Chegar a Montesinho só mesmo numa viatura de todo-o-terreno, enquanto não chegar o limpa-neves do município.
Enquanto isso não acontece, são poucos os habitantes que se atrevem a sair à rua.
Luís Afonso, reformado, nascido e criado em Montesinho, ainda saiu para “ir dar de comer a uns animais”. Porque, de resto, “com este tempo não se faz nada”.
“É acender o lume e ficar à lareira.”, sentencia, em conversa com o Mensageiro.
“Já há uns anitos que não víamos uma nevada tão tamanha como esta. A aldeia está praticamente isolada, só passam carros de tração às quatro rodas. Mas o limpa-neves não deve demorar. A continuar assim, ainda é capaz de arranjar algum ‘31’”, antevê.
Um pouco mais à frente, no café da aldeia, o negócio está fraco, pelo menos por agora. Com a lareira acesa, Maria Teresa Rodrigues e Elsa Pires, proprietárias do espaço, aguardam a chegada de visitantes, atraídos pelo manto branco que cobra tudo nesta altura.
“Antigamente nevava mais, isto e muito mais. São os anos que têm vindo diferentes. Já só temos duas estações, o inverno e o verão. Temos de comer em casa, comer o que temos. Lá teremos de nos desenrascar. O limpa-neves não deve demorar. A estrada tem mais de um palmo de neve. Estava a ver televisão, quando recomeçou a nevar, apagou-se logo. Para nós, que cá vivemos, não é agradável”, diz Maria Teresa.
Elsa Pires, no entanto, antevê a chegada de visitantes a partir da tarde.
“Nestas alturas vem muita gente. Estamos a contar que amanhã seja um dia bom.
Mas causa sempre constrangimentos”, admite.
João Soares é que não teve medo ao frio e deslocou-se com a família propositadamente de Bragança para ver a neve.
João Soares
“Viemos ver se havia neve em Montesinho. Costumamos ir à serra da Nogueira, mas desta vez optámos por vir aqui. Está ótimo. Já há muitos anos que não víamos isto com tanta neve. A estrada está com bastante neve mas como viemos de jipe, conseguimos circular”, referiu ao Mensageiro.
Mais abaixo, já à entrada da aldeia do Portelo, Joana Moreira foi com os pais ver a neve. “Viemos ver a neve. Já há alguns anos que não vemos nevar. Era para fazer um boneco de neve”, contou.
Joana Moreira
Mas a neve causa, também, constrangimentos.
Os bombeiros de Bragança estão, hoje, a dar apoio a seis IPSSs do concelho, nas aldeias de França, Parada, Quintela de Lampaças, Babe, Rebordãos e Salsas, para dar apoio na distribuição de alimentação e bens de primeira necessidade.
“Temos ainda três ambulâncias de socorro preparadas para as cotas mais altas, 4x4, para prestar socorro. Na cidade circula-se com normalidade. Os doentes foram todos transportados”, referiu o comandante, Carlos Martins.
Bombeiros ajudam IPSS
“Também temos um albergue preparado para acolher os sem abrigo que necessitem. Para já temos dois lugares preparados mas podemos acolher até 20 pessoas em caso de necessidade”, frisou.
Esta sexta-feira espera-se um agravar das condições durante a tarde, com neve acima dos 600/800 metros, com acumulação de 20cm a partir dos 1000 metros.


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