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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

NOSTALGIA DO 1º DIA DO ANO

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Hoje o ano nasceu como uma página em branco.  E eu fico aqui, com as mãos manchadas de ontem, a ler as margens da minha própria vida, onde escrevi pouco e apaguei demais.

Carrego uma nostalgia que não é saudade do que vivi, mas pena pelo que não cheguei a viver. Pelas palavras que ficaram presas na garganta, pelos caminhos que apenas vi de longe.

Havia versões de mim que deveriam ter sido mais corajosas, mais inteiras, mais honestas.  

A minha vida tem gavetas fechadas, onde escondo sonhos, promessas e ousadias. Dentro delas, tudo envelheceu à espera.   Fui especialista em sobrevivência e aprendiz de felicidade. Escolhi a segurança como quem escolhe uma cela confortável, e chamei-lhe prudência para não lhe chamar medo.

Hoje, este primeiro dia do ano olha-me fixamente, sem acusações.  Lembra-me que o passado não dói apenas pelo que foi, mas sobretudo pelo que poderia ter sido. Cada silêncio, é um buraco no tempo e eu caminho por dentro desses buracos como quem atravessa uma casa em ruínas. 

Mesmo assim, ainda respiro. Ainda há chão à frente. O ano começa, e eu começo com ele, um pouco desiludida, mas desperta porque a nostalgia também é prova de que estou viva.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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