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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 29 de março de 2021

GRUPO DESPORTIVO MIRANDÊS DE LUTO

 Morreu Honorato Reixa, um dos fundadores do Grupo Desportivo Mirandês em 1968. O antigo dirigente tinha 90 anos e faleceu ontem.
Honorato Reixa era uma figura incontornável do emblema de Miranda do Douro, onde também assumiu, numa fase inicial do clube, funções de treinador.

O clube de imediato lamentou o seu desaparecimento. “Dos que partem ficam as saudades e as lembranças do que se passou, por isso eles nunca desaparecem totalmente. Honorato obrigado por tudo, domingo no lugar do costume. Forte abraço e até sempre. 1,2,3 Mirandês”, lê-se na página do Mirandês no Facebook.

À família, aos amigos e ao Grupo Desportivo Mirandês o Nordeste endereça as mais sentidas condolências.

Foto de G.D. Mirandês

𝗔𝗣𝗢𝗜𝗢 𝗦𝗢𝗖𝗜𝗔𝗟 | 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶́𝗽𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗰𝗿𝗶𝗮 𝗙𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮𝗼 𝗔𝗿𝗿𝗲𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗛𝗮𝗯𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼

 𝗗𝗲𝗽𝗼𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗿 𝗼 𝗙𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗘𝗺𝗲𝗿𝗴𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮𝗼 𝗔𝗿𝗿𝗲𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗛𝗮𝗯𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟬, 𝗼   𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶́𝗽𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮, 𝗽𝗿𝗲𝘁𝗲𝗻𝗱𝗲𝗻𝗱𝗼 𝗱𝗮𝗿 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗻𝘂𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗺𝗲𝗱𝗶𝗱𝗮, 𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮, 𝗮𝗴𝗼𝗿𝗮, 𝗼 𝗙𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮𝗼 𝗔𝗿𝗿𝗲𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗛𝗮𝗯𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗰𝘂𝗷𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘇𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗻𝗱𝗶𝗱𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗲𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗮𝘁𝗲́ 𝗮𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟭𝟮 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹.

Mais informação AQUI.

Caso de mulher acusada de matar o filho autista em Cabanelas vai ser julgado por tribunal de júri

 O caso da mulher que é acusada pelo Ministério Público de homicídio qualificado por, alegadamente, ter matado o filho autista, no Verão do ano passado, em Cabanelas, concelho de Mirandela, vai ser julgado por um tribunal de júri.
Na prática, a decisão deste caso, cuja primeira sessão está agendada para o dia 1 de junho, será tomada colegialmente entre os sete membros do tribunal de júri, já que os jurados também podem apreciar a prova e pronunciarem-se quanto à culpa ou inocência da arguida, sendo uma decisão vinculativa.

O procedimento para a escolha dos 8 jurados (quatro efetivos e quatro suplentes) ainda tem de obedecer a algumas formalidades e, ao que apuramos, só deve estar concluído no início do mês de maio, dado que a seleção dos jurados efetua-se através de duplo sorteio, o qual se processa a partir dos cadernos de recenseamento eleitoral. 

Primeiro, é preciso realizar um sorteio de pré-seleção dos jurados com 100 cidadãos, posteriormente será efetuado um inquérito para determinação dos requisitos de capacidade, para verificar possíveis incompatibilidades ou impedimentos e só depois avança o despacho de designação dos 8 escolhidos. 

Segundo a acusação do Ministério Público, Fátima Martinho, de 52 anos, planeou o crime. “Queria matar o filho autista, de 17 anos, e deu-lhe um potente medicamento antipsicótico antes de o empurrar para um poço, onde era suposto afogar-se sozinho. Mas, quando se apercebeu de que Eduardo José se mantinha à tona da água, não hesitou em descer e, com as mãos e os pés, afogou-o”, diz a acusação. É por estes factos, cometidos no dia 6 de julho do ano passado, na aldeia de Cabanelas, Mirandela, que a mulher é acusada pelo MP do crime de homicídio qualificado.

O relatório de autópsia, feita nos dias seguintes, viria a atribuir a morte à submersão da vítima na água, mas associada a intoxicação medicamentosa. Para o MP, a mulher agiu com total insensibilidade pela vida do filho.

Fátima foi detida pela Polícia Judiciária de Vila Real e colocada em prisão preventiva na cadeia de Santa Cruz do Bispo, onde permanece.

Escrito por Terra Quente (CIR)
Foto: Terra Quente

Feira das Cantarinhas cancelada pelo segundo ano consecutivo

 Pelo segundo ano consecutivo a pandemia cancela a Feira das Cantarinhas, em Bragança, que se realizaria em Maio.
A Associação Comercial Industrial e de Serviços de Bragança já prevê prejuízos enormes não só para os feirantes, mas para todo o comércio envolvente.

“A não realização da Feira das Cantarinhas tem um impacto enorme, visto que gira em torno de todas as actividades económicas da cidade, nos restaurantes, hotéis, comércio e toda a área de serviços. Todos vão ser penalizados pelo segundo ano consecutivo”, disse a presidente, Maria João Rodrigues.

Uma feira que atraía milhares de pessoas de todo o país e até da vizinha Espanha e que durante alguns dias influenciava a economia do concelho de Bragança.

A presidente da Associação Comercial Industrial e de Serviços de Bragança estima que, o ano passado, com o cancelamento da Feira das Cantarinha, ficaram por se ganhar “largos milhares de euros”.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Mulher detida em Bragança por roubo por esticão

 A PSP deteve ontem, em Bragança, uma mulher de 42 anos pelo crime de roubo por esticão.
A suspeita natural de Bragança simulou ajudar uma senhora idosa a transportar as compras até casa, e terá então puxado a mala que a vítima trazia a tiracolo, roubando 100 euros.

Sob a detida recaem fortes suspeitas da prática de outro roubo, que aconteceu há 5 dias também em Bragança.

Segundo a PSP a mulher terá mesmo como modo de vida a prática reiterada de diversos crimes contra a propriedade, contra a integridade física e contra a autoridade púbica.

A mulher encontra-se detida até ser presente à autoridade judiciária para aplicação das medidas de coação. 

