(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Dizem os entendidos em etimologia que, com enorme probabilidade, a digna povoação do concelho de Mirandela deriva o seu nome de «máscara». Não, provavelmente, no sentido literal que hoje lhe damos, porém não foi a explicação do topónimo «Mascarenhas» que aqui me trouxe, propriamente… Mas sim o facto de, há precisamente 560 anos, ter sido comprada por Álvaro Pires de Távora, o 2º Senhor de Mogadouro.
Já por aqui trouxe a umbilical ligação dos conhecidos Távora à região bragançana. Não apenas porque foram donos e senhores de Mirandela, Mogadouro, Alfândega da Fé, Castro Vicente e Penas Róias, mas também porque a avó paterna do referido 2º Senhor de Mogadouro, era uma digna Senhora bragançana, da ilustre família dos «de Morais». O que significa que os célebres Marqueses de Távora eram descendentes de uma bragançana… Ninguém nos diz isso na escola…
Talvez também ninguém nos diga que o conhecidíssimo apelido «Mascarenhas» provém da nossa digníssima povoação do concelho de Mirandela e, consequentemente, do distrito de Bragança. Apelido que daria Vice-Reis, Governadores, Marqueses e demais títulos nobres, e até daria nome a umas ilhas. E também ninguém nos diz qual foi o primeiro «caramelo» a utilizar o dito famoso apelido. Rezam as crónicas que terá sido um tal de Estêvão Rodrigues, dizem-no «de Mascarenhas».
Também diz a cartilha que terá sido D. Sancho I a fazer-lhe a doação da povoação de Mascarenhas. “Ma nãu’e! Quem la fêzu foi um Bragançãu’e (só p’ra rimare)!”… E também afirma uma certa cartilha, pelo seu patronímico, que o dito Estêvão Rodrigues era um «Braganção», sobrinho do conhecidíssimo Fernão Mendes de Bragança, o Bravo. “Ma nãu’e, outra bêze!”… O dito Estêvão, primeiro senhor de Mascarenhas, o que fez a sua primitiva igreja e lhe deu como padroeira Santa Maria, era neto do construtor do… Castelo de Algoso! E, antes de tomar o apelido toponímico «de Mascarenhas», outro tinha, de uma das famílias mais importantes da época pela região bragançana.
Porém, o dito Estêvão tinha uma ligação aos «Bragançãos», que casado estava com uma dama «Bragançã». Que, por estas bandas, até determinada época, quem mandava eram os «condes» de Bragança, que os reis aqui pouco «pintavam»… Mas isso foi só até finais do século XIII, que a partir da morte do «último Braganção», o seu educando, D. Dinis, logo tratou de, definitivamente, “butare as manápulas’e” a estas terras, com algumas excepções. Como foi o caso de Mascarenhas…
Que permaneceu nas mãos dos descendentes do primitivo donatário até há, precisamente, 560 anos! E, como gosto de aniversários «redondinhos», aqui trago esta compra que o ascendente dos futuros Marqueses de Távora fez, para incrementar o seu vasto património por terras de Mirandela. Um negócio selado em Lisboa, onde as partes residiam, embora, coincidentemente, ambas carregassem «sangue bragançano», a primeira por via do construtor do Castelo de Algoso e dos Bragançãos, a segunda através dos «de Morais».
E assim Mascarenhas passou para as mãos dos também bragançanos Távora, depois de alguns séculos nas mãos dos descendentes do construtor do nosso magnífico Castelo de Algoso, «fundadores» que foram da magnífica Mascarenhas. São assim as nossas terras, cheias de tanto!
(Foto: Município de Mirandela)
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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