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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

2002 – Inauguração do Mercado Municipal de Bragança

Alvará para que a cidade de Miranda goze dos privilégios e liberdades concedidas à cidade de Coimbra - 21 de Maio de 1581

 «Eu El Rei faço saber aos que este alvara virem que antre os capitolos particulares que a cidade de Miranda do Douro me emviou por seus procuradores que vieraom aas cortes que fiz nesta villa de Thomar este anno presente de quinhentos outenta e hum veyo hum capitullo de que ho trellado he o seguinte.
“E porquanto esta cidade he a força principal desta comarca de Tralos Montes e doutras partes mais e toda a dicta comarqua estava esperando a detriminacão que tomava pera que conforme a iso se detriminasem; e posto que forão cometidos con cartas e grandes promesas não deixaram por isso de reconhecer Vosa Magestade por seu verdadeiro Rei e senhor e foi a primeira que se deu en todo o Reino; e pera nobreza da dicta cidade pedem lhes faça merce que hos cidadãos della guozem de todos os privilegios graças e liberdades concedidas aos cidadãos do Porto e as merces e graças que Vosa Magestade concedeo a cidade d’Elvas”.
E visto por mim o dicto capitullo e as causas que se nelle aleguão e por fazer merce aa dicta cidade de Miranda ei por bem e me praz de lhe conceder todos os privilegios, graças e liberdades que tem e de que gozão os verdadeiros cidadãos da cidade de Coimbra pera que daqui en diante posão guozar e husar dos dictos privilegios graças e liberdades da cidade de Coimbra os verdadeiros cidadãos da dicta cidade de Miranda do Douro porque assi ho hei por bem por alguuns respeitos que me ha histo movem.
E mando a todos meus desembargadores, corregedores, ouvidores, juizes, justiças, officiaes e pessoas a queste alvara ou ho treslado delle em publica forma for mostrado e ho conhecimento dele pertencer que lho cumprão, guardem e façam compridamente digo inteiramente comprir e guardar como se nelle contem o qual se registara no livro da camara da dicta cidade de Miranda pelo escrivão dela e o proprio se poera no cartorio em boa guarda pera en todo tempo se ver e saber que se concedeo o contheudo neste alvara per minha licença e authoridade no modo sobredicto e este alvara me praz que valha e tenha forca e vigor como se fose carta feita em meu home per mim assinada e passada per minha chancelaria posto que por ella não seija pasado sem embargo da hordenação do segundo livro titulo vinte que ho contrario dispoem.

Pero de Seixas o fez em Thomar a xxi de Mayo de M.D.Lxxxi. Rey» (36).

O corregedor da comarca, Lázaro Lopes Pinto, foi incumbido de trazer de Coimbra os privilégios de que gozava esta cidade e os apresentou em sessão da Câmara de Miranda a 18 de Janeiro de 1584 (37).
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(36) Privilégios e Provisões de Miranda, fl. 78.
(37) Privilégios e Provisões de Miranda, fl. 85 v.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO HISTÓRICO DO DISTRITO DE BRAGANÇA

Comboio Histórico do Douro tornou-se rentável pela primeira vez em 2023

 O presidente da CP, Pedro Moreira, disse hoje que o Comboio Histórico do Douro se tornou num produto turístico rentável pela primeira vez em 2023, salientando que nesta campanha a taxa de ocupação ronda os 90%.


A campanha 2023 do Comboio Histórico na Linha do Douro arrancou a 08 de julho e termina a 29 de outubro.

“Teremos uma rentabilidade superior a 180 mil euros, enquanto no ano passado houve um prejuízo superior a 30 mil euros”, especificou Pedro Moreira, que falava aos jornalistas à margem do seminário "O Turismo na procura pela Sustentabilidade e Inovação em Espaços Rurais", que decorreu no Peso da Régua, distrito de Vila Real.

Resultados positivos que, segundo explicou, decorrem de uma reformulação do produto turístico que “envolveu muito trabalho” das equipas internas da CP - Comboios de Portugal e das suas diferentes direções, desde a área das manutenções, operações, comercial e comunicações.

“Otimizaram este produto e passou a ser rentável e só com as viagens que vendemos até ao momento, o que nos indica é que teremos uma rentabilidade superior a 180 mil euros”, apontou.

O programa do Comboio Histórico do Douro arrancou no final da década de 90.

De acordo com o responsável, o comboio histórico foi sempre um produto deficitário, justificando que se trata de um serviço com custos elevados por causa da manutenção da locomotiva com 98 anos, exigindo muitos cuidados a nível da manutenção e uma equipa de maquinistas e técnicos da área da manutenção e engenharia.

A composição inclui a locomotiva a vapor e cinco carruagens de madeira, datadas do início do século XX, com 254 lugares.

“Conseguimos introduzir várias otimizações e tornamos, de facto, um produto que era deficitário num produto com uma rentabilidade que consideramos boa, comparativamente com o que tínhamos nos anos anteriores”, salientou.

A campanha 2023 inclui três viagens por semana, tendo-se introduzido uma viagem à quarta-feira, para além das já habitualmente realizadas aos sábados e domingos.

“O balanço desta campanha do Comboio Histórico do Douro é muito positivo”, apontou o presidente da CP.

Pedro Moreira disse que a taxa de ocupação, incluindo já as viagens até ao final de outubro, anda na “ordem dos 98,7%”.