Escrito por Brigantia

Movimento da Terra de Miranda diz que a empresa que detém as barragens transmontanas tem sede no Porto e não em Miranda do Douro

 Como havia sido afirmado publicamente pelo ministro do Ambiente no Parlamento no dia 23 de março, a Movhera 1 deveria ter a sua sede em Miranda do Douro, mas segundo o MCTM tal facto não corresponde à verdade.
O Movimento Cultural Terra de Miranda (MCTM) denunciou através de um comunicado de imprensa que a Movhera 1, sociedade que detém a propriedade das seis barragens no rio Douro tem sede no Porto e não em Trás os Montes, como havia afirmado o ministro do Ambiente, Matos Fernandes.

A Movhera 1 – Hidroelétricos do Norte é uma empresa pertencente ao grupo francês liderado da Engie que neste momento detém as seis barragens no rio Douro, através de uma operação de 2,2 mil milhões de euros.

Como havia sido afirmado publicamente pelo ministro do Ambiente no Parlamento no dia 23 de março, a Movhera 1 deveria ter a sua sede em Miranda do Douro, mas segundo o MCTM tal facto não corresponde à verdade.

O Movimento afirma que “a Movhera só pretende tirar proveito da riqueza gerada na Terra de Miranda pelos nossos recursos naturais e que não está interessada em comprometer-se com o desenvolvimento da região. O que é incompreensível”.

“Isso significa que a Terra de Miranda vai continuar a ser espoliada, não só da imensa riqueza produzida pelos seus recursos, como também de milhões de euros em receitas fiscais, incluindo as provenientes dos impostos municipais. O que é inaceitável, já que essas receitas resultam da riqueza gerada com a exploração dos aproveitamentos hidroelétricos do Douro”, lê-se na nota de imprensa distribuída esta segunda-feira à comunicação social.

O Movimento Cultural da Terra de Miranda diz ainda que “não pode calar a sua revolta perante a continuação de uma estratégia extrativa que é responsável pelo empobrecimento económico e pela perda de mais de metade da nossa população”.

Este Movimento “insta o Governo a que obrigue a MOVHERA a cumprir a condição da qual o próprio Governo Português fez depender a sua autorização de venda das barragens, como anunciou, que é a instalação da sua sede na Terra de Miranda. Se a MOVHERA vier por bem, pode contar connosco. Se pretende manter a estratégia de abuso e saque da EDP, terá a nossa forte e determinada oposição”, afirmam.

PÁSCOA ESGOTA CABRITO TRANSMONTANO DOP

domingo, 28 de março de 2021

A construção da pobreza pela degradação ambiental: o caso da Exploração Mineira ValTreixal, em Calabor (corredor Sanábria/Bragança/Foz do Sabor)

 Esta exploração afetará negativamente o ambiente natural, a economia e a sociedade do Nordeste Transmontano. Ela demonstra uma contradição gritante entre os discursos político-ambientais e as práticas reais autorizadas.

Os objetivos do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), divulgado em finais de 2019, manifestam a vontade de os governantes europeus liderarem o combate mundial às alterações climáticas e alcançarem a neutralidade climática até 2050. O Pacto apresenta-se como uma nova estratégia de crescimento para a UE, visando “fazer dela uma sociedade justa e próspera, dotada de uma economia moderna, eficiente em termos de recursos e competitiva” (i), operando de imediato a transição para um novo modelo económico, verdadeiramente assente nos princípios da redução, reutilização e reciclagem de materiais e energia, e uma mudança de paradigma, do atual modelo económico linear, no qual o produto é produzido, consumido e rapidamente descartado, para uma “economia circular”, que minimiza (e humaniza)(ii) a exploração de recursos naturais, a produção de resíduos e o consumo de energia, para se atingir a sustentabilidade local e global (iii).

Mas, então, como interpretar algumas práticas que contradizem estes princípios e destroem o património natural, económico, social e cultural das comunidades locais e regionais? Vejamos o caso concreto “Valtreixal” N.º 1906 e “Alto de Los Repilados” N.º 1352, em Calabor (Sanábria, Zamora, Espanha).

Este projeto de exploração de estanho e volfrâmio tem vindo a merecer preocupação e contestação, nomeadamente em Portugal, pelos impactes ambientais negativos que virá a ter na região transmontano-nordestina, designadamente nas bacias dos rios Calabor e Igrejas prolongando-se pelo Sabor do qual aqueles são afluentes. Por se tratar de águas transfronteiriças, abrangidas pelo Acordo de Albufeira, assinado entre os dois países, Portugal mostrou interesse em participar no procedimento de Avaliação do Impacte Ambiental, o qual veio a estar à consulta do público no verão de 2020, embora as autoridades portuguesas tenham feito pouquíssima divulgação.

De acordo com o Estudo de Impacte Ambiental (iv), esta exploração mineira terá efeitos ambientais severos ao nível da qualidade das águas, dos habitats naturais e da paisagem, entre outros. Dada a proximidade com a fronteira, terá também reflexos no território transmontano-nordestino, nomeadamente ao nível da qualidade da água, da fauna e da saúde pública, nas localidades de Aveleda, Baçal, Varge, Gimonde, entre outras. Estes efeitos vão, pois, pesar sobre as gentes que habitam este território (quer em Espanha quer em Portugal), degradando a sua qualidade de vida e hipotecando o desenvolvimento sustentável da região afastando o turismo de bem-estar e de natureza, reduzindo as mais-valias que a riqueza ambiental incorpora no comércio de produtos endógenos, e reduzindo as potencialidades da região para vir a atrair população que esteja em busca de viver numa zona saudável.

