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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

CeDRI aproxima empresas da investigação com 120 projetos executados ou em execução

 O Centro de Investigação em Digitalização e Robótica Inteligente (CeDRI) da Universidade Politécnica de Bragança tem 47 projetos em execução e desenvolveu 120 nos últimos cinco anos (nacionais e internacionais), com um valor financeiro de 15 milhões de euros. 


Os números foram avançados ao Mensageiro de Bragança pela investigadora e coordenadora adjunta Ana Pereira, durante o CeDRI Industry Day, realizado na quinta-feira, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTiG).

O encontro juntou investigadores, empresas e entidades ligadas ao financiamento da inovação, com o objetivo de aproximar o conhecimento científico das necessidades do tecido empresarial. Incluiu painéis de debate, demonstrações de protótipos e uma visita às instalações do centro.

“Para mim foi um sucesso este evento”, afirmou o coordenador do CeDRI, Paulo Leitão, destacando a participação das empresas e o interesse gerado nas discussões. A intenção era “abrir as portas do centro para mostrar as suas infraestruturas, competências e capacidade de desenvolver soluções tecnológicas, mas também conhecer as necessidades dos parceiros”.

O financiamento, os projetos colaborativos e a transferência de tecnologia estiveram no centro do debate. Paulo Leitão sublinhou a importância de conhecer antecipadamente as regras do próximo programa-quadro europeu, para que empresas e instituições científicas possam preparar candidaturas competitivas.

Uma das aplicações apresentadas foi o iSafety, desenvolvido em colaboração com a Sonae MC para antecipar riscos de acidentes de trabalho. Segundo Ana Pereira, o sistema está a funcionar em cerca de 410 lojas, depois de uma análise de dados históricos da empresa relativos a um universo de aproximadamente 40 mil colaboradores.

A ferramenta combina inteligência artificial e otimização para informar os responsáveis das lojas sobre o risco de acidente em diferentes secções, em quatro períodos do dia: abertura, manhã, tarde e fecho. As previsões abrangem o próprio dia e o seguinte, permitindo orientar ações preventivas para as áreas consideradas mais críticas.

Para proteger o anonimato dos trabalhadores, a análise por secção exige um mínimo de dez colaboradores, explicou a investigadora.

Abel Pires, da Sonae MC, destacou a possibilidade de cruzar dados de ergonomia e segurança com variáveis operacionais e externas, como as condições meteorológicas ou o trânsito. “Aquilo que nós ganhámos foi a transformação de dados, que nós tínhamos muitos, em conhecimento”, afirmou. Esse conhecimento traduz-se em alertas enviados às unidades e em medidas de prevenção.

O responsável ressalvou, porém, que a redução da sinistralidade registada pela empresa não pode ser atribuída isoladamente ao modelo. O iSafety é mais uma ferramenta de gestão, integrada num trabalho que inclui auditorias, investigação de acidentes, acompanhamento e sensibilização dos trabalhadores.

A experiência do CeDRI na análise de dados tem aplicações noutras áreas. Ana Pereira referiu projetos ligados à deteção de incêndios, ao apoio à decisão na atribuição de transplantes de fígado, em colaboração com o Hospital de Santo António, no Porto, e à agricultura, através do cruzamento de informação do solo e das condições meteorológicas.

“O que nós fazemos aqui é desenvolver novas estratégias, novos algoritmos, novas abordagens para que esta decisão seja mais efetiva”, explicou, defendendo a disponibilização dos modelos para utilização e adaptação pelas empresas.

Para Umberto Pellegri, da Catraport, estes encontros ajudam a criar uma cultura de aproximação entre empresários e investigadores. O responsável considera que existe inovação na região, mas que nem sempre é partilhada. “Cada empresário cria a sua inovação, mas não quer partilhar”, observou, defendendo que uma maior ligação entre o trabalho das empresas e o conhecimento do CeDRI pode elevar a capacidade de inovação do território.

Na apresentação sobre financiamento e oportunidades, Ricardo Simões, chefe de Divisão para a Inovação e Competitividade Regional da CCDR-N, salientou a necessidade de um sistema regional de inovação territorialmente mais equilibrado. Entre as prioridades apresentadas estiveram as tecnologias digitais, a inteligência artificial, a robótica, as tecnologias limpas e a biotecnologia.

Ricardo Simões apontou ainda a necessidade de reduzir os obstáculos burocráticos e regulatórios e defendeu uma mudança dos apoios a fundo perdido para instrumentos de empréstimo, acompanhada de maior investimento em investigação, desenvolvimento e inovação.

António G. Rodrigues

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