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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Duas centenas de atores participam em festival de teatro em Moncorvo

Cerca de duas centenas de atores de teatro amador vão reunir-se, de quinta-feira a domingo, em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, para participar no XIX Fórum Permanente de Teatro e IV Festival Ibérico de Teatro.
"Esta é uma forma de divulgar o que se faz no país em termos de teatro amador, servindo a iniciativa, igualmente, para dar formação as mais diversos intervenientes numa peça de teatro desde atores, técnicos, guarda-roupa ou caracterização", explicou à Lusa Esperança Moreno, do grupo Alma de Ferro, a companhia organizadora do certame.

Segundo a também atriz e responsável pela companhia de teatro transmontana, esta é uma forma de divulgar as artes de palco no interior do país e no território fronteiriço, já que no encontro marcarão presença grupos vindos de Espanha, o que permitirá uma troca de experiências.

"Para nós é muito importante ter um fórum e um festival ibérico dedicado ao teatro na nossa terra, já que é uma iniciativa que nos faz crescer e ao mesmo tempo um motivo de orgulho já que traz pessoas de todo o país e da vizinha Espanha", frisou.

A organização promete, durante os quatro dias da iniciativa, uma "grande variedade" de espetáculos para todas as idades e assim dar a conhecer as "potencialidades" do teatro amador que se faz pelo país.

"Uma das prioridades é que as peças de teatro a apresentar sejam compreendidas por todos os públicos", enfatizou Esperança Moreno.

A organização está a cargo da Federação Portuguesa de Teatro, Associação GAFT (Alma De Ferro Grupo de Teatro), Escenamateur Federación Teatro e da Câmara Municipal do Município de Torre de Moncorvo.

O Fórum Permanente de Teatro é "a atividade maior" da Federação Portuguesa de Teatro.

Agência Lusa

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - FRANCISCO LOPES PEREIRA, “RENDEIRO DOS MILHÕES” (MOGADOURO, 1617 – MADRID, 1683)

