Cinquenta e três organizações de agricultores de Trás-os-Montes e Alto Douro uniram-se em apoio às reivindicações da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), exigindo ao Governo medidas urgentes para travar o agravamento das dificuldades do setor primário. Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 8 de outubro, as estruturas regionais alertam para a crescente pressão sobre a viabilidade das explorações agrícolas, pecuárias e florestais, num território onde a atividade rural tem um papel determinante na economia e na coesão territorial.
O documento traduz uma posição conjunta de associações, cooperativas e organizações de produtores que consideram estar em causa a sustentabilidade de milhares de explorações familiares. A subida dos custos da energia, dos combustíveis, dos fertilizantes, dos produtos fitofarmacêuticos e da alimentação animal, a par dos constrangimentos burocráticos, é apontada como um dos principais fatores de pressão sobre a atividade.
As organizações sublinham que estas dificuldades se agravam num território marcado pela interioridade, pelo despovoamento e pelos efeitos das alterações climáticas. A situação preocupa particularmente uma região cuja produção agroalimentar inclui produtos de referência, como o azeite, o vinho, a castanha, a carne e os frutos secos, muitos deles protegidos por denominações de origem ou indicações geográficas.
QUATRO EXIGÊNCIA PARA O FUTURO DO SETOR
Entre as principais reivindicações está a aprovação imediata do pacote de emergência proposto pela CAP, destinado a atenuar o impacto dos custos de produção e a assegurar liquidez às explorações.
As 53 organizações defendem também uma revisão dos apoios destinados à agricultura de montanha e de sequeiro. Pretendem que as medidas agroambientais e os fundos comunitários tenham em conta as condições específicas de Trás-os-Montes e Alto Douro, nomeadamente as características dos solos e do clima, que condicionam a produtividade e a gestão das explorações.
Outra das prioridades identificadas é o reforço do investimento na retenção de água e nas infraestruturas de regadio. A escassez hídrica é considerada uma ameaça à continuidade de várias culturas, tornando necessário melhorar a capacidade de armazenamento e de utilização deste recurso.
A valorização da produção nacional e o combate às práticas comerciais desleais na cadeia de abastecimento completam o conjunto de exigências. As organizações querem garantir condições de comercialização mais justas e proteger o rendimento de quem produz.
O RISCO DE ABANDONO RURAL NO INTERIOR
A posição conjunta coloca no centro do debate o futuro da agricultura numa região onde a atividade agropecuária e florestal contribui para a manutenção de emprego, a gestão do território e a fixação das populações.
Para as estruturas subscritoras, a resposta às dificuldades do setor não pode limitar-se a medidas pontuais: exige políticas que reconheçam as especificidades da agricultura do Interior e assegurem condições para a continuidade das explorações.
O apelo é dirigido ao Governo e aos órgãos de soberania, a quem as organizações pedem uma resposta célere às reivindicações apresentadas pela CAP, alertando para o risco de o abandono rural se tornar irreversível.
A subscrição reúne entidades ligadas à agricultura, à pecuária, à viticultura, à olivicultura, à fruticultura, à apicultura e à gestão agroflorestal, bem como cooperativas e centros de gestão agrícola de diferentes pontos de Trás-os-Montes e Alto Douro.
A mensagem comum é clara: a sustentabilidade económica das explorações é também uma questão de desenvolvimento regional, com consequências para a produção alimentar, a preservação da paisagem, a vitalidade das comunidades rurais e a coesão territorial.
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