Em termos económicos e sociais, uma exploração mineira desta natureza só trará malefícios, integrando-se antes no conceito de «economia de rapina» (v), própria do liberalismo económico da primeira metade do Século XX (vi), operada por grandes grupos económicos que extraem riqueza a localidades, regiões ou países sem pensar nas consequências ambientais e nas sucedâneas destas.

i Conselho Europeu & Conselho da União Europeia (2020). Pacto Ecológico Europeu. Ver AQUI.

ii Expressão entre parêntesis da nossa autoria.

iii Direção-Geral das Atividades Económicas. (2020). Economia Circular. Ver AQUI.

iv Estudo de Impacto Ambiental do Projeto de Exploração de Recursos de Estanho e Volfrâmio “Valtreixal” N.º 1906 e “Alto de los Repilados” N.º 1352 no limite municipal de Pedralba de la Praderia, Zamora. Ver AQUI.

v Papa Francisco. Encíclica «Querida Amazónia», §§ 48 e 49. Ver AQUI.

vi A propósito do conceito de «economia de rapina» ver ainda: Joseph Shumpeter (1984: 43, Impérialisme et Classes Sociales, Paris, Flammarion, citado em H. Ferreira, 2007: 205, Teoria Política, Educação e Participação dos Professores, Lisboa, EDUCA)

Maria da Conceição Martins

Cavaleiros apeados

 Segue-se a mais valia da obra: virtualmente zero. Estamos a falar de um território com taxas de envelhecimento galopantes por um lado, e centenas de quilómetros de caminhos agrícolas e outros trilhos caminháveis/cicláveis por outro. Também não estamos a falar de um Caminho de Santiago, que atraia por si só visitantes, os quais aliás deixam na sua passagem receitas residuais, como bem atestam detentores de pequenos negócios noutras ecopistas similares.

Causou-me forte impressão o volume de comentários a defender o regresso do comboio a Macedo de Cavaleiros, Trás-os-Montes, num post desta autarquia nas redes sociais. Nele, o edil dá conta de um investimento de mais de 500 mil euros na “valorização turística” do troço da Linha do Tua inserido no concelho. Só que a valorização pretendida nada mais é do que a construção de mais uma ecopista em leito ferroviário, uma praga lançada em finais da década de 1990, e que começa finalmente a dar mostras de evidente desgaste na opinião pública.

A premissa única deste dogma é a de aproveitar património desafectado da exploração ferroviária – o que em muitos casos é um eufemismo para “completamente abandonado”. Um argumento fragilíssimo, sobretudo quando nenhuma destas ecopistas foi precedida de um estudo de viabilidade da reabertura à exploração ferroviária, por puro e simples preconceito e laxismo político. Nos casos do Sabor e Corgo, eu próprio já apresentei estudos de viabilidade, ostensivamente ignorados pelos autarcas locais. Problema desta abordagem: estamos a ser escravos da mediocridade de quem nos governa.

Várias destas ecopistas mais não são que o canal ferroviário em terra batida, com praticamente nenhuma das inúmeras estações, armazéns, dormitórios ou casas de guarda a serem intervencionados. O custo é outro testemunho à ligeireza da obra: só em duas congéneres da Linha do Tua, atingiu-se aquele que é o rácio mais caro de que tenho conhecimento, com os 167 mil euros por km no Tâmega (feita no período de vigência da Troika), e a de terra batida mais cara, com os 125 mil euros por km no Sabor. Reabrir troços desta natureza pode oscilar entre os 400 e os 500 mil euros por km – ou seja, a cada 3 ou 4 km destas ecopistas, gasta-se o equivalente a reabrir 1 km de via férrea!

Segue-se a mais valia da obra: virtualmente zero. Estamos a falar de um território com taxas de envelhecimento galopantes por um lado, e centenas de quilómetros de caminhos agrícolas e outros trilhos caminháveis/cicláveis por outro. Também não estamos a falar de um Caminho de Santiago, que atraia por si só visitantes, os quais aliás deixam na sua passagem receitas residuais, como bem atestam detentores de pequenos negócios noutras ecopistas similares.

Estas vias foram asfixiadas até à morte de forma intencional, empurrando passageiros e mercadorias para a rodovia, graças a horários que não serviam ninguém e tempos de viagem cada vez maiores. O que obviamente não determina que hoje o caminho de ferro não faça falta nestes territórios, e que não haja procura – e fontes de receita para a concessionária e o próprio Estado – que justifiquem o seu regresso. É aliás uma notória contradição que o autarca de Macedo de Cavaleiros tenha defendido a reposição do serviço ferroviário no eixo Mirandela – Macedo – Bragança, e ao mesmo tempo promova a ocupação do canal ferroviário desse mesmo eixo por uma ecopista. Incongruências que custam muito caro ao desenvolvimento do território e bem-estar da população.

A poupança anual para um munícipe macedense que se deslocasse de comboio diariamente para Mirandela ou Bragança em relação a viagens de automóvel pode ultrapassar os 500 euros.

O traçado da Linha do Tua discorre numa zona sem acidentes naturais que tornem onerosa ou mesmo impraticável a correcção do seu traçado, de modo a oferecer tempos de viagem competitivos com os da rodovia. De notar que a distância de Macedo a Mirandela é aliás igual seja pela A4, pelas estradas nacionais, ou pelo canal actual da Linha do Tua. Custo da reabertura de Carvalhais a Macedo? A 500 mil euros por km daria 13 Milhões de euros, dos quais o Estado pagaria uns inexpressivos 1,95, para ligar de novo as duas cidades, com o meio de transporte terrestre mais eficiente e ecológico de todos.

Até quando o futuro da região vai ficar apeado devido ao imediatismo e pequenez de alguns autarcas? Pelos vistos muitos macedenses já não estão dispostos a isso. Faço minha a voz deles, e a de tantos outros trasmontanos antes deles: Queremos o comboio, somos Portugueses!

Daniel Conde

sábado, 27 de março de 2021

Exposição Via Estreita | CIT reabre ao público com uma nova Exposição

 De portas novamente abertas a partir de 5 de abril, o CIT – Centro de Interpretação do Território reabre ao público com uma exposição fotográfica em que as estações de caminho-de-ferro que foram desativadas na zona de Trás-os-Montes e Alto Douro são protagonistas.


Sob a visão artística de Carlos Cardoso, “Via Estreita” mostra a singularidade do traço arquitectónico português nas estações e apeadeiros das linhas pertencentes aos quatro ramais de via estreita (bitola de 1 metro) da Linha do Douro e também as estações da linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva.

Apesar de atualmente apresentarem um aspecto abandonado e degradado, as estações e apeadeiros desta região conseguem ter uma beleza ímpar e contar hábitos regionais em azulejos, o que as torna únicas no mundo. Este foi um dos motivos pelos quais o autor de “Via Estreita” percorreu durante dois anos as linhas férreas do Tâmega, Corgo, Tua, Sabor e Douro.

