Chamam-lhe os “Mil Diabos à Solta em Vinhais” mas seguramente que eram bem mais de mil os que lhe vestiram a pele, sábado à noite.
A vila transmontana tem recebido, anualmente, a iniciativa que assinala a quarta-feira de cinzas, deixando os visitantes rendidos ao ritual e os locais a acreditar que é uma forma de se manter viva a tradição. “Está muito animado. Esta mal nova faz muito bem continuar estas tradições”, contou Antero Rodrigues. “Está giro isto, estou a encontrar muita graça”, disse Francisco Lúcio. “Uns amigos meus já me tinham falado, achei interessante e vim ver como era”, explicou Sofia Sampaio, que veio do Porto. “Traz movimento à vila. Acho bem para manter as tradições e para os mais novos aprenderem”, afirmou Hugo Rodrigues, de Chaves mas a viver em Vinhais. “Faz parte da nossa história e da nossa cultura”, frisou a vinhaense Luísa Pinto.
Segundo David Carvalho, director da Filandorra, o grupo de teatro que ajuda a dar corpo à mística do ritual, para saber quantos diabos invadem Vinhais, a partir de agora, serão contabilizados através de uma espécie de bilhete de identidade. “Vamos criar um bilhete de identidade especial para os diabos de Vinhais. Você vai vestir um fato de diabo que vai ter um número, um bilhete de identidade que será seu”, explicou.
Este que é um dos mais importantes rituais que dita o final das festas de inverno no nordeste transmontano recebeu, este ano, mais participantes, conforme esclareceu Luís Fernandes, o autarca local. “Temos muita gente a assistir e muita gente a participar, o que é um bom sinal desta iniciativa que tem vindo a crescer. Pela informação que tive foram distribuídos mais de mil fatos, há um ligeiro aumento porque há pessoas que já ficaram com os fatos dos anos anteriores. Há um investimento, não muito significativo mas já significativo. Estamos a falar de cerca de 25 mil euros mas é um investimento modesto em termos de retorno”.
Para cumprir a rigor o papel de diabo, diga-se, o principal do desfile, Silvano Magalhães tem-se inspirado nos trasgos descritos nas obras do escritor transmontano Alexandre Perafita. “A simbologia do diabo é o poder que o diabo tem sobre as pessoas, representa a morte, os pecados do ser humano, o castigo, a fraqueza daqueles que têm medo dele. A gente vai-se inspirando consoante a tradição de cada terra”.
Acompanhando a figura da morte, a procissão dos diabos começou no seminário e veio terminar ao Largo do Arrabalde. Pelo percurso, entre as várias encenações e alegorias, aprisionaram-se as raparigas que atiçavam, das varandas, os diabos. O cerimonial terminou com a queima da morte.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
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