que me tinham dado e no fim achei que não tinha ficado assim tão mal.” Desde então começou a comprar blocos de folhas, lápis de cor e borrachas. Uns tempos mais tarde, a tia Isilda resolveu ir a uma casa de pintura e adquirir telas e tintas de óleo, descobrindo assim que “a pintura estava escondida dentro de mim.” Contou-nos também que “basicamente pinto retratos e paisagens. Além de me relaxar, a pintura traz-me satisfação e elevação de espírito, bem como inspiração para ultrapassar os problemas, pois tive pouca sorte com o meu falecido marido, porque sempre me deu uma vida de maus tratos.”
A tia Isilda fez a sua primeira exposição/venda de quadros em 25 de Novembro de 2019, na Casa da Cultura Mirandesa, em Miranda do Douro, com mais de 50 obras expostas, tendo vendido 8 durante os dois meses que durou a exposição.
Além da pintura, também tem uma colecção de rendas e bordados em ponto-de-cruz, assim como alguns peluches em fio de lã, tudo feito por si, estando inscrita na Casa da Cultura Mirandesa para, futuramente, expor estes trabalhos. Actualmente passa a maior parte do tempo na sua aldeia, Especiosa, tratando das actividade agrícolas.
Parabéns à nossa tia Isilda que, sem formação académica em pintura, descobriu esta sua paixão, que tantas alegrias e realização pessoal lhe tem proporcionado.
Que continue sempre com o mesmo entusiasmo que a tem motivado até aqui.
Tio João
Presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses, Fernando Castanheira Pinto, considera que algumas propostas de partidos como o Bloco de Esquerda e do PAN são "catastróficas" para a actividade.

Uma delas é a proibição da caça com chumbo: Castanheira Pinto considera que a proibição iria encarecer ainda mais a actividade. “Há muitos anos que se andam a estudar outras ligas para substituir o chumbo e até hoje os resultados são sempre piores. Além de serem umas ligas muito caras, o que torna cada vez mais a dificuldade dos caçadores continuarem a sua actividade, por outro lado temos a certeza, pelos estudos que foram feitos, que o impacto do chumbo fora das zonas húmidas é completamente residual. Portanto, proibido caçar com chumbo, nomeadamente espécies de caça menor, como coelhos, lebres, perdiz, rolas, é um autêntico desastre para a actividade cinegética. A Assembleia da República tem que estar muito atenta, temos a certeza que o PSD e o CDS votarão contra mas fazem-nos falta os votos do PS”.
Mais preocupante seria, na opinião de Fernando Castanheira Pinto, a proibição do tiro ao voo que prevê impedir qualquer actividade com aves cativas. “Também introduzido como propostas para o Orçamento do Estado é a questão do tiro ao voo. Há uma proposta para proibir o tiro ao voo e no seu articulado diz que será a proibição de qualquer actividade com aves cativas, que são, por exemplo, perdizes criadas em cativeiro, que servem para os nossos repovoamentos, para fazer o equilíbrio e sustentabilidade da própria espécie na gestão das zonas, tudo isto é uma actividade enorme mas sendo proibido a sua utilização estamos em crer que a caça terá os seus dias contados”.
Fernando Castanheira Pinto apela a que o PS vote contra estas propostas, contando que à direita haja oposição a estas intenções.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
Realizou-se pela primeira vez este fim de semana em Crosne (91), na região parisiense, o Festival “Lusotopia”, com o objetivo de dar a conhecer a cultura Portuguesa e a toda a riqueza cultural dos países lusófonos.
De Portugal esteve uma delegação com cerca de 20 Caretos de Podence, que espalharam a sua magia pelo recinto do evento, chamando a si as atenções com os seus fatos coloridos e surpreendendo os presentes com os seus chocalhos, sabendo que é nesta vila de Paris que está a grande maioria dos emigrantes da aldeia de Podence, cerca de 90%, será assim também uma forma de os homenagear.
Estas figuras histriónicas são agora os representes máximos da cultura portuguesa, e transportam por de trás de cada mascara o orgulho do recém reconhecimento da UNESCO, o peso do fato agora duplicou e isso sente-se na forma e no carinho com são tratados pela organização e pelos lusodescendentes, com o estatuto de verdadeiras vedetas, na sexta-feira aconteceu um jantar espetáculo onde os convidados de honra eram os Caretos de Podence.
A Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, esteve presente na receção e no jantar solidário da Coordenação das Coletividades Portuguesas de França, cujas verbas revertem a favor de uma instituição cabo-verdiana de apoio a crianças.
