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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Festa dos Reis dos Caretos de Salsas juntou tradição e 20 grupos nacionais e internacionais

 O evento atraiu centenas de visitantes a esta localidade


A aldeia de Salsas, no concelho de Bragança, voltou a ser palco da Festa dos Reis, que reuniu este fim de semana cerca de 20 grupos de caretos, vindos de vários pontos do país e do estrangeiro. 

Mara Vaz, de 23 anos, veio de Pinela e apesar de neste dia não estar a vestir um traje original, explicou que “os originais são feitos com outras mantas, de outras cores. Mas os nossos de Pinela são muito parecidos até aos de Salsas, feitos com mantas que havia antigamente nas casas, que depois são adaptadas para os fatos”, onde predomina a cor vermelha. Segundo a jovem, a tradição na sua aldeia é antiga, mas esteve interrompida durante vários anos, tendo sido recuperada recentemente graças ao envolvimento da comunidade. “Começaram a falar com toda a gente para ver quem queria participar e a primeira vez que participámos foi nesta festa. Adorámos. É engraçado podermos meter-nos com as pessoas e elas não saberem quem somos.” Atualmente, o grupo conta com cerca de 20 elementos e apresenta uma grande diversidade etária.

A tradição continua também viva entre os mais novos. Marcos Magalhães, de 12 anos, careto vindo das Arcas, não escondeu o entusiasmo. “É uma tradição muito bonita e eu gosto muito.” Questionado sobre o ritual de chocalhar, respondeu com um sorriso: “Às vezes quando são as raparigas mais bonitas”, brincou. 

De Salsas, Carlos Miranda, careto há três anos, destacou a paixão associada ao ritual. “Isto é uma brincadeira muito antiga e a gente faz isto com dedicação e paixão. Chocalhamos as meninas com muito carinho, não podemos aleijar. É uma tradição”.

Quem já conhecia a tradição repete a visita, para aqueles que a conhecem pela primeira vez, as impressões foram positivas. Ana Rita de Pradinhos, de Bragança, contou que já conhece bem a festa. “Já não é a primeira vez que venho e é uma tradição muito bonita.” Reforçou que apesar das partidas dos caretos, sabe que tudo é vivido com boa disposição. “Já me despenteou toda, mas não há problema. É tudo brincadeira.” De mais longe, de Ovar, veio Andreia Borges, que participou pela primeira vez. “Surgiu a oportunidade através de um grupo que nos convidou. Fizemos um trilho e depois descobrimos este desfile dos caretos.” Sem conhecer a tradição, ficou rendida. “Estou a achar divertidíssimo, muito engraçado. Vale mesmo a pena”. Depois de ter sido “chocalhada” várias vezes, garante que quer regressar no próximo ano.

Um dos pontos altos da programação foi o desfile pelas ruas da aldeia com os vários grupos. O presidente da Junta de Freguesia de Salsas, Filipe Caldas, sublinhou a importância cultural do evento. “Para dar outra visibilidade, decidimos juntar culturas de outros povos e de outras freguesias. Cada uma tem o seu encanto.” Para o autarca, o essencial é preservar a autenticidade. “Manter os fatos, as máscaras e os chocalhos como se fazia há 100, 200 ou 300 anos. Ter o passado presente, manter o presente e passá-lo ao futuro.”

O dia terminou com a simbólica queima do ano velho, encerrando mais uma edição de uma festa que continua a afirmar Salsas como um dos palcos da tradição dos caretos em Trás-os-Montes.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira

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