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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Montesinho - Uma pérola, entre as muitas, no distrito de Bragança

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Hoje, ao percorrer esta magnífica página, deparei-me com uma não menos magnífica imagem referente à aldeia de Montesinho. Muitos a conhecerão, é uma das «Aldeias de Portugal», e bem merece o título. Actualmente localizada na freguesia de França, até há cerca de 180 anos era, no entanto, freguesia autónoma. 

Quando se percorrem as ruas de Montesinho, entra-se noutra dimensão, onde a raridade, ao contrário de muitas aldeias trasmontanas, são as «maisons», aqui permanecendo muita da génese da arquitectura popular, onde sobressaem os telhados em lousa e as paredes de granito, ou as varandas típicas, algumas encantadoramente floridas. E, para os mais aventureiros, a uns quilómetros, a Barragem da Serra Serrada, e, um pouco adiante, sempre por paisagens que assoberbam os sentidos, um dos grandes desperdícios do Parque Natural de Montesinho, a Casa da Lama Grande. Era uma da, julgo, meia dúzia que fazia parte do conjunto de «abrigos de montanha» do Parque. Hoje, é o reflexo da forma como um país trata o seu património… Mas não vim aqui para escrever sobre isso… 

O que aqui me trouxe foi uma imagem… Que me fez recuar alguns anos, quando era mais dado a aventuras por este território único, incomparável, distinto. E a surpresa que tive quando me deparei, pela primeira vez, com a Igreja de Santo António, em Montesinho. Coisa que, na época, estranhei, porque desde remotos tempos, a dita igreja era da Santa Cruz. Embora já por lá existisse a invocação ao «nosso Sant’Antoninho». Entre outras coisas, nisso me detive, enquanto apreciava a arquitectura ímpar do edifício religioso, e já por aqui o trouxe, Santo António não é apenas «nosso» por ser o mais popular santo dos «santos populares». Também é «nosso» porque carregava «sangue bragançano», bisneto que foi de uma Bragançã. E são essas coisas que me absorvem quando visito a incontável riqueza contida nas nossas aldeias.

E fico a imaginar, no caso específico de Montesinho, os seus frades beneditinos fundadores, a circularem por velhos caminhos medievais, em simultâneo tratando da espiritualidade dos primeiros habitantes de Montesinho. Já lá vão quase 800 anos desde que um mosteiro que já por aqui trouxe, o de Santa Maria de Moreirola, com autorização do Arcebispo de Braga, fundou uma igreja em Montesinho e consolidou mais um pedaço do seu vasto património fundiário. Parece, inclusive, que um outro mosteiro leonês também por lá teve propriedades, o de São Martinho da Castanheira, que também já aflorei aqui. Percebem por que «falamos de uma forma estranha»? A nossa História foi imensamente feita por cavaleiros e frades leoneses… 

D. Afonso III tentou dar a primeira «machadada» nas imensas posses que os mosteiros leoneses tinham por aqui. O seu filho, D. Dinis, tratou de, embora reconhecendo-lhes as posses, dar ordens para que fossem cobrados os respectivos direitos régios. A «machadada» final seria dada pelo seu neto, D. Afonso IV, que retirou ao Mosteiro de Moreirola a jurisdição que tinha sobre Montesinho. Coincidentemente, esta decisão régia ocorreu, num início de Janeiro, há exactamente 686 anos.

Circulando pelas esplêndidas ruas de Montesinho, também me lembro que a aldeia, então ainda freguesia, fez parte de uma Comenda da Ordem de Cristo, na dependência do «nosso» Duque de Bragança. E lembro-me de tanto mais… Mas isso sou eu, que procuro ver as nossas aldeias com outros olhos. E, em Montesinho, moram, pelo menos, 800 anos anos consecutivos de História documentada… O que dá para muita “scritura”… 

Por acaso já se atreveu a ir a Montesinho?

(Foto 1: Rua em Montesinho – Aldeias de Portugal) 

(Foto 2: Igreja de Montesinho – C. M. Bragança)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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