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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Entrevista: «A nossa prioridade é ver a Associação Filarmónica Mirandesa a tocar nas festividades» – Pedro Manhonho

 No passado dia 6 de maio foram eleitos os novos órgãos sociais da Associação Filarmónica Mirandesa, para o triénio 2022/2024, tendo assumido a presidência desta coletividade – a mais antiga de Miranda do Douro – Pedro Manhonho, um ex-músico da banda, que pretende devolver o brilhantismo a esta associação e apostar na formação musical das crianças e jovens de modo a assegurar a continuidade e o futuro da associação.

O novo presidente da Associação Filarmónica Mirandesa, Pedro Manhonho foi músico da banda entre 1984 e 1997.

Terra de Miranda – Notícias
: A Associação Filarmónica Mirandesa foi fundada em 1893 e é considerada a mais antiga coletividade do concelho de Miranda do Douro. Qual é a sua ligação a esta associação musical?

Pedro Manhonho: Entrei para a Associação Filarmónica Mirandesa em 1984 e ao longo de 13 anos participei como músico na banda filarmónica. Naquele tempo, qualquer jovem mirandês pertencia à associação. Aqui recebemos formação musical gratuita, ministrada por um mestre. As aulas eram, simultaneamente, momentos de convívio e confraternização entre nós. E depois claro, vinham as atuações nas festas, nas procissões, nas arruadas, nos peditórios e nos concertos.

T.M.N: Ao longo de 129 anos, a Associação Filarmónica Mirandesa enfrentou períodos de assinalável brilhantismo, mas também viveu preocupantes dificuldades. Pela sua experiência, quais foram os melhores momentos? E que dificuldades enfrentou a associação?

P.M: Pessoalmente, o mais gratificante foi receber continuamente o incentivo dos meus pais para aprender música e participar na banda filarmónica. Aqui aprendi a ser organizado, metódico e criativo. E ao contrário do que por vezes se pensa, a formação musical não interfere nada com os estudos. Pelo contrário, a música é um complemento importante pois dá disciplina e permite desenvolver outras capacidades. E há ainda o retorno financeiro. Recordo que foi ao tocar na Banda Filarmónica Mirandesa que ganhei o dinheiro para pagar a minha carta de condução.

“O mais gratificante foi receber continuamente o incentivo dos meus pais para aprender música e participar na banda filarmónica. Aqui aprendi a ser organizado, metódico e criativo” – Pedro Manhonho.

T.M.N.: E que dificuldades enfrentou e continua a enfrentar a Banda Filarmónica Mirandesa?

P.M.: O êxodo dos jovens para prosseguir os estudos superiores noutras localidades foi (e continuar a ser) o principal obstáculo para manter a coesão do grupo. Quando estes jovens partem, por norma, não conseguem participar nas atuações da banda, dado que estas atuações ocupam praticamente um dia inteiro. A solução para este problema é investir na formação dos mais jovens para assim assegurar a renovação contínua da banda filarmónica.

T.M.N.: Quantas pessoas integram atualmente a Banda Filarmónica Mirandesa?

P.M.: Neste momento, há 23 jovens que integram a Banda Filarmónica Mirandesa. Por causa da pandemia, os ensaios e as atuações foram interrompidos. Com esta paragem forçada correu a ideia de que a banda não tinha músicos, o que não é verdade. Neste novo recomeço, temos como propósito ir às escolas do concelho apresentar o projeto “A Banda vai à Escola”.

«Neste novo recomeço, temos como propósito ir às escolas do concelho apresentar o projeto “A Banda vai à Escola”.»

T.M.N.: Em Miranda do Douro, existe também a banda musical da associação cultural Mie Miranda. Que colaboração poderá existir com a Banda Filarmónica Mirandesa?

P.M.: A Banda Filarmónica Mirandesa e esta direção, em particular, gostariam de contar com a colaboração dos músicos que hoje compõem a banda da associação cultural “Mie Miranda”. Dado que são músicos de muita qualidade, seriam uma mais valia para nós e poderiam ser de grande ajuda para dar formação e acompanhamento aos mais novos.

T.M.N.: Tendo em consideração que Miranda do Douro está a apostar muito no ensino da música tradicional, ainda haverá espaço e jovens interessados em aprender música, na Banda Filarmónica Mirandesa?