“Já vendemos praticamente todas as viagens”, apontou.

O comboio percorre o Património Mundial da UNESCO, entre as estações do Peso da Régua (distrito de Vila Real) e a do Tua (distrito de Bragança), com paragem na vila do Pinhão (Alijó).

Este ano foi feita uma parceria com os municípios do Peso da Régua, Alijó e Carrazeda de Ansiães, no âmbito da qual, e para promover a região, a bordo do comboio são oferecidos produtos como cálices de vinho do Porto ou moscatel de Favaios, bem como doces tradicionais.

“Estamos a envolver mais a região, dar maior atratividade ao comboio e também com mais serviços comparativamente com o ano anterior. Está a ser um sucesso autêntico”, salientou o responsável, que destacou também as parcerias com as agências de turismo.

A experiência de turismo ferroviário está a ser integrado em outros pacotes turísticos, que incluem viagens de barco, estadias na região.

PLI // JAP
Lusa/Fim

Recusa de médicos em fazer mais do que as 150 horas extraordinárias põe em causa as Urgências

 O crescente número de médicos que se recusa a fazer mais do que as 150 horas extraordinárias anuais obrigatórias poderá vir a colocar em causa o funcionamento de serviços de urgência.


O movimento, que está a crescer a nível nacional, também afeta a Unidade Local de Saúde do Nordeste, que inclui os hospitais de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela.

O Mensageiro de Bragança procurou obter esclarecimentos por parte do Conselho de Administração mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta aos diversos contactos efetuados.

Ao que foi possível apurar junto de fonte hospitalar, são vários os médicos nesta situação nos hospitais do distrito o que, nas próximas semanas, ameaça deixar em causa o regular funcionamento do serviço de urgência.

De acordo com os dados fornecidos ao Mensageiro, dez dos 12 médicos de cirurgia geral, 27 dos 28 de medicina interna, nove dos 13 de medicina intensiva e cinco dos seis de pediatria atingiram o limite das 150 horas extraordinárias mas há ainda constrangimentos nos serviços de anestesiologia e patologia clínica.

Perante a falta crónica de médicos na região, o recurso a horas extraordinárias é uma constante.

Sem possibilidade de efetuar mais horas extra, obriga-se ao encerramento em vários períodos dos serviços de urgência e à transferência de doentes para outros hospitais.

No caso do distrito de Bragança, doentes urgentes ou mesmo críticos terão de ser transportados para Vila Real, que está a braços com o mesmo problema, e Porto, a mais de 200 quilómetros de distância.

Fonte médica admitiu ao Mensageiro que isso poderá provocar, também, um congestionamento das ambulâncias de emergência do INEM, para além “do risco clínico muito elevado”.

Outra das consequências será o encerramento de múltiplas camas do serviço de cuidados intensivos.

A resposta em Cirurgia Geral fica, também, “severamente comprometida”, o que poderá traduzir-se na ausência desta especialidade no serviço de urgência, “sem possibilidade de assegurar cirurgias urgentes e emergentes”.

Também implica o bloco operatório de urgência por indisponibilidade de clínicos bem como grandes constrangimentos na Urgência Pediátrica e na Urgência Obstetrícia.

Em carta aberta, o grupo Médicos em Luta garante que não tem “afiliações políticas nem sindicais” pois dizem que “a luta pelo SNS é de todos”.

António G. Rodrigues

Associação de Municípios investiu mais de 100 mil euros em viaturas elétricas

 A Associação de Municípios do Douro Superior (AMDS) investiu mais de 100 mil euros na aquisição de três viaturas elétricas destinadas à limpeza e tratamento de espaços verdes dos municípios associados.


“Estes três veículos foram financiados pelo Fundo Ambiental e serão distribuídos nesta primeira fase pelos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa, para contribuírem para limpeza e tratamento de espaços verdes destes municípios nossos associados”, disse à Lusa o secretário-geral da AMDS, Nuno Trigo.

De acordo com o responsável, esta ação corresponde à disponibilização de um serviço de recolha municipal de resíduos, visando o aproveitamento destes materiais resultantes de atividades de limpeza e tratamento de espaços verdes dos municípios, quer pelos serviços municipais em áreas de responsabilidade municipal, quer pelos munícipes, nos seus jardins ou quintais.

“A aquisição destas três viaturas tem como o objetivo reduzir a presença destes de biorresíduos no contentor de lixo indiferenciados, bem como contribuir para a reutilização e reciclagem de materiais biodegradáveis”, rematou Nuno Trigo.

Através dos circuitos de recolha seletiva de resíduos verdes, os cidadãos podem reciclar os resíduos verdes que produzem nos seus jardins e encaminhar gratuitamente para recolha através de um sistema específico que cada um destes municípios disponibilizará.

“Esta Ação irá possibilitar aos municípios a recolha de resíduos verdes ao domicílio, bastando para isso que o munícipe, os estabelecimentos de ensino ou instituições, o solicitem junto do respetivo município através de telefone ou por email”, indicou Nuno Trigo.

Paralelamente será instituída em cada um dos municípios uma recolha calendarizada de periodicidade semanal, sendo que os munícipes devem colocar em sacos os resíduos verdes em frente às suas casas.

“Desta forma, os habitantes dos municípios serão dissuadidos da deposição destes resíduos nos contentores de indiferenciados”, vincou.

