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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Os Falsos Profetas

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Um certo dirigente político da nossa praça, incapaz de o assumir diretamente, mandou espalhar por este nosso Portugal, cartazes para, dissimuladamente, dizer algo bem diferente do que ali estava escrito. Não satisfeito com o protagonismo obtido veio, por ocasião do Natal, “desafiar” os portugueses para assumirem claramente os nossos valores e cultura, concretamente, os valores cristãos de Portugal e da Europa.

Este apelo tem tudo para chegar ao coração dos habitantes de uma velha nação de cariz judaico-cristã, fundada na Reconquista do território ocupado, alguns séculos antes, pela moirama. Porém o pedido, tal como as polémicas mensagens, não resiste a uma análise séria e rigorosa.

Os valores cristãos não são propriedade de Portugal nem da Europa, mas, para ser preciso, têm a sua origem no Médio Oriente, na mesma região dos valores religiosos que, supostamente, se pretende combater, com semelhante rogo.

Mas, mais do que a origem, é imperioso olhar para os mesmos e, sobretudo para o seu conteúdo, significado e compromisso. Sucedâneo do judaísmo, o cristianismo, a par da abertura e inclusão de pessoas de religiões e tradições distintas, brilhantemente expressas nas epístolas de S. Paulo de Tarso, veio acrescentar aquele a glorificação das atitudes humanistas, nomeadamente a trilogia pregada e exaltada por Jesus de Galileia: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede e dar abrigo aos que têm frio. Sejam eles quem forem: aldeanos ou ciganos, africanos, brasileiros ou indostânicos.

Haverá, neste pedido, um recuo naquilo que tem sido o guião xenófobo de quem combate os mais humildes e necessitados da nossa sociedade atual?

Não creio.

Ao apelo para a defesa das tradições cristãs só me ocorre remeter para o próprio Jesus Cristo que alerta para os lobos com pele de cordeiro capazes de enganar até os escolhidos (Mateus 7:15 e Marcos 13:22). A única forma de os detetar e desmascarar passa pela análise das ações. É pelos frutos que se conhecem as árvores.

Mas se quisermos ser um pouco mais refinados, conhecendo os protagonistas, talvez seja adequado citar, o escritor britânico preferido do papa Francisco, tão citado por todos os dirigentes políticos, sejam de direita ou de esquerda. O romancista Chestertone garantia que todos os males procedem de alguma tentativa de superioridade pois por contraponto à maior virtude, a humildade, o pecado mais daninho é a soberba.

Reside, ainda segundo a Bíblia, na sobranceria, a origem de Satanás que sendo um anjo virtuoso e poderoso, tendo-se deixado tomar pela jactância e vaidade, rebelou-se contra Deus e, por essa razão, foi expulso do Paraíso juntamente com vários outros anjos, seus seguidores.

Para quem queira, de boa fé, dar relevo e substância aos valores cristãos da nossa civilização ocidental, devendo pautar-se pela solidariedade com os mais desfavorecidos, sem olhar a credo nem religião, não pode deixar de ficar atento a quantos com falinhas mansas e interpretações dúbias pretendem atirar-nos para caminhos ínvios e opostos aos pregados por Jesus e seus Apóstolos há dois milénios atrás.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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