P.M.: Sou da opinião que estas duas vertentes musicais são conciliáveis. E dou o exemplo de jovens que estão a aprender música tradicional e simultaneamente pertencem e tocam na Banda Filarmónica Mirandesa. Por outro lado, também é bom dar às crianças e jovens a possibilidade de escolher o estilo musical que mais gostam.

T.M.N.: Nas atuações nas festividades, o que faz uma Banda Filarmónica?

P.M.: Num dia de festa, a nossa atuação começa com o acompanhamento dos mordomos na realização do peditório logo pela manhã. Segue-se a animação musical da Missa e a procissão. Depois realizamos habitualmente um concerto. E antigamente, havia também a tradição da banda filarmónica acompanhar a entrega da festa aos novos mordomos.

T.M.N.: Consta que nas décadas de 1980 e 1990, a Banda Filarmónica Mirandesa era muito solicitada. Era assim?

P.M.: Sim, de maio e até ao final de setembro, os fins-de-semana estavam sempre ocupados na animação das festividades. Recordo que no meu tempo de músico, para além das atuações no concelho de Miranda do Douro, chegámos a atuar em localidades como a Régua, Vilas Boas, Mirandela, Vila Flor e muitas outras localidades.

“Para além das atuações no concelho de Miranda do Douro, chegámos a atuar em localidades como a Régua, Vilas Boas, Mirandela, Vila Flor e muitas outras localidades.”

T.M.N.: As Bandas Filarmónicas têm a particularidade de juntar pessoas de todas as idades, dos mais velhos aos mais jovens. Este convívio entre gerações é uma mais-valia?

P.M.: Sim, esta intergeracionalidade é uma vantagem porque os músicos mais experientes transmitem segurança e serenidade aos mais novos.

T.M.N.: Quem vai ser o maestro da Associação Filarmónica Mirandesa?

P.M.: Pretendemos que o novo maestro da Banda Filarmónica Mirandesa seja alguém com raízes em Miranda do Douro. E por várias razões: em primeiro lugar, pelo conhecimento que já tenha da associação e dos músicos. A segunda razão é a de evitar as viagens, o desgaste e por vezes os imprevistos de alguém que não seja de Miranda do Douro. E a terceira razão prende-se com o acompanhamento dos alunos, pois acreditamos que um maestro natural de Miranda do Douro, pode prestar uma melhor assistência aos alunos, dada a maior proximidade e disponibilidade.

T.M.N.: Quando pretendem iniciar os ensaios da Banda Filarmónica Mirandesa?

P.M.: Em princípio vamos começar os ensaios neste mês de junho. E seria muitíssimo bom se conseguíssemos começar as atuações no mês de agosto. Se não for possível, pelo menos queremos realizar alguns concertos na rua.

T.M.N.: Que tradições da Associação Filarmónica Mirandesa seria importante preservar?

P.M.: Uma tradição que pretendemos recuperar é o concerto que a Banda Filarmónica Mirandesa costumava oferecer na festa da cidade, no dia 10 de julho. Este concerto costumava realizar-se no coreto e depois passou para a praça D. João III. Outro propósito desta direção é organizar um encontro ibérico de Bandas Filarmónicas, aqui em Miranda do Douro.

T.M.N.: Para o triénio 2022/2024, quais são as prioridades da nova direção da Associação Filarmónica Mirandesa?

P.M.: A primeira prioridade é colocar de novo a Associação Filarmómica Mirandesa a tocar nas festividades do concelho de Miranda do Douro. Outra área prioritária é apostar na formação das crianças e jovens de todo o concelho para assegurar o futuro da associação.

T.M.N: Que outras iniciativas pretendem realizar?

P.M.: Esta nova direção pretende motivar os associados a ter uma voz ativa e a regularizar as quotas. Para fomentar esta cooperação entre todos, uma das nossas primeiras iniciativas é organizar o almoço convívio dos músicos e ex-músicos da associação, no Santuário de Nossa Senhora do Naso.

Uma das nossas primeiras iniciativas é organizar o almoço convívio dos músicos e ex-músicos da associação, no Santuário de Nossa Senhora do Naso.

A Associação Filarmónica Mirandesa foi fundada em 1893 e é considerada a mais antiga coletividade de Miranda do Douro.

HA

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