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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Moncorvense Tiago Rodrigues recebe Prémio Pessoa 2019

O Prémio Pessoa deste ano é atribuído a Tiago Rodrigues, ator, encenador e diretor artístico do Teatro Nacional Dona Maria II. "É uma grande felicidade", reagiu.
O ator, encenador e diretor artístico do Teatro Nacional Dona Maria II, Tiago Rodrigues, é o vencedor do Prémio Pessoa 2019© Gonçalo Villaverde/Global Imagens
Ator, encenador e diretor artístico do Teatro Nacional Dona Maria II, Tiago Rodrigues, de 42 anos, é o vencedor do Prémio Pessoa 2019. A distinção acontece numa altura em que o premiado está em Londres a encenar com a Royal Shakespeare Company a peça Blindness and Seeing, um espetáculo que adapta dois romances de José Saramago: Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez.

Foi a partir da capital inglesa, onde estão a decorrer os ensaios do espetáculo que vai estrear em agosto, que Tiago Rodrigues reagiu à notícia de que é o vencedor da edição deste ano do Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso com a Caixa Geral de Depósitos, anunciada esta sexta-feira no Palácio de Seteais, em Sintra. "É uma grande felicidade porque é um prémio extremamente importante", refere o encenador, citado pelo semanário.

"Encaro-o como um prémio pessoa para várias pessoas, porque sendo atribuído a alguém do teatro, é necessariamente um prémio coletivo. Acho que nenhum caminho se faz sozinho, mas em teatro sobretudo os caminhos são coletivos, portanto é um prémio que não me honra só a mim, mas premeia também muitas centenas de pessoas que nos últimos vinte e poucos anos acompanharam no meu trabalho, e colaboraram no meu trabalho, construíram aquilo que eu posso chamar o meu trabalho de teatro: muitos atores, muitos técnicos, muitos produtores, muitos teatros", destacou Tiago Rodrigues.

O diretor artístico do Teatro Nacional Dona Maria II considera que esta distinção "premeia também a qualidade e a vitalidade do teatro português apesar das muitas dificuldades que enfrenta cronicamente".

O júri consagra uma carreira de "excecional projeção dentro e fora do país" e reconhece o "contributo notável para o desenvolvimento do campo das Artes Performativas portuguesas", lê-se na ata do Prémio Pessoa 2019.

Encenador, dramaturgo, ator e produtor teatral, Tiago Rodrigues "é hoje uma presença regular nos principais palcos europeus, entre eles os do Festival de Avignon ou do Teatro da Bastilha", enumera o júri que destaca também o facto de ter sido convidado para encenar para a Royal Shakespeare Company, em Londres, "a sua peça Blindness and Seeing, baseada nos romances de José Saramago".

Prémios nacionais e internacionais no currículo
Filho do jornalista Rogério Rodrigues, que faleceu no início de outubro, Tiago Rodrigues colaborou com os Artistas Unidos nos seus primeiros anos como ator. Aos 21, trocou a escola de teatro pela companhia belga tg STAN, com quem colaborou até 1998, tendo apresentado espetáculos em francês e inglês em mais de 15 países.

"Começou por se destacar no panorama artístico português quando foi cofundador do projeto Mundo Perfeito", em 2003, sublinha o Prémio Pessoa. Criou esta estrutura com Magda Bizarro e "apresentou mais de trinta produções, quer em Portugal, quer em alguns dos mais importantes festivais e temporadas na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos".

Com Mundo Perfeito, o "repertório abordado incluiu leituras contemporâneas de autores da dramaturgia clássica, da Antiguidade a Shakespeare e Strindberg, bem como estreias de autores portugueses como José Luís Peixoto, Jacinto Lucas Pires ou José Maria Vieira Mendes". Tiago Rodrigues foi autor das obras Se uma Janela se Abrisse, Tristeza e Alegria na Vida das Girafas ou Três Dedos Abaixo do Joelho. "Empenhado num constante diálogo entre o Teatro e as demais linguagens artísticas, colaborou com o coreógrafo Rui Horta e com os cineastas Tiago Guedes, João Canijo, Bruno de Almeida e Marco Martins e foi autor do guião da série televisiva Noite Sangrenta", realça o júri.

Aliás, uma das suas criações, Três Dedos Abaixo do Joelho, foi distinguida duas vezes na categoria de Melhor Espetáculo de Teatro de 2012 pela Sociedade Portuguesa de Autores e pelos Globos de Ouro.

"Imprimiu um novo dinamismo" no Teatro Nacional Dona Maria II
Além do percurso como ator, encenador e produtor, o Prémio Pessoa distingue a "intensa atividade pedagógica" de Tiago Rodrigues. E dá como exemplo o seu contributo na escola de dança contemporânea PARTS, de Bruxelas, onde começou a trabalhar como professor convidado aos 26 anos. Dá também aulas em escolas portuguesas como as Escolas Superiores de Música e Artes do Espetáculo e de Dança e na Universidade de Évora.

Em 2014, ao ser nomeado para liderar a direção artística do Teatro Nacional Dona Maria II, levou a cabo "um ambicioso projeto de internacionalização" da instituição, refere a nota do Prémio Pessoa. "Imprimiu um novo dinamismo desde logo reconhecido pela crítica e pelo público. É de sublinhar, em particular, o papel que, sob a sua orientação, o Teatro Nacional tem vindo a desempenhar na articulação com os projetos teatrais independentes e com a circulação de produções por todo o país", pode-se ler ainda no documento.

"A sua intervenção tem também uma forte dimensão comunitária, estando, nomeadamente, associado a projetos de natureza social envolvendo jovens e seniores", sublinha o Prémio Pessoa.

Entre os prémios nacionais e internacionais que tem no currículo, destaque para o "Prémio Europa de Teatro de 2018, a atribuição do grau de Chevalier des Arts et Lettres pela República Francesa, ou o prémio da Associação Profissional da crítica francesa para a melhor peça do ano".

No ano passado, o Prémio Pessoa foi atribuído ao geógrafo Miguel Bastos Araújo pelo seu percurso no estudo do impacto das alterações climáticas na biodiversidade. É investigador da Universidade de Évora, catedrático da Universidade de Copenhaga e do Imperial College de Londres, e um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas e biodiversidade.

Este prémio é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país. Esta é a 33.ª edição do Prémio Pessoa, uma iniciativa anual do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e tem uma dotação em dinheiro no valor de 60 mil euros.

Entre os anteriores vencedores do prémio estão o arquiteto Manuel Aires Mateus (2017), o escultor Rui Chafes (2015), o pensador Eduardo Lourenço (2011), a historiadora Irene Flunser Pimentel (2007), o escritor José Cardoso Pires (1997) e a pianista Maria João Pires (1989).

O Prémio Pessoa foi entregue pela primeira vez em 1987 ao historiador José Mattoso.

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