Bragança, capital do Distrito, e que deve considerar-se como uma Cidade comerciante, não tem uma aula especial de Aritmética e Geografia, nem de História. Não há nesta Cidade, nem em todo o Distrito, uma tipografia, nem uma livraria pública, sendo muito raras e deficientes as particulares, o que é de grande falta até para os empregados públicos e autoridades, que podendo às vezes ter dúvidas, falta lhe este meio para as resolver, não sendo possível que cada um tenha consigo uma biblioteca. O clero, que é talvez o mais falto de meios, e o mais ignorante de todo o Reino, não tem um curso de estudos próprio, nem ao menos uma aula prática de moral. Não pode haver um quadro mais triste e miserável, e é preciso ainda confessar, que sendo esta a singela exposição dos factos, ele poderia apresentar-se muito mais feio e revoltante, se com lúgubres cores, e em satírica dicção, alguém tentasse descrever todas as consequências que deles se podem deduzir…
(Fonte – “Relatório da Junta Geral do Distrito de Bragança”,
Diário do Governo, de 11 de novembro de 1839)
No que diz respeito à educação e cultura no Município de Bragança, mais uma vez estamos perante uma realidade difícil de captar, uma vez que os poucos estudos desenvolvidos sobre esta temática raramente se debruçaram sobre a realidade específica do Município de Bragança. Contudo, nos últimos anos surgiram alguns trabalhos meritórios quanto a estes setores.
Maria Isabel Baptista (2004) forneceu-nos um estudo sobre A Escola Trasmontana entre 1759-1835, no qual aborda logicamente a realidade bragançana. Florinda Reis (2006) abordou a Pedagogia Moderna, o Espaço, os Instrumentos e as Práticas (1860-1960), dando contributos importantes sobre o ensino primário neste período.
Manuel Luís Castanheira (2006) aprofundou, em estudo de caso, a primeira e única Escola Infantil de Bragança (1915-1934). E Ângelo Vítor Patrício (1999), na sua Bragança Hoje: Sociedade e Cultura, também referiu alguns aspetos do ensino na Cidade.
Por outro lado, importa mencionar alguns investigadores que se dedicaram à realidade bragançana neste domínio após a Revolução de 25 de abril de 1974, como Henrique Ferreira (2004 e 2009), Evangelina Silva (2004) e Ana Maria Rodrigues (2013). De registar ainda o trabalho de João Cabrita (2004), os artigos de Eduardo Carvalho (1993), Maria Isabel Baptista (2003) e José Rodrigues Monteiro (2004), todos sobre o Liceu de Bragança; e ainda, os estudos de Vítor Bravo (1991) sobre a Escola Comercial e Industrial de Bragança; de Bárbara Fernandes (1996) sobre as Irmãs da Caridade do Colégio do Sagrado Coração de Jesus; e o de Alfredo Augusto Teixeira, sobre as Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, detentoras do Colégio S. João de Brito e do Jardim de Infância e Escola Básica do 1.º Ciclo Santa Clara.
Quanto às instituições culturais de Bragança, a investigação é ainda mais dispersa e lacunar, a exigir também o seu historiador.
É tendo como palco este panorama que devemos ler o texto que se segue, uma mera introdução para trabalhos mais aprofundados que importa fazer ou incentivar – por exemplo, o Liceu Nacional de Bragança, o Seminário de Bragança, a instrução pública no Município, a educação extraescolar e de adultos, o associativismo cultural e as instituições de cultura, dariam, só por si, outras tantas teses de doutoramento.
A EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO EM BRAGANÇA
No âmbito deste tema, vamos efetuar uma análise da evolução do número das escolas e respetivos alunos do Município de Bragança, nos séculos XIX e XX, aos mais diversos níveis de ensino – básico, secundário e superior –, e o lento combate contra analfabetismo.
Mencionamos ainda as instituições de beneficência e apoio social, uma vez que algumas delas, fundadas pela Diocese, Congregação do Sagrado Coração de Jesus e pelas Servas Reparadoras, ainda antes de 1974, ministraram educação e ensino, embora sem paralelismo pedagógico.
Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

Sem comentários:
Enviar um comentário