(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Inúmeras vezes, aquilo que por aqui vou partilhando, surge da aleatoriedade de alguns comentários que, amavelmente, são deixados. O que corresponderá ao caso de hoje. Tudo porque numa publicação que aqui fiz, um dos seguidores desta magnífica página se lamentava que, à sua descendente, lhe era ensinada História do Brasil. Considerando que, até determinada época, a História do país do lado de lá do Atlântico se confunde com a do deste lado, nem julgo isso lamentável. Aliás, a «Revolução Liberal» a que ontem fazia menção, muito se deve à partida da família real para o Brasil, onde assentou arraiais, aquando das célebres «Invasões Francesas» do início do século XIX. O que é lamentável é que nas nossas escolas não sejam ministrados ensinamentos acerca da nossa soberba História Regional e Local… Não sei se por desconhecimento, ou se por desinteresse… Adiante…
Na resposta que deixei a esse pertinente comentário, continha esta nota: «E um dos primeiros regentes do Brasil até era bragançano»… E pensei para os meus botões: «Nem é tarde, nem é cedo, porque a dita figura até nasceu em Dezembro, e cumpriram-se, há poucos dias, quase 250 anos sobre a data do seu nascimento. E não haverá muitos, com bastante probabilidade, que a conheçam»… Por isso aqui a trago…
Muitos saberão que o nosso D. Pedro IV foi, igualmente, o primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro I. Há quase 195 anos, abdicaria em favor do seu filho, o futuro D. Pedro II do Brasil. Todavia, este, nessa época, tinha pouco mais de 5 anos de idade, não podendo, até à sua maioridade, reinar. Até lá, conforme estava consagrado na lei, foi necessária a constituição de uma Regência, que ficaria conhecida como «Regência Trina», por ser constituída por três elementos. E, na primeira Regência Trina, a qual, dada a urgência da sua constituição, ficaria conhecida como «Provisória», um dos seus membros e, como tal, um dos primeiros «Regentes do Brasil», era… Bragançano!!!
Ficaria conhecido para a História como Senador Vergueiro, uma destacadíssima figura que se formaria, em Direito, na Universidade de Coimbra, tendo emigrado para o Brasil, no início do século XIX. País onde ocuparia cargos de relevância, antes e após a sua participação na «Regência Trina Provisória». Não é este o espaço apropriado para traçar a longa biografia deste ilustríssimo Bragançano. De tal forma ilustre que, de São Paulo ao Rio de Janeiro, passando por outras cidades, tem diversas artérias a ostentar o seu nome. Nome completo esse, para os interessados, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Nasceu na pacata, mas fantástica, aldeia de Vale da Porca, quando a mesma ainda pertencia ao concelho de Bragança, no último quartel do século XVIII.
Por curiosidade, há, inclusive, um município, no estado do Rio Grande do Sul, chamado «Nicolau Vergueiro». Todavia, é em honra do bisneto homónimo do nosso Bragançano, também ele uma figura de destaque na política brasileira, especialmente como Deputado Federal. E porque mencionei o Rio Grande do Sul… Lembrei-me da sua capital, Porto Alegre. Onde existe uma avenida a ostentar o nome de outro grande Bragançano: a Avenida Sepúlveda! Artéria essa que honra Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, o Bragançano retratado no magnífico painel de azulejos que ostenta a soberba Igreja de São Vicente. Bragançano este que, entre outros cargos de relevância, foi Governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro, posteriormente Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Consta-se, inclusive, embora erradamente, que terá sido o fundador de Porto Alegre.
Como tal, por entre muitas outras personalidades Bragançanas ligadas à História do Brasil, hoje aqui relevo a do Senador Vergueiro e a do General Sepúlveda. Dois grandes Bragançanos, tal como muitos outros grandes, remetidos às «gavetas do olvido». Como se não soubéssemos vangloriar o tanto que temos e somos… Diz isto um primo afastado do Senador, que Vergueiro também é… Orgulhosamente…
(Foto 1: «Rua Senador Vergueiro – Rio de Janeiro» - Rio – Casas & Prédios Antigos)
(Foto 2 – «Av. Sepúlveda – Porto Alegre» - Paulo V. Fernandes)
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

