O Ministro da agricultura diz que os caçadores não são vilões e ajudam no equilíbrio da biodiversidade. Durante a feira da caça e turismo, que decorreu este fim de semana em Macedo de Cavaleiros, José Manuel Fernandes, frisou ainda que a carne de caça deve ser valorizada.
“Baixamos o IVA para ao mínimo, 6% para a carne de caça. Estamos a avançar com o decreto-lei para podermos ter matadouros móveis mas também para poderem existir projetos piloto para que haja, no fundo refrigeração para essa carne. Nós temos que a valorizar para que ela não vá para o estado-membro vizinho e depois voltar a entrar. Nós temos excesso de javalis neste momento, causam destruição e os caçadores ajudam a esse equilíbrio. Até em termos da própria biodiversidade, nós não vemos o caçador como um vilão, vemo-lo como alguém que respeita o ambiente, que cumpre as regras e que, pelo contrário, se quer caçar, quer que as espécies continuem e existam."
Para o ministro, eventos como a Feira da Caça e do turismo são uma mais valia para a coesão territorial e uma montra dos produtos locais. “Olho para estes eventos como uma mais-valia, que combatem aquilo que é sazonalidade até do ponto de vista turístico. Eventos que atraem, são a montra dos nossos produtos, incentivo para a produção. Nesse ponto de vista eu só posso agradecer às câmaras municipais que fazem um trabalho notável em termos do reforço do território, da sua promoção, dos nossos produtos e isto funciona também como alavanca, como incentivo e desse ponto de vista é importante", disse.
Uma montra que é importante para expor os produtos, mas também para quem os produz.
“Venho para divulgar o meu produto e vender. Vem bastante gente de vários sítios”, disse Rute Anes que foi, pelo terceiro ano à feira, para expor o azeite macedense.
Outro expositor da região adiantou que “sempre se fazem boas vendas, criam-se novas amizades, novos contactos e basicamente também é a festa, é a nossa festa atrás dos montes, é a festa dos caçadores.”
Mas também vêm de outras zonas do país. É o caso de José Mendes que veio pela 14ª vez da Serra da Estrela até Macedo de Cavaleiros para expor o seu queijo. Para ele “a Espanha costuma trazer muitos caçadores, costuma trazer muita gente a acompanhar. Também costuma vir muita gente da Zona Norte, do Porto, do minho”, contou.
Para quem trabalha no setor da caça, esta feira é também uma oportunidade para dar a conhecer a atividade cinegética. Tiago Tacão, distribuidor de material de caça, lembra que a caça é uma prática, cada vez mais, dispendiosa. Apesar dos custos frisa que ser caçador é muito mais que puxar o gatilho:
“Para caçar precisamos de pagar muita coisa e incluímos licenças, seguros, incluímos tudo para estarmos legais a fazer a nossa atividade favorita e este tipo de equipamentos ainda encarecem mais. Nós temos aqui equipamentos a partir dos 400€ até aos 5.000€ e ainda temos de alimentar os animais, porque um caçador que é caçador Não é só caçar, não é só matar, não é só puxar o gatilho. Ao contrário do que se pode pensar, nós alimentamos, elegemos um animal. Não andamos a tirar de tudo, a caçar tudo. Portanto, nós também ajudamos na fauna. Nós não temos ajuda, por exemplo, para comprar alimento para os animais. É do nosso bolso”
A Feira da Caça e do turismo vai já na vigésima oitava edição, já a Festa dos Caçadores do Norte vai na trigésima edição. Ambas decorreram em simultâneo este fim de semana em Macedo de Cavaleiros.
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