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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Tese de doutoramento sobre segurança na saúde e erros médicos vale prémio a investigadora de Bragança

Filipa Breia da Fonseca, professora/investigadora natural de Bragança, ganhou um prémio da Fundação Amélia de Mello para Best PhD Dissertation in PhD in Management Program in the academic year of 2018/2019.



O galardão foi atribuído na passada sexta-feira numa cerimónia realizada em Lisboa, tendo em conta a tese de doutoramento da docente/investigadora sobre segurança na saúde e erros médicos.
Filipa Breia da Fonseca estudou em Bragança até ao 12º ano, é atualmente Professora Assistente Convidada da Nova SBE (School of Business & Economic), em Lisboa.


Glória Lopes

Mulher-fantasma quis assaltar uma casa mas foi apanhada pela TV

Uma mulher disfarçou-se de fantasma para perpetrar um assalto numa habitação em Bragança. 

Se não fosse para chorar, o caso até dava para rir. Só que ainda faltavam umas semanas para o Carnaval e ninguém se deixou enganar. 
Há uns anos havia um super-herói, chamado Fantasma, precisamente, que combatia o crime de forma incógnita. 
Ora, quem não passou nada incógnita foi a mulher-fantasma que acabou captada pelas câmaras de vigilância da habitação, o que ajudou à sua detenção pelas autoridades.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

SE…

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Eu pudesse…
Aquecer o gelo que me corre nos dedos,
O frio encrespado nas mãos
Dar calor, aos vultos gélidos,
Rostos pálidos e parados,
Icebergues gelados
Que envernizam de dor, as unhas,
Que congelam as veias,
Penetram nas artérias e rasgam o coração!
Se eu pudesse acender uma lareira,
no inverno da vida,
no gelo do mundo,
Pintar de sol os dias cinzentos
O mundo seria um lugar perfeito
Pleno de calor e prazer
A ensoleirar os fios de cabelo,
as janelas do rosto,
As telhas do corpo,
As paredes da alma,
A essência mais pura do meu ser!
Está na mão de Deus o segredo
O término intemporal do degredo,
Que me torna descrente,
Que me arrefece a fé,
Que, fabrica ateus
Que nos rouba tudo
Até mesmo a fé em Deus.

Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

Atendimento às comunidades portuguesas vai crescer 20%

O atendimento descentralizado às comunidades portuguesas através do Programa de Permanências Consulares vai crescer 20% este ano, estando previstas 886 sessões, informou hoje o Governo.
Segundo uma nota divulgada hoje pelo gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, as permanências consultares vão ser realizadas através de 64 postos consulares que irão abranger 234 localidades em todos os continentes.

As secções consulares das Embaixadas de Portugal em Lima, Washington, Otava e Praga, os consulados-gerais de Portugal em Boston, Estrasburgo, Nova Iorque e Salvador da Baía e o vice-consulado de Portugal em Vigo são os postos que vão realizar novas permanências consulares.

O gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, ressalva que, "num contexto marcado pelo 'Brexit', as 44 permanências consulares previstas para o Reino Unido levarão o atendimento consular a vários pontos de Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e ainda às ilhas de Jersey".

Na Venezuela, está prevista a realização de 32 permanências consulares em 11 estados.

No ano passado, ocorreram 740 permanências consultares que atenderam mais de 50 mil cidadãos e praticaram mais de 58 mil atos consulares.

Em 2018, realizaram-se 618 permanências consulares, o que permitiu o atendimento de 34 mil utentes e a realização de 43 mil atos consulares.

As permanências consulares consistem na deslocação de colaboradores dos serviços consulares a localidades mais distantes destes serviços e onde existem comunidades portuguesas.

Foto: DR

Restaurante assaltado por arrombamento em Bragança

Um restaurante foi assaltado na última madrugada em Bragança.
Terá sido usado método de arrombamento e foi levado dinheiro da caixa e alguns produtos como contou a proprietária do estabelecimento, Lúcia Fernandes.

“O proprietário da casa ligou-nos a dizer que tínhamos uma janela partida. Quando chegamos não nos apercebemos imediatamente de nada, mas depois quando abrimos a caixa registadora vimos que faltava dinheiro, também levaram bebidas, comida e uma máquina dispensadora”, contou.

Os supostos ladrões terão entrado por uma janela. Lúcia Fernandes está agora a avaliar os prejuízos e garante que foi a primeira vez que o restaurante foi alvo de furto.