A Secretária de estado explicou que o objetivo da deslocação a França é falar sobre o Plano Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora, com as Empresas francesas a ter cursos de português.
"O objetivo é que as câmaras de comércio, os clubes de empresários e as associações empresariais possam trabalhar connosco os conteúdos, para a criação de "cursos direcionados para empresários ou quadros de empresas que queiram aprender o Português mais direcionado para os negócios".
"Isso é importante, uma vez que estamos a trabalhar para a atração de investimento para Portugal. E o facto de a língua portuguesa ser cada vez mais falada no hemisfério sul e em vários continentes faz com que haja também uma procura na área dos negócios", salientou.
O festival da Lusotopia incluiu música de vários países lusófonos, gastronomia e debates à volta da lusofonia em Crosne, no sábado e no domingo, acontecendo em cooperação com a associação Hirond’ailes e com a Coordenação das Coletividades Portuguesas em França (CCPF).
Ao mesmo tempo decorreu de forma paralela uma exposição de pintura e escultura inspirada pelos países de língua oficial portuguesa numa galeria local, na quinta-feira vai ser mostrado o documentário “Morabeza, la force du mouvement”.
Na organização estiveram várias associações de Portugueses, que receberam de forma inexcedível a delegação dos caretos, que era composta por cerca de 20 elementos, entre caretos e gaiteiros “Zanganitos”, com o mais novo careto, o Leandro com 15 anos, e Egas Soares com 66 anos.
Leandro veste o fato de careto desde os 12 anos no carnaval, agora acompanha com alguma regularidade todas as saídas, incentivado pelo Zezinho, gosta de ser careto, diz “ sinto-me diferente quando visto o fato, sinto-me uma personagem diabólica, posso fazer tudo o que eu quero, e estou mais à vontade” , quanto ao reconhecimento da Unesco diz “ser uma mais valia para nós, ajuda-nos muito a ser conhecidos em todo mundo”.
Por seu lado Egas Soares, o decano dos caretos, começou a andar vestido de careto à 25 anos, numa receção ao Presidente da República Jorge Sampaio, e quer vestir o fato até a saúde o permitir e tive forças, “é uma adrenalina maluca, nem imagina”, “desde o meu batismo de careto com o tio Albano com uma caneca por cabeça”.
Devido à sua estatura, para o fato feito pelo Manuel alfaiate, foram precisas duas colchas antigas cedidas pela sua mãe, que ainda hoje veste com orgulho, as franjas foram feitas pelas mulheres da aldeia. Já venceu dois cancros e agora as saídos dos caretos são a sua prova de esforço, “o reconhecimento pela UNESCO, dá-nos mais responsabilidade, porque nós não representamos só o nordeste transmontano, nós agora representamos Portugal inteiro e se gostaram de nós, nos agora temos que retribuir”.
Um grupo de gaiteiros também acompanhou os caretos “os Zanganitos”, composto por três elementos, o Leonel Ganção (bombo), Ricardo Canedo (caixa de guerra) e Cristina Machado (gaita de foles) e definem-se como um grupo de música tradicional Portuguesa e ajudam os caretos com musica de fundo e acompanhamento musical nas performances dos caretos, sendo que a base musical “é sonoridade tradicional Portuguesa, muito da zona de Trás-os-Montes e sobretudo de Miranda do Douro”
Para o presidente da Associação de Caretos de Podence, António Carneiro, diz que quer “dar um agradecimento à comunidade Portuguesa que tão bem nos recebeu, de uma forma muito grata e que a presença dos caretos aqui em Paris é uma forma de dar a conhecer a nossa cultura e tradição, e agora depois de reconhecida pela UNESCO ainda com mais estímulo e orgulho”.
A poucos dias do entrudo chocalheiro António insiste que “o que mais importa é manter a matriz da tradição, de um carnaval genuíno no entanto para precaver o futuro é necessário implementar uma pequena novidade, pela primeira vez vamos organizar um desfile de facanitos, temos que apostar nos mais pequenos que serão os grandes garantes da tradição no futuro breve prazo”.
António Pereira
O registo de dormidas dos turistas que visitam a região de Trás-os-Montes ainda se mantém com valores baixos, rondando apenas os 2%.
Um problema que poderá estar relacionado com as infraestruturas de comunicação e acolhimento, considera Inácio Ribeiro, vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal:
“As infraestruturas de comunicação são recentes, as que encurtaram distância de tempo e espaço. As próprias infraestruturas de acolhimento também não surgem de um dia para o outro. De 2009 para 2010 o número de alojamentos disparou mas daí até 2018 foi exponencial o crescimento.