Francisco Lopes Pereira nasceu por 1617, em Mogadouro. Gaspar Lopes, seu pai, era mercador, natural de Chacim. E terá sido em Chacim, que Francisco foi iniciado no judaísmo, pela avó Joana Lopes e seus tios paternos João e Cristóvão, quando chegou aos 12 anos.
E nessa idade o pai e os tios paternos o iniciaram também na vida de mercador. Com eles terá viajado por terras de Portugal e de Espanha negociando tecidos. Aliás, a primeira culpa que lhe foi assacada respeita a esses tempos. Trata-se de uma denúncia feita em 1648 por Diogo Lopes, o capitão de alcunha, nos seguintes termos:
- Haverá 20 anos, achou-se ele confitente em Segóvia, em casa de Pedro Carrião, com Cristóvão Fernandes, cristão-novo, mercador, casado não sabe o nome da mulher e morador no Mogadouro e com Gaspar Lopes, cristão-novo, mercador, natural de Chacim e morador em Mogadouro e com Francisco Lopes Pereira, cristão-novo, natural do Mogadouro, hoje casado com Maria Dias, e estando todos juntos, se declararam que criam e viviam na lei de Moisés e que faziam os jejuns… (1)
Cristóvão Fernandes era um dos tios de Francisco e Gaspar Lopes o pai, mercadores ambulantes que “vendiam mercadorias em Segóvia, Medina, Madrid e Toledo: não passavam mais de 8 a 15 dias em cada sítio e logo iam a Braga, Coimbra, Guimarães, Aveiro e Lisboa”. (2) Assim andaria “servindo” seu pai e seus tios, por dois anos, tempo suficiente para o jovem Francisco fazer o seu pé-de-meia e meter-se a negociar por sua conta e risco. Inclusivamente para contratar dois criados que o ajudariam no negócio, levando lenços para Espanha e de lá trazendo sedas.
Nem sequer o levantamento de 1640 e a guerra da restauração fizeram parar o seu negócio transfronteiriço. Veja-se, a propósito uma declaração por ele feita em Abril de 1651:
- Disse que este setembro fará um ano, se achou ele confitente na cidade de Salamanca onde foi com licença de Sua Majestade, na pousada que se chama “El Mesón de los Toros” com Manuel Fernandes Carlos (…) e com Henrique Lourenço (…) e estando todos juntos fizeram o dito jejum do dia grande.
Em 1647 faleceu em Mogadouro um jovem cristão-novo chamado João Borges e o trato do defunto, mortalha, cerimónias e ritos funerários, tudo foi feito à maneira judaica, com esmolas e jejuns e profissões de fé na lei mosaica.
A notícia do acontecimento chegou ao santo ofício de Coimbra que mandou investigar o caso. (3) Seguiu-se a entrada da inquisição e um verdadeiro “tsunami” arrasou a comunidade marrana de Mogadouro com cerca de centena e meia de prisões, em vagas sucessivas.
Francisco Lopes Pereira foi um dos 84 decretados a prisão na vaga de 22 de fevereiro de 1651, a maior de todas. Poucos dias depois de ser preso, logo começou a confessar e pedir perdão de suas culpas, saindo condenado em hábito a arbítrio no auto da fé de 14.4.1652.
Quando foi preso, Francisco era já casado com Maria Dias, de Chacim e tinha dois filhos: Gaspar e Manuel, de 6 e 4 anos, respetivamente. (4)
Regressado a Mogadouro, tentaria retomar os seus negócios quando um estranho acontecimento abalou a vila. Foi o assassinato de um seu primo carnal, chamado António Lopes e outro companheiro seu enquanto dormiam, em um sítio ermo, à beira de um caminho, próximo da aldeia de Remondes. Os matadores foram Francisco Lopes Peña e Diogo Henriques Pereira, cunhados entre si, ajudados por um Francisco Luís. O pretexto dos matadores foi o facto de António Lopes andar metido de amores com Maria Lopes, irmã de Francisco Peña, mulher de Francisco Lopes Compra, ausente em Castela.
Francisco Lopes Pereira tomou a peito a vingança da morte do primo. Foi a Lisboa e conseguiu que a Justiça real levasse o processo-crime por diante, acabando os matadores por ser condenados à morte por enforcamento. Porém, como haviam fugido para Espanha e não foi possível executá-los, fizeram-se três “estátuas” dos matadores, as quais ficaram penduradas na forca da vila de Mogadouro.
Obviamente que estes acontecimentos acrescentaram medos, ao medo da inquisição. E tal como outros muitos, Francisco foi com a mulher e os filhos a viver para Espanha, precedido, aliás, por vários parentes. Viveu em Madrid cerca de meio ano, tempo suficiente para conhecer a cadeia civil por “muitos dias”. Na base desta prisão estaria um litígio comercial com os irmãos Carvalho, fugidos também de Mogadouro.
Por essa altura Francisco tinha uma parceria comercial com Manuel da Costa, a qual começara já em Mogadouro. E os dois parceiros, breve deixaram Madrid e se foram para Granada, tendo Manuel da Costa precedido em meio ano a chegada, porventura devido a percalços surgidos com a prisão do sócio.
Em Granada tinha Francisco o seu irmão Diogo que trazia arrendado o monopólio da distribuição do tabaco, não apenas na cidade mas em toda a região. Significa isto que em volta dele gravitavam não apenas familiares seus, mas uma pequena multidão de correligionários idos de Mogadouro, Chacim, Vila Flor e outras terras Trasmontanas, empregados uns na Fábrica do tabaco e outros nos postos de venda espalhados pela cidade e pelo reino.
Diogo Lopes e Clara Lopes sua mulher não tinham filhos e para sua casa foi morar Francisco e a família, então acrescida com o nascimento da filha Beatriz. E se a casa de Diogo Lopes era já o ponto de encontro de muita gente, com a chegada de Francisco tornou-se um verdadeiro areópago que, por vezes virava “sinagoga”. Como aconteceu no mês de setembro de 1656, conforme testemunho de Ana de Cáceres:
- Disse que fizeram o jejum do dia grande em suas casas onde viviam nesta cidade os ditos Francisco Lopes Pereira e D. Maria Angel; Gaspar e Manuel, seus filhos; Diogo Lopes Pereira e Clara Lopes, que viviam em uma casa; e Ana Lopes e seu marido e sua filha, que viviam em outra; Maria Nunes, casada com um Fulano de Salamanca, que viviam em outra casa. E pela tarde se juntaram todos em casa de Francisco Lopes Pereira. (5)
Esta e outras denúncias tiveram como consequência a prisão de Francisco Lopes Pereira, em 1658, pela inquisição de Granada e a de sua mulher, D. Maria Dias, aliás, D. Maria del Angel, “na tarde de 15.1.1661”.
Não tivemos acesso a nenhum dos processos mas tão só a umas cópias da defesa de Maria Dias, remetidas de Castela anos depois e que andam no processo instaurado em Lisboa a seu filho Gaspar. Dali colhemos mais informações sobre Francisco Lopes Pereira que, ao chegar a Granada, “negociava em roupas como damascos, terciopelos, tafetás e o mesmo tratava de enviar estes géneros de sedas para Cádis e Sevilha”, logo depois se metendo no negócio do tabaco e tomando a renda dos “milhões” da cidade, um imposto que se pagava sobre o pão, o vinho e outros bens vendidos em público.
Não sabemos quanto tempo Francisco e a mulher permaneceram nas masmorras da inquisição mas temos o testemunho de Francisco Garcia da Costa, parente de Maria Dias dizendo que no ano de 1665 os viu “sambenitados” no “cárcere da penitência” em Granada.
Entretanto em outros tribunais da inquisição iam-se registando denúncias contra os mesmos e, por 1666-67, voltariam a ser presos, juntamente com o filho mais velho, conforme testemunho do filho Gaspar:
-Disse que o pai do réu, Francisco Lopes Pereira e sua mãe, Maria Dias del Angel e seu irmão, Manuel de Aguilar, sendo moradores em Madrid, foram presos pelo santo ofício e levados para a cidade de Toledo no ano de 1666 ou 67, estando o réu ausente, em Puerto de Santa Maria.
Seria curta a estadia na cadeia e eles condenados ligeiramente, em penas pecuniárias, talvez porque os “crimes” eram os mesmos por que já tinham penado anteriormente. Sobre a sua morte, temos a informação dada pela filha Beatriz em 1687:
- Disse que era filha de Francisco Lopes Pereira, morador desta cidade, rendeiro do tabaco e que falecera em Madrid havia 4 anos. (6)

Notas e Bibliografia:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 6790, de Francisco Lopes Pereira.
2-BAROJA, Julio Caro – Los Judíos en la España Moderna y Contemporánea, pg. 82-84, ed. Istmo, Madrid, 1978.
3-Uma devassa foi conduzida pelo deputado do mesmo tribunal Mateus Homem Leitão e outra pelo vigário geral de Moncorvo.
4-Francisco Lopes e Maria Dias casaram por 1643. Francisco era também o pai de Beatriz Lopes, nascida em 1644, de uma relação com Catarina Martins. – ANDRADE e GUIMARÃES – Gaspar Lopes da Costa, in: Jornal Nordeste, nº 1082 de 8.8.2017.
5-ANTT, inq. Lisboa, pº 2744, de Gaspar Lopes Pereira. – ANDRADE e GUIMARÃES – Gaspar Lopes Pereira, in: jornal Nordeste. nº 1083, de 15.8.2017. IDEM – Percursos de Gaspar Lopes Pereira e Francisco Lopes Pereira dois cristãos-novos de Mogadouro, in: Cadernos de Estudos Sefarditas, nº 5, pp. 253-297, Lisboa, 2005.
6-IDEM, pº 8338, de Beatriz Pereira Angel. ANDRADE e GUIMARÃES – Beatriz Pereira Angel, in: jornal Nordeste nº 1084, de 22.8.2017.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

