sexta-feira, 24 de setembro de 2021

CIM Terras de Trás-os-Montes lança Campeonato de Jogos Tradicionais

 Revitalizar e valorizar os jogos tradicionais enquanto património identitário do território são as premissas deste projeto que quer fazer dos mais jovens o garante da tradição.


Jogar ao fito, à raiola, ao pião, lançar o ferro ou a relha, jogar à bilharda, fazer uma corrida de sacos ou de cântaros, subir ao pau ensebado ou jogar à tração à corda, são alguns exemplos de jogos coletivos tradicionais, muito populares há algumas décadas, mas que pouco a pouco caíram em desuso e boa parte das crianças e jovens da atualidade nunca nem sequer ouviram falar.

Reconhecendo o valor patrimonial imaterial dos jogos tradicionais a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) quer revitalizar esta tradição através da realização de um Campeonato Intermunicipal de Jogos Tradicionais.

O projeto surge no âmbito do programa Cultura para Todos, aprovado pelo Programa Operacional NORTE 2020, e conta com equipas especializadas que vão trabalhar o tema criando uma ponte entre a tradição e a inovação. A ideia passa por desenvolver soluções que permitam tornar estes jogos mais atrativos junto dos jovens, sem deixar perder a sua originalidade.

As escolas são um dos públicos-alvo prioritários e vão ser desafiadas a participar, motivando os jovens a conhecer, a aprender e a praticar alguns dos jogos tradicionais mais representativos no respetivo concelho. Estes jogos coletivos exigem que se criem equipas, que exista trabalho em grupo, que promove a interação, que estimula o convívio. Numa altura em que o uso excessivo da tecnologia por parte de crianças e jovens está na ordem do dia, em que o próprio contexto pandémico remeteu ao isolamento, esta iniciativa surge como uma oportunidade de trabalhar a socialização, a integração, o espírito de grupo e o sentimento de pertença, tão importantes na formação da personalidade dos mais novos.

O Campeonato Intermunicipal vai decorrer em duas fases, numa primeira fase as equipas vão concorrer a nível concelhio e depois deste apuramento realiza-se a final intermunicipal. A primeira edição avança já em 2022 e está a ser desenhada uma mascote, que passa a identificar esta competição.

Jogos tradicionais podem estimular artesanato de inovação

O programa Cultura para Todos tem também, nos seus objetivos principais, a promoção da inclusão e a acessibilidade de públicos mais vulneráveis, bem como a empregabilidade.

Se é verdade que a reativação dos jogos tradicionais pode resultar em momentos e eventos que promovam a atratividade do território, o objetivo da CIM-TTM vai mais além e pretende criar um “produto turístico” material, com a produção artesanal dos artefactos usados em cada um dos jogos. É aqui que entra a componente de inovação, o necessário design, a escolha das matérias-primas, a imagem associada, etc. Podem ser exemplos disso os sacos usados nas corridas, os cântaros, as relhas, o pião, etc.

A CIM-TTM vai organizar oficinas práticas em cada um dos municípios. O conhecimento local vai ser agregado a esta componente prática, que visa capacitar um conjunto de intervenientes que possam dinamizar, não apenas os jogos, mas também a produção dos componentes materiais, fomentando assim a empregabilidade.

Esta capacitação está mais orientada para os jovens e adultos que não tenham ainda um percurso profissional definido, usando aqui a cultura e as artes como ferramenta de desenvolvimento local.

A integração de pessoas de diferentes idades, condições sociais, de etnias e nacionalidades, de diferentes competências, dependências e deficiências, revele não só a preocupação de um projeto intergeracional, inclusivo, interdisciplinar inovador, determinante para o avanço das sociedades.

Esta será uma ferramenta de desenvolvimento das relações entre os municípios que constituem a CIM. É também considerado o objetivo de comunicar o potencial de identidade do território, através da simbiose entre a tradição e inovação, mas acima de tudo, este projeto pretende valorizar a arte e a cultura enquanto ferramenta para a inclusão e inovação social.

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