sábado, 4 de fevereiro de 2017

Notícias da aldeia

Consegui minha avó…tinha-te prometido…não sei em que vidas!
Consegui reabrir a tua estalagem. Hoje tem outro nome, mas é a mesma, a tua estalagem. Hoje é uma casa de campo de turismo rural. Chama-se "Casa do Soto" Tu entendes minha avó, nós sempre tivemos um Soto onde vendíamos de tudo.
Reabri a casa…como quem cumpre uma promessa de honra …de sangue …de raça…tu sabes do que falo…Maria Oliveira – a Carçona…
Tenho esperado…os almocreves não têm chegado desfrutando a estrada nova…o sombreireiro também não sei por onde anda…e o pobre há muito que não se fez ao caminho à procura da esmola e da noticia para contar.
Vou acender o lume da tua estalagem... nunca se sabe quando chegam os homens do mundo à procura de pousada!
…longos são os Invernos!
Pressinto-te em cada pedra…em cada recanto…!
…põe o xaile Maria Oliveira…aperta o lenço na cabeça e vamos passar o serão e diz-me, de novo que a nossa aldeia é um sítio muito bonito e que logo à noite chegam os Triteiros e os Robertos…para que o sonho ainda seja possível!
…o tempo tarda…os nossos vizinhos estão de partida…para longas viagens!
…nós ainda resistimos!
…vamos conseguir! Minha avó…minha amada…Maria Oliveira – a Carçona!

Fernando Calado

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