O resultado pode ser conhecido de 5 de abril a 13 de junho no CIT – Centro de Interpretação do Território, em Sambade.

Museu Municipal de Arte de Alfândega da Fé terá mostra diversificada de obras

 Reprogramar a forma como pensamos e nos relacionamos com os museus, é esse o desafio para a criação do Museu Municipal de Arte (MMA), a novíssima identidade matriz que se pretende que molde toda a lógica expositiva deste novo equipamento cultural.
A designada “Casa do Adro”, situada na zona antiga da vila, será em breve um espaço de mostra permanente do espólio artístico da autarquia e que inclui essencialmente obras de artistas contemporâneos como o Mestre José Rodrigues, Balbina Mendes, Alberto Péssimo entre outros, às quais se juntarão, outras peças de Arte Sacra e de arqueologia, numa abordagem disruptiva, precisamente porque se pretende ter a capacidade para romper ou alterar padrões de vivenciar o museu.

Paulatinamente o corpo de projeto de museologia, concebido em colaboração entre a Divisão da Cultura do Município e a Direção Geral de Cultura do Norte, começa a ganhar forma, assentando em três importantes variáveis, que se relacionam entre si: o edifício, o público e os objetos de arte.

Feita a radiografia, programam-se os conteúdos que faltam para um museu que se estende como uma raiz, disseminando-se por todas as extensões culturais municipais, designadamente a Casa da Cultura Mestre José Rodrigues e o CIT, numa matriz de forte multiplicidade e interação artísticas.

Para além do espaço expositivo, o MMA vai dispor de um serviço educativo, destinado a promover uma maior ligação dos diferentes públicos ao universo temático da arte e a fomentar a criatividade dos munícipes e visitantes.

Paralelamente, desenha-se a forma da apresentação ao concelho e à região, sem esquecer componentes como a identidade gráfica, com um carácter poliédrico ou multifacetado.

O edifício onde vai ser instalado o MMA vai também acolher o Posto de Turismo, potenciando a atratividade da zona histórica da vila, conferindo-lhe mais dinamismo com o aumento de visitantes e turistas.

As obras de reabilitação e reconstrução da Casa do Adro, correspondem a um investimento de mais de meio milhão de euros, co-financiados pelo programa Norte 2020 e já se encontram a decorrer.

Concurso de Fotografia: (re) Viva Tradições

 O CIT - Centro de Interpretação do Território de Sambade/ Alfândega da Fé lança um novo Concurso fotográfico dedicado às tradições!


O registo fotográfico é uma das melhores formas de reflexão na posteridade, não é verdade? Por isso mesmo, desafiamo-lo mais uma vez a juntar-se a nós na captura de tradições, costumes e rituais transmontanos.

“(Re) - VIVA TRADIÇÕES” é a temática!

Tradições, artesanais, memórias, hábitos, ainda praticadas ou não, porque o objetivo é fazer recordar, (re) viver, dar a conhecer e experienciar algumas das práticas constituem a nossa cultura identitária e que representam o passado, molda o presente e projectam o futuro das gerações.

O desafio começa agora!

Os trabalhos fotográficos devem ser enviados até ao dia 16 de maio, para o e-mail do CIT:
geral@citalfandegadafe.pt

A divulgação será feita numa Galeria Virtual, disponível para todos, no Facebook do CIT, a partir do dia 18 de maio. A votação vai decorrer através de “gostos” até dia 20 de junho. Portanto quanto mais “likes” melhor.

Serão seleccionadas 3 vencedores, aqueles que tiverem as suas fotografias mais votadas. Os vencedores terão direito aos seguintes prémios:

1º prémio: um Cabaz composto por produtos locais e Merchandising do Município de Alfândega da Fé;

2º prémio: um Cabaz composto por produtos locais;

3ª prémio: Merchandising do Município de Alfândega da Fé.

Consulte AQUI o Regulamento do Concurso.

Para mais informações:

geral@citalfandegadafe.pt | 279 479 023

Carta Concelhia do Património | Município de Alfândega da Fé vai mapear todo o património concelhio

 Identificar, dar a conhecer e preservar todo o património material e imaterial do concelho é o principal objetivo do trabalho que a autarquia alfandeguense está a realizar com a construção da Carta Concelhia do Património. Um importante documento que irá conter informação sobre o património imóvel, móvel, natural, humano, documental e cultural, de cariz público ou privado, existente em todo o concelho.


Fontes, igrejas e capelas, casas senhoriais, pombais, moinhos, pisões, lendas, miradouros, sítios de interesse arqueológico, nichos e cruzeiros são alguns dos elementos que vão estar discriminados na Carta Concelhia do Património.

Neste momento, as equipas de técnicos da Divisão de Cultura, Turismo e Desporto já estão no terreno para identificação e levantamento do património existente e vão percorrer todo o concelho nos próximos meses.

Verdes exigem solução para passivos ambientais das Minas de Portelo

 Grupo Parlamentar Os Verdes, entregou na Assembleia da República uma pergunta, em que questiona o Governo através do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, sobre o sucessivo adiamento, por parte do Governo, de uma solução que ponha fim à contínua degradação ambiental que tem lugar no coração do Parque Natural de Montesinho.
O Partido Ecologista “Os verdes” (PEV) insiste na Urgência de uma intervenção para recuperação dos passivos ambientais das Minas de Portelo, complexo mineiro desativado em pleno Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança.

A deputada Mariana Silva, do Grupo Parlamentar Os Verdes, entregou na Assembleia da República uma pergunta, em que questiona o Governo através do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, sobre o sucessivo adiamento, por parte do Governo, de uma solução que ponha fim à contínua degradação ambiental que tem lugar no coração do Parque Natural de Montesinho, região de elevado valor ecológico, em área identificada como Zona Biótipo de Conservação Prioritária I e II (segundo a carta de valores faunísticos do Plano de Ordenamento do PNM), em Reserva Natura 2000, constituindo parte integrante da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, classificada pela UNESCO.