O MANSO E O GUERREIRO IX – MIS ABUELOS

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

O encontro desta tarde cálida de setembro aconteceu em casa do Júlio Manso que esperava o seu velho amigo, Tomé Guerreiro, na varanda de madeira, logo ao cimo das escadas de cantaria, recostado numa velha cadeira de braços, encostada à parede. Lia calmamente um livrinho com marcas do tempo nas páginas amarelecidas.
– Hoje deu-lhe para a literatura?
– Estou a reler este exemplar que tinha ali no fundo da estante.
– De alguém conhecido? – perguntou, curioso o Tomé.
– Conhecidíssimo. Jorge Luís Borges.
– Ah sim, o moncorvense.
– Supostamente!
– Seguramente!
– Não está nada provado.
– Nada há para provar. O próprio não assumiu que eram portugueses e de Moncorvo “sus abuelos”?
– Mas isso não chega. Por isso mesmo a autarquia celebrou um acordo com a Universidade de San Martin para apurar a verdadeira genealogia do escritor argentino.
– Que desperdício de dinheiro!
– Essa agora? Porque acha que é desperdício?
– Simples. Pense comigo. Porque acha que a Universidade de Buenos Aires está interessada no estudo em causa?
– Para poder descobrir a verdade, porque haveria de ser?
– Sim, sem dúvida, mas com uma permissa clara e evidente.
– Que permissa? O que sabe o meu amigo disso?
– O que eu sei é o que a lógica me diz. Os investigadores argentinos querem estudar a genealogia dos Borges com a expetativa que não sejam efetivamente de Moncorvo.
– O que o leva a pensar assim?
– Veja bem, os investigadores trabalham, em qualquer ramo científico, para  poderem publicar, certo?
– Certo, e daí?
– Daí que só é digno de publicação o que trouxer novidade. A partir do momento em que o escritor se declarou moncorvense tendo até visitado a vila nordestina, as suas origens ali deixaram de ter qualquer originalidade. Singular e interessante seria descobrir que afinal a sua origem era noutro local do norte português. Ora se a Câmara, interpretando o sentimento dos munícipes, tem tanto orgulho e proa nas origens conhecidas pode na prática usar o dinheiro público para destruir esse “património” que obtivera diretamente das mãos do académico sulamericano.
– Mas pode chegar à conclusão que afinal é mesmo como se supunha.
– Pode. E nesse caso o que é que o município ganha? Nada. Pagou para obter o que já tinha.
– Mas agora certificado.
– E que valor tem essa certificação? Sabe como essas coisas são. Lançada uma dúvida haverá sempre quem a possa retomar no futuro. Mas agora imagine que a conclusão é contrária aos interesses da autarquia.
– Bem, nesse caso, efetivamente, a aplicação dos escassos recursos públicos não terá sido a mais acertada.
– Claro. Mas não só.
– Há mais?
– Claro que há mais. Muito mais. Porque se o estudo disser que a origem do Borges é outra que reação poderá ter a Câmara que  apoiou e patrocinou o projeto?
– Não será uma posição fácil, não.
– No mínimo não poderá contraditar um trabalho apoiado, promovido e sustentado por si. Pagou, perdeu e nem pode reclamar. Não parece boa ideia andar a jogar na roleta com o dinheiro de todos.
– Provavelmente tem indicadores que apontam no outro sentido.
– Mesmo assim. Nunca deveria ter admitido a dúvida. Porque a partir desse momento, sabemos bem por outros exemplos, alguém há-de, num qualquer dia, levantar de novo essa hipótese e explorá-la. Nessa altura, o Município, se não tivesse participado no estudo anterior, além de não ter desperdiçado dinheiro estaria em muito melhores condições para a contraditar
– Lá isso...

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.


Feira dos Gorazes vai ser apresentada no Porto

Outubro é mês de Gorazes e a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Mogadouro e o Município de Mogadouro já trabalham na Feira de 2017. Na edição deste ano, a organização quer alargar o conceito dos Gorazes e procurar uma maior abrangência na promoção da «Economia Rural», criando uma nova e importante janela de oportunidades neste segmento de negócios.
É dentro de um ambiente característico e bem popular que os Gorazes este ano se mostram ao país, no PORTO WELCOME CENTER, sendo certo que este certame tem na sua longevidade uma das garantias da sua relevância enquanto montra da economia regional, bem como dar a conhecer o que melhor a região tem em termos de gastronomia, natureza, cultura, monumentos que lhe transmitem uma autenticidade única a nível nacional.

Os Gorazes vão continuar a apoiar e dinamizar as fileiras mais representativas dos sectores económicos da região nordestina, quer através da aposta no reforço da divulgação do certame com o consequente aumento do número de visitantes/compradores, quer ainda no contributo para a valorização dos profissionais.

Com mais de 30 mil visitantes registados na edição anterior, incluindo um número significativo de profissionais, os Gorazes são a mais importante e representativa montra do sector agrícola da região Nordestina.

A apresentação dos Gorazes 2017 realiza-se dia 4 de outubro de 2017, pela 11.00 h, no PORTO WELCOME CENTER, Loja Interativa de Turismo da Porto e Norte na Rua das Cardosas, em frente à Estação de São Bento.

Alfândega da Fé foi distinguida pelo 3.º ano consecutivo com a Bandeira Verde ECO XXI, consolidando o título de eco município

A Câmara de Alfândega da Fé foi premiada, pela terceira vez consecutiva, com o Galardão ECO XXI. Trata-se de uma distinção, atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa, que vem reconhecer as boas práticas do Município de Alfândega da Fé no domínio da sustentabilidade económica, ambiental e social dos municípios.
Esta distinção é atribuída com base na avaliação de 21 indicadores relacionados com a educação ambiental, qualidade do ar e água, conservação da natureza, gestão e conservação da floresta, gestão de resíduos e saneamento, ordenamento do território, mobilidade, agricultura e desenvolvimento rural, participação cívica, informação, energia, turismo, entre outros. Alfândega da Fé tem vindo a melhorar o seu desempenho nestes domínios, a comprová-lo a classificação obtida este ano.

