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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

ESTAMOS DIFERENTES

Desde a entrada de Portugal para o club Europeu que vivemos de uma forma em que tudo urge, uma forma febril até.
A Europa, lenta mas inexoravelmente moldou-nos, formatou-nos para o que hoje somos. O dinheiro a rodos numa fase, a escassez do mesmo na crise e todos os dias ouvir que o nosso futuro depende do relatório A, do parecer B ou de classificações feitas por comissões, correctoras e outros que nos são estranhos, fazem-nos sentir acossados, tornaram-nos muito mais individualistas, menos solidários e onde o único lema consensual é o do desenrasca. Tudo isto fruto das três coisas que a Europa nos trouxe. Uma boa, que são os subsídios; outra má, que são os subsídios; e outra péssima, perversa até, que são os subsídios. Boa, pelos investimentos que proporciona; má, pelas expectativas enganadoras que gera, parecendo, não raras vezes um presente envenenado (40% de subsidio só faz pensar que arrecado 40% do investimento. Não faz pensar que tenho de por os 60% que faltam); péssima e perversa porque nos conduziu a um estado de espirito com o qual ninguém cria, inova ou empreende senão houver subsídio no horizonte do investimento. (lembram-se daquela história em que dois políticos comentando um elenco governativo recém empossado, um pergunta a outro sobre o Ministro da Agricultura: “mas ele sabe alguma coisa de agricultura?” O outro responde: “não, mas sabe muito de subsídios.”) Ao cheiro desta “canela” o País ensandece.
Vem isto a propósito da polémica gerada em torno das Escolas Com Contrato de Associação porque de subsídio se trata. Alguns, por falta de argumentos, querem, à viva força, transformar esta polémica numa guerra entre o ensino público e o privado. Mas não, não é de forma alguma, o tema em discussão. Como é sabido, por imperativo constitucional, o Estado obriga-se à criação duma rede escolar com cobertura Nacional a fim de implementar a escolaridade obrigatória. Mas face à dificuldade em criar a rede Nacional em tempo útil, o Estado socorreu-se de parcerias público-privadas (vulgo Escolas Com Contractos de Associação que não são mais que escolas privadas mas financiadas pelo Estado) a fim de colmatar as falhas da rede. Daqui resulta que só têm razão de existir Escolas Com Contracto de Associação em espaços geográficos que a rede pública não conseguiu incorporar. Mas sucessivos desmandos de vários Governos, uns por clientelismo, outros por compadrio, também por despesismo ou ainda por motivações ideológicos subverteram a ideia inicial. 
Então surgiram Escolas Com Contrato de Associação em lugares onde nada as justificava. O que agora se questiona é o facto de estas escolas receberem subvenções estatais sendo suplectivas, isto é, existe rede pública no espaço geográfico onde estas escolas estão implantadas. E onde existe rede pública as escolas privadas devem providenciar o seu financiamento fora da esfera do Estado e quem, por qualquer motivo, as deseje frequentar deverá fazê-lo a expensas próprias. Mal se entenderia que tendo o Estado uma escola num espaço geográfico, aí mesmo financiasse uma outra privada para fazer o mesmo que a pública faz. E também não se entenderia que, como consequência da diminuição da população estudantil, o Estado fechasse as suas escolas para manter abertas as privadas por si financiadas. Era a manutenção da lógica das parcerias público-privadas que alguns, que tão acaloradamente as denunciaram por terem sempre do lado do privado os lucros e do outro lado os riscos, pretendem ver concretizadas nessas escolas. Não tem, assim, razão o Governo anterior nas críticas pois fez, e bem, coisa parecida na Saúde. Deixou de comparticipar as análises clinicas dos utentes do SNS feitas fora dos laboratórios do Estado. 
Não têm, também, razão o homens dos Colégios quando acusam o Governo de querer denunciar unilateralmente os contractos em vigor. O Governo já disse e redisse que os contractos em vigor seriam respeitados escrupulosamente mas que não haveria novos contractos. E foi rigorosamente isso que os homens dos Colégios entenderam. Que os contratos eram para cumprir, sabiam-no eles. Aliás, qualquer Tribunal lhes daria razão. O que eles querem são novos contractos e outros e outros e outros de forma a perpetuar uma renda a que eles entendem ter direito.
Surpreende-me e entristece-me que a Igreja Católica junte a sua voz a este coro de protestos porque este não é o seu patamar. Portugal tem uma dívida de gratidão à Igreja Católica pela sua quota na literacia Nacional.(quantos não se teriam ficado pelo 1º grau não fosse a sempre disponibilidade dos Seminários.) E todo este trabalho a Igreja fez de uma forma abnegada, solidária, com espírito de missão e nunca sugerindo qualquer subsídio. Não haverá, hoje, quem faça outro tanto.
Estamos diferentes.

Por Manuel Vaz Pires
in:jornalnordeste.com

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