Segundo o PEV, “o fenómeno de assoreamento a que se assiste, há mais de uma década, nos cursos de água a jusante das minas de Portelo, em Bragança, afetou irremediavelmente as ribeiras e os ecossistemas nas aldeias de Aveleda e Portelo. Toneladas de areia arrastadas numa extensão de 14 km e a deposição de sedimentos provocados pelo colapso das escombreiras da mina, num período de forte pluviosidade em 2009, causaram inundações, perda de biodiversidade, contaminação das águas, afetação das culturas agrícolas e o assoreamento do rio Pepim, afluente do rio Sabor”.

Para o partido ecologista “esta grave situação tem relevantes impactos ambientais, sociais e económicos sobre a região que tem apostado cada vez mais no ecoturismo e em investimentos na valorização ambiental do território”.

O PEV diz que “é incompreensível o sucessivo adiamento por parte do Governo de uma solução que ponha fim à contínua degradação ambiental que tem lugar no coração do Parque Natural de Montesinho, região de elevado valor ecológico, em área identificada como Zona Biótipo de Conservação Prioritária I e II (segundo a carta de valores faunísticos do Plano de Ordenamento do PNM), em Reserva Natura 2000, constituindo parte integrante da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, classificada pela UNESCO”.

As minas de Portelo, integradas na área mineira de Montesinho, foram alvo de intervenção recente, numa primeira fase de remediação ambiental, inventariação e proteção de acessos, poços e galerias. De acordo com a informação disponibilizada online, esta intervenção incluiu a suavização de escarpas e a modelação de taludes.

Essa operação poderá contribuir para uma parcial recuperação paisagística das margens e da galeria ripícola, e o retorno à fruição daquele espaço por residentes e visitantes, mas para o Partido Ecologista Os Verdes esta foi uma

“mera intervenção cosmética, redutora e temporária, na medida em que não constitui uma resposta para a resolução definitiva do problema, cuja ameaça é contínua, e se encontra a montante junto das escombreiras das minas de Portelo, pelo que é muito provável que os investimentos canalizados para a recuperação paisagística na aldeia de Aveleda e no Rio Pepim sejam totalmente desperdiçados”.

Segundo Os Verdes, este partido com assento parlamentar, já anteriormente haviare ferido numa pergunta dirigida ao Ministério do Ambiente e da Ação Climática em agosto de 2020, que ficou por realizar uma segunda fase do projeto com vista à recuperação paisagística da escombreira de finos, a desobstrução do leito principal da Ribeira do Vale de Ossa, afluente do rio Pepim, assim como a descontaminação dos solos. O PEV diz que aguarda ainda resposta sobre o acompanhamento dado pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática a este grave problema ambiental e insiste na urgência de uma intervenção por parte dos organismos responsáveis pelo ambiente e pelo setor da geologia nas Minas de Portelo.

Solar das Arcas classificado monumento de interesse público em Macedo de Cavaleiros

 Edifício privado situado na aldeia com o mesmo nome de Macedo de Cavaleiros foi considerado "dos mais importantes exemplares da casa nobre setecentista transmontana".


O Solar das Arcas, um edifício privado situado na aldeia com o mesmo nome de Macedo de Cavaleiros, foi classificado como monumento de interesse público por ser considerado “dos mais importantes exemplares da casa nobre setecentista transmontana”.

O processo de classificação pedido pelos proprietários arrastou-se vários anos e foi concluído com o despacho de 16 de março de 2021, da secretária de Estado adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira, publicado esta quinta-feira em Diário da República.

O edifício integra um empreendimento de turismo em espaço rural que proporciona aos visitantes a oportunidade de experienciar a vida numa quinta tipicamente transmontana, na aldeia de Arcas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança.

O despacho da classificação destaca que “o Solar das Arcas constitui um dos mais importantes exemplares da casa nobre setecentista transmontana e um testemunho bem característico das residências senhoriais e citadinas barrocas, desenvolvidas em comprimento, com capela privada numa das extremidades da fachada”.

De acordo com a sustentação, a casa está inserida numa propriedade murada que enfrenta o jardim, separado desta por uma estrada, e “destacam-se do conjunto o volume central da frontaria, com portal armoriado, cujo traçado erudito se conjuga com os modelos regionais e a linguagem tendencialmente vernacular dos restantes corpos, alguns de acrescento posterior”.

A capela é também um elemento de destaque, “com o seu notável retábulo-mor rocaille, em talha dourada e policromada”, como descreve a decisão da classificação, salientando que “merece também referência o jardim, igualmente de risco erudito e requintado, que constitui um espaço de lazer hoje particularmente raro em Trás-os-Montes”.

“Para além do seu valor arquitetónico e artístico, o Solar das Arcas configura ainda um suporte de memória privilegiado da organização social do antigo regime e das vivências da nobreza rural”, acrescenta.

São igualmente importantes para a decisão do Governo “o grau de autenticidade dos edifícios e a ligação matricial, histórica e paisagística que o solar conserva com a envolvente, nomeadamente com os terrenos agrícolas limítrofes”.

A classificação do Solar das Arcas reflete os critérios constantes da legislação que rege o estatuto atribuído, “relativos ao caráter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística, e à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”.

De acordo com a sustentação, a casa está inserida numa propriedade murada que enfrenta o jardim, separado desta por uma estrada, e “destacam-se do conjunto o volume central da frontaria, com portal armoriado, cujo traçado erudito se conjuga com os modelos regionais e a linguagem tendencialmente vernacular dos restantes corpos, alguns de acrescento posterior”.

A capela é também um elemento de destaque, “com o seu notável retábulo-mor rocaille, em talha dourada e policromada”, como descreve a decisão da classificação, salientando que “merece também referência o jardim, igualmente de risco erudito e requintado, que constitui um espaço de lazer hoje particularmente raro em Trás-os-Montes”.

“Para além do seu valor arquitetónico e artístico, o Solar das Arcas configura ainda um suporte de memória privilegiado da organização social do antigo regime e das vivências da nobreza rural”, acrescenta.

São igualmente importantes para a decisão do Governo “o grau de autenticidade dos edifícios e a ligação matricial, histórica e paisagística que o solar conserva com a envolvente, nomeadamente com os terrenos agrícolas limítrofes”.

A classificação do Solar das Arcas reflete os critérios constantes da legislação que rege o estatuto atribuído, “relativos ao caráter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística, e à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”.