Com esta implementação desta ação prevê-se a recolha seletiva de quantidades muito significativas de resíduos verdes através do aumento da consciencialização da população dos municípios para a problemática da redução de resíduos e separação dos bio resíduos, evitando assim a deposição deste tipo de resíduos em aterros e proporcionando outro destino final aos mesmos.

De acordo Nuno Trigo, as políticas relativas à gestão de resíduos têm evoluído no sentido da gestão sustentável dos materiais, a fim de proteger, preservar e melhorar a qualidade do ambiente, promovendo os princípios da economia circular.

Francisco Pinto

Criação de uma urgência pediátrica discutida na comissão parlamentar da Saúde na Assembleia da República

 Os subscritores da petição por uma urgência pediátrica em Bragança, representados por Ana Soares, foram ouvidos no passado dia 20 na comissão parlamentar da saúde em audição de peticionários. “A criação da urgência pediátrica é uma exigência fulcral para se atingir a tão falada coesão territorial e que basta de serem atirados argumentos orçamentais, populacionais e constrangimentos profissionais para justificar uma situação que é injustificável, para não referir da mais elementar justiça e equidade, a cidadãos de pleno direito e paga”, explicam os subscritores da petição numa nota de imprensa enviada ao Mensageiro.


Ana Soares reuniu-se com os deputados Berta Nunes (PS), Artur Soveral Andrade (PSD), Pedro dos Santos Frazão (CH) e Isabel Pires (BE), onde sublinhou “o exercício bacoco que é falar de políticas de apoio à natalidade ou de apoio à deslocação e fixação de famílias e jovens para o Interior quando não lhes são dadas as condições mínimas numa área essencial como a saúde”, referem os responsáveis.

Face a estas lacunas “é exigida a criação da urgência pediátrica pela saúde e bem-estar de todas as crianças da nossa região”.

As distâncias entre os concelhos do distrito de Bragança e a urgência pediátrica mais próxima, localizada em Vila Real, “o que não é de todo compatível com qualquer situação de saúde urgente”.

Na mesma nota de imprensa explica-se que “a situação só não é pior pela qualidade dos profissionais que se empenham em dar o melhor, numa situação em que é humanamente impossível fazer mais, nomeadamente quando a resposta da Direção da Unidade Hospitalar é que há sempre um pediatra de serviço, como se fosse possível dar um apoio efetivo aos quatro serviços a que está simultaneamente adstrito”.

GL

Mogadouro recebe Feira dos Gorazes de 13 a 16 de Outubro

 A entrada volta a ser gratuita


De 13 a 16 de Outubro, Mogadouro volta a receber a Feira dos Gorazes. No ano passado a Feira de Actividades Económicas e Turísticas do Nordeste Transmontano recebeu cerca de 14 mil pessoas e, pela primeira vez, pagou-se entrada. João Neves, presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogadouro, explica que a entrada voltará a ser gratuita para os visitantes e que os produtores locais também não pagam espaços de exposição. “O ano passado entendemos que o modelo podia acautelar uma entrada, ainda que simbólica. Um dia isolado custava dois euros e o bilhete para todos os dias custava três. Fizemos o balanço da feira e entendemos que não seria exequível outra vez, pelos constrangimentos que causou. Quisemos dar à feira uma outra roupagem, que tendo custos para os visitantes. Este ano a feira não terá custos para os visitantes, para acesso a concertos e para expositores locais”.

Há várias actividades programadas para estes dias de feira. No que toca ao desporto há um passeio BTT e no que toca às actividades agrícolas e pecuárias há uma montaria ao javali e exposição de animais autóctones. Mas este ano há novidades… “Aquilo que está muito na génese da feira é a actividade agrícola e aquilo que a compõe a associação comercial tem feito um esforço, há uns anos a esta parte, um esforço para que estejam representadas as raças autóctones, através de uma exposição. Este ano também reintroduzimos a chega de touros e o concurso de cão de gado transmontano”.

Em simultâneo há a também chamada feira de anual, que coincide com o feriado municipal, e também a feira quinzenal.

Além da associação comercial, também a câmara integra a organização. O presidente do município, António Pimentel, explica que houve uma grande aposta, a nível de espectáculos, com a actuação de Calema e Fernando Daniel, mas que o importante é a parte comercial. “O nosso foco continua a ser a parte comercial, do negócio, visitantes e turismo. Por isso, procurámos corrigir algumas que nos tinham chamado à atenção e entendemos que era altura de dar o salto. Nessa medida propusemo-nos fazer aquilo que tinha que ser feito, maior divulgação, insistir com os expositores para participarem de modo mais activo e introduzir os produtos com origem em Mogadouro com espaço próprio”.

O pavilhão do parque de feiras e exposições de Mogadouro já começa a ser pequeno para este certame mas não há forma de o alargar porque já não há espaço junto desse edifício. “Dentro da nave são dois mil metros quadrados. As condições são óptimas mas precisávamos do dobro do espaço. Era bom que não tivesse sido inutilizado aquele espaço onde foi feito o chegódromo. Quem decidiu, decidiu com legitimidade. Vamos tentar tirar partido daquele espaço”.

