terça-feira, 21 de setembro de 2021

ANTÓNIO REIS - 80 ANOS A TRABALHAR

 Estamos a fechar as portas ao Verão. Quarta-feira, 22 de Setembro, às 19h21 é o equinócio de Outono, que vai reinar até 21 de dezembro, às 15h59. Até lá os dias continuam a mingar. Na semana passada as hortas ficaram bem regadas com a rega automática vinda do céu, o que fez com que se adiassem algumas vindimas. Já é tradicional, no terceiro domingo do mês de Setembro, centenas de pessoas fazerem a caminhada a pé à Santa Rita de Cássia, em Terroso. Um bem-haja à comissão de festas por proporcionar todo o apoio ao peregrino.

Neste mesmo dia celebrou-se em Gimonde, Bragança, a Santidade da Gloriosa e Mártir Santa Columbina.

Esta edição é abençoada por São Mateus, 21 de Setembro. Como diz o povo: “No dia de São Mateus deixa os pássaros que não são teus”.

Quando fez 105 anos dedicámos-lhe esta página e no passado dia 16 demos-lhe os parabéns pelos seus 107 anos. Trata-se de Inocência Ala, de Rio Frio, Bragança. Também de parabéns nestes dias estão: Domingos Ferreira (74) e seus filhos gémeos, Mónica e Miguel (40) Genísio (Miranda do Douro); Piedade Carneiro (67) e José Manuel Paulo (54) ambos de Valverde (Valpaços); Leonel Farruquinho (46) Coelhoso (Bragança); Marisa Cruz (34) Sarzeda (Bragança); continuem felizes e na nossa companhia. Parabéns!

Hoje vamos conhecer um pouquinho da história de vida do tio António Reis, de Talhas, Macedo de Cavaleiros, contou-nos que já é ouvinte do programa desde o início, mas só há poucos meses que participa.

- “Chamo-me António José Reis, tenho 89 anos, nasci a 5 de julho de 1932, em Sampaio, Mogadouro. Aos 9 anos fiquei sem pai, eramos 8 irmãos, 4 rapazes e quatro raparigas. Eu era o mais velho dos rapazes, comecei logo a trabalhar com os meus 9 aninhos a lavrar com duas burritas, por isso já trabalho há 80 anos. Aos 16 anos fui para uma serralharia em Mogadouro, aprender a arte de serralheiro e paguei três contos para aprender, o que era muito dinheiro nessa altura. Aos 22 anos casei com uma rapariga minha vizinha de Sampaio, depois de casar vim para Talhas, pois já lá estava há três meses como sócio de um ferreiro. Em Mogadouro era conhecido como o serralheiro de Sampaio, vim para Talhas e baixei de posto, passei a ser o ferreiro novo de Talhas. Aprendi muito com ele, mas passado cinco anos morreu.

Depois arranjei um barraquito e continuei na arte, mas a trabalhar sozinho. Comprei um terreno no meio da aldeia que me custou 20 contos. Os primeiros quinhentos escudos, para dar de sinal, tive que os pedir emprestados. Fui buscar 10 mil escudos a juros, a São Martinho do Peso, Mogadouro, estive 10 anos para os pagar.

Sempre trabalhei muito e fui ganhando dinheiro, fiz-me sócio na compra de uma malhadeira, mas com a condição de pagar com o trabalho, naquele tempo o pão dava muito dinheiro, eu fazia de serralheiro, ferreiro, latoeiro, carpinteiro, ferrador, tinha as artes todas e estava tudo incluído no negócio. Na altura, para malhar, um lavrador pagava quatro alqueires, um alqueire tinha em média 11 quilos, quem tinha burros, machos e cavalos só pagava dois alqueires e eu com um alqueire conseguia pagar duas jeiras, o pão naquela altura dava muito dinheiro! Trabalhava muito, ao cabo de pouco tempo comprei uma escavadeira e um compressor, mas ao fiado, nunca fui ao banco, comprava sempre com crédito, eu dizia sempre se quereis, quereis, senão compro a outros e eles lá confiavam. Com o trabalho das máquinas é que eu lhes ia pagando, com a escavadeira ganhei muito dinheiro, trazia sempre quatro ou cinco homens a trabalhar, comprei um tractor, também em sociedade, em 1970, passados cinco anos desfizemos a sociedade e paguei pela outra metade mais do que tínhamos dado por ele. Ao cabo de pouco tempo fiquei com a malhadeira só para mim, depois comprei outra. Em 1976 já tinha três. Depois apareceram as ceifeiras debulhadoras e vendi duas malhadeiras, fiquei só com uma que ainda hoje conservo. Comprei uma ceifeira e enfardadeira. No fim da campanha quase a paguei. Por volta dos anos noventa fiz três projetos com vacas turinas.

Já naquela altura ouvia o programa “Bom dia Tio João” em casa, no jipe e quando chegava às vacas também lá tinha um rádio.

A minha mulher morreu há quatro anos, era uma santa. Estivemos casados 64 anos, tivemos três filhos, seis netos e quatro bisnetos.

Passo os meus dias sempre ocupado, levanto-me às 6h30 da manhã e vou tratar de 53 vacas e 5 touros, com o meu ajudantezito que tem 75 anos, mas está mais velho do que eu!

Faço em média 35 a 40 quilómetros por dia, ainda conduzo tudo, trator, carro, etc. Tenho dias de fazer 5 a 6 horas de trator, faço de tudo, o que for preciso.”

Perguntei-lhe qual o segredo de tanta juventude, ao que respondeu: “1º trabalhar, quanto mais melhor, naquilo que gostar de fazer, 2º fazer amor, quanto mais melhor, 3º fazer por ter amigos e conviver com eles, 4º esquecer os inimigos e nunca pensar que está velho, 5º não pensar no passado e menos no futuro, viver apenas o presente!”

Parabéns tio António pela sua história de vida, grande homem!

Tio João

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