Para se candidatar ao ECOXXI, o município fornece informação relativa às ações atividades e políticas de sustentabilidade implementadas no ano anterior, que é avaliada por um grupo de peritos que integram a Comissão Nacional onde estão representadas mais de 40 instituições. O resultado da candidatura resume-se num índice global percentual de políticas de sustentabilidade, segundo o referencial ECO XXI. A bandeira verde é atribuída a todos os municípios cujo índice global é igual ou superior a 50%.

O galardão foi entregue no dia 28 de setembro, em Cascais, distinguindo 53 municípios portugueses. Alfândega da Fé posicionou-se em 7º lugar a nível nacional e em 1º lugar a nível distrital. O município conseguiu uma pontuação de 76%, quando em 2016 tinha alcançado 65% e em 2015 atingiu a pontuação de 57%.

Este galardão é entendido como um incentivo para continuar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido neste campo, assumindo-se também como um estímulo para a consolidação de boas práticas relativamente a políticas de sustentabilidade. Para a autarquia a avaliação resultante do programa ECO XXI é também uma importante ferramenta de trabalho, permitindo melhorar e trabalhar diferentes aspetos no campo da sustentabilidade.

Durante a cerimónia de entrega dos prémios, o município de Alfândega da Fé foi ainda convidado a apresentar uma boa prática de sustentabilidade, distinguindo-se pelo bom desempenho do projeto de "Educação Ambiental" do município. Na cerimónia, o Município aderiu também à "Rota da Floresta", assumindo um novo compromisso a desenvolver brevemente com as escolas. 

in:noticiasdonordeste.pt

Cassini: a máquina que apaixonou a Terra e o reino de Saturno

A 15 de Setembro, a missão internacional Cassini-Huygens conheceu o seu fim, sublinhando a atmosfera de Saturno com um fogo de artifício e uma pequena “chuva de meteoros metálicos” com a assinatura da Humanidade.
Após mais de 7,8 mil milhões de quilómetros percorridos, mais de 600 GB de dados científicos recolhidos e mais de 380000 fotografias que alimentaram mais de 3600 artigos científicos, o mergulho final da Cassini, sonda que foi construída e pensada pela NASA, ESA e ASI - Agência Espacial Italiana –foi fiel à sua eficiência ao longo de várias décadas: esteve a trabalhar para os cientistas da Terra até ao útlimo segundo, com a maioria dos seus instrumentos científicos a contarem aos cientistas tudo aquilo que conseguia medir à medida que desafiava a imensa pressão e temperatura que a atmosfera de Saturno colocava na sua entrada de foguete... 

Mais de 5000 pessoas trabalharam directamente na missão Cassini-Huygens e é sempre complicado encontrar a data de nascimento de uma missão espacial. Geralmente marcam-se duas datas: a partida da Terra e a chegada ao destino e, nesse caso, tais marcas temporais para esta missão foram os dias 5 de Outubro de 1997 e 30 de Junho de 2004. Porém, antes do lançamento, o planeamento e construção de uma missão desta envergadura dura aproximadamente 10 anos, pelo que estamos perante uma odisseia que no seu tempo total ter-se-à estendido por praticamente três décadas!

Creio, porém, que a missão ao reino de Saturno começou a preencher o imaginário dos cientistas desde que o visualizámos pela primeira vez e que o mesmo começou por nos desafiar devido aos seus vistosos sistemas de anéis... vistosos porque hoje sabemos que os 4 planetas gigantes gasosos do nosso Sistema Solar têm anéis, mas os de Saturno são claramente mais poéticos aos olhos e à curiosidade científica. E se quiseremos ser mais factuais em termos temporais, começámos a sentir cócegas de Saturno na nossa relação científica com o Cosmos quando a sonda Pioneer 11 se tornou na primeira emissária da Humanidade e em Setembro de 1979 passou (sem parar!) a 21,000 quilómetros do planeta, descobriu 2 luas (ia embatendo numa delas), sentiu a presença da sua magnetosfera e campo magnético e mostrou-nos também a primeira fotografia de uma das suas mais intrigantes luas – Titã. 

E o namoro entre terrestres e o reino do planeta dos anéis acentuou-se quando a Voyager 1 (em 1980) e a Voyager 2 (em 1981) também passaram sem parar por tal região mas encheram os cientistas com mais e outras perguntas! 

A Cassini-Huygens parecia inevitável, apesar de pouco tempo antes da sua partida da Terra a NASA ter tido a tentação de cancelar todo o projecto (por questões orçamentais) e não fosse a forte insistência dos parceiros europeus na sua continuação e esta crónica não existiria.

Que regalos científicos nos deu a Cassini? Para além da descoberta de mais de 10 luas (7 confirmadas, 3 ainda em averiguações) e da suspeita de que pelo menos mais uma estará por nascer por entre os anéis de Saturno, revelou-nos os mundos estranhos e fantásticos de luas com história e estórias tão díspares como interligadas entre si: o trânsito de poeiras entre Jápeto (e a beleza das suas cordilheiras montanhosas) e Febe, que obscurece todo um hemisfério da primeira; o gigantesco impacto que deixou uma cratera com cerca de 140 quilómetros de diâmetro e que por pouco não terá despedaçado a lua Mimas, mas que lhe deu uma aparência que qualquer fã de Star Wars reconhecerá como a Estrela da Morte; Hiperião, uma lua repleta de pó e com o aspecto de uma pedra de pomes; como as pequeníssimas luas Prometeu e Dane que esculpem gravitacionalmente os anéis mais exteriores do planeta; ou o autêntico parque geológico de Tétis...

Porém, e no que diz respeito a luas, foi em Encélado e Titã que esta missão mais nos surpreendeu e, sobretudo, deixou água na boca para futuras expedições a tais paisagens. O lander Huygens (ESA) tornou-se no primeiro artefacto terrestre a tocar outro satélite natural que não a nossa Lua; foi a 14 de Janeiro de 2005 e durante as quase 2 horas e meia de descida e 72 minutos a transmitir a partir da superfície de Titã, revelou-nos um mundo que em termos morfológicos e de constitução da sua atmosfera podia perfeitamente ser uma Terra primordial. “Lá de cima”, a Cassini mostrou-nos também lagos enormes constituídos por primos do petróleo e um ciclo hidrológico parecido com a Terra, mas sem água e baseado em hidrocarbonetos... 