Homem morre em Gebelim depois do trator em que seguia ter capotado

 Um homem de 74 anos morreu, ontem, num acidente com um trator agrícola em Gebelim, no concelho de Alfândega da Fé.
Segundo avança o Jornal de Notícias, a vítima foi encontrada depois das 20h30, deitada junto ao trator, que terá capotado num terreno agrícola, na serra de Bornes.

O homem saiu de casa cerca das 15h00 e como não apareceu, a família foi procurá-lo.

O óbito foi declarado no local, onde, a prestar socorro estiveram os Bombeiros de Alfândega da Fé e a GNR.

Escrito por ONDA LIVRE

Testemunhas implicam quatro arguidos nas agressões que levaram à morte de Giovani

 Um casal de testemunhas implicou hoje quatro dos sete arguidos acusados de homicídio nas agressões que levaram à morte do estudante cabo-verdiano, Giovani Rodrigues, em Bragança.
As duas testemunhas, marido e mulher, são parentes e conhecidos de alguns dos arguidos, nomeadamente dos que apontaram, e disseram em tribunal que não assistiram às agressões entre o grupo de Bragança e os quatro cabo-verdianos.

Alegaram que encontraram no local, onde ocorreram os factos na madrugada de 21 de dezembro de 2019, quatro dos arguidos que lhes disseram ter andado à pancada e que tinham, dois deles, as metades de um pau, e um terceiro uma soqueira numa mão ensanguentada. Falaram ainda de um quinto elemento que chegou a estar em prisão preventiva, mas foi ilibado na fase de instrução.

As duas testemunhas pediram para falar, e foi aceite pelo Tribunal, sem a presença dos arguidos na sala de audiências, alegando terem sido anteriormente ameaçados “pelo irmão de um dos arguidos”.

O casal terá sido também das últimas pessoas a ver Giovani com vida, já que testemunhou ter visto passar, na avenida Sá Carneiro, “um rapaz sozinho a cambalear, com a mão na cabeça” e que entendeu tratar-se de alguém “podre de bêbedo”, sem associar aos factos anteriores.

Segundo testemunharam, falaram com os arguidos nas chamadas escadas da Autocarta, onde terão terminado as agressões entre os dois grupos e onde não referiram ter visto nenhum dos cabo-verdianos.

Quando saíram dali e se dirigiram para uma discoteca, mais à frente também na mesma avenida, ao estacionarem, terão avistado o rapaz que mais tarde associaram a Giovani, e que veio a ser encontrado inconsciente poucos metros à frente.

A hora em que terão entrado na discoteca ocorreu pouco depois de um casal apeado ter chamado um carro da patrulha da Polícia, que passava nas redondezas, para um jovem que estava caído. Esse casal desapareceu imediatamente, enquanto os agentes fizeram inversão de marcha, sem o conseguirem identificar, como testemunharam os polícias em Tribunal.

Questionado por um dos advogados se chamou a polícia, o marido disse que não, dissociando-se do casal referido pelos agentes.

As testemunhas contaram que estavam no bar onde começou o desentendimento entre dois jovens de Bragança, que não são arguidos no processo, e dois dos cabo-verdianos e que terá ficado sanado no local.

Um segundo episódio começa já na av. Sá Carneiro, junto a outro bar entre dois dos intervenientes anteriores de cada grupo e envolve depois os quatro cabo-verdianos e outros indivíduos de Bragança que vieram a ser constituídos arguidos e que não são os do desacato no bar.

Os quatro cabo-verdianos, estudantes do politécnico de Bragança, conseguiram fugir das alegadas agressões, segundo contaram os amigos de Giovani, que inicialmente falaram numa queda nas escadas da Autocarta e em julgamento num tropeção, durante a fuga.

Este é um ponto em que as defesas têm apostado por a lesão na cabeça, que causou a morte a Giovani Rodrigues, poder ter sido causado por agressão ou na queda, como apontou a autópsia, que não foi conclusiva.

Os amigos de Giovani continuam sem conseguir explicar como é que perderam o jovem que foi encontrado sozinho caído no chão inconsciente.

O jovem morreu dez dias depois de um traumatismo cranioencefálico e sete homens de Bragança, com idades entre os 22 e os 45 anos estão acusados do crime de homicídio qualificado consumado relativamente a esta vítima, e pelo crime de ofensas à integridade física qualificadas no que se refere aos outros três cabo-verdianos do grupo.

Dos arguidos, três encontram-se em prisão preventiva e quatro em prisão domiciliária.

O tribunal ouviu até agora os sete arguidos, os três ofendidos e cinco de um rol de cerca de uma centena de testemunhas arrolados no julgamento que começou em fevereiro e será retomado em maio, em data ainda a marcar.

O que procurar na Primavera: o carvalho-português

 São muitas as espécies arbóreas que constituem a nossa floresta, mas hoje escolhi falar do carvalho-português (Quercus faginea), a árvore mal-amada dos portugueses. As suas flores surgem entre Março e Abril.

Foto: Alfonso San Miguel/WikiCommons

Portugal tem a lei mais antiga da Europa no que se refere à proteção das árvores. Desatualizada face à realidade atual, esta lei, datada de 1565, já pedia que se plantassem e se protegessem muitas das espécies nativas da floresta portuguesa. Naquela época, a procura por madeira para a construção naval, sobretudo de carvalho, foi tão intensa que esta passou a ser um bem escasso, obrigando a medidas de regulamentação do corte de árvores e de proteção da floresta. A lei de proteção das árvores promoveu a reflorestação com carvalhos, pinheiros e castanheiros. Desde então pouco mais foi feito.

É importante lembrar que as árvores começam a vida como minúsculas plantas nascidas por semente, podendo acabar os seus dias como gigantes centenários. São dos seres vivos mais antigos e maiores do globo terrestre.

São muitas as espécies arbóreas que constituem a nossa floresta. Mas hoje escolhi falar do carvalho-português (Quercus faginea), a árvore mal-amada dos portugueses. É uma das espécies que tem perdido mais área de ocupação nos últimos séculos, ora para a agricultura, ora para a reflorestação com outras espécies exóticas, ora motivado pelos incêndios florestais.

