O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, reiterou hoje a necessidade estratégica de uma nova ligação a Espanha para transporte nacional de mercadorias, apontando poupanças financeiras e a proximidade à alta velocidade ferroviária espanhola.
Hernâni Dias falava na inauguração de uma nova fábrica da Faurecia, a multinacional francesa de componentes automóveis com a perspetiva da criação de mais 400 postos de trabalho a juntar aos atuais 850 da unidade que labora na cidade transmontana desde 2001.
O autarca aproveitou a presença do secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, para defender "como estratégico que Bragança deverá ser um ponto de referência ao nível do transporte de mercadorias a nível nacional".
Hernâni Dias argumentou que, nomeadamente as mercadorias do porto de Leixões que seguem para os portos marítimos espanhóis e pelas autoestradas do mar, se forem transportadas por via rodoviária através de Bragança "permite uma poupança de 70 quilómetros em cada viagem".
O autarca entende que "é manifestamente significativo, importante até sob o ponto de vista até da própria sustentabilidade do planeta na questão ambiental e atrativo para qualquer empresa sob o ponto de vista financeiro"
Este objetivo é alcançável, segundo defendeu, com a reclamada há anos ligação de cerca de 30 quilómetros de Bragança a Puebla de Sanábria, em Espanha, onde passará o comboio de alta velocidade espanhol e para onde está prevista uma estação.
"Entendemos nós que efetivamente a ligação Bragança/Puebla de Sanábria é uma prioridade para a região e para o país", reiterou.
O autarca de Bragança pediu também a elevação da classificação do aeródromo municipal a aeroporto regional para maior capacidade para outros voos, além da atual carreira aérea Bragança/Vila Real/Viseu/ Tires (Cascais)/Portimão.
Embora não tendo a tutela direta, o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, respondeu que as "obras públicas, nomeadamente rodoviárias, têm de ser previstas nos quadros comunitários" e "os apoios só podem vir de fundos comunitários".
"Se o anterior Governo colocou essa obra no quadro comunitário atual para ser financiada, certamente acontecerá, se não, certamente teremos de iniciar os estudos para perceber da viabilidade e colocar no próximo quadro comunitário", declarou.
O secretário de Estado lembrou que o Governo "decidiu que as obras viárias, rodoviárias prioritárias devem ser aprovadas no Parlamento por dois terços porque são obras que duram várias legislaturas, e o seu impacto dura por décadas, por isso devem ser obras aprovadas por uma maioria no Parlamento".
HFI // MSP
Lusa/fim
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