Em Encélado, a Cassini atingiu o ponto mais elevado dos nossos delírios astrobiológicos, uma vez que desobriu todos os ingredientes que, na Terra, permitiram o aparecimento e evolução da vida: jactos gigantescos de vapor de água que denunciam um gigantesco oceano subterrâneo e fontes hidrotermais no seu fundo. Água, transporte de energia, nutrientes... e tudo para sonhar com criaturas mais ou menos estranhas mas, em boa verdade, qualquer biólogo ficaria contente com a descoberta em tais remotas paragens de uma simples bactéria! Ainda não foi desta, mas pelo menos sabemos que há uma espécie de jackpot em Encélado que nos estende mais convites para a sua exploração. 

Mas as surpresas continuaram mesmos nas últimas semanas da Cassini que realizou vários e cada vez mais próximos mergulhos por entre os anéis de Saturno - e encontrou um inesperado vazio entre o planeta e os seus anéis mais interiores. Contou-nos também que os anéis serão menos densos e mais recentes do que o que se pensaria: terão perto de 100 milhões de anos e tivessem os “nossos” dinossauros telescópios e podiam ter assistido em directo ao seu nascimento!

A Cassini também teve um lugar priviligiado para assistir ao espectáculo cromático da mudança das estações em Saturno e como o jogo de luz entre o Sol e o planeta afecta o brilho dos anéis e a própria cor dos sistemas meteorológicos – auroras rosas, roxas, um enorme hexágono polar que alberga no seu interior um furacão 50 vezes maior do que qualquer furacão terrestre... que maravilhosa “poesia da realidade” foi desvendada Ciência (citando Richard Dawkins) através da Cassini!

E o futuro? Infelizmente não há nenhuma outra aventura saturniana nos nossos horizontes a curto e médio prazo, falando-se cada vez mais alto em alguns corredores espaciais de missões a Urano, Neptuno, Júpiter (e à sua lua Europa), alguns asteróides, Lua, Mercúrio e Vénus. Mas a Cassini deixa-nos um legado cinetífico que será trabalhado pelos cientistas durante décadas! Ainda hoje anunciamos estudos feitos com base em dados das missões Pioneer e Voyager e acontecerá o mesmo com a Cassini que, por direito próprio, conquistou também um lugar afectivo para além da Ciência e da sua comunidade. Foi a missão que, tal como o Telescópio Espacial Hubble, soube cativar os olhos e a imaginação de todos aqueles que se deliciram com as suas fotografias num qualquer jornal ou canal de televisão. Que nos mostrou também, numa fotografia épica, um ponto azul muito pequenino – a Terra vista a partir de Saturno, um exercício de Ciência, Filosofia e, sobretudo, de Humanidade.

Foi também a missão que contribui para o nosso bem estar e evolução tecnológica e nem o sabemos... a engenharia necessária para a construção e eficiência da Cassini permitiu-nos ter sistemas de distribuição eléctrica mais eficazes e acessíveis na instrumentação ligada à qualidade do nosso ar; sistemas de gravação sem partes amovíveis que foi uma preciosa ajuda para sistemas aeronátucos terrestres bem como para a indústria do entretenimento; inovou na área dos sistemas integrados avançados com uma nova aplicação (ASIC) que conseguiu por si só substituir mais de uma centena de chips tradicionais e, asism, reduzir também a massa de certos sistemas; uma fonte de alimentação mais fiável e que aumentou a duração de vida das baterias; ou até giroscópios e outros sistemas de referência de inércia com menos riscos de falha mecânica por não conterem partes amovíveis... a Cassini foi mais uma missão que nos mostrou que ir ao Espaço dá saúde e faz crescer na Terra e que a aventura espacial da Humanidade é, para além de uma emocionante epopeia, também uma poderosa ferramenta da evolução terrena da Humanidade! No último dia da vida da Cassini, o astrónomo português Pedro Machado – que trabalha precisamente com dados dessa missão para estudar a atmosfera de Saturno – escreveu no seu Facebook em jeito de despedida: “espero que sonhes, Cassini”... 

Eu não sei se sonhou, mas quase que era capaz de jurar que ouvi naqueles últimos segundos da Cassini um gigantesco sussuro que contava assim num tom cinematográfico: “I’ve seen things you people wouldn’t believe...” 

E confesso que agradeci emocionado!

Miguel Gonçalves 
Coordenador Nacional da Sociedade Planetária Apresentador da rubrica “A Última Fronteira”, RTP 
Conteúdo fornecido por Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

FOI MENTIRINHA…MAS…

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
O público acredita em tudo que se lhe diz, dês que a mentira seja apresentada de forma credível, e embrulhada em meias-verdades.
Certa ocasião, quando Henrique Galvão e o irmão, eram responsáveis pelos programas da Emissora Nacional, em pleno Estado Novo, apareceu, nessa rádio, intérprete inglês, que alcançou sucesso invulgar.
Como era britânico, e interessava-se pela nossa música, foi amiudadamente comentado no meio musical, e não faltaram ouvintes, que encantados com as excelentes interpretações, solicitassem, nas casas da especialidade, músicas de sua autoria.
Paralelamente, com o famoso músico, surgiam artistas de outras nacionalidades, com proeminência de brasileiros e americanos.
Ora o Maestro João Nobre, anos mais tarde, em épocas democráticas, revelou, em entrevista concedida à RTP, que era tudo “ mentirinha”, para deslumbrar os ouvintes, e poupar dinheiro, já que se estavam – como sempre, – em épocas de vacas magras.
O célebre músico inglês, era, nem mais nem menos, que o nosso João Nobre! …
Nesse tempo, não havia: cd’s, fitas nem discos em vinilite. A música era transmitida, quase sempre, ao vivo, com público ou não.
Quantas vezes, a mass-media, não nos impinge, mentiras, como verdades?
Foi uma mentirinha inocente, mas outras, mais graves, fazem-nos cair em sérios erros, se acreditarmos em tudo que nos dizem.
Por vezes detestamos: personalidades; aceitamos comportamentos; alteramos opiniões, porque somos informados com mentiras e meias-verdades.
É que há redes internacionais, na mão de minorias, que espalham mentiras, como verdades, e verdades como mentiras…


Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

7ª Rota do Javali TT - VINHAIS

Amendoeiras em flor - 1975/03/02

Clica na imagem para aceder ao video

Direção do Distrito Escolar de Bragança - 1975/03/12

Bragança, ocupação da Direção do Distrito Escolar de Bragança.
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Manifestação de apoio ao MFA em Bragança - 1975/03/12

Bragança, manifestação de apoio ao Movimento das Forças Armadas (MFA) e de repúdio à tentativa de golpe de estado de 11 de Março de 1975.
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Projeções cinematográficas em Bragança - mês de outubro

Padre Francisco Manuel Vaz

Nasceu em Bragança a 21 de Junho de 1852 e aqui faleceu a 9 de Setembro de 1918. Era filho de Manuel António Vaz e de D. Isabel Maria da Conceição. Cursou as aulas do liceu em Bragança e depois em Cernache do Bonjardim, completando os estudos teológicos
em que obteve accessits.
Regeu a cadeira de latim e latinidade desde 1874 a 1875 em Cernache, sendo ainda estudante de teologia, no impedimento do professor efectivo padre João Domingos Fernandes. Concluído o curso teológico em 1874 e ordenado presbítero em Maio de 1875, foi missionar para a África, de onde, concluído o tempo de missionário a 22 de Março de 1886, voltou a Portugal, vindo residir para Bragança.
Por decreto de 17 de Abril de 1890 foi despachado professor para as disciplinas do 3.º grupo (geografia, história e filosofia) do liceu de Bragança, depois de brilhantes provas dadas em concurso público, regendo já interinamente desde 1886 as cadeiras de física, química e história natural no Seminário Diocesano, para onde, em 1 de Outubro de 1889, foi nomeado professor efectivo.
Também desde 1880 a 1885 foi professor de preparatórios no colégio de Cernache do Bonjardim.
Traduziu do francês, além de alguns fascículos de A obra da Santa Infância da Propaganda da Fé, publicados em Lisboa, quando estava em Sernache, mais o seguinte:

Os Esplendores da Fé – Acordo perfeito da Revelação e da Ciência da Fé e da Razão pelo Reverendo Moigno. Porto, 1889-1891, Tip. de António Dourado. Quatro vols., 8.º francês, de 209 págs. e 157 de apêndice e índice (vol. I); 756 págs. e 134 de apêndice e uma de erratas (vol. II); 702 págs. e 109 de apêndice e índice e uma de erratas (III), e 650 (IV). Além disso, o primeiro volume compreende mais XXIII págs., parte numeradas e parte sem numeração, onde vem a dedicatória do tradutor a três dos seus companheiros de missão, um dos quais foi o finado bispo do Porto, D. António José de Sousa Barroso. Neste trabalho ajuntou o autor ao texto notas de muito merecimento.
Estudos filosóficos. Porto, 1897, Tip. de José da Silva Mendonça. Dois vols., 8.º francês, de 463-508 págs. e em cada volume uma de erratas.
Reforma da instrução secundária. Porto, Tip. de José da Silva Mendonça, 1900. 8.º de 29 págs.
O Ano Cristão ou Exercícios devotos para todos os dias do ano pelo Padre João Croiset da Companhia de Jesus, trasladado a castelhano e adicionado com mais algumas vidas dos santos e com o Martirológio pelos Padres José Francisco de Isla da mesma Companhia e D. Justo Petano. Porto, 1886, Empresa de Obras Populares Ilustradas. 2.º vol., de IX (inumeradas)-738 pág., in. 4.º – 3.º vol. Porto, 1887. Editor António Dourado. 4.º de VI (inumeradas)-624 págs. – 4.º vol. Porto, 1888. António Dourado, Editor. 4.º de 571 págs. 5.º vol. Porto, 1889. O mesmo editor. 4.º de 537 págs. O primeiro volume foi traduzido por Dias Freitas, professor no colégio da Formiga.
Jubileu sacerdotal de Leão XIII – Discurso proferido na cidade de Bragança por ocasião dos festejos para solenizar naquela diocese o quinquagésimo aniversário da ordenação sacerdotal de Sua Santidade Leão XIII. Porto, Tip. de A Palavra, 1887. 16.º de 31 págs.
Anuário do Liceu Nacional de Bragança – Ano escolar de 1909-1910. Porto, Tip. Mendonça, 1910. 8.º de 61 págs. Respeita à sua gerência de reitor no mesmo estabelecimento de ensino.

