quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Os cocós do nosso descontentamento

Hoje há cocós por tudo quanto é sítio porque quem tem animais não sabe cuidar deles, não os vigiam nem conhecem a moda da luva nem a utilidade do plástico ou mesmo da vassourinha… são pessoas mal-educadas e pouco esclarecidas, predadoras do espaço público…e os cocós mais rasteiros proliferam sobretudo nos passeios e nos jardins … nos relvados que seriam destino para as crianças brincarem recriando o espírito pelo simples olhar da contemplação e beleza.
E os animais são de todas as idades, formas e feitios…são de todas as raças, dos mais rafeiros aos mais caros de preferência. Acima de tudo os animais merecem a nossa atenção e respeito porque como ninguém eles são em tantos casos os fieis amigos do homem.
Andar a pé, é hoje um exercício de concentração, perícia e agilidade…muitas vezes é preciso pular nas pontas dos pés, olhar para o chão e calcular a distância para não pisar a geometria dos cocós… quantas vezes somos confrontados com armadilhas constantes e que têm a ver exatamente com os dejetos espalhados por qualquer lugar. Está em causa naturalmente a saúde pública e essa é um bem valioso e inestimável…
Em muitos lugares caminha-se como em países africanos onde se procura não pisar terra minada…no entanto, refira-se que os invisuais e os velhos são quem mais sofrem e resmungam sacudindo os pés depois de pisarem a maléfica e nauseabunda porcaria…
Naturalmente os cães não têm culpa nenhuma mas sim os donos que pela falta de civismo acabam por conspurcar um espaço que deveria ser de todos para dele se tirar o maior proveito e prazer…
Há pessoas que não respeitam os seus animais e até parece que os portugueses detestam os espaços de todos nós porque os sujam sistematicamente… Por cortesia, muitas freguesias colocaram à disposição dos seus habitantes pás e luvas, e indicações escritas para apanharem os dejetos dos cocós dos animais…Infelizmente não temos emenda e continuamos no comodismo da nossa indiferença e incivilidade levando os cães à rua em horas mortas para que a leviandade e irresponsabilidade do nosso comportamento não possam ser descobertas nem punidas…
Há um estudo feito num país do Reino Unido que estima em cerca de 250 toneladas o cocó que os cães fazem por ano… Em Portugal há seis vezes menos habitantes mas proporcionalmente há mais cães…fiquemos com números aproximados: 80 mil toneladas de cocó em cada ano que passa, ou seja nove em cada hora ou 150 Kg por minuto é obra…
Na verdade, os porcalhões não são os animais mas sim os donos que os não vigiam…tenho observado pessoas completamente alheadas dos cães quando os levam a fazer as necessidades biológicas, ao mesmo tempo que falam absortas ao telemóvel ou se perdem no vislumbre das tecnologias em mundos fantasmagóricos do vazio e do nada.
Em certas cidades da Europa há casas de banho na rua para cães. Em Portugal isso já acontece na Freguesia de Alcântara na cidade de Lisboa…Não sei se é bom ou mau, sei sim que temos que mudar os nossos hábitos de higiene com pequenos gestos pensando na preservação do mundo onde vivemos…
Para bem de um planeta mais limpo e mais saudável, devemos cuidar da limpeza dos animais levando-os a passear tendo o cuidado de não esquecer o saquinho plástico, umas luvas ou a vassourinha…Não custa quase nada e o planeta já tão delapidado e maltratado agradece… felizmente que há pessoas incapazes de deixar cocós plantados nas ruas, nos jardins ou nos passeios. Normalmente são estudantes bem formados porque a Escola tem como missão cuidar da comunidade da qual faz parte. Infelizmente nem todas as escolas o fazem por razões diversas.
As crianças estão hoje quartadas no seu mundo virtual e perigoso e os espaços verdes onde elas poderiam brincar não são atrativos porque inesperadamente surgem “sinaleiros”, cocós impeditivos, ameaçando a liberdade de poderem usufruir desses mesmos espaços….
Apanhar cocó não é tarefa saborosa da vida mas esse gesto civilizado é absolutamente necessário porque ao fim e ao cabo nós somos seres racionais ainda que poucas vezes isso pareça…



Adérito Gomes Silveira

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