A feira, que contará com cerca de 120 expositores, custa, este ano, cerca de 215 mil euros.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Agricultores de produção biológica indignados com o atraso dos apoios do Governo

 Os agricultores de produção biológica estão indignados com o atraso do pagamento dos apoios do Governo


Deveriam chegar em Outubro, mas o IFAP- Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, anunciou que só deverão ser pagos em Julho do próximo ano. Há quem ameace deixar este tipo de produção, porque diz que não compensa.

Aristides Cadavez tem quase 30 hectares de olival na aldeia de Vale de Telhas, no concelho de Mirandela. Diz ter sido apanhado de surpresa quando soube que o apoio poderia chegar só no próximo ano e admite que pode comprometer a tesouraria da empresa.

“Eu estaria em Dezembro com 15 ou 20 mil euros a mais ou pelo menos para fazer face às despesas e desta forma tenho 7 ou 8 e que pode comprometer a colheita da azeitona que será em Novembro e Dezembro e futuramente as adubações, nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, que estaria a contar com esse valor, que não tenho, só vem depois em Julho”, criticou.  

O agricultor deixou a agricultura integrada e passou a biológica, porque queria fazer uma “experiência”, mas, reconhece que não é tão barata como se pensa e possivelmente este será o último ano.

“Eu acho que muita gente passa para agricultura biológica, porque o subsídio é um bocadinho melhor, mas isso é um erro, porque depois há outras situações em que essa diferença do subsídio não é compensadora. Por aquilo que eu já tenho constatado acho que não vou continuar a biológica. Se calhar para o próximo ano vou ponderar os custos e os proveitos e acho que não me vale a pena estar na biológica”, adiantou.

O anúncio do IFAP também não agradou a Cristophe Monteiro. Tem 14 hectares de amendoal e um hectare de mirtilos, na aldeia de Vale Torno, no concelho de Vila Flor. O agricultor também considera que a agricultura biológica não está a ser rentável.

“Se os agricultores soubessem o custo de produção do que é estar em biológico, acho que grande parte das pessoas não iam aceitar, porque os adubos são muito mais caros, é uma diferença abismal, vivemos num período em que as condições meteorológicas, não é por apostar no biológico que vão salvaguardar o que quer que seja. Há dois anos seguidos, tirando este ano de colheita, que não consegui colher nada”, lamentou.

Cristophe Monteiro espera que o apoio seja pago o quanto antes, porque caso contrário terá “repercussões enormes” e será “difícil” para os agricultores aguentar as explorações.

A Confederação dos Agricultores de Portugal acredita que este atraso se deve ao PEPAC, Plano Estratégico para Nova Política Comum, não ter sido bem delineado.  O presidente da CAP, Álvaro Moura, diz que não faz sentido haver tantas medidas específicas que só dificultam a vida dos agricultores.

“Não faz sentido inventar dezenas e dezenas de medidas específicas que depois não se conseguem implementar, não se conseguem controlar, que implicam uma carga burocrática muito mais complicada. Tivemos agricultores que 10 dias antes do prazo terminar para apresentação das candidaturas nos perguntavam como é que se fazia a apresentação de um determinado perdido e nós perguntávamos ao Ministério da Agricultura e o ministério não sabia responder”, contou.

A CAP já tinha emitido um comunicado a mostrar a sua posição de desagrado face ao atraso dos pagamentos dos subsídios e quer acreditar que esta situação não se volta a repetir.

A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes também já tinha mostrado o seu descontentamento com o anúncio do IFAP. Acredita que esta é mais uma forma de afastar os jovens da agricultura.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Transmontanos Dan’s Revival preparam novo álbum na adversidade do interior envelhecido

 A banda Dan’s Revival, que se apresenta com “a simplicidade inerente a uma bateria e uma guitarra”, publica um novo disco a 21 de outubro, disse à agência Lusa o 'power-duo' de Mirandela, composto por Tiago e Pedro Esteves.


Os dois músicos, em entrevista à agência Lusa, falam ainda das adversidades de ter um projeto musical deste género no distrito de Bragança: é mais difícil encontrar público para a sua expressão numa zona "interior e envelhecida", e maiores os custos e as "barreiras geográficas" para chegarem ao seu público.

O 'single' de apresentação, que dá nome ao seu mais recente trabalho, "Blues For The People", já está disponível nas plataformas digitais. A música aborda “o entrosamento entre pessoas, principalmente jovens”, explica Tiago Esteves, guitarrista e vocalista.

"Blues For The People" é o segundo longa duração da banda transmontana. Depois do primeiro EP, em 2016, "The Gambler", e de "Back on Track", de 2019, este novo disco é “recheado de 'riffs' de blues e de letras irreverentes”, revelam os Dan’s Revival.

“Este álbum será o nosso mais elaborado musicalmente, ainda que seja muito minimalista porque é algo inerente a uma bateria, uma guitarra e uma voz. Mas penso que mostramos um lado mais adulto”, disse à Lusa Tiago Esteves.

Pedro Esteves, baterista, acrescenta: “Este disco carrega o rock’n’roll de 'Back on Track' mas também a melancolia que passámos durante a pandemia”.

Os dois músicos prometem uma “sonoridade diferente” dos trabalhos anteriores, com várias influências musicais, que incluem, por exemplo, o rock psicadélico dos anos de 1960-1970.

Dan’s Revival é um projeto musical começado em 2014 pelos irmãos Pedro e Tiago Esteves, atualmente com 23 e 28 anos, respetivamente. “Ambos, ainda que em fases diferentes, estávamos a aprender os nossos instrumentos. Foi um processo natural”, explicou à Lusa Tiago Esteves. 