Ninguém vai investir em alojamentos neste território se não tiver uma perspectiva forte de que nos próximos anos vai recuperar esse investimento, que ronda sempre os vários milhões. Acreditamos que o esforço que está a ser feito através do Turismo de Portugal, do Porto e Norte, pelos Municípios e CIM’s vai resolver esta dispersão do território e que Trás-os-Montes vai subir em termos de dormidas dos 2% para valores bem mais elevados.”
O número de turistas a visitar a região Norte tem aumentado, rondando por ano os 10 milhões. No entanto, Trás-os-Montes apresenta ainda uma baixa percentagem no que toca à dormida dos visitantes.
Escrito por ONDA LIVRE
A GNR anunciou hoje que deteve no domingo um homem de 66 anos por caça ilegal em Izeda.
Em comunicado, a força de segurança dá conta que no decorrer de uma ação de fiscalização, os militares encontraram o homem a caçar aves com recurso a meios não permitidos, nomeadamente o chamariz.
Acabou por ser detido e foi-lhe apreendida uma arma, uma mochila, 125 cartuchos e 48 invólucros.
Foi constituído arguido e presente ao Tribunal Judicial de Bragança, tendo sido condenado a oito meses de pena suspensa e 80 dias de trabalho comunitário.
Escrito por ONDA LIVRE
Os primeiros 100 dias do XXII Governo foram celebrados, em Bragança, com o anúncio de dois programas para a valorização do interior.
O primeiro-ministro, António Costa, esteve no Brigantia Ecopark onde, acompanhado pela ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, e a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Godinho, apresentou o Programa +CO3SO e o Programa “Trabalhar no Interior”, que vão ser lançados ainda este mês. O primeiro-ministro acredita que é possível atrair pessoas para a região e criar mais postos de trabalho.
“Se nós não atrairmos empresas que se fixem neste território, não criaremos mais postos de trabalho, que remunerem melhor, dificilmente fixamos os recursos humanos que temos no interior e dificilmente atraímos novos recursos humanos”, frisou, acrescentando que coesão interna do país é outros dos objectivos que quer alcançar.
O novo programa +CO3SO é dedicado às empresas e tem como objectivo o desenvolvimento social e económico dos territórios, através da promoção de emprego qualificado e inovação. Este programa é financiado pelos Programas Operacionais Regionais do Fundo Social Europeu, e 312 milhões serão para o interior e pode promover a criação de mais de 2300 postos de trabalho.
“Esta medida apoia a contratação de pessoas e os custos associados à criação de trabalho. Por mês o apoio pode ir até 1900 euros, por pessoa, e inclui o salário, as obrigações contributivas da empresa e mais um adicional de 40% que as empresas vão utilizar para melhorar as condições de trabalho”, explicou a ministra da Coesão, Ana Abrunhosa.
Por outro lado, é também tida em conta a atracção de pessoas para a região e, por isso, foi criado o Programa “Trabalhar no Interior”. Segundo Ana Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, será dado um apoio de 4800 euros, para incentivar a mobilidade geográfica de trabalhadores para os territórios do interior.
“Este programa visa essencialmente as pessoas que se queiram mudar para o interior para trabalhar, mas também abrangerá estudantes que queiram iniciar a sua vida profissional aqui. A par disto, vamos também fazer uma alteração em termos do reforço de formação, precisamente nas áreas digitais e tecnológicas. Vamos também majorar todos os instrumentos que temos de apoio ao emprego do IEFP, para tudo que seja contratos de trabalho no interior”, esclareceu Ana Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Durante a manhã, o primeiro-ministro, a ministra da Coesão, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o secretário de Estado Adjunto e Desenvolvimento Regional, e a secretária de Estado da Valorização do Interior visitaram empresas e laboratórios colaborativos sediados no Brigantia Ecopark e estiveram reunidos na secretaria de Estado da Valorização do Interior, também situada no edifício. No dia 27 de Fevereiro realiza-se em Bragança o I Conselho de Ministros Descentralizado.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais
O Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, recebeu, no dia 3 de fevereiro, uma comitiva liderada pelo Primeiro-Ministro, António Costa, acompanhado pela Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. O encontro decorreu no Brigantia Ecopark, local de excelência reconhecido pelo governo como “um exemplo de muito sucesso e que deve ser replicado pelo País”.

