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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

De repente, lembrei-me de Egas Moniz, não do Aio de D. Afonso Henriques, mas do galardoado com o Prémio Nobel da Medicina, não no século XIX, mas já em meados do século XX...

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Não que Egas Moniz tenha alguma ligação a Bragança e ao seu distrito… Mas foi Prémio Nobel! Através de um procedimento neurocirúrgico que, na actualidade, é considerado uma «aberração». Porém, no seu tempo, não o foi. Foi um mestre nesse seu tempo. Assim como muitos outros foram mestres no seu tempo. Entretanto, a neurocirurgia evoluiu imenso, parecendo haver os que pretendem permanecer atolados na involução… 

O mesmo sucede com outras áreas da ciência. Evoluem, embora mantendo o respeito pelos seus pioneiros. Há, no entanto, quem leia, por exemplo, o soberbo trabalho que o Abade de Baçal nos deixou, e permaneça arreigado aos conhecimentos que nos legou, como se os mesmos fossem únicos, incontestáveis e universais. Todavia, o Abade de Baçal, à semelhança de outros pioneiros nos estudos sobre a região bragançana, não tinha à disposição as ferramentas disponíveis na actualidade, em pleno século XXI... E, para quem conheça, efectivamente e ao pormenor, a excelsa obra do Abade de Baçal, saberá que muitas considerações que o mesmo fez, entre os séculos XIX e a primeira metade do século XX, estão completamente desactualizadas e desajustadas da realidade. Sem qualquer desprimor para os, reforço, magníficos conhecimentos que nos legou. 

Depois desses primeiros estudiosos sobre o distrito de Bragança, já muitos outros ilustres autores posteriores, da segunda metade do século XX, e já neste século XXI (!!!), com outras ferramentas e com outros métodos à disposição, dedicaram o seu tempo a trazer à tona o tanto que guardado é nestas magníficas terras. Parece, no entanto e à falta de melhor, que deve continuar a proceder-se à lobotomia pré-frontal, o tal procedimento que deu um Prémio Nobel a um Português… Só porque foi Egas Moniz que a implementou… E, a partir dos inícios da segunda metade do século XX, tudo parou na evolução da neurocirurgia. E ai de quem conteste, porque Egas Moniz disse!…

Todavia, há coisas positivas… Acompanho esta página há muitos anos. E é tanto o que tenho aprendido com a maioria das publicações que por aqui são feitas! Há, no entanto, algumas que, ao invés de perder, literalmente, tempo a contestá-las, as aproveito para três situações distintas. 

A primeira delas: servem-me para demonstrar, a actuais e futuros investigadores, que a investigação não se faz sem dedicação; 

A segunda delas: servem-me para mostrar, a actuais e futuros investigadores, como não deve ser aplicada a dita dedicação, em simultâneo me servindo para exemplificar a grande distância que existe entre realidades paralelas e, passe o pleonasmo, realidades reais;

A terceira delas: servem-me para tipificar a diferença entre curandeiros e a medicina, e para perceber os motivos para estas terras enxotarem os seus, empurrando-os, compulsivamente, para outras terras onde os horizontes largos não permitem que caibam a tacanhez e a mesquinhez...

E vamo-nos divertindo, eu, os actuais e os futuros investigadores… Até os iniciados nestes âmbitos da investigação se divertem… O problema é que, tal como aconteceu com as «histórias dos mouros», uma «mentira repetida mil vezes», pode «transformar-se em verdade»… Valendo, contudo, que os entusiastas e os acérrimos defensores da lobotomia pré-frontal não conseguem crédito nos locais onde o crédito é tido… 

“Çculpen qualquiera cousa“ ou, em versão parecida da “nh’ábó Maria”, “zculpim qualquera cousa”…


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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