Apesar dessa “simplicidade inerente” à bateria, guitarra e voz, que remete para uma banda de blues, como afirma Pedro Esteves, “na verdade, não é só uma banda de blues”, explica o jovem baterista. Atualmente, consideram-se “livres”, dando muitas vezes “azo ao improviso ao vivo”, reforça Pedro Esteves.

Ter um projeto musical do género no distrito de Bragança, porém, tem mostrado adversidades aos jovens artistas.

“É um tema incontornável falar de como é ter um projeto deste género no interior no país. É mais difícil encontrar um público para estes géneros. É difícil em todo o lado, mais ainda numa zona interior e envelhecida”, considera Tiago Esteves.

O guitarrista acrescenta ainda as "barreiras geográficas” para chegar aos locais com maior oferta de espaços mais 'underground' onde possam tocar. Isso acarreta custos extra.

“Quando vamos tocar a um meio maior, por assim dizer, já partimos em desvantagem, porque já temos uma deslocação maior para chegar. […] É um meio mais alternativo, onde, como em todo os meios da cultura, não circula muito dinheiro. Torna-se mais complicado para nós chegar a alguns pontos do país”, lamenta Tiago Esteves.

Para o parceiro, Pedro Esteves, outra contrariedade é a falta de “relações sociais” com os “influenciadores” do meio, que estão mais longe. Por isso, é mais difícil poder apresentar o projeto.

“Não vamos tomar café ou uma cerveja com um programador e da conversa surge a apresentação do nosso projeto. E isso chama-nos a um concerto, e esse concerto marca-nos outros e, talvez, uma publicação numa editora, conhecer gente de estúdios, ligada à área". Com eles, no interior, nada disso acontece. "Estamos muito isolados”, remata Pedro Esteves.

A apresentação oficial em concerto do álbum "Blues For the People" está marcada para as 21:30 de dia 21 de outubro, no Teatro Municipal de Vila Real.

TYR // MAG
Lusa/Fim

🗺️ 𝗗𝗶𝗮 𝗠𝘂𝗻𝗱𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗧𝘂𝗿𝗶𝘀𝗺𝗼

 O Município de Bragança assinalou, ontem, o Dia Mundial do Turismo, com a inauguração do Albergue de Peregrinos de Bragança e promoveu, também, uma ação de (in) formação para 19 agentes da Polícia de Segurança Pública, com vista a reforçar a articulação institucional, bem como a capacitação dos agentes neste domínio.



O Albergue de Bragança destina-se aos peregrinos que percorrem o Caminho Português da Via da Prata rumo a Santiago de Compostela.

Instalado em plena cidadela, o imóvel resulta da reabilitação de um edifício devoluto e representa um investimento na ordem dos 90 mil euros, financiado pelo Turismo de Portugal. 

“Este é um projeto que pretende atrair peregrinos de todo o mundo, sendo uma via cada vez mais procurada e com ligação a Espanha. O Município procura, assim, continuar a promover o território, através da disponibilização de oferta para um turismo cada vez mais diferenciado", destacou o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, durante a cerimónia de inauguração.

O projeto contempla, ainda, a execução de trabalhos de sinalização e limpeza dos troços, bem como ações de promoção e divulgação do Caminho Português da Via da Prata, num investimento total de cerca de 160 mil euros. 

Desde abril, o Albergue de Peregrinos de Bragança acolheu 45 peregrinos de várias nacionalidades com uma média de idade de 55 anos.

Recorde-se que, no concelho de Bragança, já existe o Albergue de Quintanilha, que devido ao seu bom estado de conservação apenas “exigia” a aquisição de equipamentos.  

A construção do Albergue do Peregrino em Bragança resulta de uma candidatura ao projeto “Valorização do Caminho Português da Via da Prata”, do qual são parceiros os Municípios de Bragança, Vinhais e Chaves, cabendo ao Município de Bragança o papel de parceiro líder, e que visa a regeneração, requalificação e reabilitação dos espaços públicos com interesse para o turismo e para a valorização do património cultural e natural do País e com um financiamento global, para os três municípios, de 366 mil euros, por parte do Turismo de Portugal.

Visitas Guiadas 'História a Fresco - Rota da Pintura Mural' - 30 set e 01 out - FAÇA JÁ A SUA INSCRIÇÃO

Pelas mãos do amigo e colaborador, Carlos Pires, chegaram às minhas, estes registos históricos da reconstrução da Domus Municipalis.

Pelas mãos do amigo e colaborador Carlos Pires, chegaram às minhas estes registos históricos da reconstrução da Domus Municipalis.
É mais que provável que sejam publicações inéditas, reveladas agora em "Memórias...e outras coisas".
Estas fotos, da autoria do fotógrafo amador Tenente Serafim Pimenta, são dos finais da década de 20 do século passado e, assim sendo, terão 107/108 anos.
Seria interessante que alguém conseguisse identificar algumas das personagens presentes nas fotos,
Excelente, Carlos Pires, excelente!