A PSP já esteve no restaurante, situado no bairro da Mãe d’Água, e está a investigar o caso. 

Escrito por Brigantia

Palombar: novo site dá destaque a projetos e áreas de atuação da organização não governamental de ambiente

A Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, que comemora, em 2020, 20 anos de existência, acaba de lançar o seu novo site www.palombar.pt, o qual dá maior destaque aos seus Projetos e Áreas de Atuação (Conservação da Natureza, Património Rural, Pombais Tradicionais, Sensibilização e Educação Ambiental e Formação).
Foto: Pedro Rego
O novo site é a principal plataforma de comunicação da Palombar na internet e apresenta também páginas dedicadas ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT), ao Voluntariado, às Atividades, aos Conteúdos publicados pela organização e às Notícias sobre as suas diversas ações, entre outros temas. O site também estará brevemente disponível em inglês. A Palombar está igualmente presente nas redes sociais FACEBOOK  e TWITTER

“Com o lançamento do novo site, queremos dar maior visibilidade a todo o trabalho desenvolvido pela organização, com o objetivo de informar toda a comunidade sobre a importância e o impacto dos nossos projetos e ações para toda a sociedade e para o meio ambiente, sobretudo numa altura em que a crise climática e a extinção de espécies estão no centro do debate e em que se torna cada vez mais evidente que o mundo rural e as suas múltiplas dimensões ecológica e humana representam uma tábua de salvação não só para os ecossistemas e a biodiversidade, mas para a própria espécie humana”, destaca José Pereira, presidente da Palombar.

Fundada no dia 9 de março de 2000, a Palombar é uma organização não governamental de ambiente (ONGA) sem fins lucrativos, que tem como missão conservar a biodiversidade, os ecossistemas selvagens, florestais e agrícolas e preservar o património rural edificado, bem como as técnicas tradicionais de construção.

A organização, que atua orientada por uma abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da Ecologia, Biologia da Conservação e Gestão de Ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a dinamização do mundo rural. A área de intervenção da Palombar é principalmente a região de Trás-os-Montes, contudo, a organização tem vindo a expandir o seu território de atuação.

Há 20 anos a desenvolver um trabalho abrangente, continuado e de proximidade com o território e as suas populações, a Palombar tem sido, nas duas últimas décadas, uma peça-chave para a promoção da conservação dos ecossistemas, da biodiversidade e do património rural edificado na região do Nordeste Transmontano e o novo site vem exatamente dar destaque e revelar o papel desempenhado pela organização na comunidade.

Atualmente a implementar vários projetos nas áreas da conservação da Natureza e da valorização do património natural, cultural e arquitetónico, a Palombar tem como desígnio e foco estratégico cumprir a sua missão enquadrada no contexto de ruralidade que caracteriza o interior do país e mostrar que é possível contrariar o processo de desertificação do mundo rural e promover a sua dinamização e desenvolvimento sustentável. É não só possível como inevitável, pois é sobretudo no interior profundo e rural que estão estabelecidos os principais ecossistemas e a biodiversidade dos quais todos dependemos e cujo equilíbrio e proteção são absolutamente vitais para a nossa sobrevivência.

JANEIRO SESSIONS LIVE TOUR

com Tiago Nacarato

O conceito é simples: receber os amigos na sala de estar, para uma noite de música e conversa descontraída. É isso que Janeiro pretende com este espetáculo, transformar os teatros na sua sala de estar. Os amigos, esses, estarão em palco e no público e as histórias serão com certeza muitas. No Teatro Municipal de Bragança, Tiago Nacarato irá sentar-se no sofá com Janeiro e trazer alguns dos seus temas e histórias para partilhar com todos os que se juntarem a eles nesta noite especial.

DURAÇÃO APROX.: 1H30 . m/12
06 FEVEREIRO 2020
21H00 . AUDITÓRIO
6,00 €

Obras do Mosteiro de Trapista em Palaçoulo "correm a bom ritmo"

O bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, espera, até ao mês de Outubro, acolher as 10 monjas italianas do Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja, que está a ser construído em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro.
O mosteiro trapista, que é o primeiro em Portugal, começou a ser construído em Junho do ano passado. D. José Cordeiro visitou, há poucos dias, as obras e, com satisfação, garante que estão a correr a bom ritmo.