Foi o padre Francisco Vaz o fundador em Bragança da Conferência de S. Vicente de Paulo, que tantos benefícios tem dispensado à pobreza envergonhada da terra e é ainda hoje o seu sustentáculo (ver o Nordeste de 22 de Março de 1899), e a sua caridade levava-o a ir um dia por semana a ensinar a doutrina cristã aos presos da cadeia.
Colaborou na Gazeta de Bragança, Nordeste, Novidades e O Primeiro de Janeiro e em várias outras publicações.
Francisco Manuel Vaz, apesar de estudar preparatórios no liceu de Bragança e ainda frequentar teologia no seminário da mesma diocese, foi concluir esta no colégio de Cernache, onde se ordenou de presbítero, e sendo mandado para a missão de Moçambique, lá se apresentou em princípios de Outubro de 1875. Ali foi nomeado examinador sinodal e capelão do hospital, ao tempo militar, da mesma cidade, onde também foi professor de ensino livre e catequista dos presos.
Mas sucedendo enterrar-se um mação no cemitério público, Francisco Vaz protestou e reclamou do bispo as providências que os cânones recomendam ou, pelo menos, a declaração de que o cemitério ficava poluto, encontrou como resultado ser desterrado dentro de quinze dias para Chiloane, onde aportou depois de tormentosa viagem, e dedicou-se ao ensino da catequese, abrindo ao mesmo tempo escola mista de instrução primária, que chegou a ser frequentada por setenta e tantos alunos, «o que lhe mereceu elogios no Boletim Provincial pelo muito zelo empregado na instrucção».
Após dois anos e alguns meses de paroquialidade em Chiloane, foi transferido para Inhambane, onde continuou as mesmas ocupações.
O denodo com que ali atacou Caldas Xavier, encarregado das obras públicas, que dera a igreja onde o padre Vaz devia celebrar actos do culto como perigosa para isso, por causa de uma fenda que abrira no arco cruzeiro, facto em que ele via intenções de o incomodar, pois não havia outra igreja a menos de dois quilómetros e a fenda não ameaçava ruína iminente, valeu-lhe certa popularidade posta em relevo pelo seu bom comportamento e notáveis qualidades de jornalista, evidenciadas num periódico de Quelimane, onde tundia Caldas Xavier e outros com uma energia e desassombro tais que aquelas regiões, acostumadas a governos despóticos, não estavam habituadas a ver.
O padre Francisco Vaz aproveitou esta popularidade para apresentar a sua candidatura a deputado por aquele círculo eleitoral, que a vingar seria um benefício para a região, mas o governador, F.Maria da Cunha, conseguiu a sua transferência imediata para Moçambique, onde aportou a 27 de Agosto de 1885, depois de uma viagem de tormentas, privações, fome e frio, à qual, para que nada faltasse de horroroso, veio juntar-se o ciclone de 16 de Janeiro de 1880.
Em Abril deste ano deixou Moçambique e veio para Portugal, sendo pelo superior do colégio, bispo Martens Ferrão, nomeado professor de preparatórios, onde esteve até Julho de 1885. Entretanto, a 31 de Maio deste ano, tomara posse como superior daquele estabelecimento de ensino o doutor-cónego António José Boavida, que iniciou o seu governo por uma série de contrariedades ou, melhor dizendo, perseguições, tendentes a desgostar os bragançanos que há muito haviam honrado a casa como membros do seu corpo docente. Francisco Vaz, apesar de só lhe faltarem seis meses incompletos para concluir o tempo da missão, teve de voltar a ela e indo para S. Tomé exerceu ali o cargo de vigário capitular, onde também teve desinteligências com o governador Custódio de Borja, que, não podendo suportar o zelo com que o padre Vaz olhava pelas coisas e interesses eclesiásticos, conseguiu que o ministro da Marinha descarregasse sobre ele uma portaria de censura, que em vista da atitude patriótica que Vaz tomou na questão do protectorado de Daomé, vergonhosa farsa da nossa incompetência administrativa colonial, podemos considerá-la de suma honra.
Como houvesse falta de clero em S. Tomé, exerceu ali o cargo de pároco e, desejando ser útil à instrução, abriu na sua residência uma escola que regeu gratuitamente.
A 22 de Março de 1886 saiu de S. Tomé e voltou a Portugal, tendo findado o seu tempo de missionário, cujo desempenho naquela província foi elogiado por uma portaria do seu superior hierárquico, na qual se lê: «O louvamos pelo interesse e zelo que ali tomou pelas cousas da religião e o recommendamos aos Ex.mos e Rev.mos Snrs. Prelados Diocesanos como sacerdote de bons costumes, de probidade e intelligencia».

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Manufacturas de cortiça nas Memórias Arqueológico-Históricas

Clemente Menéres
Pelos anos de 1890 montou Valentim Guerra, naturalizado cidadão português, uma fábrica de cortiça em Sendim, concelho de Miranda do Douro.
Consta de sete máquinas de fazer rolhas que emprega em média diária trinta operários, sendo os seus produtos consumidos no reino e também exportados para Espanha, França e Inglaterra.
A exploração das cortiças no distrito de Bragança iniciou-se em 1874 com a casual chegada de Clemente Joaquim da Fonseca Guimarães Menéres (natural da Vila da Feira, comerciante no Porto desde 1860) à freguesia de Romeu, então no concelho de Macedo de Cavaleiros e hoje, por seu intermédio, no de Mirandela. As seculares florestas de sobreiros existentes na vastíssima zona conhecida por Quadraçal, tendo adstrita em grande parte ainda a cortiça primária ou brava, vergavam ao machado semiselvagem para fogueiras dos alambiques, embora na região nem todos ignorassem as aplicações da cortiça; mas as dificuldades da exploração, a subdivisão infinita das florestas, o desconhecimento absoluto dos processos silvícolas,então ainda incipientes no próprio Alentejo, onde a cultura do sobreiro buscava expandir-se, a carência de meios de transporte, o empate de avultados capitais na expectativa de uma dezena de anos até à tiragem das cortiças mansas, aptas para a indústria rolheira, eram outros tantos óbices insuperáveis à valorização desta grande fonte de receita.
Clemente Menéres, que aí chegara, como dizemos,em 1874, à cata de cortiças para exportação, concebe de relance o plano de a explorar; e ele, o modesto negociante de 1866, já então dispondo de crédito, por assim dizer, ilimitado, transforma-se num silvicultor arrojado e competente.
Inicia as compras de montados; recruta pessoal habilitado do Alentejo; estabelece clareiras nas matas para evitar incêndios; arranca as urzes, as estevas, que sugam o solo; limpa as árvores da cortiça virgem, dá-lhes vida, ar, luz, labor aos habitantes da região e a todos exemplo de quanto pode a iniciativa operosa e inteligente.
Entretanto, com a cortiça mansa de alguns sobreiros, descamisados pelos primitivos proprietários para cortiços de abelhas, pode logo dar princípio à laboração da fábrica que montou em Jerusalém do Romeu, no antigo lugar do Carriço, à margem da estrada real. Era Carriço, modesto fabricante de panelas (de barro), e único morador do local.
Compreende-se que, dada a carestia dos transportes, então nos pré-históricos carros-matos, o longo percurso de Romeu ao Pinhão, não consentia o preparo da cortiça em pranchas, de muito mais fácil venda nos países do Oriente Europeu e até nas Repúblicas da Prata, e por isso apenas rolhas se manufacturavam na fábrica
O rompimento da linha férrea do Tua a Mirandela, pronta para a circulação a 29 de Setembro de 1887, no que Clemente Menéres empregou grandes diligências, trouxe espíritos novos a esta indústria, e nesse mesmo ano a fábrica de rolhas de Jerusalém do Romeu foi mudada para o Porto para o extinto convento de Monchique, arrematado em 1872 por Clemente Menéres, onde perdura, se bem que em Mirandela mantém ainda uma fábrica de rolhas dos aparos das pranchas com vinte e quatro máquinas de quadrar cortiça, de fazer rolhas e de contar, que dá actividade a vinte famílias.
As propriedades do Quadraçal têm vinte e três guardas florestais em diversos locais e compreendem passante de quinhentos mil sobreiros.
No tomo V desta obra, ao tratar dos bragançanos ilustres, daremos completas notícias biográficas de Clemente Menéres, em razão das suas benemerências em prol da indústria e da instrução na nossa terra; bem como de seu filho, conselheiro Alfredo Menéres, que igualmente o merece pelos mesmos títulos e pela importante monografia sobre Carvalhais, em via de conclusão.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Resultados completos do distrito de Bragança - Autárquicas 2017