HM



quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Provisão sobre a defesa da caça. Processos cinegéticos antigos - 2 de Março de 1563

 «Eu El Rei faço saber aos que este alvara virem que antre os capitolos particulares que a cidade de Miranda enviou per seus precuradores as cortes que fiz nesta cidade de Lixboa o anno pasado de quinhentos sesenta e dous vinha hum em que me fazião saber que por a comarca da dicta cidade ser muyto fria não criava a caça nela tam cedo como em outras partes do Reino pelo que o mes de Março em que hera defeso que se não caçase não servia naquella terra porque não começava a caça a criar senão d’Abril por diante pedindo-me por merce que ouvese por bem que os tres mezes defesos pela ordenação fosem Abril, Mayo e Junho; e bem asi defendese que se não caçasem perdizes ao ruto nen com caais de mostra nem se matasem lebres nem coelhos no tempo em que a terra estevese nevada porque nestes tempos e com esta maneira de caçar se desinçava e destroya toda a caça.
Visto seu requerimento e as mais rezoens que acerca deste caso apontavão ey por bem e mando que daquy em diante na dicta comarca de Miranda se emtenda serem os mezes da criação da caça Abril, Mayo e Junho e não no mes de Março sem embargo da hordenação em contrayro e que pessoa algüa de qualquer calidade e condição que seja não cace nos dictos mezes d’Abril, Mayo e Junho que na dicta comarca e o tempo da dicta caça perdizes he coelhos nem lebres com caais, furão, redes, fios, lousas, laços nem outro algum genero d’armadilha nem cace as dictas perdizes em nhum tempo do anno com caais de mostra nem ao ruto ou curição nem mate hos dictos coelhos nem lebres no tempo em que a terra estiver nevada ate que de todo a neve seja derretida sob pena de qualquer pesoa que as dictas perdizes, coelhos e lebres caçar e matar no dicto tempo emcorrer nas penas que pella hordenaçao são postas aquelles que caçarem nos mezes de Março, Abril e Mayo; e portanto mando ao corregedor da comarca e correição da dicta cidade de Miranda que faça apregoar este alvara en todos hos lugares da dicta comarca pera a todos ser notorio e o faça em todo comprir e goardar e dar ha execucão como se nele conthem e no tempo em que per bem da dicta ordenação se ouverem de tirar as devasas sobre as pesoas que caçarem nos meses defesos a tirem sobre os casos contheudos neste alvara e procedão contra hos culpados a execução das penas contheudas na dicta ordenação como for justiça segundo forma della porque eu o hei asi por bem (...).

Bastiam Ramalho o fez em Lixboa a dous dias de Março de mil quinhentos sesenta e tres; Fernão da Costa o fez escrever. O Cardeal Inffante. Dom Simão; Antonio Vieira, sobescriçao (...)» (35).
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(35) Privilégios e Provisões de Miranda, fl. 48.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

2011 – Comemoração do centenário da existência do Clube de Bragança.

MDB - 23 de janeiro de 1970

MDB - 23 de janeiro de 1970

Alunos lusófonos em Bragança queixam-se do valor da propina e do preço das casas

 Estudantes lusófonos do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) queixaram-se hoje do valor das propinas, que são quase o dobro das dos alunos nacionais, e dos preços do alojamento, que dizem contribuir para o abandono escolar.


Dos cerca de 10 mil alunos da instituição transmontana, perto de 3.600 são estrangeiros, oriundos de mais de 50 países, sendo os de língua portuguesa os de maior expressão.

À margem de uma visita da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, ao IPB, onde se reuniu com representantes das associações estudantis, Gabriel Cangusso, da Associação dos Estudantes Brasileiros de Bragança, disse à Lusa que os seus compatriotas rondam já 30% do total dos alunos de fora.

“É uma comunidade considerável, que vê bastantes problemas”, começou por explicar.

Salientado que o “IPB é um dos melhores de Portugal”, apontou que um desses problemas é o facto de “as propinas dos estudantes internacionais serem o dobro das dos nacionais”.

“Muitos estudantes vêm até nós por causa do estatuto de igualdade de direitos, o que em muitos locais de Portugal ainda não é 100% agilizado”, afirmou Cangusso.

O vice-presidente da Associação dos Estudantes Africanos em Bragança, Belmiro Zaqueu, disse por seu lado que “alguns dos estudantes não têm conseguido aguentar” as despesas, em que se inclui a propina.

Esta situação contribui para “o abandono escolar, por causa das questões sociais que enfrentam muitos desses estudantes que vêm de países africanos”, que têm dificuldade em responder ao custo de vida em Portugal. 

Por isso, e porque não têm acesso a bolsas de estudo, muitos alunos internacionais acabam por ter de procurar trabalho.

“As bolsas que existem são as de investigação, às quais todos podem concorrer. Mas não existem bolsas de subsistência, para mitigar as problemáticas que os portugueses sentem, porque também vivemos em território português, e sentimos isso também”, afirmou Belmiro Zaqueu.

O jovem estudante pede ajuda ao Governo, não só por causa das propinas e da falta de bolsas, mas também devido aos preços do alojamento, que disse ser inflacionado devido aos apoios concedidos aos estudantes portugueses: “Há um aumento, uma especulação do preço da renda”.

O presidente do IPB, Orlando Rodrigues, explicou à Lusa que, neste momento, a propina está fixada em cerca de 680 euros para os nacionais e ronda os 1.316 euros para os alunos internacionais.

“As propinas dos alunos nacionais foram limitadas no parlamento e foi proibido o aumento. Para os internacionais, não houve essa limitação”, explicou Orlando Rodrigues, que adiantou que as atualizações são feitas consoante o valor do Indexante dos apoios sociais (IAS).

