A Câmara de Bragança apoiou as duas corporações de bombeiros do concelho, de Bragança e Izeda, com um apoio superior a 725 mil euros. A assinatura de protocolos de cooperação institucional, para relativos ao ano de 2026, decorreu ontem. Este apoio representa um aumento face a 2025, ano em que o investimento se fixou nos 694.428,72 euros. “Houve um aumento, mas esse aumento tem a ver com a subvenção direta ao funcionamento das corporações, o apoio às equipas, porque houve atualizações salariais e esse aumento resulta dessas alterações salariais. Quanto aos serviços protocolados, como por exemplo o abastecimento da água, a recolha de animais, a utilização da autoescada, aí os valores protocolados mantiveram-se em relação ao ano anterior”, esclareceu a autarca Isabel Ferreira.
Sem este apoio, o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Izeda, José Fernandes, garante que não era fácil prestar o socorro à população. “De facto, sem este protocolo não teríamos a porta aberta, era impossível. Não conseguíamos sobreviver, porque não tínhamos condições financeiras”, frisou.
Bombeiros de Izeda pedem ao município que faça pressão junto do Governo para se tornarem num PEM
Durante a assinatura de protocolos, João Lima, voltou a relembrar que a corporação dos Bombeiros de Izeda deveria ser um Posto de Emergência Médica (PEM), algo que reivindica há vários anos, visto serem só Posto de Reserva. “Temos de pagar a ambulância quando a compramos. Temos de pagar os homens que gerem a ambulância, que estão preparados para isso e estão 24 horas de vigilância”, disse. Reforçou ainda que no que toca a ocorrências mensais estão acima “da média da maioria das associações do distrito”, ficando apenas atrás da de Bragança e Mirandela. O presidente dos bombeiros de Izeda garante que financeiramente também não é fácil. “É um arrombo muito grande porque nós estamos a subsidiar o socorro ao Estado”, destacou.
Face à exposição deste problema. A presidente da autarquia brigantina referiu que “a competência não é de todo do município”, a única opção será “interceder junto do Governo, em particular do secretário de Estado da Proteção Civil, para que haja esta atenção para com os bombeiros de Izeda, porque em relação, por exemplo, aos bombeiros de Bragança, claro que também a intensidade da atividade é diferente, mas em Bragança essa situação não se coloca. Eles também prestam serviços de resposta à emergência, mas não tem um valor à partida protocolado que sustente, do ponto de vista financeiro, a atividade de socorro desta corporação e, portanto, os serviços são pagos conforme vão sendo necessários”, explicou.
“Ninguém vai ficar sem socorro”, garante o presidente dos bombeiros de Bragança
Na mesma celebração de protocolo, José Fernandes, o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança, reforçou que “ninguém vai ficar sem socorro, ninguém vai ter atraso no socorro. Nós saímos ao segundo, não demoramos um minuto, os registos são feitos desde que somos acionados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), até que saímos para a ocorrência. Temos meios humanos e materiais necessários, suficientes, para socorrer a população de Bragança”, salientou, no âmbito das últimas notícias sobre a morte de pessoas, pelo alegado atraso do INEM. No entanto, José Fernandes destacou que se há atrasos deve-se ao sistema do CODU. “Nós só podemos sair quando somos acionados pelo CODU. Para as pessoas perceberem, o CODU é uma central que existe no Porto, que quando as pessoas ligam o 112, é lá que vai parar a chamada. Depois fazem uma série de perguntas, e umas vezes demoram a atender, outras vezes demoram a contactar os corpos dos bombeiros. Desde que nos contactam até que a ambulância sai são segundos”, começou por explicar, apontando que não considera este sistema eficaz. “Funcionava muito melhor, eu digo com todas as letras, quando tínhamos o 112 em Bragança, porque havia um conhecimento da realidade. E tem havido falhas, já fomos acionados para paredes. Quando eram paredes ao pé do Porto, por exemplo”, contou.
Declarações à margem da assinatura de protocolos de apoio, mais de 500 mil euros são destinados à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança, enquanto a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Izeda beneficia de um apoio total superior a 225 mil euros. A diferença de valores resulta da adequação do financiamento às missões atribuídas, à dimensão da estrutura operacional, ao âmbito territorial e aos serviços adicionais assegurados por cada corporação, não traduzindo qualquer hierarquização ou priorização entre ambas.

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