in:mdb.pt

Morreu Meneres Manso, nome que marcou agricultura do Nordeste Transmontano

Antigo presidente da Associação de Olivicultores morreu, este domingo, aos 83 anos.
O antigo presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), Meneres Manso, morreu hoje, aos 83 anos, de doença prolongada, de acordo com fonte próxima da família.
Nascido em Vila Nova de Gaia e com ligações familiares ao concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, onde se fixou, desde os 20 anos que esteve ligado ao setor agrícola da região através do movimento associativo e no exercício de cargos como o de diretor regional da Agricultura de Trás-os-Montes e Alto Douro. Fundou e dirigiu a Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), entre outras organizações, e trabalhou no antigo Complexo Agroindustrial do Cachão, onde exerceu várias funções, inclusive presidente do Conselho de Administração.
O fundador do complexo Camilo Mendonça, considerado "o pai" da agricultura transmontana, mereceu a atenção, nos últimos anos de Meneres Manso que se dedicou à investigação da vida e obra do homem que, na década de 1960, projetou as infraestruturas e culturas que ainda atualmente marcam o setor na região transmontana.
Menéres Manso foi também autarca, antes do 25 de Abril, como vice-presidente da Câmara de Mirandela, e, no início da década de 1990, como vereador no município de Alfândega da Fé, pelo CDS.

Correio da Manhã

domingo, 1 de outubro de 2017

Obras, Acidente, ou Vandalismo?

Porta da Igreja da Sé

Hoje é o dia Internacional da Música e do Idoso e eles contam como é

O primeiro dia do mês de outubro é, por todo mundo, dedicado à música e ao idoso.
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Por isso a Onda Livre acompanhou uma tarde ao som dos dotes musicais dos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros.

A tarde foi de música. A guitarra servia só para fazer o som de fundo, pois as letras e o resto do instrumental ficaram a cargo dos mais experientes.

Todas as semanas há atividades que servem para levar alegria aos dias que se passam em convívio e que servem para afastar a solidão.

E para quem teme o passar dos anos e a vinda da terceira idade, não há razões para ter medo.

Mário Gradíssio tem 92 anos e diz que estes estão a ser os melhores anos da sua vida.

“Gosto imenso de estar aqui. Estes oito anos foram os melhores que já passei na minha vida.

Antes trabalhava todo o dia. Aqui tenho tempo livre, muitas atividades, distracções e amizades.”
Abílio Lopes é um pouco mais novo, tem 78 anos mas diz ter descoberto há um ano e meio que, afinal, é possível ter mais amigos do que tinha.

“Eu pensava que só tinha amigos na minha aldeia. Mas quando cheguei aqui encontrei uma família, cheia de amor uns para com os outros.

Quando estava em casa tinha de dar banho à minha esposa, levavam-me a comida mas tinha de a aquecer. Aqui tudo se tornou em bem-estar.”
Márcia é alentejana mas é em Macedo de Cavaleiros que encontra quem faça fugir a solidão, assim como Maria Aurora que na Misericórdia de Macedo encontrou a companhia que em casa já não existia.

“Estou aqui há três anos. Todos os amigos que tenho aqui são novos, eu antes não conhecia ninguém. Fiquei sozinha e trouxeram-me para cá. Enquanto aqui estou não penso tanto nem estou tão triste.

É melhor estar aqui do que em casa sozinha. Se lá estivesse já tinha morrido. Aqui passo muito melhor o tempo.”
Ricardo Doutel é animador sócio-cultural na Santa Casa de Macedo de Cavaleiros e há 11 anos que desenvolve atividades com os mais idosos na instituição.

Um trabalho que considera gratificante para ambas as partes e que contribui para a longevidade.

“É muito gratificante pois em vez de passarem o dia sozinhos, o que é perigoso, ou sem nada o que fazer, aqui têm várias atividades de animação que gostam muito e estão sempre a perguntar ansiosos quando voltarei.

A longevidade na terceira idade deve-se maioritariamente à saúde mas estas atividades que os mantêm entretidos a nível psicológico também os ajuda bastante nesse aspeto.”
E um dia dedicado ao idoso é mais que merecido porque, afinal, são eles que passam conhecimento às gerações mais novas.

“É claro que merecem um dia dedicado a eles e muito mais. Eles é que nos passam o conhecimento que têm ao longo dos anos. Aprendemos mais nós com eles do que eles connosco.

Ao longo destes onze anos aprendi muito com eles, nunca imaginei que viesse a aprender tanto.”
O Dia Internacional do Idoso é comemorado desde 1991 e foi instituído pela organização das Nações Unidas. Tem como objetivo sensibilizar para questões como o envelhecimento e os cuidados a ter com a 3ª idade.

Já o Dia Mundial da Música conta com mais alguns anos de existência, tendo sido instituído em 1975 pelo International Music Council, uma instituição fundada pela UNESCO.

Escrito por ONDA LIVRE

Sossego em dia de eleições...