Além da visita às instalações, o Primeiro-Ministro teve a oportunidade de conhecer de perto diversas empresas em fase de expansão, o Laboratório Colaborativo e perceber o trabalho inovador que ali se realiza. Atualmente, o Brigantia Ecopark dispõe de 240 trabalhadores, de 42 empresas, 95% dos quais com qualificações superiores, 80% provenientes do Instituto Politécnico de Bragança, numa significativa retenção de conhecimento e talentos. A taxa de ocupação deste equipamento situa-se nos 70,65%, prevendo-se um aumento significativo a curto prazo, tendo em conta o crescimento das empresas que lá se encontram e da capacidade de captação de novos investimentos.
Durante a tarde, o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, acompanhado pela Vereadora da Cultura, Fernanda Silva, deram a conhecer o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e as exposições ali presentes à Ministra Ana Abrunhosa.
A visita contou também com a presença dos Secretários de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, do Adjunto do Primeiro-Ministro, Tiago Antunes, para a Transição Digital, Aragão Azevedo, e Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Carlos Miguel.
O Primeiro-Ministro anunciou, ainda, que o primeiro Conselho de Ministros descentralizado desta legislatura se realizará, em Bragança, a 27 de fevereiro.
Para quem é de por aí a baixo, casulas são feijões secos na vagem. O feijão é apanhado no final do Verão, quando já está completamente desenvolvido e deixa-se secar ao sol. Depois, só temos que esperar pelos dias frios de Inverno para os poder apreciar com um uns bons cibos de tchitcha!
Convém esclarecer que as espécies mais recentes de feijão (as que hoje em dia usamos para este prato) são de mais fácil confecção mas as mais antigas apresentam um fio fibroso ao longo da vagem sendo o tempo de cozedura mais demorado. Assim sendo, as nossas gentes confecionavam as casulas no pote de ferro, ao lume, onde coziam durante horas!
A nossa cultura gastronómica está estreitamente ligada aos trabalhos agrícolas da região e as casulas eram um prato ideal para os longos e frios dias de geiras no Inverno!
Em nossa casa era certinho fazerem parte do menu no dia de Entrudo!
É claro que não sei precisar quando começaram as nossas gentes a ter as casulas à mesa. Mas conto-vos, aquilo de que me lembro quando ainda garota ficava em casa com a minha avó e tratávamos do pote das casulas.
O cenário já estava montado! O lar varrido, um canhoto a servir de estrefugueiro e uns tições da noite anterior. O pote também já lá estava. Calhava-me, a mim, a tarefa de ir ó esqueiro buscar uma gabela de lenha para acender o lume.
As casulas estavam, num alguidar, em cima do lava-louça com uns cibos de presunto uns pés e orelheira.
A avó não me deixava acender o lume embora eu insistisse com ela. Dizia-me sempre que eu gastava a caixa dos lumes inteira e que me enfuliçava toda. Acendíamos o lume com uma giesta bem seca e uma boa gabela de guiços. De seguida, lá encostávamos o pote à labareda já com a tchitcha dentro.
Mal houvesse brasas era tempo para uma torrada de azeite ou de unto com uma malga de café para a avó e outra de leite para mim!
A cada trique a avó verificava o pote para ver se já fervia! Quando levantava fervura metíamos as casulas e umas cebolas junto com a tchitcha. Depois, tratava-se do lume para que o pote fervesse e as casulas não engrolassem. Cuidadosamente, ia-se chegando o pote atrás para que não fervesse a catchão.
Sentada no escano, a avó, partia para as malgas, finas fatias de centeio ou trigo e cobria-as com um rodelo! Seria mais tarde o nosso almoço!
O repertório de canções e de histórias da avó Maria, era vasto. De olhos arregalados no lume, ouvia com algum entusiasmo e ao mesmo tempo cagufo contas de almas penadas que apareciam a fulano e cicrano, a pedirem “padres nossos” ou então aqueles que desapareciam, no monte, comidos por lobos! Muitos foram os terços e missas e até novenas inteiras, que se mandaram rezar por bias dessas almas que teimavam em não deixar este mundo!
Sem nunca esquecer o lume e as casulas, com uma malga provava-se a água. –“Para ver se está boa de adubo” dizia ela”!
Depois, quando o pote já se tinha fartado de ferver e os feijões estavam em meio cozer, a avó lançava as sopas. Servindo-se da colher do caldo, retirava do pote alguma daquela água e regava as fatias de pão que repousavam nas malgas.
Mais tarde, acrescentava-se o pote com mais água e verifica-se a cozedura das casulas.