“Este ano, a diocese de Bragança-Miranda celebra 475 anos da sua fundação, temos também esta bênção de no lugar onde ela nasceu, em Miranda do Douro, podermos ao longo do ano, esperamos em Outubro, acolher 10 monjas do Mosteiro Trapista e Santa Maria Mãe da Igreja. Visitei as obras em Janeiro e estão a decorrer a bom ritmo”, afirmou.

A fundação que está a ser construída em Palaçoulo depende do Mosteiro de Vitorchiano, na Itália, pertencente à Ordem Cisterciense da Estrita Observância, também conhecida como Trapista. A ideia é que o mosteiro seja um lugar de contemplação, oração e trabalho para 40 monjas.

“Esperamos que ao longo deste ano, possamos fazer deste tempo de memória a construção da nova história”, referiu.

A construção do mosteiro requer um investimento de cerca de 6 milhões e vai ocupar cerca de 30 hectares de terrenos que foram cedidos, permutados e comprados pela Paróquia de S. Miguel de Palaçoulo. Em Miranda do Douro decorre também, este ano, o Dia Diocesano da Juventude, a 8 e 9 de Maio. Escrito por Brigantia.

Foto: Diocese Bragança-Miranda
Jornalista: Carina Alves

Festival do Butelo e das Casulas & Carnaval dos Caretos


Politécnico de Bragança vira-se para os lusodescendentes para captar alunos

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai virar-se para a captação de alunos nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo como anunciou hoje o presidente, Orlando Rodrigues, no aniversário da instituição.

O IPB comemorou 37 anos com uma sessão em torno das diásporas lusófonas e lusodescendentes e convidou para fazer a tradicional Oração de Sapiência o primeiro português eleito para a Câmara de Paris, Hermano Sanches Ruivo.

O presidente do politécnico sustentou que a escolha deste tema deve-se à estratégia que pretende seguir de captação de alunos lusodescendentes, apoiado em algumas alterações legislativas “que facilitarão a vinda desses alunos”.

“Estamos a incentivar essas alterações legislativas e aproveitá-las e, por outro lado, reforçar estas parcerias com os nossos concidadãos espalhados pelo mundo e muitos deles com sucesso no mundo académico”, explicou.

Para o presidente do IPB, esta poderá ser também “uma forma de chamar de volta jovens, de procurar aproveitar esse potencial, seja enquanto mão-de-obra qualificada, seja enquanto oferecer Portugal como uma alternativa para fazer estudos superiores”.

“Nós entendemos que Portugal para esses jovens pode ser uma alternativa muito interessante para prosseguir estudos superiores e é exatamente isso que queremos fazer: divulgar, oferecer e captar esses jovens para virem estudar connosco, investigar connosco e desenvolverem atividades connosco”, enfatizou.

O responsável frisou que “Portugal tem uma comunidade muito significativa de emigrantes portugueses e lusodescendentes” e o propósito é “estreitar essa ligação e aproveitar esse potencial de ligação com os portugueses que estão espalhados pelo mundo”.

Orlando Rodrigues perspetiva esta estratégia ao nível da “captação de alunos, puderem os jovens lusodescendentes fazer períodos de mobilidade, convénios de investigação”.

“Tem um potencial muito grande que devemos aproveitar”, considerou.

O convidado para a Oração de Sapiência, Hermano Sanches Ruivo, deslocou-se a Bragança para falar da sua experiência de décadas em Paris e da relação que a comunidade portuguesa em França tem com Portugal.

“Somos todos membros da mesma família, mas atualmente a família está desunida, não atuamos como família. É preciso unir a família”, afirmou.

O português vereador-executivo na Câmara de Paris salientou que é a primeira vez que é convidado para falar sobre as comunidades portuguesas nestas circunstâncias.

Defendeu que “Portugal é muito rico com as comunidades que tem lá fora e pode ser ainda mais se passar algum tempo a tratá-las bem e a reforçar as ligações”.

“Porque é que as universidades e os institutos politécnicos não vão mais vezes junto das comunidades para que essa ligação seja mais consequente?”, questionou, acrescentando que “há algum trabalho a fazer”.

Para Hermano Sanches Ruivo “Portugal tem de conhecer melhor as comunidades e as comunidades têm de reconhecer que Portugal pode ser a solução”.

O Instituto Politécnico de Bragança tem cerca de nove mil alunos espalhados por cinco escolas superiores, quatro na cidade de Bragança e uma na cidade de Mirandela.