“Fomos convidados para o anúncio de um programa de bolsas de Portugal. O nosso desejo é que esse programa seja expandido, que a cooperação portuguesa invista nas bolsas, em particular para os países PALOP. Entendemos que é uma missão de Portugal”. 

O presidente do IPB frisou que estas seriam “um tipo de bolsas diferente, para cooperação”.

Sobre as queixas dos estudantes, a ministra Elvira Fortunato defendeu que “as próprias instituições e regiões têm um papel a fazer”.

“Penso que as próprias instituições terão capacidade de ajudar alunos internacionais que possam estar em dificuldade”, disse Elvira Fortunato aos jornalistas, vincando ainda que é o assunto também tem de ser olhado “dentro do Governo”.

“Acima de tudo, queremos captar mais alunos para o ensino superior, sejam alunos que vivam em Portugal ou que escolham vir estudar. Por isso, temos de garantir boas condições também para os alunos que vêm estudar para Portugal”, afirmou ainda aos jornalistas. 

Elvira Fortunato revelou ainda que esta segunda-feira já foi pago o primeiro mês de bolsa a quase 20 mil alunos nacionais e que está a ser analisada a possibilidade de financiar alunos sem bolsa atribuída.

TYR // FPA
Lusa/fim

CNA volta a apelar ao Governo que declare situação de seca na região transmontana

 A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou a apelar ao Governo que inclua a região do Nordeste Transmontano na situação de seca, justificando que este território apresenta no solo um teor de água no solo extremamente baixo.


“O teor de água no solo na região no Nordeste Trasmontano, em particular no Planalto Mirandês, é extremamente baixo, sendo idêntico aos concelhos do sul do país, disse o dirigente da CNA, Vítor Rodrigues.

De acordo com a CNA, o Ministério da Agricultura atualizou, através do Despacho n.º 9917/2023, a lista de concelhos abrangidos pela situação de seca severa ou extrema “e, mais uma vez, volta a discriminar muitos municípios, particularmente no Nordeste Transmontano, que enfrentam enormes dificuldades com a seca e a falta de água no solo”.

O despacho publicado hoje em Diário da República (DR) reconhece a existência de uma situação de seca severa e extrema (agrometeorológica) em diversos concelhos, o que consubstancia um fenómeno climático adverso, com repercussões negativas na atividade agrícola.

Este despacho, de acordo com a publicação em DR, altera um outro [ n.º 5351-A/2023, de 09 de maio], que reconhece a existência de uma situação de seca severa e extrema em vários concelhos do país.

“A declaração de seca por parte do Ministério da Agricultura permitiria a mais agricultores acederem aos apoios decorrentes desta declaração, mas o Governo volta a desconsiderar a região transmontana, em particular o Planalto Mirandês, não chegando o dinheiro para que os produtores de gado possam, de alguma forma, mitigar os gastos maiores, em virtude de não terem alimentação para os animais devido à situação de seca que se prolonga há vários meses, sendo o segundo ano de seca no país e nesta imensa região do Nordeste Transmontano”, reiterou o dirigente da CNA.

A CNA indicou ainda que a 19 de setembro, data de assinatura do despacho, os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) revelavam uma percentagem de água no solo muito baixa não só no centro e sul do país, mas também na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

“Em vários concelhos desta região transmontana agravam-se as consequências nefastas da seca, com severidade semelhante ao que sucede nos concelhos abrangidos por este despacho: pastos e forragens secas e com muito baixo crescimento, escassez de água para rega, culturas com enormes baixas de produção, como é o caso do olival tradicional, entre outras”, alertou ao CNA.

A CNA, que aquando da publicação do primeiro despacho, com a listagem de concelhos, denunciou “a má decisão do Ministério da Agricultura de penalizar os agricultores transmontanos, considera desastrosa a insistência no mesmo erro e reclama que a situação seja rapidamente corrigida”.

Para a CNA, o Ministério da Agricultura tem de, urgentemente, alargar a situação de seca a todos territórios afetados e disponibilizar aos agricultores, de forma célere e desburocratizada, os apoios há muito prometidos, devendo contemplar ajudas a fundo perdido para apoiar a alimentação animal, incluindo para apicultura, sem prejuízo da adoção de medidas de médio e longo prazos capazes de fazer face às situações de seca cada vez mais frequentes e com consequências mais pesadas para os agricultores.

De visita ao Planalto Mirandês, a 12 de maio, Vítor Rodrigues avançava que o Governo, ao não considerar o território transmontano em situação de seca, deixava os associados da CNA desagradados e desmotivados.

O dirigente da CNA alertava, à data, "para as fracas perspetivas de os agricultores nacionais obterem alimento para os animais, nomeadamente em Espanha e França, países também muito afetados pela seca", sendo "previsível que produtores pecuários vão desistir da atividade e vender os seus animais”.

Também os produtores de gado do Planalto Mirandês já mostravam evidentes sinais de apreensão devido à seca e a consequente falta de alimento para o gado.

FYP/ TYR // LIL
Lusa/fim

Turismo do Porto e Norte trilha o caminho da sustentabilidade

 Está em marcha o «Movimento para a Sustentabilidade», que pretende sensibilizar e apoiar todos os agentes do setor do turismo a empreender uma mudança de atitude nos domínios ambiental, social, cultural e económico.