Quando a tchitcha estava cozida tirava-se para um caçoulo e deixava-se no lar, para que não arrefecesse. As batatas, já descascadas e cortadas às catchas só se metiam no pote quando a hora da ceia se aproximava. Voltava a chegar-se o pote à frente, metiam-se as batatas e esperava-se até tudo ficar bem cozido! Ainda se cortavam duas ou três tchouriças do fumeiro e punham-se na grelha ao lume para assar!
Acompanhavam as casulas, na travessa de esmalte azul, os cibos de tchitcha e as alheiras! Com o prato bem regado de azeite, os adultos, contavam peripécias do dia de trabalho! Falavam da carambina branca que cobria os montes e as oliveiras, logo pela manhã; da ingarela que o rio tinha levado; da pintcha carneira que o meu irmão tinha dado nas poldras do rio; das sacas de azeitona que tinham caído na ladeira porque a corda tinha ficado frouxa. Enfim, faziam-se planos para o dia segunte.
A mesa era abandonada pelos homens e restava apenas a árdua tarefa de esfregar o pote que sempre nos deixava as mãos pretas de tão enfuliçado que estava!
A água que sobrava, de se terem escoado as casulas, guardava-se e seria no dia seguinte o almoço da minha avó! Caldo de casulas!
Verdade seja dita, em criança, não era prato que apreciava muito por bias dos fios, mormente aquele feijão que já se tinha colhido muito tarde, no final do Verão, e estava muito grado. Depois, por não ser um prato apelativo aos olhos de uma criança! Dizem os entendidos que devemos experimentar entre 10 a 12 vezes um alimento para decidirmos se gostamos ou não! Garanto-vos que estas 12 vezes foram multiplicadas por muitos dias de Inverno na minha infância e que hoje simplesmente adoro casulas!
Hoje em dia as casulas são um prato muito apreciado no país e até têm direito a festival. Mas, para nós que daqui somos a essência das casulas está no pote, ao lume, num dia de Inverno, em casa da avó, da mãe, da tia e nas conversas que tantas vezes nos levam de volta à infância.
Ângela Bruce
Fez dia 24 de Agosto de 2019, 120 anos que nasceu Jorge Luís Borges. Um dos antepassados, o bisavô paterno, era de Torre de Moncorvo.
Francisco Borges deixou Moncorvo numa expedição militar para defender Colónia del Sacramento. É uma bonita cidade que hoje pertence ao Uruguai e que permite o controlo da foz do Rio da Prata. Do outro lado da foz encontra-se Buenos Aires.
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| Jorge Luís Borges |
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| Rua de Portugal em Colónia del Sacramento créditos: Who Trips |
Colónia del Sacramento foi fundada pelos portugueses em 1608. Por sete vezes trocou de administração entre portugueses e espanhóis e ainda fez parte do Brasil. Foi aqui que começou um enigma que levou vários anos a descobrir.
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| Centro Cultural Jorge Luís Borges em Buenos Aires créditos: Who Trips |
O genial escritor argentino falava na sua antecedência portuguesa, os Borges de Moncorvo mas, como salienta o historiador Nelson Rebanda, por vezes era difícil separar a ficção da realidade na vida e obra de Jorge Luís Borges.
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| Igreja Matriz de Moncorvo créditos: Who Trips |
“Ele lembrou-se de dizer isso já numa fase avançada da sua vida. Até dedicou um poema aos seus antepassados, os Borges. Foi mais ou menos nos anos 70”. Ele esteve para vir a Moncorvo por volta de 1985 mas essa visita não se chegou a concretizar. Havia quem colocasse em dúvida esta referência de Jorge Luís Borges, “que fosse mais um dos jogos borgianos”.
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| Largo em frente da igreja de Torre de Moncorvo créditos: Who Trips |
É mais ou menos nesta altura, na década de 80, quando Jorge Luís Borges criou a expectativa de visitar Torre de Moncorvo, que Nelson Rebanda começou a investigar a origem do escritor em Portugal. Conjuntamente com outras investigações em vários arquivos chegaram ao rasto do bisavô, aos Borges de Moncorvo.
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| Torre de Moncorvo créditos: Who Trips |
Segundo Nelson Rebanda, havia várias famílias com o nome de Borges. Uma delas, que será a do bisavô de Jorge Luís Borges, eram os Borges de Castro. Tinham vários terrenos e casas e até eram proprietários da aldeia Peredo dos Castelhanos. Na investigação efetuada descobriu-se que o bisavô saiu de Moncorvo no final do século XVIII, início do século XIX, numa expedição militar para a Foz do Rio Prata, ainda antes da independência do Brasil.
