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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE JORGE ROLÃO AGUIAR NA GALERIA DO MERCADO

 "CRÓNICAS DE UMA CONSCIÊNCIA AFETIVA" PATENTE AO PÚBLICO ATÉ 15 DE JULHO NO NOVO ESPAÇO QUE "VALORIZA O TERRITÓRIO" EM PLENO ,MERCADO MUNICIPAL DE MIRANDELA 


Foi inaugurada, no passado sábado, na Galeria do Mercado, em Mirandela (um espaço que pretende valorizar o território, próximo da comunidade que o habita ou que com ele se identifica, através da arte e do saber fazer) a exposição "Crónicas de uma consciência afetiva" do artista Jorge Rolão Aguiar,  que nasceu no Porto, mas cresceu como transmontano, em Vila Real.

A sua paixão pela fotografia, Começou com uma Kodak laranja oferecida pelos seus pais quando tinha 6 anos de idade. Foi amor à primeira vista.

Todos os fotógrafos conseguem recordar o exato momento em que o apelo da fotografia moldou a sua existência. No caso do Jorge Rolão Aguiar, a sua história de amor pela Fotografia começou há muito tempo atrás, com uma Kodak cor de laranja, esse objeto capaz de suspender o tempo, essa metáfora de uma infância feliz. Esta máquina fotográfica, a primeira de muitas, tornou-se um lugar de memória e identidade. 

Ao refletirmos sobre Fotografia, assola-nos o inato da sua presença. A fotografia tornou-se uma presença assídua nas nossas rotinas diárias. E num momento, em que as relações sociais são mediadas por imagens e o autêntico se tornou uma ilusão, a obra do fotógrafo Jorge Rolão Aguiar vem contrariar esta sociedade do espetáculo. A fotografia dele desperta um sentido analítico, uma reinvenção do papel do fotógrafo, do fotografado e do observador, com o íntimo objetivo de transmutar a beleza dos lugares. Os motivos da viagem, são para o Jorge materialmente irracionais, como se a viagem aquietasse nele alguma natural curiosidade e a necessidade de explorar, para depois regressar. 

Viajar ensinou-lhe a paciência, a cautela, a tenacidade. Viajar fê-lo descobrir traços legíveis nos lugares e saber que existe/existiu neles. Estas imagens constituem um ato figurativo icónico, que deve ser compreendido dentro das circunstâncias que o produziu, mas também enquanto documento, prova e linguagem. 

A viagem que fez em 2006 à Índia, Nepal e Tibete foi o mote para começar a fotografar. No oriente foi seduzido pela opulência das sensações. Inesperado, pela inocência pouco depurada dos sentidos de um antípoda. Foi cativado pelas pessoas com o dom da expressividade aberta e pronta dos rostos, e sobretudo pelas crianças, pela vivacidade explosiva dos olhos e de riso fácil e branco nos rostos escuros, em oposição aos rostos pensativos e resignados dos adultos. 

No oriente é fácil ser atraído tanto pelo fervilhar doloroso das cidades, como pela melancólica serenidade das vastas paisagens. Inalterado há milhares de anos é plausível mas desejável. Gosto de pensar no Jorge como uma testemunha da dissolução do tempo, como um agente ao serviço da memória, que apreende vestígios da realidade e fixa o detalhe, acentua o fragmento e o tempo fugaz. 

As obras que aqui apresenta, são uma antologia do mundo, uma reinterpretação da realidade enquadrada pela sua lente. Estas imagens são o signo de uma ausência e portanto a beleza de uma consciência afetiva. 

Curadoria: Joana Fernandes 
Programação: Marta Miranda

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