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| Foto: CFE |
Durante 12 anos, investigadores das universidades de Coimbra, Porto (Associação BIOPOLIS) e Córdoba (Argentina), analisaram os comportamentos das aves numa floresta de Coimbra. Estudaram, mais concretamente, a composição nutricional e energética dos frutos e a densidade de outras plantas e como isso influencia as escolhas alimentares das aves e os serviços que estas prestam na dispersão de sementes.
Os resultados, publicados a 9 de fevereiro na revista científica Current Biology, mostram que as aves frugívoras preferem frutos raros, com características nutricionais mais distintivas em relação à vizinhança.
Os especialistas verificaram ainda que as plantas beneficiam da proximidade de outras plantas com frutos, uma vez que assim conseguem atrair mais aves dispersoras de sementes para a mesma área.
“Esta preferência que as aves têm para comer frutos raros e dispersar as suas sementes mostra a importância das interações entre as espécies para a diversidade das plantas”, comentou, em comunicado, Guadalupe Peralta, primeira autora do estudo e investigadora do Instituto Multidisciplinario de Biología Vegetal, CONICET, da Universidad Nacional de Córdoba.
Segundo os autores, esta investigação fornece a primeira evidência empírica de que a tendência das aves para complementarem as suas dietas com nutrientes e frutos raros é um mecanismo importante para favorecer a dispersão de sementes das espécies localmente raras, contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade vegetal à escala regional.
“É extraordinário que o simples facto de as aves tentarem diversificar a sua dieta, consumindo os frutos mais raros e estranhos que encontram, ajude essas plantas a não serem eliminadas por outras mais comuns e competitivas”, disse Ruben Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra) e investigador do CFE. “Num certo sentido isto faz das aves as defensoras dos fracos e oprimidos na natureza e zeladoras da biodiversidade.”


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