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| Igreja Matriz de Moncorvo créditos: Who Trips |
“Hoje não há margem para dúvidas, para afirmar que Jorge Luis Borges tinha raízes aqui”.
Segundo a memória da família, o bisavô chegou ao Rio da Prata em 1817. 12 anos depois casou em Montevideu com uma argentina. Tiveram um filho, Francisco Borges Lafinur que casou com uma inglesa e também foi militar.
Jorge Luís Borges dedica-lhe um poema – Alusão à morte do coronel Francisco Borges.
Na altura em que o bisavô de Jorge Luís Borges partiu para a expedição militar Torre de Moncorvo tinha grande relevância política e económica em Trás-os-Montes.
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| Torre de Moncorvo créditos: Who Trips |
Dos Borges de Castro já não há memória em Torre de Moncorvo. O bisneto tem o nome numa avenida e um companheiro de armas do bisavô dá o nome a um largo.
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| Acesso ao Largo Claudino Pimentel créditos: Who Trips |
O General Claudino Pimentel partiu na mesma expedição para defender Colónia del Sacramento. O largo fica mesmo em frente da lindíssima e enorme igreja Matriz ou da Nossa Senhora da Assunção.
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| Interior da igreja Matriz créditos: Who Trips |
Já estava construída quando da expedição militar. O órgão da igreja é que é mais ou menos da mesma época.
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| Órgão da igreja créditos: Who Trips |
A igreja e o órgão merecem outra visita mais detalhada, como também o Museu do Ferro onde se guardam outras memórias desta região associada à extração mineira.
Uma visita a Torre de Moncorvo tem de passar obrigatoriamente pela rua dos Sapateiros, a judiaria e o chamado castelo, uma fortificação medieval.
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| Rua no centro histórico de Torre de Moncorvo créditos: Who Trips |
Obrigatório é também saborear um doce de castanha antes de passear pelas ruas do núcleo medieval e renascentista.
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| créditos: Who Trips |
Pequenas casas com varandas e trabalhos decorativos em madeira não ficam aquém, em termos de beleza, de vários solares. Por último, a cordialidade dos anfitriões.
Jorge Luís Borges nasceu em 1899 em Buenos Aires e morreu em 1986 na Suíça, aos 86 anos de idade. É um dos maiores vultos da literatura e poesia sul-americana.
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| Historiador Nelson Rebanda créditos: Who Trips |
Os bombeiros de Izeda comemoraram ontem o 36.º aniversário. Na cerimónia foi inaugurada a iluminação do exterior do quartel.
Uma intervenção há muito necessária segundo o presidente da Associação Humanitária do Bombeiros Voluntários de Izeda. João Lima gostava, no entanto, de ter mais apoios, nomeadamente do estado, já que diz a corporação contribui mais com impostos do que o valor que recebe de apoio estatal. “O apoio que o Estado nos dá não chega para pagar a segurança social, chegamos a pagar mais de 50 mil euros de segurança social e o que os Estado nos dá é cerca de 37 mil euros”, sublinhou.
O presidente da Associação Humanitária dos bombeiros de Izeda pretende que a corporação passe a ter um Posto de Emergência Médica do INEM e não de reserva como existe actualmente, atendendo ao tipo de socorro que realizam no sul do concelho e nos municípios limítrofes.
“Recebemos do INEM no máximo 2 mil euros por mês, que gasto com o pessoal que tenho aqui de dia e de noite para garantir esse serviço. Queria ver se passávamos a outra qualidade, um posto PEM, que é o INEM que paga a ambulância, aso tripulantes, o material e a manutenção”, adiantou.
Na cerimónia comemorativa do aniversário dos bombeiros de Izeda foram ainda entregues 19 equipamentos de protecção individual que resultaram de uma candidatura vencedora ao orçamento participativo da câmara de Bragança. O presidente do Município, Hernâni Dias, sublinhou a importância dos apoios a esta instituição.
Os equipamentos tiveram um custo na ordem dos 19 mil euros e a iluminação do exterior do quartel representou um investimento de 11 mil e 500 euros.
Escrito por Brigantia
Em Macedo de Cavaleiros, terminou ontem a Feira da Caça e Turismo e a Festa dos Caçadores do Norte.
Estima-se que tenham passado pelo concelho mais de 40 mil visitantes.