Um terço dos estudantes são estrangeiros de mais de 70 nacionalidades, com os países africanos a deterem a maior representação.




Monstrinha 2020

Entre 18 e 29 de março terá lugar no Auditório do Museu Nacional de Etnologia a edição de 2020 da MONSTRINHA, componente da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa dirigida ao público infantil e juvenil. 

A programação da MONSTRINHA no Museu Nacional de Etnologia contempla Sessões para Famílias, a realizar nos fins-de-semana de 21/22 e 28/29 de março. Os ingressos para estas sessões são adquiridos na bilheteira do Museu Nacional de Etnologia até 15 min. antes de cada sessão e incluem a visita livre às exposições do museu. 
Informações pelo telefone 213041160/9 ou pelo email: servicoeducativo@mnetnologia.dgpc.pt. 
Para além destas Sessões para Famílias, nos restantes dias da edição de 2020 da MONSTRINHA (de 18 a 20 e de 23 a 27 de março) terão lugar no Auditório do Museu as Sessões para Grupos Escolares, cujas inscrições deverão ser previamente efetuadas na página de inscrições do festival. Mais informações AQUI.

"Contempla-me" está patente no Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros

Miguel Moreira e Silva promoveu arte da máscara em Macedo

São Julião de Palácios, no concelho de Bragança, realizou a 5ª Feira Rural da Terra e da Gente da Lombada.

Despovoamento, abandono, solidão

Foto: Município de Vila Flor
Todos estamos convencidos do contrário, mas o tempo derrete a matéria mais áspera que a natureza criou. E talvez por isso em todas as épocas emudecemos as casas onde viveram e vivemos, até as transformarmos em pedaços de quase nada, como em quase nada se transformam as vidas que lhes deram as antigas formas. Hoje, agora, no instante, o tempo não nos diz nada, porque estamos sempre ocupados a olhar o circo da vida. Mas perante uma aldeia derruída podemos sentir o movimento de outrora num arfar de pedras onde cristalizaram os últimos suspiros dos homens e das mulheres que a habitaram.

Depois há o cemitério, esse último reduto e guardião de memórias, mas quando abandonado um local, abandonamos também o culto dos mortos. E a pouco e pouco também as lembranças desses homens e mulheres de ontem. Morremos. É assim que se morre. É assim que “desnascemos”, é assim que agonizamos na lembrança dos vindouros e que finalmente findamos.

Hoje estou aqui perante casas que já não o são. Um moinho derruído, sem nada, um engenho já podre. Apeteceu-me vir aqui para imaginar, para ver as ruas com gentes desenhadas na loucura desta perseguição que faço ao passado. Não conheço ninguém, nunca conheci ninguém e já não há quem se lembre de quem aqui tenha vivido.

Mas posso imaginar as pessoas, observá-las, ouvi-las, ver aquele grupo de crianças que brinca à sombra do castanheiro; o homem que passa de enxada ao ombro. E de repente os sons, todos os sons montesinos que aprendi a reconhecer como meus e da minha gente. E todos aqui estão, como desabrochados de um filme antigo mixado com o choro de crianças, o balir de ovelhas e o latir de cães cansados da fome dos homens. Até quase respondi ao simpático “boa tarde” daquela mulher que passou com o rosto granjeado a sol e geada.

O silêncio entranha-se-me no corpo, encharca-me os poros do cérebro. São agora cinco horas da tarde. Ecoa por todo o lado este silêncio medonho, em sereno conflito com os debilíssimos gemidos que brotam de entre os derrubes das pedras onde sucumbe o passado. Esta aldeia teve tanta vida, tanta gente e hoje é isto: silêncio, arqueologia!

Vim aqui porque gosto de ler. Sempre os livros. Sempre os livros a determinar esta minha banal e insignificante existência. Os livros, esses “malditos objetos” que não me deixam aquietar o pensamento. Vim aqui porque precisei de assemelhar. Precisei de comparar a minha imaginação, a realidade destas ruínas, com a imaginação e a realidade vertida no magnífico livro de Julio Llammazares, onde se fala de extinção, de esvaziamento, de abandono, de finitude.

“A Chuva Amarela” é já um livro antigo que estava ancorado na fila das intenções de leitura que tenho para fazer. Finalmente deitei-lhe mão e logo ao fim das duas primeiras páginas o monólogo do último habitante de um povoado abandonado do Pirineu aragonês prendeu-me a atenção. Também ele, esse tal último habitante, agora aqui está, em Gavião*, mas com o nome de José.