O carvalho-português 

O carvalho-português – também conhecido como carvalho-cerquinho, cerquinho, carvalho-lusitano ou pedamarro – é uma árvore da família das Fagaceae, uma das famílias mais representativas da floresta nativa nacional. São três os géneros presentes em Portugal continental, o género Quercus, com nove espécies nativas e os géneros Castanea e Fagus, ambos com uma espécie.

O carvalho-português é uma árvore de porte médio que pode atingir 25 metros de altura. A sua copa é ampla e arredondada e o tronco é geralmente direito, cinzento e fendido. Os ramos são cinzentos-avermelhados e pubescentes.

As folhas são marcescentes, abundantes e ligeiramente convolutas. São simples, coriáceas, verde-lustrosas na página superior e acinzentadas na página inferior, devido à pilosidade densa, junto às nervuras.  

As flores surgem entre março e abril. As flores masculinas são numerosas, de cor verde amarelado e surgem dispostas em amentilhos ciliados, pendurados, pouco firmes. As flores femininas surgem solitárias, dentro de uma cúpula. 

O fruto é uma glande, quase cilíndrica, com 15 a 30 mm de diâmetro, vulgarmente designada como bolota. Apresenta um pecíolo curto e é protegida por uma cúpula, revestida de escamas aplicadas (não levantadas) e tomentosas, que cobre ⅓ da bolota. Os frutos surgem em grupos, no meio das folhas e formam-se e amadurecem no mesmo ano. Amadurecem nos meses de setembro e outubro.

Foto: Guillermo César Ruiz/WikiCommons

O carvalho-português é uma espécie de crescimento lento, que pode viver até aos 300 anos e tem uma elevada capacidade de renovação basal. 

A origem científica desta espécie é fácil de interpretar. O nome do género Quercus é o nome clássico, em Latim, dado aos carvalhos, azinheira e sobreiro e faginea, também deriva do Latim, de fagineus-a-um, que significa “semelhante à faia”, espécie do género Fagus. 

Habitat rico em biodiversidade

O carvalho-português é originário da Península Ibérica e do norte de África. Em Portugal distribui-se um pouco por todo o país, sendo mais comum no centro e sul, em povoamentos mistos com outras espécies do género Quercus (sobreiros e azinheiras), em pequenas manchas isoladas ou como árvore individual.

Árvore de meia-luz, o carvalho-português tem preferência por climas suaves e quentes, com alguma humidade atmosférica. Suporta grandes amplitudes térmicas e temperaturas até -12ºc. Adaptado a todo o tipo de solo, tem preferência por solos ricos em bases. 

Como os restantes carvalhais, as florestas de carvalho-português são habitats bastante ricos em biodiversidade e têm uma elevada importância ecológica, sendo o habitat preferencial de inúmeras espécies animais, desde pequenos insetos, anfíbios e aves como o gaio a pequenos e grandes mamíferos como os veados e o lince-ibérico.

Foto: Programa de Conservação Ex-Situ

Esta é uma espécie que ocupa áreas limitantes para a maioria das espécies arbóreas e arbustivas e também desempenha um papel fundamental na regulação do ciclo da água, no controlo da erosão e na recuperação de solos degradados. O carvalho-português apresenta um grande valor ornamental e paisagístico e as suas folhas e frutos são utilizados na alimentação animal.  

A madeira de carvalho-português é de alta qualidade, resistente e fácil de trabalhar. Muito boa para construção, nomeadamente para vigas, carpintaria, soalhos e marcenaria. Apresenta um elevado poder calorífico, sendo também utilizada para lenha e carvão.

Espécie em declínio 

A procura elevada de madeira de carvalho-português – a partir do século XV, época dos Descobrimentos – foi a principal responsável pelo declínio das populações desta espécie em território nacional. Esta madeira foi muito utilizada para a construção de naus e caravelas.

Mais tarde, já nos séculos XIX e XX, as áreas de carvalho-português voltaram a sofrer um grave decréscimo, devido ao interesse agrícola das terras e para instalação de outras espécies, nomeadamente exóticas. Esta é uma espécie característica de locais com solos ricos e bem desenvolvidos.

Foto: Xemenendura/WikiCommons

Devido a estas e a outras ameaças (alteração do uso do solo, mau planeamento florestal, incêndios, abate, trânsito de pessoas e veículos), atualmente esta espécie ocorre somente em pequenas manchas isoladas, essencialmente em alguns distritos do centro, como Coimbra, Leiria, Lisboa e Santarém. Os bosques bem conservados desta espécie são habitats protegidos e correspondem ao Habitat 9240 – “Carvalhais ibéricos de Quercus faginea” do Anexo I da Directiva Habitats nº92/43/CEE, que engloba os “Tipos de habitats naturais de interesse comunitário cuja conservação exige a designação de zonas especiais de conservação.”

O carvalho-português é considerado uma espécie de transição entre os carvalhos de folha caduca a norte de Portugal – o carvalho-roble (Quercus robur) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica) – e os carvalhos de folha persistente a sul, o sobreiro (Quercus suber) e a azinheira (Quercus rotundifolia).

As subespécies de carvalho-português

O carvalho-português é uma espécie extremamente polimórfica e plástica, pelo que foram descritos numerosos taxa de âmbito específico quanto intraespecífico.

Existem três subespécies de carvalho-português em território nacional: 

O Quercus faginea subsp. faginea, espécie endémica da Península Ibérica, que ocorre predominantemente no nordeste de Portugal, em zonas de maior altitude e secura, sobretudo na região de Trás-os-Montes. O Quercus faginea subsp. broteroi, mais comum na região oeste do centro e sul de Portugal, em zonas húmidas de menor altitude, nomeadamente na Estremadura, Ribatejo e Beira Litoral. E o Quercus faginea subsp. alpestres que ocorre apenas no Barrocal Algarvio.

O carvalho-português tem uma elevada capacidade de produzir híbridos naturais quando se cruza com outras espécies do género Quercus. Com o carvalho-alvarinho (Q. robur) forma o híbrido Quercusx coutinhoi, com o carvalho negral (Q. pyrenaica) forma o Quercusx neomairei, com o carvalho-das-canárias (Q. canadienses) forma o híbrido Quercusx marianica e com a azinheira (Q. rotundifolia) forma o híbrido Quercusx senneniana.