Estiveram presentes cerca de 200 expositores que fizeram um balanço positivo do evento. “É a primeira vez que vimos a esta feira, trazemos material de caça, houve dias menos participados, mas o sábado e o domingo foram dias muito interessantes, estou satisfeito”, afirmou um dos expositores.
A falta de espaço limita o aumento do número de expositores, que continua a ser um dos problemas para a organização. Porém, Benjamim Rodrigues, presidente da Câmara de Macedo, afiança que, em breve, haverá novidades.
“Neste momento, estamos a tratar do projecto, espero que na próxima feira já tenhamos os desenhos, e faz parte do nosso plano ainda este ano termos novidades sobre isso e em dois anos concluirmos a obra”, adiantou.
Fernando Castanheira Pinto, presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses, considera que a feira se reafirmou e está em crescimento.
“Tem vindo a crescer todos os anos, houve mudanças quer na forma como é montada e divulgada. O acolhimento é extremamente importante não só para os caçadores e suas famílias. O certame já afirmado como está, o desafio que tem é a cada ano fazer melhor”, sublinhou.
O vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Inácio Ribeiro, marcou presença na abertura oficial da feira, valorizou o Seminário Internacional de Turismo do Interior como forma de promoção do sector em Trás-os-Montes, região que admite é a que mais precisa de crescer no Norte em termos de visitas.
“O Porto e Norte chegou aos 10 milhões de dormidas em 2019, as vistas estarão nos 4,5 milhões, Trás-os-Montes ainda tem uma quota muito pequena destes turistas, o registo de dormidas situa-se nos 2%, o desafio é fazer com que estes milhões que visitam o Norte se dispersem mais pelo território. Esperamos que Trás-os-Montes, que é o território que mais precisa de crescer nesta percentagem, suba dos 2 para os 3, 4 ou 5%”, sublinhou.
A XXIV Feira da Caça e Turismo e XXVI Festa dos Caçadores do Norte decorreu entre quinta e domingo em Macedo de Cavaleiros.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior continua a defender que é preciso alargar e diversificar a forma de fazer doutoramentos.
Isto apesar de há poucos meses ter dito, numa entrevista que os doutoramentos nos politécnicos ficariam, por algum tempo, na gaveta, e a aposta deveria agora ser nas pós-graduações. Questionado sobre o assunto, na sua recente passagem por Bragança, Manuel Heitor explicou que na altura certa o regulamento legal será alterado.
“Temos de alargar e diversificar a forma de fazer os doutoramentos. O que já se fez no último ano foi muito importante, o reforço da capacidade científica. Neste politécnico, já há dois centros de investigação classificados com excelente e temos hoje numa rede em vários politécnicos a instalação de centros de investigação sem os quais era impossível abrir os doutoramentos. O regulamento de bolsas de doutoramento já foi revisto para garantir que o período de investigação pode ser feito em laboratório em qualquer instituição, tem de ser passo após passo”, afirmou.
Em Bragança, recentemente, esteve ainda o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Pedro Dominguinhos sublinhou que mais de 60% dos centros de investigação são excelentes e muito bons, em termos de classificação, e que esse estão reunidas as condições para que os politécnicos possam outorgar o grau de doutor. “As recentes classificações das unidades de investigação dos politécnicos foram muito positivas, estamos a cumprir os requisitos plasmados no decreto-lei para a outorga do grau de doutor. O problema é que quem passa o grau são as universidades, os politécnicos não outorgam o grau. Se já podemos fazer quase tudo, então só falta a questão legal”, sublinha.
Manuel Heitor esteve presente na reunião do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. O ministro salientou apenas que a reunião serviria para acompanhar "Contrato para a Legislatura", sendo que algumas metas passam por captar mais alunos para o ensino superior.
Pedro Dominguinhos explicou que há várias áreas a trabalhar, que estão agora em discussão.
Manuel Heitor e Pedro Dominguinhos estiveram em Bragança a propósito de uma conferência internacional sobre processos de co-criação no instituto politécnico.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Bispo espera receber as primeiras monjas no ano do 475º aniversário da diocese.
O Mosteiro da Ordem Trapista, que está a ser construído em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, vai começar a receber as primeiras monjas até outubro. A previsão é do bispo da Diocese Bragança-Miranda, que avança que as obras estão a decorrer "em bom ritmo".
A bênção da empreitada aconteceu no dia 24 de junho do ano passado. "Este ano, a diocese celebra 475 anos da sua fundação. E temos esta bênção no lugar onde ela nasceu, em Miranda do Douro, de podermos, ao longo do ano, esperamos que em outubro, acolher as 10 monjas no mosteiro trapista de Santa Maria Mãe da Igreja", informou D. José Cordeiro.