José olha-me daquela porta entreaberta, com os pés assentes no derrube do telhado que aconchegou o seu lar. José fala-me da solidão que lhe impuseram, fala-me do abandono a que o submeteram. Desta aldeia, José foi o último a partir. Há sempre um último a partir. Resistiu. Resistiu o quanto pôde e já sem sequer poder continuou a resistir. Também quase enlouqueceu com o silêncio sepulcral a que o degredaram nos últimos anos de vida. José fala-me agora da solidão que está em toda a parte desta região e que da região apenas mantém a prosápia do seu nome. Fala-me desta solidão de gente que impregna as aldeias, as casas, as palavras, as árvores, o sol e as próprias sombras.

Em “A Chuva amarela” José não fala só de “Ainielle”, fala também de nós, de Gavião, de Trás-os-Montes.

Por isso vim até aqui. Vim até aqui para confrontar, para sentir, para escrever. E enquanto o sol abandona o rosto deformado da aldeia, as sombras vão lambendo lentamente Gavião. Depois, a pouco e pouco, surge o anoitecer. E agora, uma espécie de chuva amarela caí-me asperamente na alma, pesadamente na alma, como gritos derradeiros em ecos de desassossegar.

*Gavião é uma aldeia abandonada do concelho de Vila Flor, distrito de Bragança


António Luís Pereira
Arqueólogo/Historiador de profissão. Desenvolve a sua atividade no âmbito da investigação, gestão e preservação do Património Cultural. É autor de publicações de divulgação e de publicações com carácter científico. Divulgador. Exerce regularmente, por complemento da sua ação cultural, a atividade da escrita jornalística.

CICLO DE CINEMA

Ativismo Ambiental é o tema transversal a todos os filmes que a Palombar propõe para o CICLO de CINEMA '20. Este é um tema central que urge ser debatido, numa altura em que a crise climática e a extinção de espécies ameaçam a sustentabilidade da vida na Terra.

As sessões são gratuitas e decorrerão nos dias 5, 12, 19 e 26 de fevereiro.

Revelaremos em breve os nomes e as sinopses de todos os filmes que poderá ver num ambiente acolhedor e de partilha de ideias.

FILMES
GUADIANA SELVAGEM | 5 FEV
Realizador Daniel Pinheiro
Ano 2018
Género Documentário
País Portugal
Duração 45'

O documentário Guadiana Selvagem do realizador Daniel Pinheiro é uma viagem que nos leva a desbravar a riqueza natural do Vale do Guadiana. Com imagens deslumbrantes que nos transportam para uma das regiões mais belas do país, este documentário mostra-nos toda a beleza selvagem dos habitats, da fauna, da flora e das paisagens deste Vale com características únicas. O objetivo é contribuir para a valorização da sua biodiversidade e ecossistemas, bem como alertar para as ameaças que sobre eles pairam.
Este documentário de história natural foi produzido no âmbito do projeto Geração Bio, promovido pela Câmara Municipal de Mértola com o apoio do Programa POSEUR//Portugal 2020 Fundo de Coesão da União Europeia.
Um documentário único e imperdível!

Concurso de Fotografia Turistando por Bragança

Desafiamos os amantes de fotografia a participarem no Concurso de Fotografia Turistando por Bragança dinamizado pela ACISB.

As fotografias devem ilustrar o destino Bragança, através do potencial do seu Património Natural, Cultural e Comércio Tradicional

O Concurso de Fotografia é aberto a fotógrafos amadores ou profissionais de qualquer nacionalidade residentes em Portugal.

Categorias a concurso:
Categoria I – Património Natural, Cultural e Gastronómico
Categoria II – Comércio Vivo

As 3 fotografias vencedoras de cada categoria vão ser premiadas
Mais informações, submissão das fotografias e consulta do regulamento AQUI.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

DIRECÇÃO DA COOPERATIVA DE ALFÂNDEGA APRESENTA DEMISSÃO

A direcção da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé apresentou a demissão depois da última Assembleia Geral.