Estes carvalhais de carvalho-português são locais únicos, fazem parte da paisagem da floresta portuguesa. No entanto, aos poucos estas áreas estão a desaparecer. As manchas que ainda existem resultam de regeneração natural.

É urgente a preservação e recuperação desta espécie tão mal amada pelos portugueses, mas com uma importância única, indispensável para a biodiversidade. 

Dicionário informal do mundo vegetal: 
Folha marcescente – folha que persiste na árvore, mesmo depois de murcha ou seca. Geralmente fica pendurada na árvore até a formação das novas folhas, na estação mais favorável.
Folha convoluta – folha que se enrola sobre si mesma. As margens enrolam ligeiramente para dentro.
Amentilho ciliado – amentilho coberto de cílios.
Cílios – pelos finos e curtos, geralmente inseridos na margem de órgãos laminares.
Tomentoso – coberto de pêlos moles e muito finos que formam um infiltrado mais ou menos denso e que reveste o órgão.
Taxon (no plural, taxa) – nível taxonómico de um sistema de classificação científica de seres vivos (Ex. Família, Género, Espécie, Subespécie).
Taxon infraespecífico – classificação abaixo da espécie (Ex. Subespécie, Variedade). Exige a utilização de uma nomenclatura trinomial (Ex. Quercus faginea subsp. faginea)
Taxon específico – classificação até à espécie 

Carine Azevedo

sexta-feira, 26 de março de 2021

MITOLOGIA SOCIAL

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Contava meu pai, que certa ocasião, estando no escritório, recebeu a visita de amigo e sua filha.
Ao deparar sobre mesinha, de pé de galo, livro de versos de Camões, abriu-o, e começou a declamar com ênfase, fazendo profunda pausa no fim de cada verso.
Nisto entra a filha eufórica, e ao ouvir certa expressão, que lhe pareceu ridícula, Desatou a gargalhar.
Furioso, o pai, por ser interrompido, berra-lhe:
- “De que te ris, estúpida. Isto é Camões!”
Perante a revelação, o riso desapareceu, e numa atitude de respeito profundo, exprimiu um “Ah!” reverente e convicto.
Como o nosso velho Raposão, perante o douto Topsius, não compreendeu, mas venerou.
E concluía meu pai: que se admira, não o autor, mas o mito.
A grande Amália Rodrigues, dizia, muitas vezes, ao ler os versos que o empresário lhe entregava: - “Ficava encantada com a letra, e pedia-lhe, o favor, de apresentar-me o poeta.”
Uma vez, frente a frente, Amália tinha grande desilusão. Era feio, tímido, sem dotes físicos, que o favorecesse e ainda insípido conversador. O poeta, para ela, de excepcional, passava a homem vulgar.
O mesmo aconteceu à menina Clarissa, de Erico Veríssimo, ao conhecer o seu poeta preferido, Antilóquio Madrigal…
É por esse “fenómeno” que muitos intelectuais se resguardam no interior dos seus escritórios e raras vezes surgem em publico.
Recomendava S. Tomás o pouco convívio, pois a familiaridade demasiada gera o desprezo. Por vezes nem é preciso familiaridade: basta ver o ídolo…
Mal vai o professor, quando não é um mito para seus alunos; o escritor, para seus leitores; o artista, para seus admiradores. Admira-se o mito. Certa vez gabava a José Régio a celebridade, a fama que alcançara, ao que este respondeu, que para quem com ele trabalhava, era apenas “o senhor doutor.”
Certos médicos, certos escritores, certos artistas plásticos, são apreciados porque ao redor deles criou-se áurea de glória, muitas vezes mantida pela publicidade e correligionários.
Certas obras admiradas, de artistas plásticos, não merecem um chavo; mas são vendidas por milhões, devido à assinatura, ao mito, que se criou.
Muitos adquirem livros, não porque sejam valiosos, sob aspecto literário ou conteúdo, mas apenas porque a critica o acarinhou (quantas vezes paga pelo editor,) assegurando que é bom; que vale a pena ser lido. Entretanto, há monos, esquecidos nas prateleiras do livreiro, que ninguém lê, e são preciosos: no estilo e nos pareceres revelados.
A velha história do rei vai nu, repete-se todos os dias… até na politica…
Todavia a sociedade necessita dessa dose de mitologia, para o vulgo acreditar, e não veja o que vê, mas o que querem que veja.
Sem o mito, muitos desabavam…porque têm pés e barro…Vive-se de ilusões…De palavras ocas…

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

... quase poema... ou carta de férias

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Hoje vou escrever-te uma carta…como antigamente…quando a Camioneta do Correio chegava com os sacos cheios de cartas…repartidas ao entardecer como quem reparte o pão…os beijos…os lutos…as alegrias e as saudades!

E escrevo-te para te dizer que estou bem…mesmo muito bem e que a minha janela continua naquele namoro secreto com a serra de Nogueira…a Serra…a Serra da Senhora da Serra…das Novenas e das neves brancas como o teu sorriso branco.
Escrevo-te para que saibas que as macieiras estão prontas para o banquete da oferta de mil frutos maduros que na paciência do Verão se tornaram vermelhos à mistura com raios de sol.
As cerejas…essas já terminaram…mas ficou para sempre a sua cor cereja estampada no azul mais celeste deste céu único da aldeia…
Ainda não te tinha dito, mas este ano os grilos e as cigarras estão mais afinados do que nunca…numa sinfonia interminável que dura a noite inteira…às vezes o tristonho do sapo que não gosta desta festa e por desfastio…lá vai cantando uma canção que só ele entende…coisas de sapos!
E termino esta carta, mas antes quero que saibas que tenho saudades tuas…sempre tenho saudades tuas, mesmo quando estás a chegar…porque durante muitos anos não foi possível dizer-te que tenho um recanto…com cheiro a feno e a tarde…um quintal…sete roseiras…três vasos de malvas…e esquecia-me do mas importante, também tenho um pé de lima limão…
…por isso quero que venhas tomar um chá de lima limão…ver as minhas roseiras…sentir as malvas sardinheiras antes que o Inverno cale o seu grito vermelho no mais profundo silêncio.
Depois quando fores embora leva salsa, alfazema e erva de São João para que tenhas saudades do cheiro da terra fecunda…
…e voltes sempre!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.