Recentemente, o bispo esteve o local. "Juntamente com a abadessa do Mosteiro de Vitorchiano (Itália), da qual depende esta fundação, visitámos as obras. E foi com alegria que pudemos constatar que estão em bom ritmo", referiu.
O mosteiro vai ter capacidade para 40 monjas, e surge mais de 400 anos depois da extinção de outro na região. "Esta diocese começou com um mosteiro beneditino, em Castro de Avelãs (Bragança), e 475 anos depois volta a ter um mosteiro segundo a Ordem de São Bento, e que há de suscitar o maior bem para Palaçoulo, para esta diocese, para Portugal e para toda a Igreja", espera D. José Cordeiro.
Nesta primeira fase, está a ser construída a Casa de Acolhimento. A obra ocupará 30 hectares, e vai demorar cerca de cinco anos a estar totalmente construída, incluindo uma hospedaria para turistas e visitantes, tendo em vista a autossustentação. O valor total do investimento, financiado por aquela Ordem, é de cerca de seis milhões de euros.
Numa antiga ourivesaria, de que resta o cofre, está agora uma loja de artigos transmontanos com vertente de degustação. Na nova Trazmontes há petiscos feitos com os produtos da casa, covilhetes de Vila Real, pastéis de Chaves e uma mala “Chanel" regional.
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| Rui Reis e Elza Alves, da nova Trazmontes, dedicada aos produtos transmontanos. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens |
Artigos selecionados, vindos sobretudo de Chaves, Montalegre, Valpaços e Mirandela, recheiam as prateleiras da Trazmontes, uma loja de produtos transmontanos, com vertente de degustação, nascida no lugar de uma antiga ourivesaria, na Rua do Bonjardim. O velho cofre ainda é visível por trás do balcão de onde espreitam covilhetes de Vila Real, pastéis de Chaves e, inspirados nestes últimos, mas em versão vegetariana, toscos do campo.
A Trazmontes tem grande diversidade de artigos para comer e beber: fumeiro, queijos, azeites, vinhos, uma cerveja artesanal feita com mel biológico, em Montalegre, bolos, compotas, marmeladas de amora e de framboesa e alguns produtos a granel, como grão, feijão ou nozes. Isto só na primeira sala, que acolhe a mercearia. Porque a seguir há um espaço onde se pode saborear praticamente tudo o que está à venda. “Do menu, só a rúcula é que compramos. É uma maneira de mostrar que confiamos nos produtos”, explica a gerente, Elza Alves.
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| Fotografias: Artur Machado/Global Imagens |
Na sala de refeições, com cerca de 20 lugares, são servidos petiscos e tostas de cogumelos, azeite, tomate seco e rúcula; ou de alheira, queijo e tomate desidratado, entre outras. E, para acompanhar, vinhos, chás ou infusões. O amarelo das paredes torna ainda mais acolhedor o espaço, elegantemente decorado com elementos que remetem para o mundo rural, como louças, mantas ou uma roda de carroça.
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| Fotografias: Artur Machado/Global Imagens |
A Trazmontes abriu no início de dezembro, muito por conta de uma mudança que Elza Alves decidiu fazer na sua vida. Ela, que trabalhava como escriturária num gabinete de contabilidade, em Chaves, a sua terra de origem, decidiu mudar-se para o Porto e pensou: porque não levar também a comida e os vinhos de Trás-os-Montes, que “são fantásticos”?
Essa ideia de partilhar os sabores e aromas do “reino maravilhoso”, na expressão de Miguel Torga, avançou graças a uma conjugação de vontades – sua; de Rui Reis, amigo de longa data que se ocupa da confeção; e de Anabela Guerreiro e Ângela Ramos, responsáveis pelo referido escritório de contabilidade e proprietárias da Trazmontes.
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| Tosta de alheira, queijo e tomate desidratado. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens |
“Este projeto é baseado na amizade”, conta Elza, na loja forrada com pedra, madeira, corda e imagens a preto e branco da região transmontana. Afinal, os quatro envolvidos são de Chaves, de onde vêm, ainda, cestas de comer com os olhos. “A fornecedora chama-lhe a Chanel transmontana”, remata a gerente, com um sorriso.
Pão de Gimonde
Se no início o pão transmontano só estava disponível à sexta, agora pode ser comprado todos os dias. É pão de Gimonde, em Bragança, pesa 500 gramas e custa 2 euros. Convém reservar.
Carina Fonseca