O Jornal Nordeste sabe que a reunião dos associados, no dia 12, foi palco de uma discussão acesa, que terá tido origem no pedido de explicações sobre a aquisição, por parte do gerente da entidade, de três terrenos que eram explorados pela cooperativa. As propriedades rústicas estavam, desde 1970, abrangidas por um contrato de cedência de exploração, entre a cooperativa e os proprietários, e só podiam sair deste regime caso fosse paga uma indemnização pela retirada das terras, determinada pelo valor das benfeitorias calculadas pela cooperativa. Esta entidade de gestão agrícola tinha direito de preferência do terreno, mas não o terá exercido. 
O presidente da mesa da assembleia pediu à direcção que fosse retirado das funções o gerente e que lhe fosse instaurado um processo disciplinar, sob pena de a situação “afectar gravemente a credibilidade da cooperativa e inquinar a relação de confiança entre dirigentes e entre estes e os associados, no caso de ficarem dúvidas quanto à isenção e exemplaridade das suas actuações e comportamentos”. Joaquim Ribeiro considera mesmo que há “indícios fortes da prática de actos não permitidos por lei e causadores de prejuízos pecuniários e reputacionais sérios à cooperativa”. Depois de todos os elementos da direcção terem apresentado a demissão, a 17 de Janeiro, a mesa da assembleia decidiu aceitar o pedido, mas diz não aceitar os motivos. 
Não comentando o que se passou na última assembleia, o presidente da direcção, que está à frente da cooperativa há 14 anos, Eduardo Tavares, explicou que apresentou a demissão, a par dos restantes membros, porque se está a aproximar a apresentação do relatório de gestão, em Março. “Entendíamos que este é o momento ideal, de forma até antecipada, para promover uma reflexão e discussão interna para poder permitir que haja novas pessoas, novos projectos e ideias para levar por diante esta importante instituição do concelho”, afirma o responsável. 
O também presidente da câmara de Alfândega da Fé afirma que “aguarda com expectativa que seja feito esse acto eleitoral”. Apesar da demissão, a direcção deixa “uma palavra de tranquilidade aos associados”, garantindo que “tudo fará para que a instituição continue a trabalhar de forma normal”. 
Apesar do debate aceso na última assembleia, Eduardo Tavares entende que não se tratou de “nada de anormal” e acrescenta que “a cooperativa sempre viveu destes momentos” e que a “discussão à volta das questões da agricultura, do rendimento, do azeite e dos pesos é normal”. Acrescenta que “há momentos de altos e baixos, discussões e querelas” por vezes nas cooperativas, mas que “não vale a pena dar grande valor”, considerado que o importante é a estratégia para a instituição. 
Na próxima Assembleia Geral, marcada para dia 16, será discutida a constituição de uma comissão administrativa, com poderes de gestão corrente, que possa fazer uma auditoria às contas da cooperativa, apresentar queixas no Ministério Público em relação aos factos apurados, instaurar procedimento disciplinar ao gerente da cooperativa, com o propósito de proceder ao seu despedimento com justa causa, que tenha ainda a função de investigar as decisões de entrega de terras ao longo dos últimos dez anos e de preparar o próximo acto eleitoral.

Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Três feridos com gravidade em choque frontal com capotamento em Miranda do Douro

Quatro pessoas ficaram feridas, esta tarde, três delas com gravidade, na sequência de um choque frontal entre duas viaturas, que culminou num capotamento.
O acidente aconteceu na Estrada Nacional 218, que liga Miranda do Douro ao Santuário do Naso, mais concretamente no cruzamento. 
As vítimas, que foram transportadas para o hospital de Bragança, são dois homens, com cerca de 60 anos, e duas mulheres, uma de 17 e outra de 55 anos.


INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

Homem detido em Freixo por violência doméstica

Um homem, de 62 anos, foi detido, ontem, em Freixo de Espada à Cinta, por violência doméstica.
A GNR de Bragança, através do Núcleo de Investigação e Apoio a Vitimas Especificas, no âmbito de uma investigação, apurou que o homem agredia fisicamente e ameaçava a companheira, de 60 anos, tendo sido dado cumprimento a um mandado de detenção.

Ao homem foram-lhe ainda apreendidas uma arma de fogo e outra de ar comprimido, em duas buscas domiciliárias.

O detido, com antecedentes criminais pelo mesmo tipo de crime, foi presente ao Tribunal Judicial de Torre de Moncorvo, e ficou sujeito à proibição de contacto e de aproximação da vítima, bem como dos locais que a vítima costuma frequentar, nomeadamente a sua residência e trabalho.

Escrito por Brigantia