O Turismo do Porto e Norte está fortemente empenhado em ver o destino certificado como «Destino Sustentável». O caminho da sustentabilidade é incontornável e um desígnio assumido por todo o setor, cada vez mais ciente de que esse é o trilho que vai garantir o futuro próspero da atividade turística.

Para atingir esse objetivo no turismo da região, foi criado o «Movimento para a Sustentabilidade», que está a fazer um trabalho que qualifique e promova o setor privado do destino nos domínios ambiental, social, cultural e económico.

Luís Pedro Martins, o presidente do Turismo do Porto e Norte, é um entusiasta desta causa, e entende que “num futuro próximo os destinos que mais se destacarão serão aqueles socialmente responsáveis, que colocam no topo das prioridades da sua ação a preservação dos seus recursos naturais, a valorização da sua identidade patrimonial e que adotem comportamentos irrepreensíveis”. E é com especial agrado que sinaliza a filiação do Turismo do Porto e Norte na Global Sustainable Tourism Council (CGCT), entidade de referência mundial nesta matéria, e que apoiará a região rumo ao processo de certificação.

Regista, ainda, “uma crescente preocupação dos agentes do setor em abraçar esta temática, diminuindo ao máximo a pegada turística e os seus impactos ambientais, económicos e sociais e reestruturando a sua oferta para ir ao encontro destas preocupações, que são cada vez mais levadas em conta pelos turistas para tomar a decisão quanto ao destino a visitar”.

Luís Pedro Martins e a sua equipa propõem-se fazer este trabalho combatendo qualquer tentativa de green washing, porque “o pior que podemos fazer nesta temática é vender uma falsa promessa, por isso, o Movimento é também um momento de responsabilização, e um primeiro passo para uma verdadeira e séria Certificação”. Uma mudança de mindset em toda a cadeia de valor, que pode ser ainda visível em questões como “a transição energética, a agenda para a economia circular, a digitalização e a formação dos recursos humanos”.

Esta alteração de comportamentos é já visível na forma como muitas empresas de turismo colocam no topo das suas prioridades as questões da sustentabilidade, nomeadamente na baixa densidade, sabendo-se o quanto é importante o setor para o desenvolvimento económico e social das regiões.

O «Movimento para a Sustentabilidade» é uma iniciativa alargada que envolve todos os parceiros ligados à fileira turística para que percorram um caminho sustentável estratégico, através do programa «Ser Turismo Sustentável», que resultou de um aturado trabalho de auscultação de alguns players que, mesmo tendo a noção e vontade de se juntarem a este compromisso, tinham uma série de dificuldades em dar esse passo. As empresas que queiram assumir este compromisso com o destino devem então demonstrar esse interesse através deste micro-site.

Dirigentes estudantis de Bragança acusam senhorios de aumento de rendas a alunos com apoio

 Dirigentes estudantis de Bragança acusaram hoje os senhorios de estarem a aumentar os preços das rendas aos estudantes que recebem apoio ao alojamento.


O vice-presidente da Associação dos Estudantes Africanos em Bragança, Belmiro Zaqueu, disse que “quando o Governo aprova o apoio ao alojamento para os estudantes portugueses, os senhorios estão de olho. Há um aumento, uma especulação do preço da renda”.

O dirigente falava à Lusa à margem de uma visita da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, ao Instituto Politécnico de Bragança (IPB), que se reuniu com representantes das associações estudantis.

Atualmente, o Governo cede um complemento para alojamento aos estudantes com um teto máximo que ronda os 456 euros, variável de região para região. Em Bragança, essa ajuda vai até 217 euros.

“Os senhorios sabem que, se o Governo está a pagar a esses estudantes esse valor por um quarto, eles têm capacidade para pagar. Mas não é assim para todos”, concluiu Belmiro Zaqueu.

O presidente da Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança, André Caldeira, reforçou que os senhorios se têm “aproveitado um bocadinho” e “cobram um valor a partir dos 200 euros” por quarto.

Atualmente, em Bragança, avançou André Caldeira, o preço médio de quarto ronda os 200 a 250 euros, “fora despesas”, como água, luz ou internet.

Para os estudantes, explicou André Caldeira, “é muito complicado arranjar alojamento”.

“A zona próxima do campus era a mais procurada”, explicou o dirigente estudantil, o que tem empurrado os alunos para os arredores da cidade e acarreta a dificuldade da deslocação até à instituição.

“A rede de transporte não é a mais favorável”, considerou André Caldeira.

Por outro lado, os alojamentos têm “oferta reduzida”, o que também tem contribuído para o aumento do preço. “Este apoio vindo do Governo é uma boa ajuda, mas o facto de apoiar não quer dizer que haja alojamento. Cada vez mais a falta de quartos é uma dificuldade”, observou André Caldeira.

O dirigente acrescentou se está a registar um “aumento exponencial” dos alojamentos ao longo dos últimos cinco anos, na ordem dos 150 euros.

Para colmatar a falta de alojamento, Orlando Rodrigues, presidente do IPB, avançou que “estão os concursos lançados” para quatro novas residências de estudantes orçadas em mais de 16 milhões de euros. “(…) A perspetiva é que até finais de outubro, princípios de novembro, as obras estejam adjudicadas e que ainda este ano arranquem”, disse aos jornalistas.

TYR // ZO
LUSA/FIM